Caminhos do abre trilhas - As guerras de Edahan.
1 Prólogo - Aldor Aspen, o bardo
Não é de hoje que venho sentando as margens de alguns rios encontrando pescadores ouvindo suas estórias de muitas vezes descartáveis em bora outras acolhedoras. Por muito caminhar das terras de Garuva fui levado a conhecer um senhor que de senhor nada possuía, jovem era de corpo e alma, mas as páginas daquele livro se demonstravam cada vez mais cheias de conhecimento e sabedoria de longos e vividos anos.
Rodenhan, nascido em Ava’ar diferente da maioria das pessoas, pois afinal quem conhece a Ilha das Estrelas que Nunca Caem sabe que nenhum humano pode nascer ou viver entre os Ava’arks. Se quiser mesmo abrir o livro que é Rodenhan tens que saber o que é Ava’ar. Ela que já foi conhecida como Ilha Trovão, Morada dos Deuses, Casa das Estrelas, dentre vários outros nomes, todos em Edahan (a terra dos mortais) sabem sobre Ava’ar e já ouviram inúmeras estórias sobre o local que não se pode ir e nem se pode achar.
Suas florestas são de se admirar, vários animais e criaturas encantadas criados a dedo pelos AnKs, dos tempos que passei lá ao lado de Rodenhan vi vários grupos de eures, homens filhos dos AnKs providos de pernas de cavalo, vários alhjins que se exibiam de maneira alada pelos céus mergulhando em gigantescos rasantes para pegar peixes com um poderoso ferrão em sua calda, geralmente eles não voavam muito mar a dentro, suas asas eram de pouca sustentação. Mas o que mais me fazia encantar os olhos era que a cada canto havia um espírito diferente, tanto naturais como almas que perduram. As árvores animadas conhecidas como Mannakos quase não interagiam, a antipatia desta espécie era evidente, alguns gostavam de falar um pouco conosco eu não possuía entendimento sobre o dialeto dos Ava’arks que é chamado de Valladin’har apesar de não ser originário de Valladium.
O pouco que conseguia entender de todos que passavam por nós foi de puro instinto, era bem observável que os sorrisos pronunciando behenma meopat, gorhahan soavam como um, seja bem-vindo viajante, ou algo similar sem definição concreta, depois de um tempo de conversa perguntei a Rod o que significava “significa a paz reina nosso estado de luz, filho do homem” e realmente era notável que a paz era algo muito consistente em Ava’ar. Cada criatura possuía seu nível de respeito com as outras, regra válida também para os espíritos. Realmente chega a ser indescritível toda aquela ilha, arvores frutíferas em todos os cantos em que eu não podia tocar afinal era impossível um homem viver de algo Ava’ark, o ar nesta ilha foi feito para envenenar mortais, evitando sua presença indesejada.
Algo sobre a ilha que se tornou popular foi sua localização, todos os marinheiros sabiam mas ninguém nunca a encontrara, sempre foi muito procurada pois as peles das criaturas encantadas valiam muito no mercado de Valladarys. Para lhes contar a verdade nem eu sei o porquê e nem como eu estou aqui, Rod falou que um mortal só entra em Ava’ar se em uma das suas folhas da arvore de vida estiver escrito a sua passagem por ela, por isso foi dado o nome de Porto Destino ou Alhjigan Vour em Vallandin’har, que "é" sua localizacao atual onde se encontra uma única árvore em pé no meio do oceano.
Várias embarcações já montaram guarda em Alhjigan Vour e nunca foi visto embarcação ou ser próximo daquela árvore somente poucos pássaros, outras vezes vozes dos espíritos eram sentidas como sussurros, mas ninguém avistava nada a não ser aquela árvore não muito grande e consideravelmente visível.
Em Ava’ar o céu era completamente diferente de todos os lugares que eu já havia presenciado, no centro da ilha existem algumas estruturas que lembram quase uma cidade em ruinas, conhecida como Arksva. O céu ensolarado parecia ter um limite, até a entrada desta cidade seguindo dum portão cheio de escritas antigas que eu não sei descrever de quem seriam, a partir dele se descobriu um céu totalmente estrelado, a claridade foi removida como um manto caindo de um corpo e um mar negro de estrelas brilhantes se tornaram o nosso guia, guiando nos através de um som que não era possível ouvir, mas sabíamos que ele falava com nossos espíritos, e toda aquela harmonia que se juntava numa canção de astros parecia convergir a uma única estrela que ficava acima do centro de Arksva.
Fomos andando naquela direção, Rod não falava muito mas ele não parecia se impressionar, na verdade a cidade parecia incomoda-lo de alguma forma, após algum tempo de caminhada e me aproximar a estrela brilhava com mais intensidade, a minha frente se encontrava um caminho trilhado que eu seguira andando desde a minha entrada na ilha, de fato me lembro de só ter visto este caminho. Mais a dentro do pequeno bosque que se revelou no meio da cidade algumas árvores se alinhavam junto com a trilha formando um caminho mais fechado as estrelas não eram mais visíveis nem a mais brilhante entre elas.
Rod permaneceu calado durante boa parte do tempo e eu comecei a me irritar com isso.
— Rod um leão comeu sua língua?
— Língua não é algo saboroso Aspen.
— Por que ficou quieto, não quis ser grosso, se assim pareceu.
— Por que estou indo leva-lo para conhecer Ava’ar.
Aquela resposta não anunciou sentido em meu interior, mas mesmo sem entender continuei o caminho junto a ele, eu pude ver no fim do emaranhado de árvores que eu seguia uma luz que vinha da grande estrela que estava acima de uma clareira.
Do outro lado da clareira eu pude ver um Mannako sentado em uma espécie de trono, ele não era do tamanho natural de uma arvore gigante animada, tinha quase duas vezes esse tamanho e parecia grudado numa arvore que era muito maior que ele.
— Keava’ar – o rosto do mannako se moveu em nossa direção
— Behenma meopat, gorhahan ih Rodahan – o mannako foi se inclinando para ficar face a face conosco senti um pouco de medo, pois ele era muito grande e a cada movimento me levava a imaginar um possível desmoronamento em suas partes.
— Tente não usar valladin’har, nosso viajante não possui esse conhecimento.
— Como quiser Rod – o mannako olhou para o viajante e de forma leve o encarou – quem é você viajante? E porque está em busca do Ícrio?
Eu não entendia algumas expressões e não sabia o que era o tal do Ícrio, e a partir dai tentei acompanhar o jogo de palavras.
— Meu nome é Aldor Aspen, e com quem eu falo? Como saberei se posso lhe confiar a dizer por que estou em busca do Ícrio?
— Por que eu sou Keava’ar – as arvores ao redor da clareira pareciam interagir com as expressões do gigante, o sentimento de surpresa parecia vir de todos os lados – eu sou aquele que se encontrou vivo desde que este significado foi atribuído, eu sou a própria Ava’ar e meu trono é conhecido como portão do Ícrio, me diga você por que merece atravessá-lo.
— Você é grandioso Keava’ar Gax mas parece possuir um tom arrogante em sua voz, grandeza não tem laços com nobreza, não vim para me atrapalhar com seus jogos.
— Eu nem comecei a jogar pequeno... – a frase se dividiu e uma pequena planta em um bater de asas de abelha surgiu do meu lado com um rosto idêntico do Keava’ar continuando o que ele dizia – gorhahan, a minha grandeza não pode – novamente ele foi trocado de posição e suas frases foram alternando em rostos que surgiam em arvores diferentes – ser comparada a fraqueza que é ser um homem, não posso ser nobre como um homem, isso nem se aplica a minha existência não estou nem entre os vivos nem entre os mortos, nem entre os homens e nem entre os encantados, sou Keava’ar – e como um coral tudo ao meu redor me olhava e dizia em uníssono – e nós somos Ava’ar.
...
E de repente acordei num barco parado em frente ao Aljhingan Vour sendo resgatado por uma embarcação.
Behenma meopat gorhahan.
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