Camouflage
3 – Demissão por Justa Causa
O homem ficou olhando para Ethan. Os dois se encarando por um tempo então o homem balançou a cabeça em afirmativa e começou a falar.
— Sim, era um símbolo muito estranho. Estranho mesmo, eu nunca vi em nenhum outro lugar. — O homem disse sério encarando Ethan nos olhos. Parecia querer ter dado as informações certas para poder ser liberado.
— Você poderia desenhar esse símbolo pra mim? — Ethan pediu sério. Ele apenas queria confirmar queria uma prova concreta.
O barman balançou a cabeça em afirmativa, e Ethan empurrou a fato e uma caneta em direção ao homem.
O homem atrás do balcão passou a rabiscar a folha e Ethan viu o mesmo símbolo da cena do crime tomando forma no papel. Era um circulo grosso, com um corte no meio na vertical que sai de um extremo ao outro, com um triângulo no centro. Era igualzinho o que ele tinha visto, não restavam dúvidas o assassino esteve mesmo ali. O homem empurrou o papel pra frente na direção de Ethan. Ele avaliou mais de perto e então enfiou no bolso.
— Você não sabe o quanto me ajudou. Acho que já temos um norte.
— Não vai sobrar pra mim não, né? — O homem perguntou aparentando estar com mede. Ele era uma incógnita para Ethan. Ora estava confiante, ora amedrontado e ora decidido.
Ethan então sorriu.
— Apenas se a gente precisar que você faça um retrato falado. Qualquer coisa a polícia de Nova Vestróia entra em contato com você. Obrigado pela conversa, boa noite.
Ethan se virou deixando o outro sozinho e começou a sair quando o homem o chamou.
— Sim? — Ethan perguntou virando devagar para encarar o homem negro. Era mesmo bonito, os lábios carnudos pareciam implorar para serem beijados.
— Não pode me passar seu telefone?
Ethan mordeu os lábios, sorriu e voltou a caminhar.
A semana passou rapidamente. Estavam todos apreensivos com o caso. Boa parte da população pequena só falava sobre isso. Alguns agradeciam por seus filhos serem casado com mulheres, outros torciam para nunca encontrarem seus filhos mortos em qualquer lugar por um maníaco.
Ethan estava voltando do emprego quando ouviu uma conversa de dois homens em frente a um bar. Eles pareciam bêbados e discutiam alto.
— Você é muito filho da puta cara. Como você pode fazer isso? — O mais gordo perguntou.
— Eu fiz, eu não pensei que isso pudesse acontecer. Eu fiz sem pensar... E agora ele pode estar perdido por aí, mas um na mira do lobo. — O loiro mais magro disse chorando enquanto virava mais um copo de cerveja.
— Ele é seu filho, independente do que aconteça. Ele ainda é seu filho. Você tem que acionar a polícia. Eles têm de iniciar buscas pelo seu pirralho. — Disse o primeiro homem.
— Eu sei, eu sei. Espero que não seja tarde demais. — Falou o homem chorando.
Ethan sentiu-se constrangido de estar ouvindo a conversa alheia, mas parecia importante. O que esta acontecendo? Pensou ele. Ethan voltou a caminhar e tirou o celular do bolso, sem demora discou para a amiga.
No segundo toque ela atendeu.
— Oi, Peny! Sou eu! Você sabe se aí no hospital algum adolescente entre dezessete e dezoito anos deu entrada? Com qualquer tipo de ferimento, ou... Morto? — Ele aguardou na linha enquanto a amiga procurava nos prontuários do hospital. — Nada? — Ele perguntou. — Está bem, qualquer adolescente nessas descrições você liga para a polícia e pra mim depois... Não tudo bem, não aconteceu nada ainda eu espero. Beijos.
Ele desligou o celular e entrou no seu prédio. “Mais essa agora, que bosta! O que será que aconteceu? Espero que esse menino esteja bem.” Ele pensava enquanto apertava o botão chamado o elevador. O elevador abriu as portas e ele se chocou com um corpo forte que saia apressado.
— Ei, cuidado! — Josh disse rindo enquanto segurava Ethan. Não deixaria o garoto ir parar no chão. — Oi.
— Oi, Josh. Pra onde vai com tanta pressa? — Perguntou Ethan enquanto sentia suas bochechas corarem. Estava tão próximo do homem, entre suas mãos com o corpo colado no dele.
— Eu estou indo pra delegacia. Caso pra resolver. — Ele disse neutro, até meio sério.
— Aquele caso?
Josh balançou a cabeça em afirmativa. A boca contraída com aquela barba escura por fazer. Então ele sorriu.
— Não precisa se preocupar, vamos encontrar esse cara. Amanhã ainda temos uma reunião de pé? — Josh perguntou enquanto soltava Ethan.
Foi então que Ethan notou. O policia tinha escritos em uma língua estranha no braço. Ele tocou por impulso nas palavras confusas.
— Bonita a tatuagem, o que significa? — Ethan perguntou e tirou a mão do braço do policial.
— É um idioma indígena da Malásia. — Josh disse desconcertado.
— O que significa? — Ethan perguntou ainda olhando para os escritos. Eram diferentes, estranhos e bonitos.
— No xadrez o rei só pode ser salvo com a morte dos peões. — Josh disse com sua voz grave e então se afastou do garoto. — Eu tenho que ir, nos vemos amanhã. Ótima noite.
O homem partiu rápido deixando Ethan sozinho. Ethan suspirou fundo e entrou no elevador digitando seu andar. Olhou pra frente para ver o homem escapar do prédio em passos rápidos. “Ele não tem carro” pensou Ethan.
— Não, por favor. Não papai! Me tira daqui. Eu imploro.
— Cala a boca. Logo vai o papai vai dar um trato em você. Logo mais.
O garotinho bateu na porta tentando abrir o rosto estava suado e as mãos vermelhas de tanto bater na porta de madeira. Olhava pra trás às vezes vendo sacos pretos de lixo.
— Por favor. Socorro papai! Eu estou com medo.
— Cala a boca bichinha, cala a boca.
A porta então abriu e Ethan correu para o fundo do quarto. Estava encostado na parede, chorava descontrolado enquanto assistia o pai arrancando a calça e caminhado em sua direção.
— Não...
Ethan acordou suando e sentou-se na cama. O dia já brilhava. Ele coçou os olhos e respirou fundo. Era o mesmo sonho de sempre. O mesmo sonho assustador. Ele olhou para o relógio ao lado da cama.
— Porra!
O jovem pulou da cama e correu para vestir uma roupa. Hoje não daria para tomar banho. Não daria nem pra tomar café, teria que se virar com barrinhas de cereais até a hora do almoço. Vestiu-se às pressas e correu para o jornal. Ethan não conseguia parar de pensar no pesadelo. Estavam ficando mais constantes depois dele ter se envolvido de cabeça no caso de assassinato. Será que não deveria parar? Ele se perguntou enquanto pedalava pelas ruas com pouco movimento de manhã.
Entrou no jornal e caminhou para sua mesa. Encontrou um bilhete.
“Estou esperando você em minha sala!”
Ele conhecia bem aquela letra horrível era do seu chefe maldito. Ethan largou suas coisas sobre a mesa e se dirigiu para a sala do homem. Bateu na porta e entrou.
— Sim?
— Que merda foi aquela que você escreveu no jornal da semana passada? Você colocou pânico nas pessoas. Você é um jornalista, Snow. Faça seu trabalho. Não faça deduções. Fazer insinuações que talvez isso se trate de uma seita satânica? As pessoas começaram a se perguntar se não estão todos em perigo. As vendas diminuíram depois dessa bosta! Como elas iram reagir a notícia de mais um garoto encontrado morto, dessa vez esquartejado? — O chefe falou bravo, sem parar e bateu na mesa.
Ethan ouviu tudo e fez cara de nojo para o homem.
— Você acabou? Era só isso? — Ele perguntou e aguardou. — Eu me demito seu velho gordo folgado do caralho. Eu quero que você vá tomar no olho do cu, filho da puta abusado. E, aliás, boa sorte para encontrar alguém tão competente quanto eu. — Ele disse e olhou para o gordo depois puxou uma pequena estante do seu lado derrubando a mesma no chão. — Agora sim!
Ethan saiu da sala do chefe.
Os seus colegas de trabalho estavam todos assustados, alguns haviam acabado de chegar. Todos se perguntavam com olhares o que estava acontecendo. Ethan caminhou até sua mesa e escreveu num bloco um bilhete para sua amiga. Deixou na mesa dela ao lado da sua e pegou suas coisas.
— Você vai pagar caro por isso, Snow! Vai pagar caro! — O gordo gritou de sua porta.
— Você que vai! Aguarde...
Com essa ameaça e mostrando o dedo do meio para o chefe, Ethan saiu da empresa. O rapaz sentou-se no chão ao lado de sua bicicleta e passou a chorar. Sabia que tinha tomado à decisão errada pelos motivos certos. Não aguentava aquele lugar mais nem um dia. Não bastava tudo que estava sofrendo ainda tinha que aguentar aquele gordo imbecil o ofendendo 9 horas por dias.
O homem levantou e montou na bicicleta, sabia o que tinha que fazer.
Ethan pedalou até a delegacia de policia local. Largou a bicicleta em frente e correu para dentro do ambiente estranho. Havia uma mulher sentada no balcão e vários homens fardados estavam espalhados pela delegacia, alguns tomavam café outros liam papéis enormes.
— Bom dia, eu preciso falar com o oficial! — Ele disse olhando para a mulher, estava impaciente.
Ela olhou para ele com incredulidade.
Ele mostrou o crachá da empresa.
— Jornal. Snow! — Ele disse seu sobrenome como se ela fosse o reconhecer por suas manchetes.
— Sim, claro. O oficial foi pra casa hoje cedo. Ele só volta no turno da tarde. — Ela disse com um sotaque de outro lugar. Ethan não identificou.
— Obrigado!
Ele saiu correndo da delegacia.
Ethan chegou a seu prédio ofegante e cansado. Largou a bicicleta em frente do mesmo e esqueceu-se de colocar o cadeado, correu para o elevador. Por sorte o mesmo não demorou a chegar. Ele subiu para o seu andar, mas foi para o apartamento 666. Tocou a campainha e esperou. Tocou outra vez.
— Já vai!
Ele esperou.
Josh abriu a porta. Parecia sonolento e estava com os cabelos bagunçados. O homem vestia só um samba canção branco. Ethan não pode deixar de notar o grande volume em sua cueca.
— Posso entrar? — Ethan perguntou sério.
Josh não respondeu nada. Então Ethan entrou assim mesmo, ficou de costas para o outro e ouviu o mesmo fechar a porta.
— O que faz aqui há essa hora, Ethan? — Josh perguntou confuso. Eles não tinham nenhuma ligação ou intimidade para isso.
— Eu tenho umas coisas pra te contar, pra te perguntar. Não... — Ethan não conseguiu terminar o choro tomou lugar a sua fala.
Josh sentiu-se confuso e caminhou em direção ao garoto menor. O puxou e o abraçou.
— Ei está tudo bem, vai ficar tudo bem! — Josh disse enquanto acariciava a nuca de Ethan num leve carinho. — Fica calmo estou aqui com você.
Pela primeira vez em muito tempo Ethan se sentiu cuidado. Sentiu-se seguro. Apertou o corpo nu do maior com mais força.
Ethan e Josh não tinha noção de quanto tempo tinha que estavam ali abraçados no meio da sala. Até que Josh pigarreou.
— Eu vou fazer um chá e você me conta o que aconteceu, tudo bem? — O homem disse soltando o menor do abraço e entrelaçou seus dedos o puxando junto para a cozinha.
Ethan encostou-se ao balcão e ficou assistindo o homem maior trabalhar para fazer o chá.
— Eu pedi demissão. Eu precisava fazer isso, você entende? Eu não aguentava mais aquele lugar. Eu não podia mais ficar lá naquele lugar. Estava parecendo errado demais. — Ele voltou a chorar. — Eu precisava...
— Se você continuar chorando eu vou precisar te beijar! — Josh disse sério.
Ethan calou-se e olhou o outro nos olhos. Estava carente, confuso. Apenas assentiu. E olhou pra baixo. Olhou assustado para cima quando notou que o outro estava em sua frente. O coração acelerou e Josh sorriu. O sorrio sensual no meio daquela barba escura por fazer o deixava maluco. Ele tinha que admitir isso.
Josh o beijou. Ethan sentiu-se surpreso, mas deixou. Sorriu manhoso quando sentiu a língua do homem entrando em sua boca e seu corpo sendo colado ao corpo seminu do outro em sua frente.
— Está mais calmo? — Josh perguntou baixinho logo depois de parar o beijo.
Ethan balançou a cabeça e passou a língua pelos lábios.
— Então agora me conte o que aconteceu!
Os dois homens pegaram suas xícaras de chá e foram sentar no sofá. Ficaram conversando por um longo tempo. O chá acabou. Eles trocaram carícias e Ethan até sorriu. Falaram sobre tudo, sobre sonhos, sobre futuro. Ethan sabia que tinha encontrado um verdadeiro amigo, talvez algo mais. Ethan não parou de sorrir quando Josh deixou claro que ele teria um futuro brilhante como jornalista criminal, que talvez ele pudesse entrar até pro fbi.
— Mas não foi só por isso que eu vim. — Ethan disse baixo. — Eu preciso falar uma coisa muito séria com você...
— Então tem mais? Está bem, estou pronto pra ouvir. Será que é o que estou pensando? — Josh perguntou rindo e mordeu o lábio inferior.
— É que eu descobri umas coisas, e você é o único que eu confio. — Ethan disse sem graça. Josh sorriu. — Eu tenho pistas sobre o assassino!
Josh tirou o sorriso dos lábios e olhou feio para Ethan.
— Não diga besteiras, como você iria ter isso, Ethan? — Ele levantou irritado do sofá.
— Eu não tenho provas, provas, sabe? Mas tenho um norte para onde seguir na nossa investigação. — Ele disse baixo notando que o outro estava irritado por ele estar se metendo nessas coisas. — Eu descobri que é um homem loiro. Ele usa óculos é alto, forte. Tem tatuagens e usa aquele símbolo da parede no pescoço.
Josh estava muito chocado e olhava para Ethan com descrença.
— A policia está trabalhando há meses nesse caso e não descobriu nada, então você, em uma semana descobre tudo isso? Como você conseguiu? — Josh estava realmente contendo uma raiva.
Ethan notou, só não entendeu o porquê. Ele olhou pra baixo desviando o olhar.
— Eu só fiz umas investigações. Fui no último lugar em que a vítima esteve e então fiz perguntas. — Ele deu de ombros como se isso não fosse nada.
— Então você está se arriscando sozinho e refazendo os passos do criminoso? Esse é um trabalho para a polícia, cara. — Josh disse tentando conter a raiva.
— Eu sei, e por isso estou pedindo a sua ajuda. Eu sei que juntos nós vamos poder encontrar esse bandido, eu sei que vamos, e então... Você poderá ficar de olhos em mim. — Ethan disse sem graça. Não sabia por que estava dizendo aquilo. Eles só tinham dando um beijo.
Josh sorriu.
— Você parece pensar em tudo. Gostei disso! — Ele disse sorrindo.
Ethan também sorriu e levantou-se do sofá.
— Nós formamos uma bela dupla! — Ele disse encostando a ponta do dedo no peitoral nu do outro.
— Quer testar se isso vai combinar na cama? — Josh perguntou com um sorriso malicioso.
— Eu adoraria.
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