Caminho para o Inferno
2 O Aparecimento
Notas iniciais
Era um típico final de tarde do subúrbio urbano dos Estados Unidos. Os últimos raios de sol iluminavam aqueles jardins verdes, e deixavam suas últimas marcar do dia em todas aquelas casas extremamente parecidas. Os carros de classe média americana chegavam do centro da cidade depois de um dia intenso de trabalho, como todos os outros. Em uma casa em especial, um Impala 67 estacionava em cima do pavimento da garagem ao lado do jardim florido, o único com flores verdadeiramente originais do bairro.
Dentro dessa casa, Lisa, uma mulher de pele morena, longos cabelos negros e incrivelmente bela, preparava o jantar para o seu marido em comemoração aos seus dez anos de casamento. Um casamento que deu uma reviravolta em suas vidas, um casamento que conseguiu guiar Dean para o caminho certo depois de momentos desconfortáveis de sua vida e deixar Lisa se sentindo segura. Além do fato de Dean ser uma ótima influência para seu filho, fruto de outro relacionamento, que passou pela turbulência da adolescência de forma tranquila e obediente.
Dean desligou seu carro, e ficou por alguns momentos dentro dele, observando pelo lado de fora da janela da cozinha a sua mulher preparando tão animadamente o jantar de comemoração. Ele desviou os olhos para o retrovisor e conseguiu, com a última luz do dia, ver seu reflexo. Ele já estava um tanto velho, rugas da idade e do estresse alastravam por seu rosto que um dia fora firme e que tirara suspiro das mulheres. Seu cabelo começava a ser dominado pelos malditos fios brancos e estava ficando terrivelmente esparso, abrindo brechas para uma futura, não tão distante, calvície. Ele suspirou. Não um suspiro de tristeza ou de desapontamento, mas de alívio. Os últimos dez anos de sua vida foram tranquilos. Ele conseguiu trilhar sua vida de forma que ele nunca imaginou um dia conseguir. Nada do “negócio da família”, ele era mais um normal pai americano, só que com muitas histórias para contar em dias de pesca com seus vizinhos. Obviamente todos eles tinham a convicção de que tudo que ele narrava não passava de fantasia de uma mente fértil.
Ele fechou os olhos. “Se estivesse aqui irmão, poderia aproveitar tudo isso comigo.” Dez anos que Sam se fora. Morto. Mas com a alma presa na jaula junto com irmãos rivais entre si, Lúcifer e Miguel. O único consolo de Dean, ou não, era que o bastardo de seu pai também deveria estar lá. Será que eles estão sofrendo? Com certeza sim. Esses eram os pensamentos mais comuns de Dean em relação ao seu irmão. Mas depois de dez anos a dor da perda diminuiu e Dean manteve a promessa de seguir sua vida. E ele era grato por isso. Nunca viveu tão tranquilo como nos últimos anos.
Nada de demônios, anjos, fantasmas, wendingos. Aparentemente após o “Apocalipse” o mundo entrou em uma era de paz e tranquilidade. Não havia mais nada a temer, a não serem políticos e impostos. Mas nada tão terrível que chegue aos pés da vida passada. A sua única lembrança física daquilo tudo era Bob, que agora estava casado com uma bela policial aposentada. Eles viviam viajando ao redor do mundo. Mas sempre que estavam nos EUA faziam uma visita à casa de Dean e ele e Bob ficavam horas relembrando os velhos tempos.
Dean sorriu ao ver que sua esposa o havia notado. Abriu a porta do carro e levantou. Suas costas doíam após as horas sentado em seu escritório, ele e Lisa haviam montado uma rede de supermercados que dava a eles uma boa renda para sobreviver a esses tempos difíceis da economia. Quando se pôs em pé não pode deixar de notar sua barriga de shopp crescente. “Está na hora de eu frequentar uma academia e tentar reconquistar o corpo de outrora.” Mas ele sempre procrastinava essa meta, e sua barriga continua a crescer, e Dean se tornava a cada dia mais rechonchudo.
Abriu a porta da casa e viu Ben sentado no sofá. Era um rapaz bonito que provavelmente encantava as garotas, Dean ainda se pergunta se ele realmente não é seu filho. Mas após a última notícia ele teve certeza que o garoto era bem diferente dele, ele estava se preparando para ingressar no Seminário e se tornar sacerdote. Dean não entende como alguém pode escolher uma vida celibatária e humilde. Mas não deixou de apoiar o garoto.
– Boa noite meu filho!
– Boa noite, pai! Como foi seu dia hoje? – a educação daquele menino espantava a todos. Nos dias atuais é quase impossível encontrar jovens atenciosos como ele.
– Cansativo como sempre. Soube que a filha do Bruce vai para a faculdade? Ela conseguiu uma bolsa em Harvard! – Dakota, o primeiro e último amor de Ben, era uma garota exclusiva assim como ele. Eles tiveram um longo e bonito namoro “cristão”, como ele costuma relatar, mas chegou ao fim após a “iluminação” que Ben recebeu para entrar no Seminário. Vai entender a mente desses jovens hoje dia. Dean conhecia os anjos, já foi ao céu, e continua a preferir sua vida na Terra.
– Sim, ela esteve aqui hoje para se despedir. – um pesar transpareceu vagamente no rosto de seu filho, em algum lugar ali ele ainda guardava amor por aquela menina.
– Guarda a minha mala? Irei até a cozinha ver sua mãe. – incrível, o menino levantou obedientemente e pegou a maleta de seu pai e a levou para o escritório no segundo andar da casa. Esse pelo menos vai ser um bom padre, refletiu Dean.
Direcionou-se para cozinha de modo sorrateiro e encontrou Lisa de costas para a porta. Chegou por trás dela, pegou em sua cintura e deu-lhe um abraço e um beijo no pescoço. Sentiu o corpo dela se arrepiar e o seu suspiro de amor.
– Boa noite, meu amor! – ele disse dando um beijo em sua boca.
Ela o encarou com um olhar confortável e amoroso. Como ele a amava. Ficaram dessa forma por alguns minutos. Após esse tempo, entre beijos e carícias, Dean enfim falou:
– Parabéns para nós! – deu um grande sorriso e tirou uma caixinha de seu bolço.
– Oh! Para com isso seu bobo, não precisa disso. Você sabe qual presente que quero essa noite. – disse com um olhar lascivo e desviando uma das mãos para coxa dele.
– Continua da mesma forma não é mesmo? – retribuiu o sorriso lascivo – Mas abra, por favor.
Ela retirou o envelope e abriu a caixinha, dentro havia um colar de pedras que fez os olhos de Lisa brilharem, não de cobiça, mas de emoção. Toda mulher gosta de joias, ainda mais quando se recebe de alguém tão especial em uma data única.
– O que achou?
– Eu amei, Dean! Mas não preciso disso para te poder dizer o quanto eu o amo! – deu-lhe um beijo incrivelmente apaixonado que só foi interrompido por Ben que estava pigarreando debaixo da porta.
– Vamos jantar, sim? Tenho que ir à Igreja daqui a pouco. – ele tinha um sorriso bobo no rosto, sempre reagia bem à luxúria de seus pais e encarava os momentos constrangedores de brincadeira. O pobre garotou passou noites acordadas quando era mais jovem e chegava em casa tarde e ouvia gritos, gemidos e barulhos estranhos vindo do teto.
Eles se reuniram, oraram. Ben respeitava a opinião de seu pai, mas sempre tentava leva-lo para o lado de Cristo. Mas Dean era convicto em seu pensamento, após tudo que viveu queria distância de tudo que fosse sobrenatural e viver o quanto puder da carne e da realidade. Jantaram, conversaram e riram. Foi uma noite agradável e alegre. Quando deram oito horas, Ben teve que ir. E Lisa e Dean fiaram a sós.
Eles se encaravam, e ela sorriu, ele sorriu também e piscou os olhos. Ela piscou de volta e ele entendeu o que aquilo queria dizer. Ela segurou em suas mãos e o guiou até o quarto do casal. Dean a pegou pela cintura e a apertou contra seu corpo, tirou a leve camisa que ela vestia e desabotoou seu sutiã. Beijava-a constantemente, e os beijos ficavam cada vez mais molhados. Ele passava as mãos pelas costas nuas e sentia o corpo quente dela contra sua pele. Ela retirou sua grava e sua camisa social, deixando seu tronco nu. Dean sentiu seu membro ficando rígido e a pressionou ainda mais em seu corpo. Já não beijava somente nos lábios, mas por todo seu corpo, pescoço, ombros, seios. E ela arfava de amor, sentindo uma umidade crescente entre as pernas. Ele a segurou mais forte e a jogou sobre a cama. Retirou as calças e a roupa íntima e juntou-se a sua mulher, despindo as suas últimas peças de roupas. Ele a penetrou e um arrepiou transpassou por seus corpos. Eles eram um só enquanto Dean estava dentro dela. Ela gemia, arranhava as costas dele e enroscava sua perna em volta dele enquanto ele fazia o movimento, indo e voltando. Estavam unidos em carne e amor, beijavam-se e acariciavam-se. Lisa comprimia seus dedos dos pés e bagunçava o cabelo de Dean e ao mesmo tempo o beijava loucamente. Ficaram desse jeito, bagunçados e ao mesmo tempo em harmonia durante vários minutos até que juntos chegaram ao ápice do amor e puderam desfrutar do prazer de um relacionamento vivo.
Dean tombou para o seu lado da cama, e continuava a encarar aquele belo resto que sempre o fazia tremer de paixão. Ela era linda, sedutora, amorosa, tudo que ele sempre quis e tudo que ele tem. Abraçaram-se e ficaram juntos na cama por muito tempo, com ela em cima de seu peito sentido a respiração desforme de Dean. Em algum momento, após Dean ter caído no sono Lisa ligou a TV da parede e colocou no canal de noticiários.
A alegria, o amor, e o prazer sumiram de seu corpo, e o medo e a confusão a dominou. Não podia ser, ela pensou. Isso deve ser uma coincidência de mau gosto. Quais são as chances? Sentou-se na cama chocada, com um arrepio de medo passando pelo seu corpo nu. Acordou Dean.
– Dean, você tem que ver isso! – o balançou desesperadamente.
Sonolentamente Dean abriu os olhos e murmurou:
– O que aconteceu?
– Qual era o nome do seu irmão mesmo? – ele ficou meio atordoado com a pergunta e despertou do leve sono de vez. E viu o noticiário, perdeu a voz, seu corpo enrijeceu, e um misto de medo de esperança o assombrou.
Enfim disse:
– Sam Winchester...
Ambos ficaram ali, sem reação, em frente à TV assistindo ao noticiário das dez horas. Era uma notícia política. A tela estava dividida em duas, de um lado o repórter da seção política do canal entrevistando o recente escolhido do partido republicano para concorrer às eleições desse ano, que estava do outro lado da tela de terno branco, cabelos longos penteados para trás, olhos penetrantes e sorriso cativante. Logo a baixo, na tarja de notícia estava escrito:
“Samuel Winchester: o recente escolhido por unanimidade do partido Republicado para candidatar-se ao cargo de Presidente dos Estados Unidos”
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