Caminhando entre os mortos

37 Capítulo 37 - A verdade


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capítulo, espero que gostem.

Pov – Daryl

O vento sopra gelado na torre, dou a última tragada no cigarro e atiro para longe, assisto ele girar no ar e cair apagado sobre o cadáver que grui nas grades, ele não se dá conta, não se dá conta de nada que não seja carne humana.

Suspiro, preciso descer e procurar Alice, ela está decidida a falar com o doutor S, para ela Theresa é uma psicopata perigosa, não quero duvidar de Alice, mas para mim um psicopata age como aquele maldito do Philip, de todo modo nada posso fazer a não ser ajudá-la a provar sua teoria.

Não posso negar que me dá medo do que aquela mulher pode fazer com Alice, mas não quero dar corda para os devaneios de Alice, fico num meio termo que a irrita, e pior qualquer coisa que disser vai se virar contra mim.

−Mulher infernal! Resmungo antes de descer as escadas e deixar a torre, era meio da tarde, nevava muito a mais de uma semana, há dois dias Alice me pedia para ter uma conversa com o médico.

Encontro Alice sentada com Beth e Carl os três riam despreocupados, adoro sua alegria, seu sorriso franco, seus olhos brilham quando me vê, quero que seja minha, mais do que isso, quero que seja só minha, mas qualquer coisa que diga ela acha que é brincadeira ou implicância, acredita justamente no oposto, quando falo de uma relação sólida ela logo dia que não preciso me preocupar como se eu quisesse me afastar disso e não o contrário.

−Ei! Ela me chama, pisco retornando a realidade e me dou conta que estou parado diante dos três com cara de idiota – Daryl?

−Oi! Sorrio meio de lado, com medo de alguém ter percebido o meu encanto momentâneo – Vamos?

−Embora eu esteja disposta a seguir você até o inferno seria bom saber onde vamos!

−Uau! Beth e Carl brincam me deixando sem graça.

−Ver o doutor! Aviso de mal humor, ela se levanta, segura minha mão sorridente, não me afasto – Vamos de uma vez! Deixamos os dois idiotas rindo de mim e seguimos ao encontro do médico, doutor S estava sentado na cozinha externa que tínhamos, lia um livro provavelmente de medicina, Alice fecha mais o casaco, se encolhe um pouco e passo meu braço por seu ombro tentando aquece-la.

−O que diabos faz aqui nesse frio doutor? Alice pergunta.

−Vim ler um pouco, aproveitar o silencio! Ele responde fechando o livro – Querem conversar?

−Sim! Eu respondo, uma rajada de vento faz Alice estremecer – Podemos entrar?

−Vamos até meu quarto! Doutor S nos convida, seguimos com ele, assim que deixamos o frio do lado de fora me separo de Alice, ela sorri de lado, não faz nenhum comentário.

−Sentem –se!

−Doutor sabe me responder algo sobre doenças mentais? Ele franze a testa e sorri.

−Alice você é meio desajustada, mas não acho que sofra de nenhum transtorno! Ele brinca ela faz uma careta como resposta – Agora sério o que quer saber?

−Esquizofrenia.

−O que isso significa, de quem estamos falando, não sou especialista sabe, não poderia dar um diagnóstico claro, ao menos não assim sem uma conversa, exames.

−Sei disso doutor, quero só uma opinião.

−Ficamos todos meio malucos depois do fim do mundo, mas é um transtorno que traz alucinações, depressão, bem tem outras coisas, se me der mais informações posso ajudar.

Alice conta mais uma vez a conversa maluca que teve com Theresa, o médico ouve atento.

−Talvez esteja certa, pode ser uma espécie de transtorno, não sei, esses fanáticos que existiam antes do mundo acabar eram muito preocupantes, mas não sei.

−Doutor quero saber se ela oferece risco ao grupo, fiquei com medo e ninguém nessa prisão me dá ouvidos! Ela me olha acusadora.

−Vamos fazer um acordo, você fica despreocupada, eu me aproximo dela e converso um pouco, quem sabe noto algo, pode ser apenas um modo de fugir de nossa realidade, cada um usa um mecanismo de defesa.

−Até amanhã, nem um dia a mais, depois vou... – Ela me olha e se cala, nem quero pensar em seus planos.

Deixamos o médico e voltamos para nosso bloco, no caminho presto atenção nas grades, são pouco mais de uma dúzia de zumbis, nada que preocupasse o frio os deixava mais lentos, a neve também parecia dificultar seu caminhar e por isso, tudo ficava mais fácil para nós.

Depois do jantar seguimos para nossa casa, Alice acende a lanterna, precisamos ter uma conversa sobre Theresa.

−Quando vai me dizer? Ela pergunta enquanto se trocava.

−O que quer saber?

−Como faz para ganhar cafuné! Alice faz um ar inocente, usa um tom sensual, pisca longamente e me arranca risadas – Não ri de mim, sou muito sexy.

−Claro que é! Eu a puxo para mim, ela se desequilibra e então está em meus braços rindo feliz, eu a beijo, mas ela me afasta.

−Não respondeu! Me cobra.

−Temos coisas mais importantes para conversar, fique longe de Theresa! Advirto, mas é Alice e isso só pode significar uma coisa ela vai fazer o oposto.

−Não manda em mim, e eu quero ajudar a resolver isso!

−Como vai fazer isso?

−Deixando ela furiosa.

Alice não tem limites, só posso torcer para Alice não acabar como refém, ela me puxa para cama e quando me dou conta estamos envolvidos, ela me deixa completamente perdido, me esqueço do apocalipse, e de todo o resto.

−Amo você! Ela sussurra.

−Também te amo! Eu respondo com a respiração alterada – É minha!

Ela me puxa mais para ela e nada mais importa, nos entregamos. Deixamos acontecer e depois quando voltamos do nosso lugar especial Alice se aconchega em meus braços, suspira fechando os olhos.

−É sempre tão perfeito! Me diz com a voz languida.

−Sempre! Ela sorri e nos beijamos mais uma vez, depois adormecemos.

Uma semana se passa, nada parece realmente mudar, apenas a neve deu uma pausa e com isso mais zumbis surgiram, as grades estava cheias deles, eu noto quando passo com um andar rápido em direção ao refeitório.

Alice está lá, é hora do almoço, dou uma olhada em volta e encontro Theresa sentada com Carol, as duas conversam baixo, passo direto por elas e me afasto em direção a Alice.

−Onde estava? Me pergunta um tanto séria.

−No portão de vigia! Respondo despreocupado – Carl me rendeu, tem muitos zumbis, acho que vamos ter que derrubar alguns.

−Quem sabe depois do almoço fazemos isso.

Alice é uma mulher incrível, mas quando põe uma coisa na cabeça, ela olha em volta, estão todos comendo distraídos ela me deixa e segue até Carol e Theresa, prendo a respiração, me seguro para não arrancar ela de perto, apenas me aproximo para ouvir o que estão dizendo.

−E então Theresa, decidiu o que afinal vai fazer para mostrar a cara? Alice pergunta deixando a mulher perplexa.

−Mostrar a cara? Ela pergunta.

−Alice... – Tento me aproximar.

−Ela disse que é a justiceira dos céus então porque não admite? Alice me corta.

−Eu apenas disse que entendo os planos de deus e que é nosso dever obedecer seus desígnios! Theresa responde ficando de pé – O apocalipse é a ira de Deus! Ela grita diante de todos – A ira de Deus, devemos cumprir seu desejo, essas grades são uma afronta! Ela grita mais uma vez, agora totalmente fora de si.

Alice fica muda, acho que assim como todos ela não espera aquela reação, eu me aproximo, Rick faz o mesmo.

−Theresa! Carol tenta se aproximar – Acalme-se.

−Nunca! Ela a empurra – Sei o que estou dizendo! Ela diz agora diretamente para Carol – Precisa me ajudar, tenho feito isso desde que tudo começou, ajudado no trabalho de Deus!

E no fim Alice tinha toda razão, ela só queria mesmo destruir a prisão, como provavelmente fez por onde passou, olho para Rick sem saber como agir, não podemos deixar esa mulher solta, ela vai acabar nos colocando em risco.

Então ela parece se acalmar, seu olhar muda, ela sorri e me deixa ainda mais assustado.

−Vou me deitar um pouco, não vim aqui para prejudica-los queria apenas alertar vocês! Segura a mão de Carol – Me acompanha?

As duas saem do refeitório, Rick me olha mudo, devolvo o olhar com o mesmo ar de desconforto.

−O que vamos fazer?

−Prender numa cela, pelo menos até tomarmos uma decisão! Ele diz meio incerto.

−Acho que é o melhor! Concordo então me dou conta de que Alice não estava mais ao meu lado – Merda! Eu resmungo sabendo que ela está encrencada – Alice! Digo alto e Rick logo entende, saímos os dois para o pátio, levo minha besta nas costas, Rick está armado também.

Quando saio para o pátio vejo Alice correndo em direção ao portão, Carol está caída no chão a mão sangrando, Rick corre para ajudá-la a ficar de pé, sigo em direção ao portão.

Theresa empurra Carl quando ele tenta impedi-la de abrir os portões, ele cai e então os portões são abertos, quando Alice consegue chegar até ela, os zumbis já começavam a entrar.

Alice puxa a maluca tenta afastá-la do portão, elas lutam, um zumbi se aproxima e acerto uma flecha.

−Alice! Eu grito, ouço um tiro e sei que é Rick, Carl se arrasta para longe, foge dos zumbis que entravam, atiro em mais um que tenta alcançar Alice que ainda tentava se livrar do sério.

A correria fica generalizada, todos correndo, gritando, logo Michonne está com sua espada a meu lado, vou derrubando zumbis até chegar em Alice, vejo um zumbi vindo pelas suas costas.

−Atrás de você! Eu grito com o coração aos pulos.

Com um movimento ela se vira e leva com ela Theresa, ela empurra a mulher em direção ao zumbi, os dois caem enquanto o zumbi abocanhava o pescoço de Theresa que gritava apavorada.

−Vamos todos morrer, é assim que Deus quer! Ela dizia enquanto se deixava devorar.

−Alice! Eu finalmente a alcanço, acerto um zumbi, e com a ajuda de Glenn fecho o portão, Alice e os outros derrubando os zumbis que tinham entrado.

Assim que conseguimos fechar os portões me viro para ajudar a matar os zumbis que agora caminhavam pelo pátio.

−Os blocos! Eu grito derrubando um zumbi e tentando me unir na formação de proteção que sempre usamos quando enfrentamos os mortos.

−Sasha fechou tudo, os blocos e as pessoas estão em segurança! Maggie grita derrubando mais um zumbi.

Tem pouco mais de dez agora, alguns caminhando em direção aos blocos, outros tentando nos alcançar, Rick se posiciona ao meu lado e então finalmente conseguimos limpar o pátio.

Os corpos estão espalhados pelo chão faço uma varredura pelo ambiente e então vejo o corpo de Theresa sendo ainda devorado, caminho irritado em direção ao zumbi que distraído com seu banquete não me vê, acerto uma faca em sua cabeça e ele tomba para o lado pesadamente.

É hora de avalizar as perdas, Theresa está morta, Carol tem um corte na mão, procuro Alice, ela estava assim como Rick caminhando em direção a Carl que segurava uma pistola encostado nas grades.

−Estou bem pai! Ouço Carl dizer assim que me aproximo – Apenas assustado, pensei em atirar nela, mas sabia que ficaria bravo comigo.

Alice me abraça, está tremendo, sinto um alivio enorme me invadir, mesmo sabendo que vou ouvir um “eu avisei”.

−Desculpe! Ela soluça – A culpa foi minha provoquei a mulher e ela ficou maluca.

−Não, ela já era maluca, só fez nos prevenir e proteger.

−Achei aquela história dela de querer ir para a cela muito suspeita, segui as duas e quando vi elas estavam lutando, a faca estava quase acertando o pescoço de Carol, ela foi bem corajosa, segurou com a mão, por isso o corte, depois deixou ela caída e foi em direção aos portões.

−Calma, está tudo bem! Alice já secava as lágrimas, puxa o ar com forço, solta lentamente tentando buscar mais calma – Vamos ver como está Carol e depois limpar essa sujeira.

−Pensei que ela iria matar o Carl!

−Eu sei, fez tudo certo.

−Paralisei um segundo, entre socorrer Carol ou tentar alcança-la, Carol gritou para impedi-la, acho que se não tivesse ficado na dúvida sobre o que fazer...

−Lá vem você se culpando pelas mortes a sua volta, daqui a pouco vai me dizer que o apocalipse é sua culpa!

−É a ira de Deus! Ela diz escondendo um sorriso – Desculpe, não podia perder a piada.

−Como se não te conhecesse! Seguimos para dentro, o doutor S fazia um curativo na mão de Carol.

−Bem que tentou nos avisar Alice, mas falei com ela e não achei que tinha nada errado.

O médico diz abatido, Alice lhe dá um abraço, como gosta de abraçar pessoas, tenho que controlar o impulso de afasta-los.

−Tudo bem doutor, no fim deu tudo certo!

−Aquela mulher é um absurdo! Carol reclama – Pulou em cima de mim do nada, me pegou desprevenida, mas teve o que mereceu.

−Está bem?

−Completamente! Carol afirma acalmando Alice.

−Ótimo! Elas apertam as mãos e depois Alice segue comigo para o pátio – Vou ajudar você.

−Não! Eu aviso, ela faz bico – Ok Alice, você só faz o que quer mesmo!

Recolhemos corpos, enchemos a caçamba de um dos carros e Alice sai comigo e Michonne para colocar fogo em tudo, depois voltamos para a prisão com o cheiro dos corpos em decomposição sendo queimados impregnando nossas narinas.

−Odeio essa parte! Alice avisa quando entramos de volta na prisão, anoitecia quando finalmente o trabalho chega ao fim e podemos finalmente nos recolher, sinto meus ossos doerem por conta do frio, a neve volta a cair.

Nos reunimos no refeitório, todos cansados e estarrecidos, Rick se aproxima sentando nos degraus ao meu lado.

−Desculpe não ter dado ouvidos Alice!

−Eu avisei! Ela diz me fazendo rir – Que foi?

−Estava ansioso esperando o momento em que me jogaria isso na cara, estou surpreso que tenha sido o Rick a ouvir isso!

−Idiota! Ela me dá um empurrão com o ombro – Pelo menos ela não estava querendo você, achei que ela estava tentando te seduzir e ela só queria te matar!

−Quer dizer que me matar é melhor que me seduzir? Eu pergunto confuso.

−Com certeza! Alice responde sem titubear, Rick ri largamente.

−Você é mesmo um cara de sorte! Ele diz me dando um tapinha no ombro antes de nos deixar sozinhos mais uma vez.

−Vamos deitar? Eu chamo ficando de pé, ela faz o mesmo, seguimos em direção a nossa cela, ou casa, como ela prefere dizer.

−E agora, vai me dizer o que preciso fazer para ganhar um cafuné? Me pergunta no caminho – Eu meio que salvei a prisão, estou merecendo.

−Não desiste não é! Eu a abraço assim que entramos na cela – Não tenha pressa, vamos falar sobre isso, um dia, não hoje, nem agora, tenho planos para essa noite!

−Vive me paquerando, só porque me acha uma delícia!

−Boba! Eu a beijo enquanto a empurro em direção a cama.

−É louco por mim, me quer só para você!

Sim, é isso que quero, Alice só para mim.

Notas finais
Espero que tenham gostado, posto mais no fim do dia. beijos