Canção Vintage (Crânio & Magrí - Os Karas)
40 (Um Interlúdio...)
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Álvares de Azevedo
— Então é isso? Esse é o fim?
Crânio não sabia o que era pior. Se era a calma controlada de Magrí ou a dor visível nos olhos dela que o oprimia. Os galhos do velho carvalho balançaram na brisa outonal, e num relance do inconsciente do garoto, ele percebeu que estavam debaixo da mesma árvore que Magrí subiu para salvar um gatinho. Parecia que foi eras antes, uma vida inteira.
O caroço na garganta de Crânio estava sufocando-o. Magrí piscou com os olhos cintilando, mas ela não deixou uma lágrima escorrer. Crânio tentou falar:
— Você tem razão. Já fizemos muitos danos, não é? É justo que paguemos por isso.
Crânio preferia mil vezes que ela gritasse, xingasse, falasse qualquer coisa cruel contra ele, menos aquela serenidade resignada, como as nuvens silenciosas que se formam no céu antes da tempestade. Era tudo muito pior, um pesadelo. Ele nunca a tinha visto daquela forma — impotente, mais vulnerável do que nunca.
Ele se engasgava com as palavras. Estava sentindo sufocado, as mãos tremiam e os pensamentos estavam completamente bagunçados.
— Magrí, eu... eu... n-nunca, nunca vou am-
A menina, agora não mais tão menina assim, colocou o dedo indicador nos lábios de Crânio silenciando-o. Havia algo nela, naquela compostura tão serena que lembrava o rapazinho a serenidade de uma rainha que sabia que a guerra estava perdida, mas que aguentaria o que viesse com a coroa impecável entre os cabelos e os ombros eretos.
— Querido, por favor, não me prometa nada que você não possa cumprir.
Ela se afastou rapidamente não deixando que Crânio nem ao menos tocasse-lhe a mão. A expressão serena de Magrí se quebrou por alguns instantes enquanto murmurava:
— Nós fomos um erro, mas... mas eu não me arrependo.
— Eu também não — Crânio deixou uma lágrima teimosa escapar no canto do olho — Eu amo você.
Ela acenou, arrumou a mochila nas costas e desapareceu como se sumisse no ar. Crânio já havia lido muitos poetas e romancistas descrevendo a sensação de ter o coração partido. Contudo, naquele dia ele pôde enfim entender a dor descrita nos versos de Álvares de Azevedo. Magrí nunca foi um erro, disse para si mesmo, mas sabia que ela queria distância pelo tanto de remorso que sentia.
Crânio nem ao menos se recordou depois como chegou em casa.
***
Agosto de 1986 — 5 meses depois
O som abafado da ponta do lápis batendo lentamente no papel se misturava aos murmúrios dos outros alunos na biblioteca. O garoto encarava as operações matemáticas que para um aluno comum seria quase impossível de resolver, mas para ele era só um passatempo, uma das formas que encontrou para deixar a mente sempre ocupada. É claro que sabia que ela estava lá do outro lado da biblioteca com o rosto escondido num grosso livro de anatomia e corpo humano. Sorriu fracamente ao lembrar-se de um passado feliz...
O garoto acordou dos devaneios com a voz de Calú que se sentou a frente de forma espalhafatosa, jogando os livro com um baque que espantou Crânio e a outra mesa com estudantes.
— Urgh eu odeio geometria com todas as minhas forças! — resmungou o jovem ator com uma careta sem se preocupar em falar baixo — Eu odeio, odeio o Prof. Humberto com aquela voz empolada dele que parece que tem um ovo na boca!
Crânio encarou Calú com um sorriso irônico.
— Geometria é fácil, Calú. Não seja tão dramático.
Calú fez um som de desdém pela garganta.
— Fácil para você, cabeça de ferro! Por que a gente não fica só na equação de segundo grau até o ano que vem? Por que eu preciso saber a diferença de um triângulo isósceles de um triângulo escaleno? Eu prefiro repetir o papel do Puck* com aquela roupa horrorosa de duende por três noites seguidas do que estudar Geometria!
A bibliotecária apareceu por trás dele num pulo e puxou Calú pelas orelhas. Os oclinhos da velha senhora cintilavam e a boca encrespada parecia conter toda a fúria da mulher. As mãos secas e as unhas em garras dava um aspecto reptiliano na sua forma.
— Escute aqui, mocinho — ela sibilou entre dentes — Se você continuar fazendo esse escarcéu aqui dentro eu vou pôr você para fora!
— Sim senhora, sim senhora, desculpe! — Calú gemeu sentindo a orelha queimar.
Ela bufou e se afastou arrastando as pernas secas ao som das risadinhas dos alunos do nono ano. Calú corou e olhou feio para Crânio que tinha abaixado a cabeça tentando esconder a risada.
— Haha pode rir — disse ele com ironia massageando o lóbulo da orelha — Aquela velha morcego!
Crânio não aguentou mais e deixou a risada escapar com a mão na boca para não ser o próximo na linha de fogo da dona Úrsula. Calú continuava vermelho, mas até ele sorriu um pelo canto da boca enquanto arrumava os cadernos e livros que jogou em cima da mesa. Mal humor não era algo que Calú cultivava por muito tempo.
— Deixa para fazer esse drama todo no palco, Calú — Crânio provocou — E eu prometi te ajudar com Geometria. Se depois você for mal na prova, a culpa não vai ser minha.
— Eu fico lisonjeado com o seu voto de confiança — o rapazinho não escondeu o tom solene e debochado — Mas eu preciso mesmo de ajuda com isso, se não eu vou bombar na prova.
Por fim os dois começaram a estudar por quase duas horas, Crânio explicando com toda a paciência a um relutante Calú sobre os princípios básicos da Geometria como se estivesse falando dos passeios de férias. Era visível não somente a paixão do rapazinho pelo assunto, mas também a facilidade com que ele ensinava. Depois de fazer mil perguntas, desenhar triângulos, rabiscar e rasgar várias folhas de caderno com anotações e contas, Calú se recostou na cadeira satisfeito.
— Poxa, Crânio eu não queria te elogiar para você não ficar se achando mais do que já se acha. Mas realmente você é um gênio, e eu não sabia que você ensinava tão bem assim.
O garoto revirou os olhos mas sorriu para o amigo. Porém o sorriso se desfez levemente antes dele responder. Ela vivia dizendo aquilo para ele, mas o garoto sempre dizia que não tinha intenção de virar professor. Discretamente a encarou do outro lado da biblioteca. Magrí continuava anotando coisas no caderno cor de rosa (o da Moranguinho, pensou com Crânio com carinho) mas ele percebeu que ela sorria discretamente como se estivesse ouvindo a conversa dos dois amigos.
— Alguém vivia me dizendo isso — murmurou.
Calú tinha seguido o olhar do amigo. Ele se inclinou para mais perto de Crânio sussurrando:
— Vocês não estão se falando? Brigaram?
— Não, não brigamos, mas… Você sabe, Calú. Não estamos mais juntos.
O garoto franziu a testa. Crânio o conhecia bem para saber que o rapazinho tinha muito o que dizer a respeito daquele assunto… e outros também.
— Se você quer saber a minha opinião, não é justo.
Crânio levantou a cabeça num estalo.
— Não é justo o quê, Calú?
— Não é justo vocês dois ficarem separados por causa dele. É isso. A bomba já estourou, Kara.
— Não somos mais K...—
Calú o cortou com um aceno com a mão.
— Não importa. Miguel pode achar o que ele quiser sobre os Karas, mas vamos continuar sendo Karas juntos ou separados.
Crânio viu Magrí levantar um pouco a cabeça e olhar para a nuca de Calú e depois para ele. Quando o olhar dos dois se encontrou, ela voltou a atenção de novo para os livros rapidamente.
— Vocês dois deveriam voltar e que se dane o que vão pensar — Calú deu de ombros — Eu não vejo razão para se separarem. Ela cansou de você?
— Não… eu acho — Crânio suspirou — Calú, eu realmente não quero ter essa conversa.
— Eu não perguntei se você quer, oras mas vamos ter sim — Calú quase sibilou — Vocês não podem se punirem desse jeito, o que aconteceu já não foi punição o suficiente? Para quê vocês dois estão se impondo essa penitência?
Crânio jogou o lápis em cima da mesa com um longo suspiro. Baixou a voz o máximo que conseguia.
— Calú, pensa um pouco mais. Ela não merece ficar no meio de toda essa bagunça e comigo do lado como um lembrete de todo aquele desastre, do amigo que perdeu por minha...—
Calú fechou a cara e o cortou num sussurro furioso:
— Pelo amor de Deus, Crânio! Quantas vezes que eu vou ter que te falar que a culpa de toda essa merda não é toda sua? Já repassamos essa história mil vezes, mas você é mais teimoso que uma mula!
— Eu o provoquei, Calú, eu escondi tudo dele, eu menti — a voz de Crânio subiu uma oitava.
Ele parou e balançou a cabeça. Continuou sussurrando:
— Eu não sei onde estava com a cabeça. Nunca pensei seriamente em dizer alguma coisa para Miguel sobre Magrí. Sobre… sobre estarmos juntos. Estávamos.
A moça em questão já havia se levantado e saído sem antes dar um último olhar para a mesa dos dois amigos. Calú encarava Crânio com um olhar cheio de crítica.
— Será que ela também não está sofrendo longe da sua casmurrice que gostava tanto?
— Ela vai ficar melhor sem mim. Eu nunca a mereci.
O tom de Crânio era definitivo. Calú sentiu que não adiantava aquela discussão — não naquele momento, pelo menos. Porém, ele era tão teimoso quanto e estava determinado a pelo menos juntar o amigo com Magrí de novo. Era uma tarefa mais “fácil” se comparado em unir os Karas.
Calú era o que mais estava por dentro do que acontecia na vida dos amigos, e o rapazinho era o que mais conversava com os outros ex-Karas, até mesmo Miguel. Chumbinho falava com todos, mas com o presidente do Grêmio mantinha um tom solene um pouco ressentido. O garoto sabia da verdade, claro, mas não conseguia evitar o ressentimento com Miguel por dissolver os Karas, mas o respeitava demais para ficar verdadeiramente bravo. Talvez a palavra correta seria decepcionado.
Crânio por sua vez sentia todos os dias a falta que Magrí fazia em sua vida. Eles se cumprimentavam como se fossem apenas colegas de sala, nada mais. Sentia falta do som da risada dela, das provocações, das longas conversas que tinham, dos beijos dela…
Balançou a cabeça despistando os pensamentos melancólicos. Ela ficaria bem sem ele, tinha certeza disso.
Crânio estava tão absorto que se esqueceu da presença de Calú até o amigo chamar a atenção dele de volta para a realidade.
— E aquela história de você pular o terceiro ano e ir direto para a universidade? O que você decidiu?
O rapazinho encarou o amigo com surpresa, pois tinha esquecido completamente a conversa que teve meses antes com a orientadora sobre a possibilidade dele terminar o ensino médio antes de todo mundo.
— Poxa, Calú. Eu não sei. Na hora me pareceu uma ótima idéia, mas agora… — ele franziu a testa — Não sei, não sei…
Calú piscou sem entender.
— Como assim? O que você está esperando para fazer essa prova e cair fora daqui? Você vai terminar a escola com 16 anos! Quem me dera…
— O quê? — Crânio levantou a sobrancelha — Não me diga que você ainda está com essa idéia de trancar a escola para atuar no EUA?
— E o que há de errado? Não é que eu odeie a escola, Kara — Calú se recostou de novo na cadeira — Mas eu preciso começar a correr atrás de papéis profissionais, você sabe. O melhor lugar para conseguir oportunidades no teatro são os Estados Unidos…
— Lugar bem conveniente para você, diga-se de passagem — Crânio riu — Tenho certeza que não é só para trabalhar que você quer ir para lá.
Calú deu o seu sorriso de galã de novela. De dentro do caderno, ele tirou uma fotografia de uma garota muito bonita que sorria ao lado de um alazão com uma pelagem castanha brilhante.
— Não nego que ela é também uma grande motivação — ele suspirou — Ela ficaria muito feliz se eu fosse para morar no Estados Unidos. Tudo bem que eu fui para lá nas férias, mas ficar longe por seis meses é tanto tempo…
— Sabe, Calú não me leve a mal — Crânio começou com cautela — Mas você realmente me surpreendeu com esse namoro com a Peggy. Achei que não ia durar.
O jovem ator levantou uma sobrancelha.
— Confesso que não estava nos meus planos namorar à distância. Mas o que você realmente quis dizer?
Crânio se remexeu na cadeira de forma desconfortável. Não queria ofender o amigo, mas sabia que teria que falar a verdade.
— Quero dizer… err você sabe, você nunca namorou por muito tempo.
Calú corou por alguns instantes e pigarreou. Nunca tinha parado para pensar na fama que tinha principalmente entre a população feminina do Elite.
— Isso é passado — disse por fim — E o que você sente pela Magrí é o mesmo o que eu sinto pela Peggy ou até mais.
Crânio arregalou os olhos, mas sorriu para o amigo. Alguém tinha que realmente estar feliz em todo aquele drama.
Os dois amigos se levantaram guardando os livros na mochila e andando pelos corredores desertos da escola num silêncio amigável. Era fácil a companhia de Calú, Crânio refletia. Os dois se aproximaram ainda mais nos últimos meses e o geninho percebeu que apreciava o jeito descontraído e relaxado do amigo em contraponto com o seu temperamento mais sério e reservado.
Porém sentia muito a falta de Miguel. Havia coisas que às vezes Crânio queria partilhar que somente Miguel entenderia de verdade. Mas o rapaz era quem estava mais distante. As eleições para o Grêmio já eram na próxima semana e as campanhas estavam a todo vapor. Normalmente a eleição era no início do ano, mas com toda aquela história de fechar ou não o Elite, elas foram adiadas.
O Elite não estava ainda completamente recuperado, mas também não estava tão mal das pernas. Havia uma gestão nova no colégio e o diretor foi substituído antes do recesso de julho. Uma última festa da pizza ainda estava para ser marcada naquele início de segundo semestre, enquanto as edições anteriores foram um grande sucesso de público e arrecadação para a escola. Chumbinho alimentava a esperança de que os Karas se juntassem novamente para organizar o evento, mas era provável que o Grêmio iria tomar as rédeas.
O próprio Chumbinho se juntou a Crânio e Calú enquanto ambos deixavam a escola. O rapazinho parecia ansioso com alguma coisa e não parava de arrumar o cabelo. Calú e Crânio se entreolharam.
— O que foi Chumbinho? — Crânio perguntou — Está tudo bem?
O garoto acenou. Estava tão pálido que parecia que ia vomitar.
Calú colocou a mão no ombro do garoto.
— Tem certeza que você está bem?
Chumbinho acenou ainda mudo como uma porta, mas de repente ele soltou o ar e as palavras que estava segurando por longos minutos:
— Natáliaaceitoutomarsorvetecomigo!
Os dois garotos mais velhos piscaram surpresos. Por alguns instantes escutaram ao longe o barulho dos alunos e dos motores dos carros ligando. Por fim, Calú quebrou o silêncio com uma risada dando tapinhas nas costas de Chumbinho:
— Eu não acredito, até que em fim! Achei que eu ia ficar um velho caquético sem ver você tomar coragem em chamá-la para tomar sorvete!
Chumbinho estava vermelho como um pimentão, mas sorria de orelha a orelha. Só depois percebeu o erro que cometeu em contar sobre Natália justamente para Calú, mas naquele momento estava feliz demais para se importar com as brincadeiras do amigo.
— Muito bem, Chumbinho — Crânio sorriu — Seja gentil com ela.
— Claro — ele conteve um suspiro — Só espero que eu consiga falar alguma coisa perto dela! Sempre me sinto tão idiota quando ela sorri! Queria ter a confiança que vocês dois têm!
Calú riu mais ainda:
— Prática, tudo é prática. Além do mais Crânio não era tão confiante assim quando começou a sair com a… vocês sabem. Ele estava mais para um filhote de cachorro perdido.
Crânio deu um leve soco no braço do amigo em ultraje.
— Larga de ser mentiroso! Eu só estava nervoso e feliz, e bem… — ele passou a mão no cabelo — Faz tanto tempo…
— Só faltava colocar a língua para fora e abanar o rabinho — Calú gargalhou e Crânio revirou os olhos.
— Como eu ia dizendo, Chumbinho — Calú continuou — Não seja um cachorrinho.
Crânio segurou a risada pela expressão muito solene e séria que Chumbinho fez ao acenar com a cabeça. Estava realmente feliz por ele, por Calú… Era uma prova de que a vida continuava mesmo que não do jeito que gostaria.
***
— Muito bem, classe. Já separei as duplas para o primeiro trabalho do bimestre. Cada dupla vai trabalhar com um romance que eu escolhi — a professora encarou a sala seriamente — Alguns já receberam o nome da sua dupla, por favor, sentem-se juntos.
Crânio atravessou a sala sentindo o estômago dar todos os tipos de cambalhota que Magrí sabia fazer. E lá estava ela o encarando com os seus grandes olhos enquanto ele sentava na carteira ao lado dela. A prof. Cristina lecionava Literatura, matéria favorita de muitos bons alunos. Alguns poucos alunos resmungaram no fundo da sala quando viram os livros que trabalhariam e as duplas que fariam.
A professora se aproximou com um sorriso para os dois e um livro na mão.
— Aqui — ela colocou o livro na carteira de Magrí — Quero que vocês dois continuem trabalhando juntos na minha aula. Escolhi David Copperfield de Charles Dickens para vocês. No quadro tem as instruções do trabalho. Boa sorte.
Magrí baixou o olhar para a capa do livro. Como ávida leitora, ela já tinha lido e conhecia bem a história da vida e infortúnios do protagonista. Ela adorava aquela história, principalmente por causa do final belo e romântico. Sentiu os olhos de Crânio no rosto dela.
Ao mesmo tempo que seria doloroso ter que fazer aquele trabalho justo com ele, lá no fundo ela estava satisfeita por ser ele e não outra pessoa que provavelmente não entenderia o amor que ela tinha por aquela história.
Ela levantou o rosto e o encarou. Sabia a razão de gostar tanto do protagonista de Dickens enquanto o fitava. Sabia também a razão dele gostar tanto de outra personagem da obra, Agnes Wickfield… Por tantas e tantas vezes já terem discutido aquela obra juntos.
— Eu posso pedir para ela trocar o livro, se você quiser — Crânio continuava a fitando.
Magrí balançou a cabeça.
— Não, não quero que troque. Está tudo bem.
Crânio sentiu o caroço se formando na garganta. Aguentaria passar por aquilo? Estava mesmo fazendo a coisa certa?
Encarou o rosto de perfil de Magrí com o coração ainda mais apertado. Lembrou de Calú reclamando de Geometria, e pela primeira vez Crânio pensou se poderia passar de ano sem Literatura no currículo.
Piscou. Estava sendo covarde, e Magrí precisava dele.
Delicadamente pegou o livro das mãos dela e o abriu com o sorriso mais sereno que conseguia colocar no rosto:
— Podemos começar?
***
**Puck é um personagem de Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare
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