Caminhando entre os mortos

45 Capitulo 45 - Ciúme


Notas iniciais
Olá pessoas, capítulo leve, apenas uma preparação para o que vem pela frente, quarta temporada. O próximo será o bônus, não sei em quantas partes ainda, talvez duas.

Pov – Daryl

Alice acaba adormecendo, só acorda na hora do jantar, eu a vejo descer sorridente já esquecida dos momentos tensos que passou mais cedo, gosto de como ela se refaz rápido, sempre otimista e esperançosa.

Comemos reunidos com nossa família, Alice e Carol conversando com Maggie e Beth, enquanto eu e Rick discutimos questões sobre a prisão, no fim do jantar deixamos e refeitório em busca de um pouco de ar, a prisão é claustrofóbica na maior parte das vezes.

−A noite está bonita não acha?

−Muito! Eu acabo rindo, ela me olha.

−Do que está rindo?

−Você sem assunto, falando da noite? Ela revira os olhos.

−Estava sendo romântica, seu bobo, quando foi que fiquei sem assunto?

−Jamais, nunca fiquei um minuto inteiro sem ouvir a sua voz.

Nos sentamos num banco e assistimos a pilha de zumbis se aglomerar nas grades famintos e desesperados, mecanicamente eles gemem, enfiam os dedos pelas grades e ficariam ali para sempre, não desistem, não mudam o foco a não ser que carne fresca os chame a atenção em outro lugar.

−Muda? Ela me olha tampando a boca, de volta aos cinco anos.

−Já deu um minuto? Ela me pergunta e afirmo – Aposto que ficou bem agoniado querendo ouvir essa minha voz suave e angelical.

−Nossa, cheguei a pensar em suicídio! Ela ri volta sua atenção mais uma vez as grades.

−Bando de agarradores! Comento e ela concorda com um movimento de cabeça.

−São tão estúpidos! Alice diz se encostando em mim – Metodicamente estúpidos e cansativos, ao mesmo tempo que apavorantes e assassinos, nunca vou entender como aconteceu tão rápido, em um mês o mundo que conhecíamos deixou de existir.

−Menos que isso em muitos lugares, se espalhou rápido demais.

−Porque eles estão se juntando tanto aqui?

−Não sei, talvez por que agora somos muitos aqui, o barulho, o cheiro, isso chama atenção, com certeza.

−Antes quando eram só vocês tinham poucos?

−Quase nada, um ou outro, principalmente depois que limpamos a prisão.

−Daryl! Ouvimos Glenn chamar próximo a cerca, uma dúzia de zumbis forçando o mesmo espaço era perigoso, podiam derrubar as grades e então estaríamos com problemas.

−Vou ajudar o Glenn, fica aqui, damos conta.

Deixo Alice e sigo em direção a ele, pego um pedaço de ferro deixado ali propositadamente, começo a enfiar a estaca nos zumbis, olho para o pátio e vejo Alice entrando para o bloco D, obviamente está indo encontrar o amiguinho dela, usa a irritação para acerta firme os zumbis, derrubo sozinho uma dúzia deles.

−Irritado? Glenn me pergunta.

−Não! Digo apenas, largo o ferro e caminho de volta, limpar ficaria para a manhã seguinte.

Não espero por Alice, sigo direto para nossa cela e me atiro na cama de péssimo humor, me viro de um lado para o outro até que meia hora depois Alice entra, pega a lanterna, liga, depois se troca, o tempo todo está em silencio, eu também fico mudo.

Alice passa por cima de mim, me esmaga como de costume, depois se aconchega em meus braços.

−Está dormindo já? Ela me pergunta, demoro um pouco a responder.

−Não!

−O Bob se deu bem com a Sasha e o Ty, o Zack também, ele é um menino muito legal não acha, está fazendo de tudo para o Bob se sentir bem.

−Ótimo! Eu respondo apenas.

−Vi que derrubaram um punhado deles, amanhã ajudo a limpar aquela sujeira.

−Certo!

−Monossilábico?

−O que acha?

−Não acho nada, só fui ver como o Bob estava, nem fiquei conversando com ele, na verdade fiquei na cela do Zack encontrei ele e parei para conversar.

−AH! Não estava na cela do Bob estava na cela do Zack, muito melhor! Ironizo, ela suspira.

−Boa noite Daryl.

−Boa noite Alice! Respondo de má vontade, ela me abraça silenciosa – Se lembra da cena que fez por conta do lenço da Carol? Digo uns minutos depois sem conseguir dormir, completamente inconformado.

−Pelo amor de Deus, do que estamos falando afinal? Alice me pergunta e duvido que não saiba.

−De você ficar por ai, de ciúme, de...

−A Beth estava lá, deixa de ser ridículo Dixon!

Ela bem podia ter dito antes, mas é claro que prefere me irritar, me deixar de péssimo humor só para provar que sou mesmo um ciumento.

−Porque não disse antes?

−Achei que estava subintendido, o que eu iria ficar fazendo sozinha na cela do Zack se estava apenas fazendo hora enquanto matava zumbis?

−Eu te amo sua estúpida, custa me deixar tranquilo?

−Não sei como fazer isso, já disse que te amo, aceitei ser sua mulher, conto para todo mundo que sou sua, mas não vou deixar de falar com o Bob.

−Faça como quiser!

−Nunca pedi para ficar longe da Carol.

−Porque ela é sua aliada!

−Porque não me beija e esquecemos isso, ou fazemos uma pausa, vai que eu morro amanhã? Perdeu uma noite perfeita com sua mulher, linda e intensa!

−Intensa? Acabo não resistindo a um sorriso – Essa é nova!

Realmente esqueço de todo o resto e me entrego aos meus desejos, temos como de costume uma noite perfeita, durante o dia nos separamos, cada um com suas ocupações, vez por outro passo por Alice, Bob está sempre com ela, não que eu veja algo demais, apenas não gosto muito.

−Aquela ideia de ir ao Big Spot, ainda de pé? Sasha me pergunta.

−Acho que sim, vamos levar um grupo treinado, já demos uma boa olhada, parece seguro e estamos com o estoque muito baixo.

−Como não ficamos a muito tempo, acho que logo esses porcos vão virar jantar, mas nem quero ver a choradeira as sua mulher e das crianças.

−Eu sei disso, vamos fazer o possível para não precisar disso, ao menos agora.

Ela concorda, nos afastamos e então Bob vem em minha direção, acaba com meu humor, não que precise de muito para mudar o humor, mas nos últimos meses criei uma boa relação com as pessoas, principalmente os mais jovens, então não quero ser o cara irritante que não consegue ser sociável.

Acho mesmo que Alice tem muito a ver com isso, de algum modo ela me deixou mais leve, brigar com ela exige toda minha energia e sobra pouco para os outros.

−Daryl! Bob me chama se aproximando – Queria agradecer pela chance que me deu, mesmo a contra gosto.

−Observador! Eu comento confirmando sua impressão.

−Alice é uma mulher incrível, sempre nos demos muito bem, ela é engraçada e honesta – Elogiar tanto minha mulher não é uma boa maneira de começar uma amizade, penso enquanto o escuto de cara feia — Mas jamais tive qualquer intensão com ela, primeiro porque não aconteceu, depois Ethan era apaixonado por ela, não passaria por cima disso.

−Alice nunca me contou isso! Digo me sentindo um tanto enganado.

−Nem poderia, Alice jamais desconfiou, ele era discreto, essas eram conversas fechadas, apenas eu e Chase sabíamos, ele nunca teve coragem para tentar qualquer coisa, principalmente porque Alice sabe nos colocar no lugar.

−Fico feliz com isso.

−Não sei como foi com vocês, mas Alice não deixa espaço, estou dizendo isso porque quero que saiba que não tem mesmo nada demais em estarmos próximos.

−Nunca achei isso.

−Que bom! Ele diz sério – Apenas não diga nada sobre Ethan, acho que ela já tem problemas demais para pensar, não quero que sinta culpa por isso, não sei, ela meio que tratava ele como um irmão mais velho.

−Não vou dizer, espero que se acomode, são pessoas boas aqui.

−Está certo, vou me acostumar, passei muito tempo sozinho, ainda estranho um pouco essa suposta segurança.

−Foque nisso, suposta! Eu digo me afastando.

Se tem uma coisa da qual tenho certeza é de que segurança simplesmente não existe mais, a cada segundo, cada pequeno movimento pode mudar tudo, já vi hordas de zumbis nas estradas, centenas deles e a ideia de que uma horda dessas pode simplesmente chegar até nós não sai da minha cabeça, mas por enquanto estamos seguros, Alice está segura.

Alice e segurança não são de fato palavras que combinem, principalmente por que ela não colabora, onde existe a possibilidade de problemas é exatamente onde vamos encontrá-la.

Encontro Carl resmungando enquanto carregava ração para os porcos, ele me olha bravo, mais de uma vez me pediu ajuda para convencer Rick a deixa-lo voltar a usar as armas, não fiz isso, não vou me envolver num problema de família como esse.

−A Alice está lá com o Hershel, disse que se estiver desocupado é só chamar.

−Obrigado, está bravo?

−O que acha, carrego estrume o dia todo e meu pai ainda acha que tenho que ir para a hora da história com Carol e as crianças, uma grande droga, como Alice diz estamos fu... Esquece!

Ele me deixa gargalhando, Alice não tem nada na cabeça, imagino as conversas que tem com ele, sobre o que podem falar.

Carol está com as irmãs Samuels, ela anda bem próxima das meninas, acho que talvez tenha algo de Sophia nas duas, eu mesmo posso ver isso, me lembro de correr a mata atrás dela, do quanto foi difícil abrir aquele maldito celeiro, essa merda de apocalipse realmente nos tirou tudo.

Michonne me vem à mente, a dias não volta para casa, devia ficar preocupado, mas acontece que não consigo imaginar algo de ruim acontecendo com ela, não passa pela minha cabeça que zumbis sejam páreo para ela, Michonne é forte demais, concentrada demais para isso.

Volto para meu trabalho, deixo os pensamentos sobre o passado e a segurança de lado e me concentro em fazer o que é preciso, temos uma operação de guerra para limpar as grades, matamos zumbis, distraímos outros e então recolhemos os corpos caídos e levamos para queimar numa clareira próxima da prisão, usamos sempre o mesmo lugar, é seguro e não precisamos de muitos para isso.

A velha rotina da prisão, uma rotina que tem nos mantido unidos e vivos, o que mais posso querer?

−Bob, eu não me lembrava disso, caramba! Ouço Alice dizer rindo quando me próximo dela e o amigo conversando no refeitório.

−Contei na minha primeira noite no acampamento, logo que me encontraram na floresta.

−Agora me lembro, Cooper fez um milhão de perguntas, todas tolas e inúteis e você decidiu ir embora então ele saiu atrás de você dizendo que precisava de ajuda.

−Éramos menos de quinze pessoas na época.

−Todos despreparados! Ela comenta enquanto eu ainda caminhava para ela – Mas você nos treinou, se lembra disso, de como eu era completamente idiota.

−Aprendeu rápido! Bob diz e decido mudar meu rumo, eles estão muito envolvidos em recordar o passado.

Só vejo Alice de novo na hora do jantar, ela se senta do meu lado, evito seu olhar, preciso aprender a lidar com isso, essa nova fase, ela é minha mulher, nunca me deu nenhuma razão para desconfiar dos seus sentimentos, mas mesmo assim estou inseguro, uma tolice, sei disso, mas não consigo evitar.

−Nossa estou faminta, foi muito trabalho, ajudei a Carol depois a Maggie e fiquei um pouquinho com a Judy, ela estava tão chorona.

−Achei que tinha passado o dia com o...

−Se disser vou ficar brava, melhor mudar o rumo dessa conversa.

−Certo, faremos isso então, mas admita que ele esteve o tempo todo por perto.

−Bob se interessou pela Sasha, não pretendia contar, mas quem sabe isso te ajude a melhorar seu humor.

Melhorou, tenho que admitir, mas não vou dar esse gostinho a ela, Alice sempre me dobra, fico calado, ela parece bem despreocupada.

−Amor...

−Não vai funcionar! Aviso e ganho uma careta.

−Sexo? Ela pergunta rindo de mim.

−Garota infernal, você não vai nunca aprender a ter limites! Resmungo agora sem nenhum vestígio da irritação de mais cedo.

−Eu adoro que fica assim lindo e bravo, devo mesmo confessar que garota infernal é bem carinhoso.

−Acredite, não é! Aviso.

−Quer procurar pilhas? Fico mudo – Vigiar a torre?

−Para de dizer essas coisas, vão nos ouvir!

−É código, ninguém entende!

Passo o braço por seu ombro, ela sempre me dobra, e quando vejo estou rendido.

−Come e depois pensamos no que fazer.

−Me beija? Ela pede, pisco confuso, o refeitório está cheio de gente – Vamos Daryl, não vai morrer por isso, me beija!

−As pessoas! Eu comento meio sem graça com seu pedido.

−Se não quer me beijar, tudo bem, eu mesma faço isso! Alice me puxa para ela e quando me dou conta estamos nos beijando.

−Mulher maluca! Digo quando nos afastamos, me recuso a olhar em volta, mesmo se quisesse não poderia, estou preso ao belo sorriso vitorioso que dança em seus lábios – Até que é bonitinha, às vezes! Brinco e recebo um tapa leve no ombro.

−Vou junto no Big Spot! Ela muda de assunto – Nem adianta me impedir.

−Eu sei, mas vai...

−Prometo! Ela me corta – Prometo tudo, sei que se não obedecer as regras do velho de cem anos não posso ir.

−É o que se faz quando saímos com criancinhas de cinco anos, colocamos regras!

−Não tinha feito seis?

−Ainda não, está quase!

Decidimos comer, depois do jantar subimos juntos, nossa refúgio nos espera, ali passo os melhores momentos da minha vida, mesmo antes do apocalipse nunca tive nada nem parecido.

−As coisas estão tão boas não acha, chega a me dar medo! Alice me diz quando nos deitamos.

−Boas como?

−Nada de mortos pela prisão, nenhum acidente, nada que nos apavore, nenhuma perda, me dá medo.

−Sei o que quer dizer, como se fosse o olho do furacão?

−Isso, tenho medo do que essa porra de fim do mundo nos reserva.

−Tenho que admitir que eu também, mas o que importa é ficarmos juntos, então fique perto Alice, eu te amo e se algo acontecer preciso que esteja perto de mim.

−Colada! Ela me abraça – Beth está fazendo um calendário, são vinte e poucos dias sem acidentes, quase um mês.

−Beth é uma garota esperançosa, aprendeu com o pai, ao mesmo tempo vejo que se afasta um pouco das emoções.

−Como você! Alice me diz e está certa – Menos comigo, comigo é só ciúme e paixão enlouquecedora, chega a me dar medo!

−Alice você simplesmente não existe! Digo antes de envolve-la em meus braços, estou errado, ela existe e é minha

Notas finais
Espero que tenham gostado, no fim de semana acho que vai ser difícil de postar, então possivelmente só volto a postar na segunda, nas três fics. Beijos