Camp Half-Blood ~ Fic Interativa
12 Capítulo XI — Jhonny L.
Notas iniciais
“Mas você me trata como um estranho” — Gotye feat. Kimbra
— Mas que merda ta acontecendo aqui? Semideuses resolveram cair do céu nesse cassino do capeta? — Ouvi alguém falar ao longe.
Era estranho. Eu conseguia ouvir, mas não conseguia ver e nem falar.
— E pra melhorar tudo o pobre coitado ta desmaiado — Uma voz suave falou.
Tentei abrir a boca para responder, mas não consegui, era como se tivessem costurado a minha boca.
— Por que diabos esse ser está sem camisa? E o que é isso nas costas dele? — Dessa vez foi uma voz masculina que perguntou e logo depois senti mãos geladas tocando as minhas costas.
Acho que aquilo foi o bastante para eu despertar. Abri os olhos rapidamente e me afastei das mãos geladas.
— Nunca mais toque aí — Falei entre dentes.
Me virei para ver quem fora o idiota que tinha ousado tocar minhas costas. Franzi o cenho ao notar as pessoas ali, eu conhecia aquelas pessoas.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Perguntei, não necessariamente a alguém.
— O certo seria: o que VOCÊ está fazendo aqui? — A menina mais baixinha dali, que reconheci ser Arianne perguntou.
Olhei em volta antes de respondê-la e arregalei os olhos, mas que merda eu estava fazendo ali? Pelo o que eu me lembrava, eu devia estar no acampamento nesse momento me preparando para fazer uma ronda.
O hotel e cassino lótus era o último lugar que eu queria estar, aquele lugar não me trazia lembranças e se eu pudesse, sairia dali o mais rápido possível.
— Me deixe adivinhar... Você foi dormir e simplesmente acordou aqui, não foi? — Uma garota de pele pálida, cabelos negros e olhos esverdeados perguntou, ela era muito bonita e poderia muito bem ser uma filha de Afrodite.
— Arram, acho que sim, não me lembro muito bem — Murmurei.
Eles continuaram me encarando e eu encarando eles, aquilo era meio esquisito, mas tudo bem.
— Temos que achar os outros — Ouvi a voz de Nicoly, era difícil não reconhecê-la.
— Muito bem, vamos embora daqui antes que eu me mate — Arianne falou e saiu puxando Nicoly e Amber na frente, Nico e Hunter seguiram as duas e eu, sem escolha alguma, segui elas também.
— Falta a Anna, o Jhonny segundo e o Alan — Nico falou enquanto passava por entre as pessoas alienadas dali. Algo me dizia que tínhamos que sair dali rápido.
[...]
— EU NÃO ACREDITO QUE ACHEI DOIS NUMA... — Amber começou a gritar, mas foi impedida por Nico que tapou a boca dela com suas mãos.
— Você quer que eles nos encontrem? Pelo amor de Hades! — Ele falou irritado enquanto tirava a mão da boca de Amber que agora parecia um pouco mais calma. Do nada a garota começou a rir como uma maluca histérica.
— Amor de Hades? De onde você tirou isso? — Ela perguntou esquecendo-se totalmente das duas pessoas que nos olhavam assustadas.
A garota que só poderia ser Anna possuía a pele pálida, cabelos loiros e olhos verdes sem vida, pareciam quase cruéis e frios. O garoto que estava ao lado dela era alto, possuía os cabelos loiros escuros e seus olhos eram o que tinha de mais incomum ali. Seus olhos tinham uma coloração vermelha esquisita em que alguns pontos chegavam a ser meio amarelos.
— Por que os olhos desse garoto são assim? — Arianne perguntou.
Ela se aproximou do garoto de olhos estranhos e ficou na ponta dos pés para poder ver melhor, a cena seria até engraçada de se ver se eu não estivesse tão inquieto para sair logo dali.
— Por acaso vocês são Anna e Alan? — Nicoly perguntou aos dois. Eles se entreolharam e vi um certo alívio passar pelos olhos dos dois.
— Vocês são a ajuda? Finalmente! — Anna exclamou jogando as mãos pro alto.
— Arram, mas ta faltando um, então... Não vamos sair daqui sem ele — Arianne falou.
Depois saiu andando para eu sei lá onde. Hunter seguiu ela e logo depois Nico e Nicoly foram atrás. Aquelas pessoas eram malucas, tinham achado os semideuses que queriam e logo depois, tinham o abandonado ali sem explicação alguma.
— Vamos então? — Perguntei a Anna e Alan que me olhavam como se eu fosse um ser de outro mundo, eu não duvidava que fosse.
— Qual é o problema deles, afinal? — Anna me perguntou enquanto começava a andar ao meu lado.
— Isso é falta de sexo — Alan falou sem nenhum pudor.
Anna o olhou de cara feia e quando ele deu de ombros, revirou os olhos.
— Nem liga, ele é assim mesmo — Anna falou, dessa vez para mim e eu apenas assenti, estava mais que acostumado com aquelas coisas.
[...]
Tínhamos encontrado todos no final. Até o meu xará que era até que legal, nos encaminhamos para fora daquele cassino com tanta facilidade que eu estranhei. Os donos do cassino não costumavam deixar as pessoas saírem dali.
— Isso está muito estranho — Falei.
Os outros assentiram enquanto passávamos pela porta da frente dos cassinos, pude até ver um sorrisinho maldoso surgir nos lábios de um dos seguranças.
— Vocês vão se arrepender de terem saído — Um dos seguranças falou, mas não fez nada para voltarmos lá para dentro. Ok. Aquilo era MUITO estranho.
Caminhamos por algum tempo em silêncio até que a merda aconteceu... Cinco homens vestidos com uniforme de gari apareceram na nossa frente e barraram nosso caminho. Observei os homens com desconfiança, aquilo não era bom! Os homens continuaram parados e quando senti que alguém iria se pronunciar, foram os homens esquisitos que falaram.
— Estávamos a espera de vocês — Eles disseram em uma sincronia que eu poderia até dizer que fora combinada.
— Droga! — Arianne, Nicoly, Amber e Nico disseram juntos, pelo jeito eles sabiam o que os homens eram.
Voltei meu olhar para os homens e eles estavam começando a se deformar, era uma coisa esquisita de se ver. E logo o monstro se mostrou, arregalei os olhos ao ver a Hidra na minha frente e pulei para o lado bem na hora que a coisa cuspiu fogo em nossa direção.
Toquei meu relógio e vi ele se transformar numa espada de bronze celestial com duas asas em seu cabo. Aproveitei que a hidra estava concentrada nos filhos dos três grandes e me aproximei sorrateiramente por trás dela, enfiei minha espada em seu tronco e a hidra guinchou, mas meu golpe só deixou ela mais furiosa. A hidra soltou mais fogo e aquilo estava começando a me preocupar, era mais fácil morrermos e não iríamos acabar com a Hidra. Fechei meus olhos por um momento para tentar pensar numa solução, mas quando abri os olhos novamente a Hidra tinha se tornado pedra. Saí de trás da coisa e vi que o meu xará possuía um escudo na mão, ele tirou o escudo de vista antes que eu percebesse os detalhes e de repente o escudo tinha sumido.
— NÃO! — Ouvi o grito agoniado de Arianne e me virei rapidamente para ver o que tinha acontecido.
Arianne estava agachada no chão junto com Nico, Amber e Hunter ao seu lado, Alan e Anna estavam um pouco afastados e tinham pena no olhar. Vi um emaranhado de cabelos castanhos espalhados no chão, me aproximei para ver o que era e fiz uma careta, aquilo não podia estar acontecendo... Ali no chão estava o corpo imóvel de Nicoly, ela tinha uma queimadura sinistra na barriga, tão grande que era possível ver seus órgãos corroídos pelo fogo. Seus grandes olhos de um castanho amêndoa tinham perdido totalmente o brilho, estavam completamente vazios. Sua boca estava meio aberta e dali saia um pouco de sangue. Ao seu lado Arianne abraçava o corpo sem se importar se estava se sujando com o sangue ou não e chorava tanto que era de dar dó, Amber estava consolando ela.
— Como isso aconteceu? Vocês não estavam de olho nela? — Perguntei a Nico e Hunter que abaixaram a cabeça, eu quase podia sentir os dois se martirizando pela garota. Arianne pareceu se acalmar por um momento e se levantou.
— Não podemos deixá-la aqui, ela precisa de um enterro digno — Arianne murmurou enquanto limpava as lágrimas que teimavam sair de seus olhos.
Nos aproximamos para tentar pegar Nicoly, mas outra coisa esquisita aconteceu: O barulho alto de um trovão fez com que todos tapassem os ouvidos, eu nunca tinha ouvido um tão alto quanto aquele. Nos afastamos do corpo de Nicoly que agora parecia brilhar e como se fosse uma deixa, um raio bateu bem no corpo de Nicoly. Arianne gritou novamente, mas agora que o raio tinha sumido, percebi que o corpo de Nicoly não estava mais no chão. Aquilo sim era bizarro.
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