Camp Meio Sangue x Camp Júpiter
8 Rumo ao centro de Roma
Notas iniciais
Visão Percy:
Já andávamos a quase duas horas sem parar, pelo sol escaldante. Annabeth não reclamava, mais estava visivelmente cansada. A única coisa que comíamos era algumas frutas de umas árvores. Era a única coisa confiável. Andamos mais uns metros até encontrar uma cachoeira. Fiz um sinal para que entrássemos nela. Era um lugar único. A cachoeira tinha uma queda bem grande e o lugar era cheio de árvores para todo lado. Parecia um lugar inabitado e bem escondido por sinal.
–-- Então, o que acha de paramos para descansar? Perguntei ofegante.
–-- Boa ideia. Preciso me sentar um pouco.
Sentamos em um toco de uma árvore e ficamos olhando a paisagem, até que eu resolvo fazer uma pergunta.
–-- Você acha que falta muito para chegarmos?
–-- Não, acredito que amanhã estaremos lá.
–-- Vou nadar, você quer entrar na água?
–-- Não obrigada. Prefiro o solo firme.
–-- Então tudo bem. Prometo não demorar.
Tiro minha camisa e coloco sobre o toco de árvore. Dou um meio sorriso para ela e percebo ela me olhar discretamente. Ri internamente com isso. Essa era sua forma de dizer que gostava do que via. Eu sabia que ela não falaria e menos que eu a sondasse. Então resolvi dar um pulo na água que estava boa por sinal. Geralmente água de cachoeira é bem gelada, mais devido ao sol intenso essa estava muito boa. Fiquei alguns minutos na água, mais estava muito chato ficar sozinho aqui dentro. Resolvo sair e convidar Annie para dar um mergulho.
–-- Você não quer entra na água? Está muito boa.
–-- Não obrigada aqui está bom.
Não estava entendendo porque ela resistia tanto em entrar na água. Eu pensei um pouco e resolvi fazer uma brincadeira com Annie. Me sento ao seu lado para disfarçar. Depois de alguns segundos a pego no colo com rapidez pronto para jogá-la na água. Ela se debatia com vontade tentando se libertar de mim. Não estava entendendo nada, quando estou bem próximo da água vejo seu rosto ficar verde.
–-- Você não faria isso? Ela pergunta desesperada.
–-- Porque? Falei entrando na água com ela em meu colo.
–-- Eu não sei nadar. Ela fala baixinho, quase não escuto.
–-- Vai pode rir da minha cara. Ela fala corando levemente.
–-- Eu porque riria? Ela estava desesperada. Eu não sabia se ria ou se a tirava da água.
–-- Não sei, todo mundo sabe nadar. E.. Eu não.
–-- Nem todo mundo sabe nadar. E nem todo mundo se apavora desse jeito. Sabia? Relaxa, Annie você está comigo. Falei brincando. Mais eu não pude conter uma risada pela situação.
–-- É mais eu estou de roupa e você já me molhou toda.
–-- Você é feita de açúcar por acaso?
–-- Muito engraçadinho você. Agora me coloca no chão, porque eu só vou até onde a água bate na minha barriga. E você só está de cabeça de fora.
–-- Eu não vou te largar pode parar de tremer. Não tenha medo. Falo tirando onda.
–-- Será que eu não estou com frio senhor engraçadinho.
–-- Sim, madame. Agora está em terra firme. Bem você não acha que precisa de aulas particulares de natação?
–-- Nadar não é meu forte. Mais um dia eu aprendo.
–-- Que tal agora?
–-- Obrigado pela ajuda, mais eu não to afim e estamos sem tempo.
–-- Ok, mais eu vou cobrar as aulas tudo bem?
–-- Porque a insistência Percy?
–-- É que eu não posso perder a oportunidade de ver uma aluna como você em trajes de banho. Você é muito branca, aposto que não pega sol a anos.
–-- A anos não, mais faz tempo. Na verdade faz tempo que não tiro férias. Ela fala com um ar cansado.
–-- Seu trabalho era muito puxado?
–--- Um pouco, mais estou me referindo ao final da guerra e do perigo. To cansada de ir dormir preocupada com meu pai e com a minha vida sem saber o que pode acontecer com o dia de amanhã. Isso tudo é muito estressante.
–-- Eu entendo. O que você fazia quando...bem eu te atingi? Falei meio desconfortável, não gostava de me referir a esse momento, mais estava curioso para saber a resposta.
–-- A mesma coisa que estou fazendo agora indo atrás do meu pai. Já faz meses que não tenho notícias dele. Eu tenho medo de que o pior tenha acontecido. Eu não devia ter deixa-lo partir, tinha que ter ido no seu lugar. Ela fala bem distante parecia que se arrependia de algo.
–-- Mais não ia mudar nada Annie, ao invés de você estar preocupada ia ser seu pai. E ele estaria indo atrás de você. Talvez eu não teria te conhecido.
–-- É verdade. Ela fala sorrindo.
Juntamos nossas coisas e formos caminhar rumo ao nosso destino. Tudo parecia que ia dar certo. Já era fim de tarde o sol já se punha, a temperatura tinha caindo um pouco e o vento tinha ficado mais gelado. As árvores se mexiam rapidamente indicando uma brusca mudança de temperatura. Parecia que essa noite ia ser bem fria. Eu não me importava muito com o frio, só não queria que começasse a chover. Não estávamos preparados para isso.
Annie andava olhando fixamente para o chão e parecia extremamente pensativa. Era como se estivesse tramando alguma coisa. Andamos mais alguns metros até alguma que coisa tenta atingir Annie. Entro na frente para impedir que ela tome um golpe e acabo por levar um corte no peito. Eu estava ofegante, mais não ia me dar por vencido tão fácil. Ao levantar o rosto percebo ser um ciclope que empunhava em uma das mãos uma espada. Ele devia ter uns dois metros e meio e pesar muitos quilos. Sua cara estava fechada indicando estar sem paciência.
–-- Percy você está bem? Annabeth pergunta.
–-- Melhor do que esse ciclope depois que eu atingir ele. Falo com raiva.
Sigo em frente com toda raiva que estava instalada no meu corpo. Saco contracorrente do meu bolso e olho fixamente para o mostro que estava em minha frente. Vou em disparada e dou um corte em sua barriga com certa força. Analiso a situação nem esperando por uma reação do Ciclope e vou logo por dar outro golpe sendo logo sucessivo. Quando vejo a cena ele já tinha corrido e agora se escondia em algumas árvores distantes. Ele tinha fugido, porém me acertou em cheio antes de partir. Não tinha sido nada grave mais ardia bastante e tirava um pouco do meu fôlego. O importante era que Annie estava bem, já que ela se recuperava de uma cirurgia.
–-- Percy olha para você, precisamos parar.
–-- Eu estou bem, não foi nada. É só um corte atoa. Falo despreocupado.
–-- Não mesmo. Vamos passar a noite aqui. É o melhor a se fazer. Assim você descansa um pouco e eu posso cuidar desse ferimento pra você.
–-- Não Annie ta tudo bem. Você tem pressa não podemos parar.
–-- Percy, vou te ajudar do mesmo jeito que você me ajudou. E além do mais você me salvou é o mínimo que devo fazer.
–-- Tudo bem madame. Sendo assim não tenho do que reclamar.
Sentamos embaixo de uma árvore gigante que devia ter umas centenas de anos. Ela devia fazer uma boa sombra de dia e nos proteger do sol. Sento um pouco cansado, porém tentando disfarçar a dor. Eu não queria preocupa-la e nem dar trabalho algum. Eu imaginava que ela devia estar impaciente por perder tempo de viagem por um descuido meu.
–-- Ainda bem que trouxe uma mochila conosco.
–-- Você pensou em tudo mesmo.
Ela abre a bolsa retirando uma caixinha escrita primeiros socorros. Era pequena, mais parecia conter o essencial para um atendimento imediato. Ela parecia entender bem o que estava fazendo e tinha um olhar clinico sobre a situação. Em seguida Annie faz um coque desajeitado em seu cabelo e começa a retirar algumas coisas da caixinha. Eu não estava com medo de ser atendido por uma pessoa que não era médica. Pelo contrário os olhos cinzas de Annnie transmitiam uma segurança do estava fazendo. Perecia que ela já tinha feito isso antes.
–-- Você vai ter que retirar sua camiseta. Ela fala discretamente.
–-- A..Sim me desculpe.
–-- Olha Percy, não sou médica mais vou fazer o que puder para te ajudar certo. Ela fala tentando transmitir segurança, mais sua voz da uma leve falhada no final.
–-- Ok eu agradeço.
Ao retirar minha camiseta percebo ela olhar fixamente para meu peito. Dessa vez não fiz nada demais e nem brinquei com a situação. Ia ser chato da minha parte fazer isso. Ela estava super corada e agora mais do que das outras vezes já que dessa vez eu ia ficar mais tempo naquela situação e o contato ia de fato acontecer. Só então que eu me lembro que estou com Annie que é bem tímida. Ela sempre ficar desajeitada com essas situações a deixa mais encantadora ainda. Ela olha para meu corte e começa pegar alguma coisa. Quando vejo o que é o frasco que está em suas mãos dou uma leve franzida na testa.
–-- Você não vai colocar álcool né?
–-- Porque não? Precisamos limpar a área tingida. Não foi isso que você usou comigo?
–-- Foi mais isso arde pacas.
–-- Se eu aguentei você supera essa.
–-- Tudo bem Annie vai nessa.
Ela pega um pedaço de algodão e coloca um pouquinho do álcool nele. Em seguida passa levemente no lugar onde eu tinha sido atingido. Annie vai passando o algodão com calma e delicadeza, era como seu quase não sentisse o peso de sua mão sobre meu peito. Só que ainda sim eu sentia o ardido que o álcool provocava em mim. Eu devia estar fazendo uma dúzia de caretas feias para todo lado. Em quanto ela passava o álcool ia assoprando devagar o lugar atingido tentando diminuir minha dor. Ela realmente levava jeito para ser enfermeira, sua forma calma, decisiva e delicada de lidar com a situação aclamavam o paciente que no caso era eu. Logo eu que era um cara meio desesperado quando se trata de ajudar os outros.
Ao terminar essa parte ela, veio com a pomada e fez a mesma operação de antes. Eu estava mesmo era aproveitando que estava com uma enfermeira particular. Ainda mais minha enfermeira gata loira. Quer dizer não era minha, mais estava mais próxima do antes. Não podia me queixar de nada estava sendo bem tratado. Só que eu não podia deixar de tirar proveito da situação e fazer alguns comentários ou piadinhas. Esse era eu. E se nesse caso não tivesse nada ia perder a chance. Eu não estava sentindo mais tanta dor, mais ai fazer um pouco de manha para ver qual seria sai reação e para tentar um tratamento vip.
–-- Ai essa doeu, acho que vou precisar de algo melhor. Só essa pomada não vai adiantar. Falo fazendo uma cara maliciosa. Ela desvia o olhar pega outra coisa mostrando estar bem concentrada.
–-- Olha Percy eu não sabia que você era tão manhoso. Ela fala séria. Eu estava só zoando, fazia parte da minha brincadeira.
–-- Porque você está falando isso?
–-- Porque não quis passar o álcool alegando que ardia demais e agora está dizendo implicitamente que essa pomada não vai funcionar e que precisa de outro tratamento. Eu não sou burra Percy. Você acha que eu não percebi segundas intenções nesse seu comentário. Ela fala com um olhar reprovador. Eu não sabia se ria ou se desanimava. Minha tentativa de ganhar algo a mais tinha ido para o espaço. Talvez a abordagem não tivesse sido das melhores.
Quando a ouço suas palavras, foi eu quem fiquei vermelho de vergonha. Ela tinha sacado na hora o que eu queria dizer e devia estar rindo da minha cara isso sim. Mais fazer o que. Que homem em sã consciência nunca tentou algo a mais com sua enfermeira gata. A maioria termina assim como eu no toco, mais vai que a tentativa da certo. Nesse momento ela colocava o esparadrapo e a gaze sobre meu peito. Foi então que resolvi colocar minha mão sobre a sua acariciando um pouco. Queria quebrar o gelo da situação. Annie parecia mais séria que o normal. Isso estava me preocupando um pouco. Ela nem desviava o olhar do que estava fazendo, porém eu queria investigar melhor essa situação.
–-- Annie, eu podia estar só brincando mais você não quer reconsiderar o que falei? Digo de forma sincera. Fazendo um olhar de cão sem dono.
Ela pega devagar minha mão que estava sobre a sua e vai retirando lentamente. Como quem não quer, mais devia fazer isso. Ela estava mais travada do que o normal para falar e corou levemente deixando sua pele menos branca. Ela estava linda. A lua no céu fazia uma bela paisagem atrás de Annie. Resumindo o momento estava perfeito.
–-- Melhor não Percy. Ela fala em um tom compreensivo.
–-- Porque? Estamos aqui e bem eu preciso dos seus cuidados... falo entrando na brincadeira de novo.
–-- Olha Percy nua brincadeira pode ser engraçada uma vez, mais depois se torna constrangedora. E eu já estou cuidando de você.
–-- Me desculpe então. É que eu não resisto ao charme da minha enfermeira. Aquela que te atendeu no hospital nem chega aos pés de você.
–-- Obrigada pelo elogio Percy, mais você sabe que é melhor não tentarmos nada.
–-- É Verdade, mais devemos aproveitar todo tempo que temos juntos. Falo meio triste.
Nesse momento eu já me aproximava dela afim ficar na altura desejada. Eu não aguentava mais ver minha enfermeira cuidar de mim ficar ai sem cuidados nenhum. Era minha vez de retribuir. Seguro sua cintura afim de nos aproximar, porém percebo ela dar um leve recuada. Tinha sacado que não ia rolar nada, mais isso não impedia que eu a provocasse. Seguro com delicadeza seu rosto afim de beija-la. Percebo que ela estava um pouco apreensiva. Em seguida beijo sua bochecha de forma terna e suave apenas mostrando o que ela estava perdendo. Ela fica um pouco sem graça, mais para minha surpresa me dá um abraço acolhedor.
–-- Que bom que você entendeu.
–-- Como assim? Pergunto boiando na conversa.
–-- Bem por um minuto achei que você fosse...sabe...
–--- A sim, eu ai mesmo, mais desisti. Eu não quero forçar nada Annie. Você é uma pessoa muito especial eu não quero que se afaste de mim por um motivo bobo.
Ela estende a mão para mim e torna a falar.
–-- Amigos então?
–-- Amigos, entretanto me dê uma boa razão para isso. Apertei sua mão meio entristecido.
–-- Percy você sabe que mais cedo ou mais tarde vai ter de partir e se nós tivermos algo mais sério é capaz de eu não aguentar a sua partida. Vai ser como perder outra pessoa que amo de novo e eu não quero que isso se repita.
–-- Tudo bem eu te entendo. Agora vamos dormir precisamos descansar.
Não tinha acontecido como eu planejava, mais pelo menos eu continuava amigo dela. Aos poucos ia mostrando para Annie como as coisas podiam ser e que nem tudo acaba mal. Juntamos todas as coisas e fomos dormir ao pé da árvore. A ideia era acordar cedo e partir novamente rumo a nossa jornada. Já era muito bom saber que eu ia poder dormir junto com Annie mesmo sendo apenas amigos. Assim ia ter certeza que nada aconteceria a ela. O tempo estava meio frio, porém agradável e foi assim que passamos mais uma noite na floresta.
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