Caminhando entre os mortos

24 Capítulo 24 - Se conhecendo


Notas iniciais
Olá pessoas, a culpa pela demora não foi minha!rsrsrs O Nyah que ficou maluco ontem. Espero que gostem.

Pov – Alice

Eu não tenho nenhuma intenção de fazer declarações, não que não sinta, eu sinto, mas dizer torna tudo mais denso e gosto que seja leve, além disso fica parecendo algum tipo de pressão e isso eu acho inaceitável, Daryl não é o tipo que aceita ser pressionado, oprimido, não quero e não posso fazer isso com ele.

Mas isso tudo é claro sendo racional, coisa que não sou, então eu sei que uma hora vou ficar maluca e jogar na cara dele que eu o amo e ele que decida o que fazer com isso.

−Vem Alice, você precisa comer, depois voltamos, quero tomar um banho e me mexer um pouco, detesto a ideia de que preciso ficar aqui deitado, não é a primeira vez e simplesmente odeio isso.

−Sim senhor! Eu brinco, mas não me mexo assisto ele se sentar na cama com dificuldade, a mão sobre o curativo, procura a camisa, mais uma vez noto suas cicatrizes, Daryl não fala sobre elas, não fala sobre si para ser mais exata, acho mesmo que não quer que eu as veja, acontece que vi e não costumo jogar sujeira para debaixo do tapete, não nesse mundo que pode simplesmente acabar a qualquer momento.

Me a joelho atrás dele, toco as cicatrizes e sinto seu corpo se retesar, dou um beijo leve, não são feias ou qualquer coisa do tipo, são as marcas dele, de quem ele é, falam por si só o que ele não consegue expressar.

−Seu pai? Eu pergunto, não consigo imaginar Daryl adulto passando por algo assim, sei que foi no tempo que era um menino indefeso.

−Sim, mas não é nada, não são importantes.

Ele diz a contra gosto, toco mais uma vez suas marcas, dessa vez ele não foge.

−São importantes sim, definem uma parte de quem você é! Eu digo a ele, traçando as marcas com os dedos.

−Minha pior parte apenas! Ele diz e só agora me dou conta de que Daryl nem sempre é o homem confiante e desafiador que gosto tanto, às vezes pode ser frágil e sensível e isso o deixa ainda mais perfeito.

−Está mais uma vez errado! Passo por debaixo do braço dele, e me sento em seu colo, assim posso olhar para Daryl quero que acredite em mim.

−Parece um gato se enrolando em mim! Ele diz me segurando em seus braços, tomo cuidado para não encostar no curativo.

−Gata e elas não representam seu pior, acho que elas, como foram causadas, te deram coragem e essa necessidade de superar as coisas, aguçaram seu instinto de preservação – Ele me olha atento – Fez de você o cara que fica sempre na frente enfrentando os perigos – Acaricio seu rosto – O homem que coloca a segurança das pessoas que gosta na frente de tudo – Toco seus cabelos, é um homem bonito, mas Daryl é mais do que isso – Fez seu espirito forte!

−É isso que pensa? Ele pergunta, afirmo convicta – Me fez duro e distante também.

−Defensivo, eu sei, mas não está distante agora.

−Isso está em você, não em mim, ninguém consegue manter uma distância segura de você!

Eu o beijo de leve, ele me ajeita em seus braços, sinto que agora estamos nos conhecendo, ele está se abrindo.

−Ninguém mais pode fazer isso com você, não precisa se defender tanto.

−Me acostumei, cresci assim e depois de um tempo, é só o que sou, não faz diferença, não mais.

−Acho que não está sendo honesto com você, acho que às vezes queria fazer diferente, mas acha que não pode, que não sabe.

−Queria que eu fosse diferente? Ele pergunta, não está feliz, quase vejo alguma insegurança.

−Está maluco? Eu me arrumo em seu colo – Se fosse diferente eu não estaria aqui no seu colo agora. Seria triste para você não é, me ver toda linda por ai sem te dar a menor bola?

−Se eu fosse diferente talvez eu é que não ligasse a mínima para você! Ele provoca.

−Duvido, olha aqui minha pele de seda! Passo a mão na coxa ele faz o mesmo.

−Nisso está certa, agora vamos descer, depois continuamos essa conversa.

−Está bem! Eu o beijo, mais uma vez penso na senhora Adams, volta e meia penso nela, em Paul e nas coisas que passei na rua, meu coração sempre se aperta – Vou ver a senhora Adams enquanto toma banho, já que o Monge não quer ajuda!

−Idiota! Ele brinca – Vamos, vá vestir uma calça que eu te espero.

−Está falando sério? Tento conter o riso, ele me olha sério – Está mesmo me mandando por uma calça de novo?

−Alice está frio, quer ficar doente?

−Não, apenas me diga que quando chegar o verão não vai se importar de eu andar por ai de shorts!

−O verão ainda está longe nem chegamos no inverno ainda!

−Viu, você morre de medo de me ver por ai de shorts, que bobo!

−Vai começar com essa história de ciúme?

−Eu não, até porque não é história, isso é um fato comprovado cientificamente, você morre de ciúme de mim.

−Cientificamente? Ele ri, dou de ombros e saio do seu colo.

−Vou me vestir, só quero informar que minha burca ficou perdida a muito tempo, já pensou como deve ser um zumbi de burca?

−Não. Não penso essas coisas.

−Eu penso, penso em tudo, minha mente brilhante trabalha sem parar!

Vou até minha cela me troco e pego minha lanterna, ele me esperava na escada, descemos juntos, muitas pessoas estavam no refeitório, aceno para eles e sigo sozinha para o bloco D, no caminho vou buscando equilíbrio e coragem.

Assim que entro na cela vejo a senhora Adams sentada na cama, está encolhida e tem os olhos perdidos, eles se acalmam um pouco quando ela me vê, ensaia um sorriso, o mais triste que já vi, chega a me causar dor.

Pensei em muitas coisas para dizer a ela, mas acho que abraços dizem mais e faço o que sei fazer de melhor, me aninho em seus braços, ela me acolhe, choramos um pouco juntas, enquanto ela me acaricia os cabelos.

−Quando nenhum dos dois desceu do carro e vi seu namorado sendo carregado, meio inconsciente chamando você, nossa foi insuportável!

−Sinto muito! Eu digo olhando firme para ela – Devia ter vindo antes, mas estava tão esgotada.

−Eu sei disso, me tranquilizei quando ouvi o escândalo que fez com Daryl no pátio!

−Ele é um lunático obsessivo! Sorrio para ela – Tenho que me lembrar de usar essa na próxima vez que brigar com ele, estou ficando repetitiva já!

−Você não existe menina, é adorável!

−A senhora é que é, e tem o melhor abraço do apocalipse! Ela sorri para mim, me aconchego mais.

−Quando Paul voltou para casa, quando essa história toda começou eu fiquei muito contente, meu marido tinha morrido uns meses antes, e desde seu enterro nunca mais tinha reunido toda família e então eu fiquei feliz por ter Paul junta a mim e aos irmãos.

−Tinha mais filhos?

−Mais dois meninos, Paul era o mais velho, depois o Steve e por último Sam, mas no primeiro mês Sam foi mordido, morreu nos braços do irmão Steve, eram muito unidos, Steve precisou dar um tiro na cabeça dele, só então entendi o que estava acontecendo, meses depois foi a vez do Steve, uns vinte desses monstros apareceram na fazenda, foi triste e então ficamos apenas os dois.

−Todos nós perdemos tudo!

−Sabe querida, eu acho que ficar vivo é ainda pior que morrer, quer dizer, pense, sou uma velha, perdi toda minha família, sou apenas um peso para vocês, e nem mesmo posso ser feliz de novo, é como um castigo estar aqui enquanto eles se foram.

É difícil argumentar sobre isso, ela é mãe e perdeu tudo, perder Cassie e Andy me dói todos os dias, nem sei como pode ser para ela.

−A senhora não é um peso, ao menos não para mim, gosto de ficar aqui.

−Por que é especial, aquele Dixon teve mesmo muita sorte!

−Vou dar seu recado! Ela sorri.

−Eu já fiz isso, disse que é uma joia rara que se ele te magoasse de novo eu iria puxar as orelhas dele em público!

−Fez bem! Eu brinco – Vou estar sempre com a senhora está bem. Não está sozinha.

−Sabe o que eu quero Alice?

−Sim! Quero muito poder fazer algo por ela – Diga o que quer.

−Primeiro que continue assim, cheia de vida e energia, segundo que não perca aquele homem, ele também é uma joia rara! Ela aperta meu nariz carinhosa – E terceiro e mais importante, que nunca desista, esse mundo não é para mim, mas ainda pode ser bom para você, não desista dele, não se entregue!

−Prometo!

−Ótimo! Ela volta a me abraçar – Sabia que tentei muito ter uma menina, se tivesse tido uma queria que fosse assim como você.

−Maluca?

−Corajosa e cheia de vida!

−Nem sempre consigo ser assim, perdi tudo, mais de uma vez, mas não se preocupe, não vou me entregar, nunca me entrego, não sei fazer isso!

Fico um tempo apenas ali, abraçada a senhora Adams, ela fica silenciosa.

−Agora vá cuidar do namorado, ele precisa de carinho, eu estou bem!

−Tem certeza? Eu beijo seu rosto – Posso ficar aqui se quiser, é difícil dormir não é?

−Tenho certeza Alice, toda certeza do mundo do que quero, obrigada por vir me ver, por ter sido boa comigo desde que cheguei e pelo carinho com meu filho.

−Eu que agradeço, pelo colo e o cafuné!

Deixo a senhora Adams, é triste vê-la assim, mas todos somos um pouco assim, a vida no apocalipse não perdoa ninguém.

Chego de volta no refeitório, Daryl está sentado comendo, me empurra uma tigela quando me aproximo, parece algum tipo de sopa, sempre a mesma coisa.

−E então?

−Ela está triste e eu... Daryl estou com medo de a senhora Adams tentar alguma coisa.

−Suicídio?

−Sim, senti como se estivesse se despedindo, me ofereci para ficar com ela, mas ela me mandou cuidar de você!

−Vamos pedir a alguém que fique de olho nela, pelo menos por uns dias, Karen dorme naquele bloco, ela se dá bem com todos.

Tyreese está sentado com ela numa mesa próxima, eu sigo até eles, explico a situação e ela promete ficar de olho, Carol está junto me sorri.

−Gosta mesmo dela não é?

−Sim Carol, ela tem sido boa comigo.

−Sabe que se ela quiser mesmo fazer não vamos conseguir impedir, ninguém pode ficar de guarda o tempo todo e quando alguém decide algo assim é inevitável.

−Está certa! Respondo triste – Mas quem sabe seja só uma tolice minha!

−Espero que sim, mas temos que pensar na segurança do lugar, ela pode ser um risco se acabar se transformando num zumbi.

Tyreese e Karen já tinham deixado a mesa, prometendo olhar por ela, estamos apenas nós duas.

−Admiro você Carol ama e protege esse lugar mais que tudo!

−Sim faço o que for preciso para manter esse lugar de pé.

−Nesse ponto somos tão diferentes! Ela sorri, concorda com um movimento de cabeça – Você faz tudo por esse lugar, mas as vezes acho que se esquece das pessoas.

−Lutamos muito por isso, perdemos pessoas, a segurança da prisão é o mais importante, não acha?

−Não, eu não ligo para lugares, gosto de pessoas, acho que não é o lugar, mas sim as pessoas que aqui estão.

−Já pensei assim Alice, e confesso que às vezes chego a sentir falta daquela Carol, mas essa Carol que tem diante de você é diferente, essa vai fazer o que for preciso por esse espaço.

−Pode contar comigo, na medida do possível.

−Eu sei que sim! Ela aperta minha mão – Agora vá ficar com seu namorado, ele está se roendo de curiosidade.

−Daryl não é meu namorado! Respondo na defensiva.

−Meu Deus como são parecidos, é como se você fosse uma espécie de encomenda! Ela ri e me deixa volto a ficar com Daryl.

−Pediu a Karen?

−Sim, ela vai ficar de olho, mas Carol acha que se ela quiser mesmo fazer ninguém vai conseguir impedir.

−Sim, ela está certa, mas não fique pensando nisso.

−Adoro ela, não queria que me deixasse, ela disse que queria ter uma filha como eu.

−Come!

−Porque está tão mandão hoje? Vou jogar a moto no lixo, veste a calça, come!

−Alguém tem que te pôr na linha!

−Acho que é porque é um mal humorado, Ah! Tem uma boa! Eu me lembro – Lunático obsessivo!

−Muito boa! Ele faz careta.

−Estava falando de você com a senhora Adams e me surgiu isso, não queria perder a oportunidade de dizer.

−Fica lá com ela só falando mal de mim?

−Só isso não, também isso! Termino de comer cheia de pressa − Pronto, vamos você precisa deitar está todo ferrado!

−Para de dizer que estou todo ferrado!

−Ok, está só um pouco ferrado, ainda dá para procurar baterias!

−Garota infernal!

Maggie e Beth me chamam assim que ficamos de pé, eu olho para ele em dúvida.

−Vou subindo, te vejo depois! Ele diz caminhando agora um pouco melhor, sigo até as meninas.

−Adivinha quem andou procurando baterias? Maggie brinca e olho para Beth.

−Zack?

−Sim, acho que estamos namorando! Ela sorri.

−Mas já?

−Olha quem fala, e você e o Daryl, alias o que foi aquela cena hoje cedo? As duas riem – Tem uma corrente elétrica entre vocês quase deu para sentir!

−Que bobagem Beth! Eu respondo meio corada.

−Ele ficou apavorado sabe, nossa deu pena de ver, queria sair a todo custo atrás de você, ainda bem que chegou! Maggie me conta.

−Só para poder me matar pessoalmente! Digo de má vontade.

−Sei bem o que ele queria, aquela briga deixou tudo bem claro, estava louca para ouvir a declaração e nada! Beth comenta.

−Nem penar que vou fazer isso, ele me joga na cara toda hora que fico pedindo beijos, imagina se fizesse isso!

−Ele diria também te amo Alice! Maggie pisca os olhos com ar romântico, me faz rir.

−Eu não vou dizer nada, na verdade... Eu acho que meio que ele sabe, mas não tenho certeza!

−Pergunta!

−Para Maggie, não vou fazer isso, não agora, sabe a noite na torre, foi incrível tenho medo de ele fugir de mim.

−Agora sim, admitiu a verdade esse é seu único problema, está com medo! Maggie me diz sorrindo – O resto das tolices que diz é só para se enganar, na verdade você morre de medo de admitir seus sentimentos e Daryl fugir.

−Sabem que ele tem um bloqueio, não quero... Eu o amo, isso é o bastante, o tempo resolve o resto, e sim eu sei que tempo não é algo que dispomos mais como antes, mas ainda não quero pensar sobre isso, ele me faz feliz com o que me oferece.

Elas me tranquilizam dizem que ele me ama e acho que sim, demos a entender, mas não confessamos, o que importa é que estamos vivos e felizes, não falamos sobre o futuro, o mais longe que chegamos sobre como vai ser foi discutir se vou ou não usar shorts no verão e eu já vi que não, pelo menos não sem uma boa briga.

Eu as deixo e subo, minha lanterna iluminando o caminho, entro na cela dele, ilumino seu rosto e me lembro dele me dizendo qual seu minuto perfeito.

−Falaram muito de mim? Ele me pergunta. Eu ainda o ilumino e ele fecha os olhos irritado, desvio a luz.

−Não centro do universo, falamos sobre a Beth e o Zack estarem namorando.

−Mas já?

−Foi exatamente o que eu disse! Atiro meus sapatos para longe e caminho para a cama – Me dá um cantinho! Ele se mexe passo por cima dele que geme de novo – Não quer dormir no canto e sempre deita primeiro, agora não reclama.

−Eu reclamei? Ele diz de mal humor o pavio curto de sempre.

−Está fazendo isso agora, só reclama.

−Quer dizer que é só isso que faço? Ele me puxa para ele, me envolve.

−Não, tem os beijos também e as outras coisas, mas isso porque sou irresistível.

−E modesta!

−Completamente! Ele ri antes de me beijar e me deixar mais uma vez com o coração aos saltos, até que não é má ideia ele estar de cama – Agora que está de cama acho que vamos ter que aproveitar o tempo.

−Cada segundo, pode ter certeza disso!

−A senhora Adams disse que você tem sorte de me ter!

−Ela é uma velha esperta! Ele diz antes de me beijar, acho que isso foi um elogio, mas não tenho certeza, na verdade no momento em que suas mãos correm por meu corpo eu não tenho certeza nem mesmo sobre meu nome.

Notas finais
Eles estão se conhecendo aos poucos, e agora que Daryl está de cama as coisas ficam mais calmas, ou não!rsrsrs