Caminhando entre os mortos
23 Capítulo 23 - Não vou dizer primeiro
Notas iniciais
Pov – Daryl
Viva, é a primeira coisa que penso quando vejo Alice estacionar a moto, então tudo que sinto por ela vem à tona, meu amor, a noite perfeita, os olhos brilhantes e o sorriso honesto e isso me deixa com raiva, muita raiva por que eu quase a perdi.
Eu desço da moto furioso, ando com dificuldade por conta do maldito tiro, mas ela vai ouvir, se vai, não pode brincar assim, paramos diante um do outro, me esqueço que estamos cercados de gente, ela tira a mochila das costas e solta no chão a seu lado.
−O que você tem nessa cabeça sua imbecil? Eu disse para ficar perto!
−Eu fiquei, a culpa foi dos zumbis não minha e sei muito bem me cuidar! Ela grita de volta, tão brava quanto eu.
−Merda nenhuma que sabe se cuidar, se perdeu do grupo, isso é saber se cuidar? E ainda chega aqui de moto?
−Me cuido melhor que você, não levei um tiro, levei? E não sei fazer ligação direta em carro, mas sei em moto!
−Você tem vento no lugar de cérebro, isso é o que tem, não tente se defender me acusando de ter levado um tiro e é a mesma coisa ligação direta em moto e em carros, sei bem que estava era achando que podia se divertir, enquanto mata todo mundo de preocupação!
−Odeio que fique me acusando de irresponsável, é um troglodita, mal humorado e estúpido! Ela despeja cheia de fúria, só me irrita ainda mais – Nem fazia ideia de que era a mesma coisa, mas dirijo moto muito bem e não fiquei brincando.
−Se mete em encrencas e o troglodita aqui é que tem que sair por ai atrás de você, e mal consegue dar dois passos sem dar de cara no chão duvido que seja capaz de dirigir bem uma moto!
−Machista idiota! Ela me olha cheia de raiva – Não precisa me salvar de porra nenhuma, não preciso de você!
−É uma ingrata de boca suja isso sim!
−Desculpe ofender seus ouvidos sensíveis!
−Eles tratam de vários assuntos ao mesmo tempo, isso é interessante! Ouço Maggie dizer a Glenn, que se dane o que pensam, ela me enlouquece.
−Rick ficou feito um idiota te caçando, onde se enfiou?
−Aproveitei para jantar fora e dançar um pouco, tomei sorvete e peguei um cinema! Ela grita – Não sabia que estavam atrás de mim.
−Michonne também se perdeu! Glenn comunica, ela me olha triunfante, fuzilo Glenn, eles deviam cuidar da própria vida e nos deixar em paz.
−Gritou assim com ela quando chegou? Ou sou só eu que mereço todo esse ataque, estava tentando voltar o mais rápido que podia, não podia ficar esperando ser resgatada.
−Ninguém gritou com a Mich! Maggie avisa e ganha um cutucão de Beth.
−Porque está tão furioso comigo? Ela me pergunta cheia de raiva.
−Porque tinha tanta pressa de voltar?
−Porque eu... – Ela se cala – Responde você primeiro.
−Eu... – Fico preso naquele olhar, no que ela não diz – Primeiro você!
−Idiota, eu não vou dizer primeiro, nunca ouviu!
−Não sou surdo! Respondo na mesma altura – E se é assim nunca vai ouvir.
−Dane-se! Ela rebate.
−Dane-se você!
−Ótimo!
−Ótimo! Eu respondo gesticulando, ainda estou cheio de raiva, sei que ela quer que eu diga, mas não vai ouvir, não de mim, nem pensar.
−É minha lanterna? Ela dá um passo em minha direção, a voz suave.
−Ahm! Como pode mudar assim, ela é mesmo uma hecatombe e me transforma num completo idiota.
−Minha lanterna, essa que está na sua mão e que quase me atirou na cabeça uma meia dúzia de vezes só no último minuto.
Olho para ela, depois para a lanterna, sempre me rendo a Alice, isso é um inferno, pretendia ficar bravo por pelo menos um dia inteiro para ver se ela aprendia uma lição, mas Alice é impossível.
−Achei que iria querer ela quando a encontrasse.
−Ela me fez falta! Ela olha para meu ferimento – Está sangrando! Levanta a blusa para olhar melhor – Tomou pontos?
−Nem sei, tomei? Olho para Hershel, ali também nos assistindo.
−Sim e deveria estar na cama, avisei que não podia se levantar.
−Você é um teimoso, deve ter aberto os pontos, parece que tem cinco anos, vem, vou te ajudar a voltar para cama.
−Eu ainda não acabei de gritar com você! Resmungo.
−Sei disso, mas você pode ir gritando no caminho, vamos! Ela me chama, passando o braço em minha cintura, odeio como sempre caio nessa, nem me lembro que queria matar Alice.
−Essa moto vai para o lixo! Digo e ela se afasta.
−Vai nada, é minha agora!
−Sua coisa nenhuma, cadê o recibo de compra?
−Ridículo, acha que só você pode ter moto, ela fica!
−Vai para o lixo!
Uma nova guerra estava prestes a começar, mas Carl se aproxima correndo e abraça Alice, o chapéu cai no chão e ele fica mesmo parecendo só um menino, às vezes eu me esqueço disso.
−Achei que nunca mais iria te ver! Ele diz.
−Está maluco? Ela devolve o abraço – Acaba de me roubar um abraço, agora vou roubar um beijo!
−Nem vem! Ele se afasta rindo.
−Achei quadrinhos, muitos, nada de comida, mas muitos quadrinhos, estão na mochila – Ela olha para Rick — E tem umas armas e alguma munição!
Rick faz que sim com a cabeça e só então me dou conta da expressão de todos, estão entre confusos e assustados.
−A briga já acabou?
−Quem estava brigando Maggie? Ela pergunta sorrindo – Vamos Daryl, precisa se deitar e eu preciso de um banho e o Hershel precisa fazer um novo curativo ai, e nem pense em dar fim na minha moto.
−Vou por que eu quero, e a moto já era!
−Cala a boca, nem consegue andar!
−Idiota! Ela sorri – Não é engraçado! Caminhamos para cela.
−Mas que saco, chega, já deu seu ataque do dia, agora me deixa em paz, eu quase morri, devia me encher de beijos, dizer, nossa Alice, eu senti muito sua falta estava sofrendo, com saudades dessa sua pele de seda e dos seus beijos!
Subo os degraus me segurando para não gemer de dor e tentando não rir das maluquices de Alice.
−Não seja ridícula, apaguei antes de entrar no carro, acordei faz meia hora.
−Meia hora e já estava louco atrás de mim! Ela sorri ainda me apoiando nos degraus, acho que mais me atrapalha que ajuda, mas quer fazer isso, posso deixar.
Me sento com dificuldade assim que chegamos, essa merda dói demais, olho para Alice, parece quase sem forças.
−Dormiu?
−Não!
−Comeu?
−Hambúrguer e pipoca no cinema! Ela sorri – Só quero um banho e dormir um pouco! Seu olhar fica um pouco triste – Vou pedir a Carol para refazer seu curativo, ela é boa nisso né?
−Acho que sim.
Alice me dá as costas, suspiro, nunca vou entender como funciona sua cabeça, ainda outro dia teve uma crise e me melou todo de barro, de ciúme de um lenço da Carol, agora vai chamar justo ela para cuidar de mim.
−Mais calmo agora que sabe que ela está bem? Carol me pergunta quando terminava o curativo.
−Sim! Respondo apenas, não quero prolongar muito o assunto.
−Nesse caso tente descansar, se morrer a garota vai ficar por ai, imagina o tanto de encrenca que ela vai se meter? Reviro os olhos só de imaginar, Carol me sorri – Devia ter dito a ela quando ela perguntou, ela teria dito que também te ama!
−Está falando bobagem Carol, vou me deitar agora! Ela recolhe as coisas e se afasta.
−Beth está alimentando sua namorada, logo ela vem ficar com você.
−Carol...
−Tchau! Ela me deixa sem esperar pela resposta, eu não namoro Alice, na verdade talvez namore, ou algo assim, mas isso não é dá conta de ninguém.
Alice entra um tempo depois, já estava cansado de ficar ali, olhando para o nada.
−Oi! Ela sorri – Refez o curativo?
−Sim, e você está bem? Ela dá de ombros – Precisa dormir um pouco!
−Eu sei! Alice continua parada de pé me olhando – Acha que machuco você se ficar aqui?
−Não, pode ser que me deixe irritado, mas não machucado! Me afasto e ela passa por cima de mim, tem o cuidado de um hipopótamo e gemo quando Alice me atropela – Retiro o que disse!
−Você é muito manhoso! Ela reclama se deitando – Quanto tempo até isso ficar bom? Ela aponta o curativo.
−Não perguntei.
−Devia, justo agora que estou começando a aprender as coisas boas da vida olha você ai todo ferrado!
−Isso não atrapalha em nada!
−Tem certeza, acho que vou querer descobrir, quero aprender mais umas coisinhas! Ela ri, como sempre nada é sério.
−Dorme Alice!
−Vou dormir, mas tem certeza que dá, porque aquilo foi um baita exercício!
−Depois te ensino umas coisinhas! Ela sorri fingindo um ar sensual.
−Tipo treinamento intensivo?
−Tipo cala a boca e dorme!
−Eu já disse que tem um jeito bom de me calar! Ela tem razão, faz muito tempo e quero isso, puxo Alice para mim e a beijo, ela corresponde, quando nos afastamos me olha profundamente – Quando ficava com muito medo tentava me lembrar disso para não entrar em pânico, no fim foi você que me trouxe de volta.
−Teria ido ao inferno se fosse preciso!
−Estou querendo chorar, é melhor me beijar.
Faço o que me pede, depois ela se enrola toda em mim, está cansada e abatida, precisa dormir.
−Vim de shorts de proposito, só para te seduzir! Ela brinca antes de pegar no sono, é completamente maluca.
Fico deitado olhando Alice dormir, eu dormi horas sem fim, é claro que estou sem sono, mas preciso ficar deitado e ela precisa descansar e passou um susto grande, não posso deixa-la sozinha, então apenas fico ali, velando seu sono.
Depois de um tempo seu sono se agita, ela se meche na cama e senta num salto, grita meu nome e pisca confusa quando me vê.
−Estava sonhando, está em casa.
Eu tento tranquiliza-la, ela parece tão assustada.
−Tive um pesadelo, sonhei que você tinha morrido, que eu estava de novo lá onde me escondi e você tinha morrido.
Seus olhos estão marejados, ela se deita de novo, me abraça.
−Pode me abraçar, eu sei que detesta isso, mas eu preciso! Abraço Alice, não sei de onde tirou que não gosto de abraçar, não sei muito ser carinhoso, mas é apenas isso.
−Volte a dormir, estou aqui, e não detesto abraçar coisa nenhuma, só para de chorar!
Alice demora um pouco para conter o choro, mas depois acaba adormecendo mais uma vez, anoitecia quando acorda, se aperta a mim, mas fica em silencio, eu também fico, tive tanto medo, depois tanta raiva e agora sinto tanto alivio, isso é tão confuso.
−Faz cafuné?
−Não! Ela ri, acho que pede só para ouvir um não.
−Chato! Ela fica em silencio de novo, de vez em quando estremece um pouco, acho que fica se lembrando das coisas – A senhora Adams deve estar sofrendo muito.
−Não sei Alice, cheguei apagado, não vi nada.
−Quando tomar coragem vou cuidar um pouco dela!
−Ela vai gostar!
−Vai ser ruim sair sem você para as ruas, espero que fique bom logo.
−Você não vai a lugar nenhum sem mim, esqueça! Sou imperativo.
−Está bem! Ela responde apenas, sempre me confunde, garota infernal.
−Como assim, está bem? Não vai gritar, espernear, dizer que faz o que quer que não mando em você?
−Não! Ela dá de ombros – Acha que gosto de sair lá fora? Ela me diz sem me olhar, apenas encostada em meu peito – Mas é horrível não saber, por isso quero ir.
−Vive dizendo que é horrível não saber, o que é horrível não saber?
−Onde você está, o que está acontecendo com você, me dá medo e prefiro estar perto!
Esse é um daqueles momentos em que ela me deixa mudo e sem ação, mas perguntei e ela é sempre honesta.
−Porque a lanterna é tão importante? Já que está sendo tão sincera decido arriscar.
−Não vou dizer, estou muito declaradeira hoje e vou acabar falando demais!
−Declaradeira? Eu riu – Acho que essa palavra não existe.
−Então acabei de inventar, agora existe!
−Quer me contar como foi lá fora?
−Tive medo, muito medo, fiquei num apartamento, com zumbis querendo entrar, eu tropecei num skate, cai e fiz barulho, ficaram na porta.
−Vive se estabacando! Reclamo.
−Só me critica! Ela resmunga – Enfim, ficou de noite e tive que ficar lá, depois fugi, vi a moto fiz ligação direta e vim para a prisão, mas teve um zumbi... Ele veio para cima, eu estava com pressa para subir no prédio pela escada de incêndio, acertei ele com o machado, ele ficou com a cabeça pendurada, e agora a imagem dele fica me perseguindo.
−Vai esquecer, logo vê um pior e essa imagem sai da sua cabeça!
−Obrigada Daryl, isso foi muito animador! Ela diz fingindo tedio na voz.
−É sempre um prazer!
−Pensei que... Tive medo de chegar aqui e não estar.
−Acordei achando que estava na horta com o Rick, quando me dei conta do que tinha acontecido, quando Rick me disse que você tinha se perdido do grupo... Eu também tive medo.
−Mas agora estamos aqui, e está tudo bem, e não vou mais pensar nisso, eu devia ter guardado os quadrinhos para usar como moeda de aposta.
−Você é anormal! Brinco com ela.
−Pode ser, mas esse negócio de apostar os trabalhos na prisão é bem ruim, desisto disso!
−Faz bem!
−E não vou mais apostar você, nem quando estiver bem brava.
−Acho isso muito vantajoso, ao menos para mim!
−Para mim também.
−Preciso descer, tomar um banho e você precisa se alimentar.
−Quer que te ajude a tomar banho?
−Não Alice as pessoas vão pensar coisas...
−Claro que vão! Ela diz rindo – Prefere que pensem que é um monge?
−Prefiro esperar até amanhã para começar seu curso intensivo.
−Eu nem estava pensando nisso! Ela diz rindo – Só queria ajudar mesmo, mas tudo bem, Deixamos a vigia para depois e ficamos só procurando bateria!
−Ótima ideia, procurar bateria é muito bom! Eu beijo Alice, o beijo fica intenso, minhas mãos percorrem seu corpo, ela tem razão sobre o shorts, ele seduz, gosto de tocar sua pele, ela geme, e nos afastamos, olho para ela, os olhos brilhantes me encaram, amo Alice, mais do que pensei que seria possível.
−Alice eu... – Que droga aquela frase trava em minha garganta, como se dizer fosse mudar tudo.
−Eu sei! Ela me responde – Eu também!
Volto a beija-la, Alice é minha, é minha por inteiro.
−Mas não vou dizer primeiro! Ela avisa.
−Então nunca vai ouvir! Ela me olha decidida.
−Vou sim! É talvez ela ouça, mas antes vai ter que dizer.
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