Notas iniciais
Eu sei, eu sei, eu demorei ;-; mas eu tô em semana de provas, tinha que estudar um pouco história e não dá certo misturar mitologia e segunda guerra mundial e.e' essa semana, vou tentar postar o resto,mas não prometo nada u-u espero que gostem, comentem e tal... beijos, seus gatos!

Naquela noite, tive um sonho. Eu estava de volta à Academia Clarion, em um dos salões de reunião decorados no estilo vitoriano, e estava de frente a um grande espelho. Quando mirei minha imagem, tive certeza de que era um pesadelo. Eu estava com o uniforme, uma camisa social branca, com uma gravatinha preta, e uma saia colegial cinza, com pregas. Eu calçava sapatinhos pretos brilhantes, ao invés do meu all star usado, e meu cabelo estava relativamente organizado, ao contrário do monstro que era todos os dias. Fiquei completamente irritada e fiz uma cara feia. Eu estava aprecendo uma mimadinha retardada.

Soltei o rabo de cavalo e me pus a dar língua para o meu próprio reflexo, até perceber, que no fundo da sala havia alguém. Me virei devagar, e era uma mulher. Morena, de cabelos curtos muito cacheados, silhueta esguia, e que vestia uma calça de couro preta, uma jaqueta vermelha e uma bota preta. Seus olhos eram severos, de íris vermelhas.

— Olá, criança de Hefesto. — Sua voz era meticulosa, fria e intimidante, porém respeitosa.

— Quem é você? — Tentei parecer confiante, mas minha voz saiu mais fininha e esganiçada que o normal.

— Ainda não entendi o que meu irmão viu em você para lhe dar a bênção do fogo. Pra falar a verdade, é difícil acreditar que você seja filha dele. Acho que deve me conhecer. Sou Nêmesis, deusa da vingança e do equilíbrio.

Dei um passo para trás. Nêmesis? Até onde eu me lembrava, ela era uma das deusas menores mais cruéis e de humor instável. Engoli em seco.

— O...O que você quer de mim?

— Dar um simples aviso: cuidado com aqueles que considera amigos. Cuidado com armadilhas, e se suspeitar de algo, parta para o ataque, nunca espere a defesa. Isso vale para os seus companheiros também. — Ela parou e sorriu. Eu já havia ouvido falar nas trocas equivalentes que ela fazia. Para me dar assim de bandeja, uma informação tão importante, iria querer algo.

— E por que você está me contando isso? Qual o seu preço? — Nesse momento, seu sorriso sarcástico se tornou uma gargalhada assustadora, e ela me encarou, divertida.

— Posso trazer à tona tudo o que você mais odeia. Por que motivo acha que eu a trouxe aqui, no lugar que mais odeia, com a aparência que mais despreza? — Ela falou, apontando minha roupinha impecável e meu cabelo bem-arrumado e apontou para o espelho. — Acha que não sei qual o seu maior desejo?

No espelho, a imagem tremulou, e mostrou uma clareira, onde um grupo de jovens brincava e sorria. Reconheci a mim e ao resto do grupo da missão,além da Gikah, do Juninho, e do Wesley. Todos pareciam felizes e sorridentes, e o dia estava ensolarado. Nêmesis estalou os dedos e a imagem desapareceu. Ela me encarou duramente.

— Entendeu agora? isso é tudo uma utopia, jamais acontecerá. Pelo menos não com todo esse grupo completo. Eu sei seus maiores medos, raivas e anseios. Quem você acha que fez com que mantivesse aquela bolsa de estudos, mesmo sendo péssima em metade das matérias? — Nesse momento, meu queixo veio ao chão. Havia sido ela? Mas que filha de uma mãe! — Você tem minha bênção, Mary Valdez. E seus amigos têm bênçãos de outros deuses também, os quais também devem estar falando com eles por sonho também. Chegou a hora de partir. Lembre-se do que lhe falei e faça com que eu não me arrependa de tê-la protegido. Até breve, Mary. — A deusa estalou os dedos e o sonho se desfez.

Abri meus olhos assustada. Eu estava de volta à casa estranha, na enorme sala de estar, enrolada no meu manto. Respirei fundo e olhei ao redor. Ainda era madrugada, e o único som era o da respiração de cada um e os roncos do Raul. Atirei nele uma almofada, mas como estava escuro, acabei errando o alvo e acertei a parede. Fechei os olhos e voltei a dormir, dessa vez sem sonhar.

O que me despertou pela segunda vez, foi a Rebeca me cutucando. Me neguei a levantar e me abracei com o travesseiro, até levar um chute da Ana e despertar completamente. Ingrid, Gigi e Roniara tentavam cozinhar algo, enquanto Rebeca, Carlos e Raul, faziam fila na porta do banheiro. Peguei minha mochila e catei uma muda decente de roupas. Tirei uma calça jeans e uma camiseta do Acampamento. Depois de umas boas duas horas, finalmente chegou minha vez. Quase chorei de emoção ao constatar que ainda havia água quente. Depois do banho, desci e fui à cozinha, onde o prato do dia era "sanduíche queimado à la Ingrid". Todos comiam sofregamente, e pareciam cansados, como se não tivessem dormido nada, com exceção do Carlos, que parecia bastante nervoso, olhando para os lados o tempo todo. Virei para a Ana e ela também já havia captado a esquisitice dele.

— Algo errado, Carlos? — Perguntei, sorrindo falsamente.

— Ahn, nada. — Ele não levantou o olhar, e ficou observando a toalha da mesa, tamborilando os dedos nervosamente.

— Tem certeza? Parece inquieto.

— Não é nada. — Dessa vez ele me olhou friamente, e com muita raiva. Tive que me segurar para não gargalhar na cara dele. Contei até dez mentalmente, mas não aguentei, e ri estrondosamente. Ele se irritou e saiu da mesa, pisando duro. Ingrid me olhou com cara feia e eu dei língua, mas levantei para tentar fazer as pazes. Fui até a sala, mas ele não estava lá, então achei que tinha ido ao jardim, porém, quando fui abrir a porta, ela não abriu. Tentei de novo e girei a chave. A porta não estava trancanda e nem queria abrir. Ouvi um som estranho e virei para trás. Debaixo da escada, num pequeno nicho escuro, estava um par de orbes vermelhas me observando. De repente, todas as janelas fecharam e o grupo que estava na cozinha veio correndo ver o que aconteceu. Quando apontei o lugar, haviam mais três pares de olhos. Do corredor escuro, Carlos surgiu, empunhando sua espada e sorrindo desafiadoramente.

— Bem, acho que já passou da hora de acabar logo com isso.

— Carlos? Mas o que diabos...? — Ingrid perguntou, confusa, e ele ergueu uma das mãos em sinal de silêncio.

— Quieta, Ingrid. Me esqueça como eu lhe esqueci. Agora devo cumprir minha missão e acabar com vocês, principalmente você, nanica, e a cobra ali. — Ele apontou para mim com a espada. Todos estavam em choque, e eu lembrei das instruções de Nêmesis: " parta para o ataque, nunca espere a defesa...". Olhei para Raul e Ingrid, esperando que entendessem minha mensagem visual. Eles acenaram com a cabeça e eu respirei fundo. Não iria mais ser covarde. Havíamos sido traídos por um amigo, um líder! E ele abre a boca para me insultar? é claro que sangue iria jorrar.