Caminhos

4 Capítulo 4


Os dez dias que se seguiram passaram tão rápido, quase nem percebi. Jess voltou de Nova Iorque trazendo a resposta da escola de danças, ela entrou.

–Então você conseguiu. Minha estrela, você vai brilhar Jess. –Nos abraçamos.

–E você, como foi tudo aqui na minha ausência? –Jessie me perguntou.

–Bem Jess. –Eu sorri.

–Espere, esse brilho em você. -Ela me puxou pra sentar na cama do lado dela. –Aconteceu não foi? Você tranzou. E com o meu irmão, eca. –Ela me deu um cutucão.

–Para! Mas sim, aconteceu Jessie. E foi muito bom. Jessie eu amo ele. –Eu disse sorrindo.

–Não me diga?! Dawn! –Caímos no riso. –Mas sério, estou feliz por você. Por vocês dois. Dá pra ver que é de verdade.

–É, é de verdade Jessie. Eu já nem sei como vou aguentar tanto tempo longe dele. Jessie eu prometi a ele e meus pais que ia voltar pra casa, mas a cada dia que passa eu não quero. Tenho medo de ele me esquecer pra sempre.

–Ei, para com isso. O Johnny pode ser um idiota, mas ele gosta de você de verdade, ele vai te esperar e você esperar ele também.

–Certo você está certa. Mas vai dizer isso pro meu coração. –Dei de ombros. –Vem me conta tudo da viagem.

Conversamos, e Jessie estava muito animada. Ela ia lutar pelo seu sonho. Eu queria lutar pelo meu, mas existia ele. Johnny me fazia perder a cabeça, por ele eu estava disposta a me atirar no abismo sem nem pensar.

Mergulhar naqueles olhos negros que sondavam minha mente. Como a noite ele estava chegando pra mim, escuro e silencioso. Mas eu me entrelaçar em seus braços ou não sabia onde era a saída, e nem conseguia acha-la.

E foi assim que eu achei a minha queda, para chegar ao paraíso eu estava desposta a tentar voar como Ícaro. Com minhas falhas asas de cera eu tentei alcança-lo, mas as minhas asas derreteram. Tudo começou naquela noite derradeira.

–Johnny eu tenho que te dizer o que pensei. –Eu disse sentada naquela moto, de frente pra ele no estacionamento do Denner.

–O que? –Ele disse.

–Pensei muito sobre isso, sobre nós. Decidi que não vou voltar, vou ficar e Londres, eu posso estudar aqui, morar com meus avós. Podemos nos ver e quando tudo estiver acertado agente podemos morar juntos. Oque você acha? –Eu disse.

–Espere você quer desistir da faculdade? Você mesma disse que não devia fazer isso. Lexi você não ta pensando direito.

–Escute, você quer me ouvir, estou pensando bem. Eu te amo. –Eu estava sendo o mais patética possível.

–Lexi, você não vai fazer isso. Não vou deixar. Não pode desistir do seu futuro. Olha, vamos fazer como combinamos, e vai dar certo. Você não está pensando direito. Minha linda não vai fazer essa loucura. –Ele passou a mão em meu rosto.

–Porque você está dizendo isso? Não quer que eu fique com você Johnny? -Eu estreitei minhas sobrancelhas.

–É claro que quero, mas você não parar sua vida por mim Lexi. Você tem uma chance, se fizer tudo direito, você pode fazer coisas brilhantes. Eu vou esperar você não se preocupe.

–Mas... Eu posso estudar aqui, eu já te disse, vai dar tudo certo. Esta com medo do meu pai? É isso? –Eu estava confusa.

–Não, eu só quero que não faça nada assim, você vai acabar com suas chances de realizar seu sonho por mim! Não vou deixar você fazer isso! –Ele se levantou da moto. Caminhou com as mãos na cabeça. Estava de costas pra mim.

–Johnny não seja bobo, é minha vida. Eu escolhi você, o resto é apenas o resto. E vou fazer isso. Vai ser o melhor pra nós. Pro nosso amor. –Eu passei minha mão em suas costas.

Mas Johnny assim como eu, também já tinha tomado a sua decisão.

–Não vai fazer nada. –Ele me disse muito sério. –Vai voltar pra sua casa, com seus pais. Vai para a faculdade, e vai construir as suas naves, seus sonhos. Me entendeu bem?

–O que?! Porque está falando assim? Johnny! –Eu não entendia, ele estava frio do nada.

–Foi legal Lexi, foi divertido, mas acabou. Volte pra casa. Eu não quero você me seguindo por ai. Volta pra sua casa! –Ele gritou.

–Johnny qual o seu problema? Você ta louco? –Eu estava chocada.

–Não entende mimadinha?! Vou explicar pra você. Foi apenas por diversão, você e eu, foi só por diversão. Volta pra sua casa, eu não quero você aqui! –Como uma boba, não pude conter as lágrimas que vieram a seguir.

–Como assim? Mas você disse que me amava? Estava me usando, todo esse tempo?

–Estava. –Ele disse, parecia sem controle. Virou-se de costas pra mim, então ele cravou a faca em meu coração. –Foi só por sexo!

–Ahh, eu não acredito que, como você pode? Você... –Muita dor, a maior que eu havia sentido até ali, me invadiu.

(Link para música da cena a seguir -

https://www.youtube.com/watch?v=-QcenBIkVoM )

Como uma tola apaixonada eu havia me entregado, e pra ele não passei de mais uma. Em prantos não pude conter minha reação a seguir. Eu dei um tapa em seu rosto.

–Você é um desgraçado. Lamento cada minuto que passei com você. Lamento ter me entregado, e lamento um dia ter dito que te amo. –Ainda tentando conter as minhas lágrimas eu sai. Fugi.

Eu estava destroçada, estava no chão. Eu só queria me sentar e chorar todas as lágrimas. Fui uma estúpida e me entreguei a uma pessoa que apenas estava me usando. Eu me odiei, tentei culpar a mim mesma. Eu me permiti fazer isso. Nunca em minha vida eu tinha saído do curso, eu estava segura, porque fui tentar alcança-lo? Eu não era forte o bastante. Eu caí, em meio a meu voo de Ícaro minhas asas derreteram sobre o seu sol. Eu cai. Andando pelas ruas sem rumo, eu nem sabia pra onde ia. Não parava de pensar que eu tinha que odiá-lo.

–Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh! –Eu gritei como louca, para a noite, na rua deserta.

Destroçada eu queria odiá-lo. Como ele pode fazer tal coisa comigo?!Eu não era uma pessoa ruim, porque eu merecia essa dor? Ninguém merecia tal coisa.

Eu queria fugir, escapar para o começo quando não doía tanto. Foi tudo tão lindo, e eu estava apenas me enganando. Como um amor tão lindo no começo pode ter um fim tão terrível? Eu tinha o suporte emocional pra aguentar aquilo, eu precisava de abrigo, mas onde encontrar um abrigo que pudesse retirar a faca que ele cravou no meu coração?

Não havia mais nada pra mim ali, eu estava destroçada e absolutamente sozinha. –Deus eu quero voltar ao início. Por favor me faça voltar ao início!

Eu era inocente sobre o amor, sobre a perda, e sobre a culpa.

Eu nunca o perdoaria, e nem a mim mesma por te me entregado sem nem ao menos calcular o risco! Sem perdão para mim e pra Johnny eu fugi... Eu ouvi uma música que dizia que as vezes o amor dura, mas ás vezes em vez disso ele fere. É tudo verdade, e não para a dor. Porque doía tanto?!

Eu voltei pra casa com meus pais. Mas a dor foi comigo, ela não me abandonava. Eu queria esquecer ele, mas onde eu ia, a lembrança ia comigo.

Eu estudei, me enterrei em problemas de física quântica, algo tão complicado afastava a lembrança. Mas era só enquanto eu estivesse atenta aos estudos, quando chegava ao meu apartamento a noite, eu ainda pensava nele.

Os anos foram se passando, e com o tempo a dor foi aplacada, mas ainda havia um buraco em meu peito que doía a cada noite fria.

Em casa, eu fiz exatamente o que era previsto antes dele em minha vida. Estudei, tentei seguir em frente. Terminei a faculdade em três anos, e um ano antes de terminar eu entrei pra Força Aérea. Comecei a trabalhar em uma coisa grande, importante pro meu futuro, importante pro planeta.

Os anos foram generosos com Jessie, ela terminou a escola de danças, estava na Broadway, estrelando um musical. Não morávamos mais juntas, porque eu passava mais tempo no computador, do que na minha casa. Eu vendi o apartamento perto da faculdade. E Jessie estava sempre em turnê. Nos víamos com frequência, apesar do que o irmão dela me fez, Jessei era como uma irmã pra mim.

Eu nunca disse nada aos meus pais, sobre porque Johnny e eu terminamos, nunca disse a ninguém. Acho que Jess sabia, mas ela sentia que eu nunca quis falar no assunto.

Seis anos se passaram, e desde o dia em que eu jurei odiá-lo, nunca mais eu quis saber nada sobre ele. Ele nunca ligou pra Jessei quando ela morava comigo. E Jesse sabia que eu não queria nenhuma informação sobre a vida dele. Ele nunca veio visita-la, mas ela sempre ia pra casa no natal. Os pais de Jessie vinham uma ou duas vezes por ano. Mas eu sempre evitei qualquer tipo de conversa com eles que pudesse me dar alguma informação sobre Johnny.

Papai era do comando geral da Força Aérea agora. Marechal, que comandava tudo.

Eu estava nisso apenas pelo acesso a NASA, qualquer que fosse meu pedido, ele era atendido. Estudei:

Estatísticas em Batalha, Física Quântica, Estratégia de Voo e guerra, Projeção de Sistemas Avançado, Inteligência Artificial e Línguas mortas e Antigas.

Eu projetava os caças e instruía sobres os comandos, ensinava a pensar como o inimigo, ensinava a vence-lo. Criei uma inteligência artificial que podia calcular cada mínimo risco e me dizer se eu devia agir.

Estava desenvolvendo um projeto, em parceria com a Força Aérea e o comando geral da nação. Eu trabalhava direto com o Pentágono, e com cientistas mais velhos que meu pai.

Me tornei uma capitã da Força Aérea Americana, pois estava obcecada em estudar tudo que me chamava atenção.

Quando fui promovida a Capitão, o major do meu grupamento, disse que eu era o novo gênio da aviação e projeção em batalhas.

Eu não era nada disso, nem gostava de voar, eu era apenas uma cientista brincando de ser militar, porque a Força Aérea podia fornecer todos os bilhões que foram investidos em meu projeto.

Eu projetei algo que podia mudar qualquer sistema aéreo-nuclear e deixar os russos no chinelo.

Eu criei o Sistema Artificial para Leitura Tática –SALT.

O projeto SALT seria lançado em dois meses. E eu estava sobe a direção do presidente. Os Estados Unidos entrariam em uma aliança para desenvolver sistemas em batalha com a Alemanha, China, Japão, Inglaterra e Reino Unido.

Era um pelotão especial, pronto a comandar o resultado de SALT- As Naves com a Maior Inteligência Artificial, para pesquisar todo recurso disponível.

Meu objetivo era achar novas fontes de recursos minerais, nucleares, energia. As naves, no total eram três, com sua inteligência artificial tão excelente podia disponibilizar toda a condição possível para que eu achasse vida onde não se esperava.

Minha nave de guerra e batalha, com sistemas mais avançados que o cérebro humano, e mais poder de fogo que dez bombas nucleares.

Eu projetei a inteligência artificial capaz de fazer viagens espaciais para procurara novas fontes de vida, recursos e poder. Eu estava brincado de ser militar para achar algo que faltava em mim- Vida.

Porque após seis anos da minha vida, muitas horas de leitura, poeira de livros, noites perdidas, disparos de armas de fogo, continências que prestei, todas as mãos de gente importante que apertei, cada nave de batalha que projetei, cada lugar do mundo que visitei, cada sala que entrei, cada tubo de ensaio que usei, cada pessoa com que fiz sexo, cada boca que eu beijei, nada disso importava. Quando ele se foi levou tudo com ele... Johnny, meu anjo negro desfaleceu-me e eu nunca aprendi como acordar.

Eu ainda queria voltar ao começou, eu ainda não tinha perdoado a ambos, Johnny e a mim, por tudo que se passou. Mas eu fiquei mais dura, aprendi a ter uma voz firme, aprendi a me fazer respeitar. Nunca mais ninguém em minha vida ia me ferir.

Eu mudei, toda a fragilidade daquela menina que se entregou por amor, e estava disposta a largar tudo não existia mais. Eu me obrigava a ter a força necessária para fosse respeitada, até por meus superiores.

Meu trabalho era identificar o erro, e apagá-lo, e minha fragilidade era um erro, então eu a deletei.

A dois anos atrás eu entrei numa sala cheia de velhos lobos da política e ciência e disse a o Presidente dos Estados Unidos que tudo o que o seu comando Geral Aéreo estava projetando era errado e falho. Ganhei muito inimigos, e muitos aliados. Mas isso era muito mínimo pra mim, o trabalho era minha paixão. Quando eu via um projeto sempre havia infinitas possibilidades em minha cabeça, eu estava pensando muito sobre tudo.

Eu estava brincando de ser um gênio.

–Mike você ta ficando mole. –Eu ria da cara do Mike.

–E você uma chata. –Ele me atirou um amendoim.

–Seu. –Nós dois rimos. –Então cara, vai terminar a residência, Mike você conseguiu.

–É nem me fale. Está quase no fim. Vou ser um cirurgião. Acho que nós dois realizamos o nosso sonho, não é Lexi?! –Ele pegou a minha mão.

–É, amigão. Conseguimos.

Mike estava em seu ultimo ano de residência, então ele seria mandando pra algum hospital para ser chamado oficialmente de Cirurgião.

A mãe do Mike morreu à dois anos. Ela estava muito triste pela perda do marido, nunca se recuperou. Uma noite, ela tomou um coquetel de remédio para dormir e nunca mais acordou. Foi duro pro Mike, mas eu o apoiei, e Jessie que tinha se tornado sua amiga estava lá pra ele também.

Agora isso era passado, ele havia se formado e em menos de quatro meses, poderia exercer o seu sonho, ser um cirurgião. A medicina era o sonho de Mike.

–Mais uma rodada? –Eu perguntei a Mike.

–Não posso, já bebi demais. Sorte que eu moro a dois quarteirões daqui. Menina, sorte amanhã. Espero que esses pilotos que você falou sejam mesmo os melhores. –Mike disse.

–Eu também cara. Vem, eu te levo pra casa, se ta bêbado demais Mike. –Segurando Mike pela cintura eu tive que levar ele pro apartamento dele.

Rindo juntos eu abri a porta do apartamento de Mike, acendi as luxes e tentei levar ele até a cama.

–Mike deita ai cara. –Ele me puxou, cai por cima dele na cama.

–Deita aqui comigo. Estou bêbado e preciso de supervisão. –Ele disse rindo de mim.

–Sei, você precisa é de um banho de água fria. –Tentei me levantar, mas Mike não deixou. Segurou meu braço. –Mike, amigão é serio eu preciso ir.

–E eu preciso de você Lexi. –Ele disse sorrindo, mas fico sério de repente.

Não sei explicar oque aconteceu, parte porque eu e Mike estávamos bêbados, e ele muito mais do que eu. Mas tudo que lembro foi que Mike se atirou pra cima de mim e nos beijamos. À partir dai, tudo que lembro são de meus gemidos, a boca do Mike e nós dois rindo. –Droga eu tranzei com o Mike!

Narrativa por Johnny Thompson

Eu não podia deixar ela estragar a sua vida por mim, Lexi não iria ficara em Londres por mim. Eu não merecia isso. Ela era boa demais pra mim.

Ela estava me falando sobre ficar em Londres, desistir da faculdade, e tudo isso por mim. Que tipo de idiota eu ia ser se deixasse a garota que eu amo sacrificar todos os seus sonhos por mim?

Eu me decidi, se ela não queria desistir dessa ideia, eu faria ela desistir. Mesmo que isso significasse perder ela pra sempre, mas pelo menos eu ia saber que ela estava bem.

–Johnny não seja bobo, é minha vida. Eu escolhi você, o resto é apenas o resto. E vou fazer isso. Vai ser o melhor pra nós. Pro nosso amor. –Senti as mão de Lexi nas minhas costas.

–Não vai fazer nada. –Eu disse muito sério. –Vai voltar pra sua casa, com seus pais. Vai para a faculdade, e vai construir as suas naves, seus sonhos. Me entendeu bem?

–O que?! Porque está falando assim? Johnny! –Eu tinha que cava mais fundo. Lexi precisava acreditar que eu nunca amei ela.

–Foi legal Lexi, foi divertido, mas acabou. Volte pra casa. Eu não quero você me seguindo por ai. Volta pra sua casa! –Eu gritei.

–Johnny qual o seu problema? Você ta louco? –Eu sentia que ela não ia aguentar muito mais.

Eu daria o ultimo golpe, teria muito tempo pra sofrer por ela, mas eu faria a coisa certa. Eu não era nenhuma canalha. Ela era mulher que eu amava, e pra provar o quanto eu estava afastando ela.

–Não entende mimadinha?! Vou explicar pra você. Foi apenas por diversão, você e eu, foi só por diversão. Volta pra sua casa, eu não quero você aqui! –Eu estava desmoronando, e Lexi estava chorando.

–Como assim? Mas você disse que me amava! Estava me usando, todo esse tempo?

–Estava. –Eu disse, estava perdendo meu controle. E virei de costas pra ela O que eu ia dizer a seguir seria a coisa mais idiota possível, mas não havia outro jeito. –Foi só por sexo! –Eu não consegui nem olhar pra ela.

–Ahh, eu não acredito que, como você pode? Você... –Eu estava abrindo a ferida, rasgando por dentro, e estava sangrando de uma forma que eu não conseguia conter.

Lexi me deu um tapa bem no meio da cara.

–Você é um desgraçado. Lamento cada minuto que passei com você. Lamento ter me entregado, e lamento um dia ter dito que te amo. –Eu fiquei ali desgraçado, largado, ainda chorando ela se foi.

(Link para música da cena a seguir-https://www.youtube.com/watch?v=eSQzetLlpGw )

Minha reação a seguir? -Eu chutei aquela moto, e chutei e chutei ainda mais, alguém tinha que pagar o pato. Eu estava fora de controle, nunca senti tanta raiva na vida. Eu queria acabar com alguém. Eu parecia um louco. Não parava de chutar a moto, gritar, gritar por ela. Comecei socar a moto quando os chutes não foram suficientes pra mim.

Senti mãos nos meus ombros e a voz de uma garota gritando.

–Johnny, John! Para Johnny, para irmão, para! Para por favor, Johnny para suas mãos estão sangrando, para! –Jessie gritou enquanto tentava me conter.

Eu me atirei ao chão de joelhos. Eu era o cara mais idiota que havia feito a coisa mais certa, e mesmo assim eu ainda me sentia um idiota.

–Jess, eu mandei ela embora, eu disse... Jess eu disse que usei ela. Ela não podia desistir de tudo por mim Jess! –Jesse me abraçou.

–Johnny eu sinto muito, sinto muito irmão. –À partir dai eu deletei todo os fatos.

Não me importava mais nada. Eu fui pra base, fugi da dor. Os primeiros seis meses se tornaram nove, depois eu subi de posto, quase não voltava mais pra casa.

Quando estava voando eu não podia ser assombrado pelos olhos verdes dela.

Eu sabia que Jessie morava com ela, mas nunca perguntei nada, nunca quis saber nada. Quanto menos eu soubesse, ficava mais fácil. Uma vez Jessei me disse que ela se formou, fiquei feliz por ela. Mas não quis saber mais nada.

Eu estava sempre querendo ser o melhor. Não demorou muito e fui promovido a 1º Tenente do meu grupamento. Meu capitão disse que eu era tão bom quanto o meu avô. Seis anos se passaram, e a minha vida se tornou voar, apaguei tudo a minha volta.

Eu estava sempre dentro de um caça, eu queria ser o melhor. Talvez tudo isso fizesse a lembrança daqueles olhos sumirem da minha mente, mas nunca sumiu. A verdade é que eu me tornei o melhor piloto, eu estava focado em só estar no céu, no espaço também. Mas isso tudo virava uma piada de mal gosto quando aqueles olhos verdes me assombravam à noite.

Tentei tirar Alexandra da minha vida, tentei seguir em frente com outra pessoa, mas nenhuma garota queria um cara que não pudesse estar inteiro com ela. E eu não podia, nunca pude, uma boa parte do cara que eu era, ainda tinha ela, ainda era assombrado por ela. Aquela falta doía, aquela feria aberta nunca parou de sangrar.

À quinze dias recebi uma ligação, fui convidado para um projeto, coisa da NASA. Eles estavma escolhendo os melhores de seis países para formar um pelotão especial, e eu era o melhor da Inglaterra, então disse sim.

Assinei um contrato de sigilo, liguei pro meus pais, e disse a Jess que eu estava indo ver ela, antes de ir para uma base isolada dos Estados Unidos, por sei lá quanto tempo.

Eles me enviaram um relatório com detalhes da missão, mas eu descartei, talvez um novo projeto me fizesse estar mais focado. E se era para os melhores eu deveria ir oras!

Não fazia diferença a quem eu ia me reportar, quem era o Capitão no Projeto SALT, o que importava era que eu nunca receberia uma oportunidade assim nunca mais, então agarrei com tudo.

Peguei um voo pra Nova Iorque, e me encontrei com Jess no aeroporto.

–Jessica! –Peguei aquela magrela no colo.

–Johnny! Vamos, te levo pra casa. –Entramos num taxi.

Ela abriu a porta do apartamento pra mim. Era grande. No caminho pra lá eu passei por dois outdoors com o rosto dela. Jessie era uma estrela da Broadway agora.

–Maninha você subiu na vida. –Ei disse olhando o lugar.

–E você ainda está o mesmo Johnny. Bom te ver irmão. Mas conta ai porque está aqui? Eu não entendi nada no telefone. –Ela me deu um copo com água.

–Há garota, trabalho. Não posso dizer muito, coisa do governo daqui com a NASA, mas tudo que posso dizer é que vou ficar um bom tempo aqui. Quer dizer lá no centro de operações que não sabemos onde é. Mas nas folgas eu posso ficar aqui?

–Claro. Mas é coisa grande então? NASA! –Ela deu de ombros.

–Só o que posso dizer é que vau trabalhar com pilotos de outros países. –Bebi minha água. -Mas então, não mora mais... –Não consegui falar o nome.

–Com a Lexi? Não. Ela tá... –Eu não deixei Jess terminar a frase.

–Não Jess, não quero saber. Você sabe. –Eu cortei logo o assunto.

–Como quiser.

Eu dormi no apartamento de Jessie, no dia seguinte sai bem cedo pra pegar um jato pra tal Área de Operações, onde eu finalmente saber onde estava me metendo.

Nos enfiaram em um jato, conheci mais uns cinco caras que seriam da equipe. Eu falava um pouco de coreano, porque o nosso instrutor de voo em Bentwaters, era de descendência oriental, apendi um pouco. O suficiente pra sacar que os orientais (um japonês e um chinês) estavam nervosos com o Capitão, diziam alguma coisa sobre ele ser rigoroso demais com o treinamento. -Que ótimo! O cara que comandava todo esse projeto era um pé no saco.

Nos fizeram entrar em um carro de com vidros escuros, eu não sabia pra onde estava indo. Quando paramos e descemos, estávamos em uma enorme instalação militar.

Estávamos em forma aguardando nosso capitão de frente para um PC-21, monomotor turboélice, de treinamento avançado. Era o que se podia chamar o melhor para se voar se você fosse um soldado.

Outro carro blindado parou bem entre nós e o jato, alguém desceu, então o carro partiu. Era uma mulher, mas estava de costas pra nós. Eu reparei que ela estava com uma prancheta nas mãos, assim que viu o jato começou a anotar alguma coisa.

Usava o mesmo macacão cinza de treinos e instrução em voo que eu e os outros pilotos usávamos. De costas dava pra ver pouca coisa, era magra, corpo atlético, cabelos negros presos em um coque bagunçado, algumas mechas caiam sobre os ombros. Uma bela bunda. Ainda não se virou pra nos, então o tenente que era nosso supervisor perguntou:

–Capitão? Algo errado? –Estava claro pelo tom de voz dele que ele não gostava muito da capitã.

–Não Tenente. Estou apenas reparando no seu jato. À alguma correções a fazer. –Aquela voz. Onde eu ouvi aquela voz? Achei que estivesse nervoso, estava confundindo. Não podia ser.

A pessoa que eu achava que tinha essa voz, jamais seria tão imponente. Só pelo jeito que a Capitã falou eu podia dizer que ela era autoritária, autoconfiante e carne de pescoço. Durona.

–Senhora? Este é o nosso melhor, o que há de mais avançado, se me permite dizer. –O Tenente não gostava mesmo da capitã. Também, ela estava dizendo que o jato dele era porcaria na frente da tropa. Quem gostaria?!

–Eu permito. Mas está ultrapassado, tenente as especificações estão totalmente erradas, e posso ver daqui que sua arma principal está muito gasta. Vou corrigir pra você. Esse chassi todo vai ter que ser trocado. Seus projetistas estão ultrapassados Tenente. –Muito cheia de si ela se virou.

Ela era imponente, pulso firme, bonita, cabelos negros, olhos verdes, e era Lexi. Minha primeira reação foi de choque, era mesmo Lexi. Após seis anos ela estava aqui, era a Lexi. E era a minha Capitã.

–Senhores a sua Capitã e dona de toda essa ideia, Alexandra Walker. –O Tenente disse.

–É um prazer ter todos aqui. Vai ser muito interessante. Bem vindo à base de operações e centro tecnológico de treinamento para SALT! –Ela olhou em cada rosto, e então quando ela finalmente me olhou, não conseguiu manter o olhar nem por dez segundos. O sorriso de auto satisfação que ela tinha no rosto, deu lugar uma expressão profissional.

Nos levaram a uma espécie de sala de reuniões. Onde ela colocou em um projetor uma espécie de especificações pra algo que eu não achava possível.

–Com todo respeito capitã, está dizendo que suas naves podem corrigir o curso de uma viagem, buscar e destruir, e ainda achar novas fontes de energia. Você tem armamento nuclear aqui! –O piloto alemão falou em inglês.

–Estou. As Júpiteres serão capazes de fazer novas rotas, achar a falha onde você não acha. Estamos falando de inteligência artificial, estou dizendo que quando vocês pilotarem uma, ela vai dizer se você estiver errado. Vai enxergar quando você não puder, e ela vai atirar quando você hesitar. Eu tenho total controle dos trazeiros de vocês senhores, daqui por diante. Vão se reportar a mim e ao meu Tenente aqui. –Ela mudou muito mesmo.

–Senhora eu tenho uma pergunta. –Eu disse me pronunciando.

–Há senhor Thompson, faça-a. –Ela me olhou como se eu fosse um inseto.

Era oficial- Seis anos e ela me odiava, e eu não podia nem culpar ela. Mas se ao menos soubesse que era tudo mentira, se ela soubesse que sempre amei ela. Se você soubesse que ainda te amo Lexi.

–Capitã, disse que fomos escolhidos pelos nossos respectivos comandantes, que mandaram os seus melhores pra esse projeto. A senhora disse que pilotaríamos as naves. Mas pilotaríamos pra onde? –Eu não pude deixar de perguntar.