Camp Half-Blood ~ Fic Interativa
22 Capítulo XXI — Clarissa
Notas iniciais
“Nós fomos feitos para sentir a dor” — Three Days Grace.
— Ta bom, o que diabos você aprontou agora? — Perguntei enquanto puxava Raecius pelo colarinho da blusa.
Ele podia ser meu irmão preferido e eu podia não gostar muito de brigar com ele, mas Raecius estava começando a extrapolar os limites da minha pouca paciência.
— Eu não fiz nada, eu juro! — Raecius disse enquanto tentava se livrar de mim.
Larguei sua blusa e massageei as têmporas, estava começando a ficar cansada de ter que livrar o maior ali das suas encrencas. Ele já devia saber que não era nada bom mexer com as filhas de Afrodite e muito menos com os filhos de Eros.
— Você atiçou uma filha de Afrodite e uma filha de Eros — Falei com uma falsa expressão de calmaria. — VOCÊ FICOU LOUCO?
Distribuí socos – tapas era só pra garotinhas nojentas que tinham medo de quebrar as unhas – pelo braço de Raecius enquanto ele começava a rir. Grande filho da puta, o meu irmão. Ele segurou minhas mãos e abriu a boca para contestar alguma coisa, mas foi impedido.
— Quíron quer vocês dois na casa branca — Arianne informou enquanto se aproximava de nós. — Agora.
Raecius e eu nos entreolhamos. Eu ainda iria matá-lo, ah se ia. Seguimos Arianne até a casa grande em perfeito silêncio, o que era estranho já que Arianne costumava ser um rádio ambulante. Assistir a morte de Nicoly tinha mudado ela, todos podiam perceber isso. Não tinha ninguém na varanda da casa grande, em compensação quando chegamos a sala de estar, tinha tanta gente que o ar até estava pesado ali.
— Que isso? Festa da uva, é? — Perguntei encarando o mar de gente ali.
Tinham exatos 20 semideuses contando comigo naquela sala minúscula e Quíron em sua cadeira de rodas tentando controlar duas filha de Hades que estavam brigando.
— Alguém pode explicar que porra ta acontecendo aqui? — Perguntei/gritei já impaciente.
Todos se viraram para me encarar e pude perceber pela minha visão periférica que Raecius estava se controlando para não rir, chutei sua canela e rapidinho ele parou com a viadagem.
— Olá, Clarissa, que bom que se juntou a nós — Quíron me saudou com um sorriso nos lábios. — Chamei todos aqui porque temos muito o que conversar, por favor se acomodem — Nos pediu.
Encarei Quíron com a sobrancelha arqueada. Ele não tinha notado que tinha pouco espaço para que nós nos acomodássemos? Centauro maluco. Demos um jeito de nos organizar no chão e no sofá que tinha ali. Annabeth e Percy não estavam presentes, o que era ainda mais estranho já que eles SEMPRE estavam por dentro dos assuntos.
— Annabeth e Percy estão no acampamento Júpiter, com Madeleine — Quíron nos informou, agora sim tudo fazia sentido. — Bem, vamos ao que interessa... — Pausa para um suspiro. — Chamei especialmente vocês aqui porque são os semideuses mais dedicados do acampamento e são os que estão, de alguma forma, marcados.
O silêncio reinou na sala. Marcados? Sentido pra quê, não? Cruzei minhas pernas para me acomodar melhor no chão duro porque pelo jeito a conversa seria bem longa.
— Como alguns de vocês sabem, uma nova guerra está por vir e a Última Olimpiana foi raptada, motivo? Ninguém sabe e é por isso que chamei vocês aqui — Quíron continuou falando. — Precisam encontrar Héstia e trazê-la de volta para o Olimpo e depois... Bem, vocês já sabem: Precisam se preparar para a guerra.
Muitas coisas para fazer e pouca informação que fosse nos ajudar realmente, ás vezes o receio de Quíron em nos explicar as coisas direito me irritava.
— Vou precisar da ajuda de vocês para preparar os semideuses de nível baixo, vamos precisar de toda a ajuda possível.
Alguns de nós – com exceção de Beatriz, Aline, Carolina, Effy, Leo e Marissa – encarou Quíron com a mesma feição de “Calma aê, tio, explica essa porra direito”. Quíron soltou um suspiro, ele parecia estar meio cansado.
— Beatriz, Effy e Marissa vão explicar as coisas pra vocês, preciso que prestem bastante atenção — Quíron disse e se moveu um pouco com a sua cadeira de rodas. — Preciso ir resolver uns assuntos, até mais.
20 pares de olhos seguiram Quíron até a saída e depois 14 se viraram para fitar os que sabia das coisas e iriam nos explicar melhor. As três garotas que tinham recebido a missão de nos contar tudo engoliram em seco antes de começar.
[...]
Saí da casa grande com uma puta dor de cabeça. Era muita informação para processar: Hécate fazendo umas macumbas loucas com os corpos e almas dos semideuses mortos em batalha, a última olimpiana raptada por alguém que ninguém fazia a mínima idéia de quem era, um titã que devia estar morto e enterrado lutando pra voltar a vida e colocar o mundo no completo Caos e oh que beleza: Outra titã lutando para ajudar o mesmo a se reerguer. Lindo, muito lindo.
— Ah vai tomar no cu, quando teremos paz nesse caralho de mundo?
Encarei Raecius que estava puto da vida e soltei umas boas gargalhadas. Ele nem tinha pegado a época de Cronos e estava reclamando.
— Cale a boca, acho que essa guerra vai ser fichinha comparada com a última que tivemos — Revirei os olhos enquanto falava.
— Eu não to falando da guerra, to falando do fato deles quererem que nós sejamos babás dos mais novos — Raecius disse.
— Ahn... De qualquer forma, por sermos veteranos nós temos sim que instruir os mais novos — Murmurei. — Eu tenho que ir treinar e você, vê se fica longe das filhas de Afrodite e Eros, mocinho.
Encarei Raecius para ter certeza que ele tinha entendido o recado e me afastei. Precisava passar no chalé antes de ir me matar nos treinos. Encontrei o chalé de Ares completamente vazio, o que era normal para aquela hora do dia, todos os meus irmãos deviam estar treinando ou caçando monstros nas profundezas da floresta. Fui até a minha cama e peguei minha lança, mas notei uma coisa diferente ali. Encarei a caixa vermelha em cima da minha cama e franzi a testa, o que diabos aquilo estava fazendo ali? Tinha um pequeno papel grudado na caixa, me inclinei para pegá-lo e sorri um pouco ao lê-lo, no papel estava escrito:
“Tome muito cuidado ao usar essa arma, pequena semideusa, ela pode te destruir também. Dentro da caixa encontrará uma Espada Sangrenta. Ela possui o cabo de madeira branca e é revestida em ouro branco, sua lâmina possui 70cm. Sua ponta afiada é feita de bronze celestial. Cuidado ao ficar muito irritada com essa espada em mãos, ela é mágica e quanto mais intensa a sua raiva, mais a ponta da espada esquenta. Isso pode causar muitos danos ao inimigo, mas a você também se não usar com cuidado. Aproveite o presente.”
Amassei o papel e abri a caixa vermelha grande, encontrando a tal Espada Sangrenta ali. Quem tinha mandado-a para mim? O papel que tinha vindo com ela não tinha assinatura. A pessoa que tinha mandado devia estar querendo me ajudar já que eu só tinha a lança que tinha recebido do meu pai. Observei a espada com meus olhos brilhando em excitação, eu mal podia esperar para usar aquela espada.
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