Às vezes acho que tenho um problema

Coisas do dia a dia

Coisas tão normais

Me parecem forçadas, tão artificiais

É como não estar aqui

Como ver tudo de longe

Ser envolvida pela névoa

E lentamente sumir

Às vezes raiva explosiva

Às vezes apatia

Às vezes completa falta de sentimentos

Um vazio de escuridão fria

Não sei mais o que fazer

Estou fora do meu lugar

Sempre sozinha, subestimada

Às vezes quero dormir e nunca mais acordar

Qual é o sentido dessa vida?

Será que as coisas um dia melhoram?

Seria mais fácil desistir de tudo?

Eu me pergunto...

Tento me distrair

Invento coisas que façam o tempo passar

Mas lá no fundo a verdade grita

E nada pode calar

O sono deveria ser refúgio, guarida

Mas mesmo aí minha mente me persegue

Pesadelos, noites inquietas

Jamais me permitem a paz merecida

Me tornei mestra da máscara

Da ironia e dos sorrisos forçados

Ninguém percebe

Talvez seja por que não se importem o bastante para me olhar através do escudo

Sou uma sombra

Que vaga pelos baixios da história

Seguindo o eco do riso distante

Daqueles dias de glória

Caminho sozinha por essa história sem fim

Esperando que um dia essa prova acabe

Um sinal indicará a direção

E estarei em casa, enfim