Caminhando entre os mortos

49 Capítulo bônus - Parte final


Notas iniciais
Olá pessoas, desculpe a demora, achei que iria aproveitar o feriado para escrever, mas recebi mil visitas. Enfim, capitulo final o próximo já vai ser a quarta temporada. espero que gostem.

Pov – Daryl

Ela ouviu minha confissão, não pretendia dizer, mas disse e como era de se esperar me mandou para o inferno, adoro isso nela, uma outra garota, um tipo comum teria corrido para meus braços, mas não Alice. Minha Alice é o tipo que não pensa, apenas reage aos acontecimentos.

Ela bate a porta com força, um segundo depois escuto a porta de seu apartamento bater também.

─Que mania de bater portas! Grito sem um pingo de irritação, como poderia ficar irritado se acabo de ouvir que ela me ama?

Respiro fundo me preparando para o drama que vai fazer, abro a porta e sigo para seu apartamento.

Alice está sentada no sofá, o rosto escondido entre os joelhos, paro diante dela.

─Quer parar de drama?

─Não! Ela responde sem me encarar.

─Se for até meu carro vai ver um cervo que cassei, eu pretendia mesmo passar a noite na barraca... – Ela não me olha, isso é irritante, adoro os lindos olhos brilhantes e cheios de vida de Alice me encarando – Pode me olhar?

─Não! Monossilábica, eu penso sorrindo, mas ela não pode ver.

─Montei a barraca, fiz uma fogueira, depois pensei... Eu pensei que estava perdendo tempo, já tinha conseguido a caça e você... Você estava aqui, achei que... Você sabe.

─Não sei de nada! Ela quer ouvir, sei disso.

─Senti saudade! Nada, nem mesmo isso é suficiente para convencer a teimosa Alice – Vamos para casa Alice, é quase uma da manhã.

─Não vou, já estou em casa, vou me fazer de difícil, bem difícil! Ela diz e me canso, respiro fundo e sigo para ela, ergo Alice nos braços, não vim embora no meio da noite para dormir sozinho, principalmente agora que ela disse que me ama.

─Pode ser difícil, mas é bem leve! Sigo em direção a porta – E me ama.

─Bem pouco! Ela resmunga sem qualquer resistência.

─Manhosa! Só coloco Alice no chão quando está diante da cama.

─Estava mesmo caçando?

─Sim Alice, juro, não tem ninguém entre nós, nunca teve!

─Nesse caso vamos aproveitar que voltou! Ela sorri – Agora que me ama loucamente.

─Loucamente? Brinco quando ela começa a tirar minha blusa.

─Sim, e da próxima vez que for confessar seus sentimentos pode ser mais romântico?

─Não, eu disse uma vez e basta! Ela me faz uma careta.

─Certo, então chega de conversa, que eu estou ficando muito boa nessa coisa de sexo! Alice me beija, e que se dane todo o resto, amo essa mulher e isso é tudo que importa. Nem sei quanto tempo passamos ali, envolvidos, amanhecia quando saciados nos deitamos.

─Me ama loucamente, não vive sem mim, nem uma noite, está completamente perdido de amor, mas posso entender, desde que me beijou pela primeira vez ficou assim.

─Alice você é insuportável!

─Eu sou uma delícia! Ela me beija – Faz cafuné?

─Não! Respondo, olho para ela só para ver aquela cara de criança contrariada que faz e tanto gosto.

─Troglodita! Ela me beija o pescoço, ri e se aconchega – Vou dormir!

─Boa noite! Beijo Alice antes de pegar no sono.

A semana fica ainda melhor, confessar o que sinto e ouvir que ela sente o mesmo mudou tudo, nos uniu de um jeito diferente, desejo Alice mais do que tudo, por mim passaria o resto dos meus dias com ela na cama, mas não é só isso e agora sei o que amar alguém significa, conversamos mais, brigamos mais, e confiamos mais, é tudo perfeito.

Ou quase, ainda detesto ver Alice com aquela moto para cima e para baixo, ela ainda me tira do sério com sua bagunça e isso torna tudo mais divertido, não tem como nosso relacionamento cair na rotina, simplesmente porque nunca sei o que esperar dela.

O interfone soa no meio da noite, Alice dorme em meus braços, olho no relógio, quatro da manhã, quem pode ser? Me levanto com o toque insistente, Alice se mexe na cama me procurando.

─Que foi? Me pergunta meio dormindo.

─Nada, volte a dormir.

Fecho a porta do quarto quando saio, nunca faço isso, mas como não sei o que está acontecendo prefiro manter alguma segurança.

Pego o interfone, do outro lado a voz confusa de Merle, aperto o botão destravando a porta de entrada, era o que me faltava, lá vem confusão, estava tudo indo bem demais.

Sigo para porta e abro esperando por ele, Merle sobe as escadas meio trôpego, me abraça, coisa que nunca faz.

─Ai está o pequeno Dixon, achei você! Ele ri se atirando no sofá – Peguei o endereço que deixou, vim...

Ele apaga no meio da frase, balanço a cabeça em negação, sigo de volta para cama, não acredito nisso, me dá medo de pensar no que o traz aqui, mas seja o que for só me resta aguardar, me deito, Alice me abraça, se enrola em mim sem nem ao menos abrir os olhos.

Demoro a pegar no sono de novo, Merle e Alice, não gosto desse encontro, não sei o que ela pode achar dele, e menos ainda o quanto isso pode nos afetar, Merle sabe ser insuportável quando quer e ele sempre quer, se de algum modo isso me afastar dela não sei como vai ser.

Por outro lado quero protege-la disso de ter que conviver com ele, com aquele jeito Merle de ser, sem se importar com nada que não seja ele mesmo.

Acordo confuso com Alice abrindo a porta do quarto, ainda ouço ela dizer qualquer coisa sobre a porta do quarto estar fechada e então me lembro de Merle na sala, me levanto apressado.

─Oi boneca, pelo visto meu irmão anda cheio do dinheiro, pagou pela noite toda, se estiver disponível...

Fico pálido só de ouvir o que ele diz, não acredito que teve coragem de dizer algo assim para Alice, quando chego na sala a cena me surpreende muito mais, Alice está de pé, vestindo apenas uma de minhas camisas como sempre faz e tem minha besta apontada para Merle que está sentado no sofá completamente perplexo.

─Calma docinho, eu posso pagar! Ele diz, ela o encara furiosa.

─Cala boca imbecil! Eu grito com ele, fico um segundo sem saber o que fazer, Alice não tem a menor ideia de como aquela arma funciona, mas acontece que ela está armada com uma flecha, que eu por alguma razão deixei engatilhada e Merle sabe disso.

A arma está apontada para cabeça de Merle, que olha de mim para ela assustado e suplicando por ajuda.

─Você deve ser o irmão idiota! Alice diz – Peça desculpas agora mesmo ou estouro seus miolos seu infeliz!

─Daryl! Ele me exige, fico calado, acho que o idiota bem merece um susto.

─Daryl merda nenhuma seu lixo, se desculpe agora mesmo! Alice diz e ele ergue a sobrancelha surpreso – Vamos monte de estrume, não sou e nem me pareço com uma prostituta, e seu irmão ao contrário de você não precisa de uma.

─Ei belezinha você é bem feroz, onde encontrou esse furacão irmãozinho? Merle finge estar despreocupado, mas sei pela postura imóvel que está apavorado.

─Hecatombe eu diria, essa é Alice, e acredite, ela é o apocalipse, cuidado! Escondo um sorriso, meu irmão me olha incrédulo, não vou protege-lo, essa é minha garota, é bom que ele saiba que não pode brincar com ela.

─E então, vai abrir essa porra de boca imunda para dizer algo que preste e se desculpar ou vou ter que sujar a sala toda, Daryl me ensinou muito bem como se usa a besta.

Ele me olha, buscando ter certeza, afirmo com um movimento leve de cabeça, ele volta sua atenção para Alice.

─Nem em mil anos! Ele esbraveja, ela baixa a arma, muda a mira para as bolas de Merle, que arregala os olhos agora muito mais assustado.

─Nesse caso acho que nunca mais vai precisar pagar uma prostituta! Ela diz – Estou sem paciência, imbecil, vai mesmo arriscar? Ela finge mirar, move a besta, prendo um pouco a respiração, não posso negar um certo medo de a arma disparar sem querer, sei que Alice não tem nenhuma intensão de atirar – Diga, me desculpe Alice, fui um idiota!

─ Daryl? Ele tenta mais uma vez, dou de ombros, deixo em suas mãos.

─Descul... – Ele para de falar, me olha – Daryl! Pede mais uma vez.

─Porra, é um covarde mesmo, anda, vai ficar chorando para o irmãozinho?

─Desculpe Alice! Ouço Merle dizer num fio de voz, Alice abaixa a besta no mesmo instante.

─Nossa até que enfim! Ela diz sorrindo – Isso pesa em? Me diz me entregando a besta, Merle fica de pé.

─Espere... você não...

─Nunca! Ela sorri – Como vai Merle, seja bem-vindo, veio para ficar? Alice pergunta despreocupada, nem eu esperava por essa.

─Garota você é infernal! Ele diz boquiaberto.

─Obrigada! Ela segue até ele e estende a mão, então me lembro que veste apenas minha camiseta, os dois trocam um aperto de mão, ela sorria, ele acho que corresponde ao cumprimento mais por medo do que por vontade.

─Alice... – Ela me olha e faço um sinal, mostro discretamente suas pernas, ela se olha, sorri.

─Pernas Daryl, duas delas, todos temos! Ela diz – Te vejo depois Merle.

─Onde encontrou essa mulher? Merle me pergunta.

─Foi um golpe de sorte! Eu aviso enquanto assisto Alice deixar minha casa apenas com minha camisa.

─Onde ela vai vestida assim? Merle me pergunta.

─Para o apartamento ao lado, vem! Eu o chamo para cozinha, sei que ele deve estar cheio de fome – O que faz aqui, está encrencado?

─Não, só vim ver você, ficar uns dias, nada demais, estou indo para Carolina do sul.

─Fazer? Pergunto colocando pão e café sobre a mesa, Merle morde uma maçã.

─Coisa minha, vou me estabelecer por lá, então vim buscar você! Ele me dá um tapa leve no ombro – Vamos recomeçar por lá.

─Não vou a lugar nenhum Merle.

─Por conta dessa...

─Minha garota! Aviso, ele me olha sério – Exato, é sério, quero que fique longe dela, nunca fez nada de útil, nunca fez nada por mim, então pelo menos uma vez na vida, não estrague tudo para mim! Merle não diz nada – Vou tomar um banho!

Deixo meu irmão sozinho, preciso de uns minutos, me assusta o que Alice pode pensar, o que pode sentir, se conhecendo Merle não vai se dar conta de que não sirvo para ela, que não a mereço, reconhecer que sou igual a ele.

E se não se importar, ainda assim eu não a quero com Merle, não, ele me envergonha, é meu irmão, não dela, ela não precisa atura-lo.

Depois de um banho rápido vou ao encontro de Alice, Merle está de volta ao sofá, vai passar uns dias lá e depois segue para um novo lugar, uma nova encrenca, abro a porta e Alice está no sofá, apenas sentada olhando para o nada, sorri quando entro, tem algo ali, uma certa tristeza eu noto, me dá medo, não sei mais seguir sem ela.

─Oi! Eu digo me sentando a seu lado – Triste? Ela dá de ombros – O que foi?

─Seu irmão está bem? Ela pergunta se esquivando de responder.

─Sim, vai ficar uns dias, melhor você ficar por aqui, eu venho para cá! Ela me olha, não gosta da ideia, balança a cabeça concordando sem muito animo – Se não me disser não podemos resolver! Aviso sabendo que temos um problema.

─Não me quer lá? Me pergunta.

─Acho que não quer ficar lá, falei sobre as roupas e veio se trocar aqui, tem roupas suas por todo meu apartamento, quarto, sala, cozinha, banheiro.

─Não estamos discutindo minha bagunça, já discutimos isso todos os dias! Ela me lembra, não que seja um problema, afinal é sempre a mesma coisa eu reclamo, ela ignora e tudo fica como está.

─Nesse caso não sei o que estamos discutindo.

─Não quero fazer parte da sua cama, quero fazer parte da sua vida.

Ela é minha vida, como pode insinuar o contrário?

─Não te entendo.

─Acaba de me pedir para não frequentar seu apartamento enquanto seu irmão estiver lá!

─Merle é... viu do que ele te chamou.

─Foi engraçado! Ela ri, me espanta, sempre me espanta – Vamos Daryl, achei muito engraçado, ele acreditou mesmo que atiraria nele.

─Você tem mesmo problemas mentais não tem outra explicação, meu irmão é difícil, ele não é problema seu, só quero evitar que... eu...

─Fala comigo! Ela pede, me faz olhar para ela – Amo você, eu sei que teve uma vida difícil, que não fala, mas eu sei, vi as marcas, e sei que de algum jeito ele é parte disso.

─Viu as marcas, mas tem muito mais, marcas que não pode ver.

─Posso, vejo quando não consegue demonstrar carinho, quando fica com medo de me abraçar, andar de mãos dadas pela rua comigo, quando se recusa a me fazer cafuné, eu sei que tem medo, aceito isso, não me importo, apenas quero que fique bem, mas quando me tira da sua vida assim só porque seu irmão está aqui me magoa, você não é como ele, não precisa se envergonhar, ter medo de que algo mude entre nós, porque eu conheço você.

─E se ele te ofender de novo?

─Merle entendeu o recado, depois sou boa nessa coisa de ofender, não se preocupe, posso devolver na mesma moeda.

─Vai ser uma briga boa! Rimos, ela vem para meus braços, se encosta em mim – Vim te dizer uma coisa.

─Que me ama desesperadamente, que está cheio de saudade?

─Que é minha garota, falei isso para o Merle, então depois fiquei pensando se... É isso?

─Você podia começara treinar se abrir e pedir direito!

─Alice! Ela é mesmo infernal.

─Está querendo namorar comigo! Ela está rindo, faço o mesmo, beijo aqueles lábios que tanto adoro – Aceito, mas vou mandar um pouco em você!

─Vai coisa nenhuma!

─Está certo, eu tentei! Ela me beija – Agora podemos ir para sua casa?

─Podemos!

─E um dia me leva junto quando for ajudar aquelas pessoas, quero ver como é!

Eu apenas concordo, ela tem razão para estar na minha vida precisa fazer parte de tudo, em casa Merle está assistindo tv, nos olha desconfiado, mas Alice é mesmo o tipo sem limites, logo estão conversando, se provocando e rindo um do outro, é inacreditável.

─O que vai fazer na Carolina do Sul, devia ficar aqui Merle, irritar você é muito melhor que irritar o Daryl!

Alice diz enquanto comíamos uma pizza assistindo a um filme ou tentando, nada que Alice ou Merle não atrapalhassem.

─Já queria antes agora que te conheci quero correr para longe, são muito esquisitos, principalmente quando começam a brigar e falar várias coisas ao mesmo tempo, nem consigo acompanhar.

─É mais lento que seu irmão!

─O que foi que cara disse? Pergunto tentando entender o que aconteceu no filme.

─E eu que sou lento? Merle resmunga, suspiro e volto a me concentrar no filme, é estranho ficar sentado com uma garota em meus braços na frente de Merle, me faz parecer um cara diferente, nós dois sabemos disso, noto pelo seu olhar que acha diferente, mas também sinto que de algum jeito ele está feliz por mim.

Os dias passam rápido, Merle parte num domingo pela manhã, passamos a noite juntos caçando, falamos sobre coisas da vida, lembramos o passado, resolvemos assuntos pendentes, Alice me deu coragem para isso, ela me melhora.

Os dois se abraçam, na verdade ela o abraça e ele retribui tão desajeitado quanto eu, depois ele acena, diz uma de suas bobagens e vai embora, sei que vai voltar, ele nunca some para sempre.

De noite Alice segue para seu apartamento vai receber a ligação da irmã, serão longos minutos em que conta cada detalhe de nossa vida e fico aqui rezando para Emma não mandar Alice ser difícil, normalmente volta sorrindo, me contando sobre os sobrinhos, mas dessa vez está confusa e se senta ao meu lado.

─Que foi?

─Emma vem com a família passar o fim de semana comigo!

─Devo ficar feliz? Pergunto sem entender porque isso a incomoda tanto.

─Não muito, Cooper vem também e sei que não é uma visita, principalmente por que ela me disse que foi ideia dele.

─O que acha que ele quer?

─Dinheiro, quer que passe para ele minha parte na herança!

Fico em silêncio, esse assunto não me diz respeito, apenas afasto seus cabelos do rosto, ela sorri, mas o sorriso é tão triste que já odeio Cooper por isso.

─Não vai dizer nada?

─Isso não me diz respeito, é assunto seu.

─Não quero, acha estranho?

─Acho natural, deixou tudo para trás não foi?

─Sim, deixei para trás, quero que fique com meus sobrinhos, quero eu mesma conseguir minhas coisas, nem mesmo quero muito, mas queria que fosse uma decisão minha, queria que minha irmã dissesse a ele que é meu direito, mas ela o segue feito um carneirinho.

─Quando fala dela me parece que ela é feliz, acho que as escolhas dela não precisam ser as mesmas que as suas.

─Você está certo! Alice concorda – Faz cafuné?

─Não!

Ela me olha torto e depois adormece, fico ali no sofá, mudando os canais e sentindo a respiração leve dela no meu colo, os cabelos espalhados, eu os toco, ela está dormindo, não precisa saber, fico ali, um tempo, não quero que isso um dia acabe, não quero que seja só minha garota, quero que seja minha mulher.

─Alice! Eu a chamo, ela geme.

─É hora de trabalhar já?

─Não maluca, é hora de ir para cama!

─Adoro essa hora! Ela diz sem abrir os olhos.

─Está dormindo.

─Certas coisas me despertam.

─Que coisas?

Ela se senta e me olha, os olhos brilham cheios de desejo, nunca vou me acostumar que seja por mim.

─Beijos, mãos...

─Sei como é, vem vamos para cama.

É o que fazemos, vamos juntos para cama, e fazemos amor, depois Alice adormece em meus braços, se espalha na cama, ela é assim, ocupa espaço, todo espaço, preenche o ambiente, me ocupa a alma, o coração, a vida.

No sábado saio para caçar, Alice fica a espera da irmã, detesto que vou ter que olhar na cara do cunhado dela, mas quando chego ao anoitecer ela me esperava em casa.

─Oi, o que faz aqui? Pergunto depois de receber um abraço da rainha dos abraços, ás vezes nas ruas tenho medo que abrace estranhos – Não devia estar com sua irmã?

─Fugi um pouquinho, Cooper demorou o dia todo, mas por fim disse a que veio, eu assinei tudo que ele queria, e então vim me esconder aqui.

─E ela?

─Não disse nada, nunca diria, mas quer conhecer você, iria lá comigo?

─Alice, não sei muito ao certo se é boa ideia, ela pode não gostar muito de mim...

─Foda-se!

─Mais que boca! Eu reclamo, ela me beija – Vo tomar um banho e colocar uma roupa descente.

─Mas não muito, nada de roupas inteiras, gosto das rasgadas, fica com cara de mal, adoro namorar um cara mal!

─E eu adoro namorar uma dama!

Alice segue comigo para o banheiro, já desisti de privacidade, ela simplesmente não sabe o que é isso.

Assim que abre a porta dou de cara com um comercial de tv, é isso que aquela família me lembra, o modo como estão sentados na sala, as roupas impecáveis, o ar superior que tanto odeio, me faz intender perfeitamente porque ela fugiu, Alice não combina com aquilo, é selvagem demais, cheia de vida demais.

Os sobrinhos sorriem para ela, a irmã que se parece muito com Alice fica de pé e me estende a mão.

─Finalmente conheço Daryl Dixon, Alice fala muito de você!

─Eu sei, às vezes ela precisa de uma garota! Rimos eu e Alice, a irmã parece não entender, Cooper me olha atravessado, adoro medi-lo com um ar de ameaça, adoraria mais ainda dar um soco nele, mas apenas aceno com a cabeça, nos sentamos na cozinha, o cunhado continua onde está, assistindo ao noticiário da noite, as crianças jogam seus joguinhos caros de vídeo game, cada um com o seu nas mãos, esquecidos de tudo.

─E então Daryl tendo muito trabalho?

─Todo trabalho do mundo!

Alice me cutuca, serve uma bebida leve para a irmã, um licor de qualquer coisa que comprou.

─Fico feliz que estejam juntos, ela precisava de alguém decidido assim como você para se acalmar.

─Nem brinco mais na rua com as crianças, estava ficando boa no skate, mas o Daryl aqui acha que vou quebrar uma perna.

─Concordo!

─Claro que concorda! Alice reclama com a irmã – Vão ficar amiguinhos agora? Alice reclama – Não se esqueça que a ideia de me fazer de difícil foi dela!

─Não esqueço! Digo sorrindo.

─contou a ele! Emma pergunta surpresa.

─Como é que eu iria saber se estava funcionando?

─Estava? Emma pergunta diretamente a mim.

─Completamente, vivo sendo ameaçado!

─Entendo! Ela diz corada, a irmã é parecida apenas na aparência, são opostos, me admira que Alice siga algum conselho vindo dela.

─Emma! Cooper chama da sala, o tom dominador me incomoda, me lembra um pouco meu pai – Temos que ir para o hotel!

─Claro querida! Ela responde olhando para Alice – Ele me ama, e eu o amo! Ela o defende num tom mais baixo, segura as mãos de Alice – Não, Cooper não é perfeito, mas tenho certeza que Daryl também não.

─Ele é perfeito para mim! Alice rebate, sinto um solavanco no peito, não tem como me acostumar.

─E Cooper é perfeito para mim, então vamos apenas continuar nossas vidas, não me condene!

─Está certo! Elas se abraçam longamente, um novo chamado as afasta, as despedidas são frias, apenas as crianças parecem demonstrar carinho, Andy abraça a tia carinhoso.

─Tia Alice meu quarto está a sua espera para jogarmos a noite toda.

─Nada disso, ela fica lá comigo, lendo histórias!

Cassie envolve Alice num abraço possessivo, ela beija os dois.

─Resolvemos isso quando for visita-los! Alice encerra a confusão.

A família deixa a casa e noto o ar cansado de Alice, vamos cedo para cama e decido que se ela me deixou entrar assim na sua vida posso fazer o mesmo.

Acordo Alice cedo, ela choraminga que é domingo que pareço um velho de sei lá quantos mil anos, mas fica de pé e se apronta.

─Onde vamos afinal?

─Levar o que cacei, não queria saber onde vou!

Pegamos a caminhonete, no caminho eu resolvo me abrir, Alice precisa saber, merece ouvir.

─Meu pai era só um bêbado, minha mãe era meio como ele, menos grossa, mas ausente! Começo a contar com os olhos fixos na estrada, Alice fica silenciosa apenas me ouvindo – cresci sozinho, apanhando, comendo mal e dormindo com medo, uma merda de vida infernal, mas eu não era o único, uma vida assim é mais comum do que pensa.

─Eu sei, não é por que não vivi isso que não possa entender.

─Muitas coisas aconteceram, cresci, fiz merda atrás de merda, segui Merle cegamente durante muito tempo, sendo só um idiota como ele, até que cansei e decidi mudar isso, recomeçar, faz um tempo que venho fazendo isso.

─Está se saindo bem! Ela toca minha coxa, puxo sua mão e beijo seus dedos, é espontâneo, mas ela pisca confusa, vem até mim e me beija o rosto – Gosto quando faz algo assim.

─Eu sei, viro a esquerda, falta pouco agora, é só notar como as casas vão ficando pobres, as ruas antes vazias cheias de crianças – Um dia voltei aqui para rever um velho amigo de infância e me dei conta de como tudo é igual, achei que podia fazer alguma coisa, ele está numa cadeira de rodas, quase morreu num tiroteio, agora levo carne, e coisa que posso, para ele e a família, eles dividem com os vizinhos.

─Então foi aqui que cresceu? Ela pergunta olhando o cenário a sua volta.

─Sim, foi aqui!

─Tem muitas crianças! Ela diz – Fica um pouco com eles?

─Não, sabe bem disso, eu não sei ser assim, entrego pego o carro e vou embora.

─Mas vai aprender a ser, porque não vou sair correndo como se tivesse medo de me contaminar e nem você vai fazer mais isso!

Não respondo, quando descer e olhar o ambiente com atenção vai correr para o carro, Alice viveu na riqueza e na tranquilidade de um lar, não sabe o que está dizendo.

Descemos diante de uma casa velha meia dúzia de crianças se aproximam, retiro a carne já limpa do carro e a senhora Adams se aproxima com os olhos cheios de gratidão que não encaro muito, dois garotos maiores levam a carne para dentro, ela fica uns minutos me agradecendo, depois me viro para ir embora e lá está Alice, misturada as crianças, já ri e brinca com eles como se os conhecesse a vida toda.

Testa as bicicletas para achar uma que sirva para ela, fico ali paralisado olhando para ela tão linda e perfeita, ela me sorri e volta a atenção as crianças, eu não posso perder Alice.

─Case comigo! Digo quase sem pensar, ela ergue o olhar me encara – É isso, quero que seja para sempre.

─Não tão fácil senhor Dixon, temos que fazer um acordo! Ela se afasta das crianças e segue até mim – Quero cafuné e carinho.

─É negociável, mas não seja exagerada.

─Todas as noites! Ela diz, reviro os olhos – Mas depois de fazermos amor loucamente por que não resiste a mim e sou perfeita para você!

─Nesse caso temos um acordo!

─Nesse caso eu aceito! Ela me puxa para um beijo – Eu amo você seu troglodita!

─Também amo você idiota!

Notas finais
Espero que tenham gostado. beijos