Camp Half Blood
18 Capítulo 18
Notas iniciais
- Acho que nós chegamos. E agora? — Rebeca perguntou.
- Agora a gente desce na entrada da cidade e segue o resto do caminho a pé, a névoa não vai encobrir algo tão grande quanto um dragão. — Higor comentou.
- Também acho, e eu tava mesmo a fim de esticar um pouco as pernas e conhecer a cidade. — Falei, me espreguiçando.
- Mary, faz ele descer, por favor? — Ingrid pediu.
- E se eu não quiser?
- Te espanco até você querer. — Ela respondeu com um sorriso doce, enquanto seus olhos diziam claramente "faz o que eu estou mandando, vadia". Mostrei a língua como uma criancinha birrenta e me aproximei da cabeça de Sirius e ditei as coordenadas para ele, que apenas revirou os olhos e desceu, aterrissando próximo à entrada da cidade. Descemos, com as malas a tiracolo e olhamos para a fileira de altos coqueiros que enfeitava a estrada e a entrada da cidade à nossa frente. Eram cerca de oito da manhã, mas o sol já estava bastante alto. Olhei para Sirius e senti um aperto no coração ao saber que era a hora da despedida.
- Bem, acho que é isso, vamos ter que seguir sem você agora. É claro, foi ótimo pegar carona de graça com você e ter alguém grande pra ajudar a gente no meio das brigas. Você foi um ótimo dragão, apesar de muito cabeça dura e teimoso. — Nesse momento ele revirou os olhos, numa atitude estranhamente humana demais, e eu não pude evitar sorrir. — Enfim, considerando que talvez eu sobreviva ao mundo inferior, posso te levar comigo para o Acampamento, garanto que você vai se dar muito bem por lá. — Ele revirou os enormes olhos amarelos, como se dissesse um "ah, por favor, sem drama" e eu ri. Abracei o seu focinho e sussurrei um "adeus". Me afastei e ele levantou voo. Me juntei ao resto do grupo e entramos na cidade.
O dia estava excepcionalmente quente. Com as camisetas do Acampamento e nossas mochilas de viagem, podíamos tranquilamente passar por adolescentes em excursão, e não semideuses em busca da entrada para o mundo inferior. A cidade estava abarrotada de turistas, e o sol que batia meu rosto estava começando a me incomodar. Abri minha mochila e tirei de lá um par de óculos escuros de armação redonda, com lentes escuras, num estilo John Lennon, o pus no rosto e cutuquei a Ana, que caminhava ao meu lado.
- Estou sexy? — Perguntei ironicamente, e ela respondeu sem pensar duas vezes.
- Não.
- Eu sei.
- Então não faça perguntas imbecis, Mary. — Ela falou com um olhar severo, e isso atraiu a atenção dos outros campistas, que provavelmente achavam que ia ter briga. Eu fingi cara de choro e ela continuou com o olhar de desprezo. Três segundos depois, nós duas começamos a garagalhar alto.
- Eu quase acreditei que você tinha falado sério mesmo, Annie. — Falei, ainda rindo e ela fechou a cara novamente.
- Mas eu estava. — Depois dessa, dei um sorriso sem graça e fui para perto da Rebeca. Quando estávamos na praça central. Ingrid parou e fez sinal para que todos se reuinssem num canto.
- Certo, acho que devemos nos dividir para procurar a entrada do Mundo Inferior. Nove semideuses juntos chamam um pouco demais a atenção de monstros, não acham? Vamos nos separar em trios.
- Eu vou no trio que for pela praça de alimentação, posso ajudar a procurar lá pela McDonald's ou Burguer King! — Exclamei, sonhando com um hambúrguer gigante e uma grande porção de fritas, acompanhadas por um copo enorme de coca-cola. Ingrid me olhou com uma cara incrédula e deu um tapa na própria testa.
- Mary, controle seu estômago, por favor.
- Mas eu tô com fome...
- Todos estamos, oras. No entanto, estamos no meio de uma missão, caramba. Não podemos parar pra comer, entendeu?
- Não.
- Mas cale a boca assim mesmo. — E ignorando completamente minha cara de quem estava chocada com tamanho estresse, ela continuou. — Bem, quem serão os trios?
- Eu vou com o mô! — Ana gritou, já puxando um dos braços do Higor, que apenas sorria. Ingrid riu e falou:
- Okay, sem problemas. Quem vai segurar vela e ir com eles? — Ninguém se pronunciou. — Certo, eu vou escolher então. Joy, vá com eles.
- Eu? Por que eu? — Ela reclamou.
- Porque você é a mais sensata daqui e vai fazer esse favorzinho pra mim, não vai?
- Nossa, chantagem emocional. — Roniara revirou os olhos.
- Joy, sensata? Adorei a piada. — Raul comentou, também revirando os olhos.
- Não, se exaltem, feras. — Ana levantou as mãos, fazendo sinal para que parássemos de piadinhas. — Ingrid, continue.
- Obrigada, Annie. Como eu dizia, os outros trios serão a Mary, a Roniara e a Gigi e eu, Raul e Rebeca.
- Hã? Tá de zoeira comigo, não é, Dinha? eu quero ir com a Rebeca. — Reclamei.
- Cala a boca e faz o que eu tô mandando, Mary. — Mostrei a língua para ela e ela fingiu não ver. — Bem, vamos nos separar, são 9 e meia. Ao meio-dia, vamos nos reunir exatamente aqui, entendido?
- Sim. — Todos responderam em uníssono, e se separaram em seus respectivos grupos.
Eu, Ronny e Gigi seguimos pela praça e alimentação, e ficamos a observar os restaurantes e lanchonetes por ali. Minha barriga começou a protestar e eu virei-me para as garotas.
- E aí, o que vocês acham de pararmos em uma lanchonete e comermos alguma coisa?
- Não sei não, Mary... A Dinha nos mataria. — Roniara falou.
- Qual é, ela nem vai ficar sabendo... A gente come um hambúrguer só e tudo certo, que tal?
- É, vamos comer um pouco, Ronnyzinha. — Gigi falou, com os olhinhos brilhantes.
- Ronnyzinha? Que gay. — Comentei, rindo.
- É só um apelido carinhoso, oras. — Gigi revirou os olhos.
- Tá bom, vamos comer. Calem a boca vocês duas. — Ronny falou, e nós seguimos caminho até uma lanchonete aleatória ali perto. No balcão, pedi à atendente o maior hambúrguer que eles servissem e um copo enorme de milkshake de baunilha. Gigi pediu hambúrguer, fritas e coca-cola, enquanto Ronny pediu o mesmo, só que com guaraná ao invés de coca-cola. Sentamos em uma mesa ao lado da janela e nos pusemos a comer. Em meio ao lanche, eu olhava para fora, observando o fluxo enorme de pedestres e tentando raciocinar. Onde iríamos achar a entrada para o Mundo Inferior? Como saberíamos reconhecê-la? O que encontraríamos lá embaixo? Quem havia roubado o elmo de Hades? Essas perguntas giravam na minha cabeça, e eu não encontrava solução. Sacudi a cabeça e resolvi tentar parar de pensar no assunto, antes que meu cérebro desse lag.
- Preocupada com algo, Mary? — Gigi perguntou, me acordando de meus pensamentos.
- Sim, estamos em Hollywood e eu ainda não vi ninguém famoso. — Sorri, tentando disfarçar meu embaraço.
- Temos mais é que achar o Mundo Inferior, depois disso podemos passear um pouco antes de voltarmos. — Ela sorria, um pouco demais para o meu gosto.
- Não, não podemos passear. Esqueceram que há uma rebelião no Acampamento? — Ronny falou.
- Mas... e se algum de nós não voltar? — Gigi perguntou, e subitamente meu milkshake não parecia mas tão saboroso. Ronny olhou para ela e olhou para mim, que encarava a Gigi. Ela parecia felizinha demais falando daquilo, como se falasse do que faríamos no fim de semana.
- Um assunto um pouco fúnebre para a hora do almoço, não acha, Gigi? — Perguntei, e ela apenas sorriu, e por um minuto eu achei ter visto algo esranhamente sombrio no olhar dela, mas logo ela voltou a ser a Gigi inocentezinha e espevitada que eu conhecia.
- Ninguém vai morrer, Gigi. Somos fortes o suficiente, e sabemos nos cuidar sozinhos, o que poderia acontecer? — Ronny respondeu. Algo ruim com certeza vai acontecer... esse pensamento me veio do nada à mente. Aturdida com isso, olhei para o relógio na parede. 11 e 45 da manhã. Ingrid havia dito que iríamos nos encontrar ao meio-dia.
- Gente, é melhor irmos logo. — Comentei e as meninas se lembraram. Deixamos o resto do almoço e disparamos em direção à praça. Quando chegamos lá, todos já nos aguardavam.
- Sem progressos, não achamos nada. — Falei, com um tom fingidamente triste, e Ingrid revirou os olhos.
- Já imaginava, mas não se preocupem: Eu, Raul e Rebeca já achamos a entrada.
- Ah,é? E onde fica?
- Ali. — Ela apontou um dos diversos estúdios de gravação ao longe. — Estúdios de gravação M.A.C.
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