Notas iniciais
[Chapeuzinho] "Ela mora longe e o caminho é deserto E o lobo mau passeia aqui por perto..."

Estava ficando cada vez mais escuro e assustador o caminho daquela floresta. Matthew sabia que deveria se apressar para não acabar se perdendo. Ele olhava para os lados procurando se alguma coisa o vigiava. Ele estava com uma sensação ruim há algum tempo. Não sabia ao certo o que era, mas sabia que não deveria ser boa coisa.

Ele não queria acreditar nas histórias que os moradores falavam. Coisas como monstros, fadas, duendes, criaturas mágicas em geral. Aquilo não deveria existir. Era apenas coisa da sua cabeça. Coisas que ele não queria pensar, mas que acabaram por tomar conta de sua mente. Ele começou a apressar o passo. Ele não queria ficar protelando naquele lugar estranho. E sem demorar muito, Matthew começou a correr. Ele abraçava a cesta para que nada caísse enquanto ele corria. Ele só pensava em sair dali o mais rápido possível.

“Quero chegar logo!”

Ele começava a ouvir barulhos de galhos se quebrando. De pássaros voando devido a algum susto. De folhas secas sendo pisadas. O que estava acontecendo naquele lugar?? Ele não aguentava ficar sozinho, então acabou que por correr olhando fixamente para o chão.

– Socorro!! – Matthew começou a ficar desesperado. Ele não sabia por que estava gritando.

Talvez todos aqueles sons tenham afetado sua mente e ele estivesse criando falsas situações de perigo. Talvez fosse apenas coisas da sua cabeça. Uma doce ilusão. Ele queria ter acreditado nisso. Como ele queria ter acreditado. Mas para o seu azar, aquilo era mais do que real.

Matthew esbarrou em uma coisa grande e macia, fazendo com que ele caísse e quase deixasse as coisas da cesta espalhadas pelo chão. O que fora isso? Ele tinha sentido algo muito peludo encostando em seu rosto. Seria algum animal selvagem? Será que era perigoso? Matthew se prontificou a observar o que era.

Ele jamais tinha visto tamanho animal. Era um lobo com pelugem quase branca. Com olhos violeta e um grande pano que ficava ao redor do seu pescoço. E esse grande animal o encarava friamente. Ele soltou um uivo e foi se aproximando de Matthew, que estava jogado ao chão. Ele até pensou em pedir ajuda, mas lembrou que nenhum morador, além dele e Alfred, tinham atravessado o portão de entrada da floresta.

“O que eu faço?”

Matthew apenas se protegeu com os braços, esperando o pior. E nem percebeu que enquanto o lobo se aproximava, ele ia mudando a sua forma. Ele começara a caminhar com as quatro patas do animal, e logo em seguida, elas foram se transformando em grandes mãos e pés. A coluna, antes curvada um pouco para baixo, lembrando as costas de um poderoso lobo, foi alterada para grandes costas largas e desnudas, cheias de marcas de batalha. E a grande cabeça que continha caninos poderosos e ferozes fora substituída por um rosto humano, sorridente, e de aspecto meio sombrio. A antiga coloração dos pelos se encontrava presente na cabeça daquele homem. Sim, era um homem alto, muito branco e de aparência assustadora. O único item que não havia mudado era o grande lenço que estava em seu pescoço. Aquilo na verdade, era um grande cachecol. E agora com uma forma humana, o grande lobo chegava perto de Matthew querendo entender o porquê dele está tão nervoso.

– Ei, levante daí. Deixe de ser tão medrosa. Nem estou mas como lobo.

Matthew tirava os braços da frente do rosto para encarar a criatura que estava falando com ele. Como era possível? Como aquele homem fez aquilo? Ele não entendia mais nada do que estava acontecendo. Ele tinha certeza que tinha esbarrado em um feroz lobo e não em um homem... desnudo.

– Ei, garota. Eu preciso te perguntar uma coisa – aquele homem estranho sorriu – Por acaso era você que estava cantando?

– S-Sim... era eu... – ele só queria correr daquele lugar, pois estava muito assustado para tentar manter uma conversa.

– Que bom. Pensei que tinha errado a pessoa... Estava escutando muitos barulhos hoje. – Matthew continuava calado e estático enquanto aquela estranha criatura falava – Então... qual é o seu nome?

Ele não conseguia responder aquilo. Ele só queria correr, mas as pernas não queriam obedece-lo. Ele pedia que aquele homem o deixasse em paz, mas ele não fora ouvido. Ele só enxergava uma cara de impaciência vinda do outro. Era uma feição que impunha medo só de olhar para ela.

Matthew começou a dar uns passos para trás quando voltou a tomar controle de seu corpo. Percebendo esse gesto, o grande homem se pós a chegar mais perto dele. E como ele era rápido! Matthew nem conseguiu perceber quando ele já estava ao seu lado, colando seu rosto ao dele. Quem era aquele ser?

– Você não vai embora sem dizer seu nome, não é? – ele começou a encarar Matthew de uma maneira muito assustadora – Então garota... qual é o seu nome?

– M-Matthew! – o homem parecia surpreso com essa resposta.

– Matthew? Isso não é um nome masculino? – Matthew confirmou com a cabeça – E por que diabos deram um nome masculino para uma garota?

– E-Eu sou um... garoto... – Matthew tentava se afastar, mas foi detido pelas grandes mãos daquele homem. Elas eram muito frias.

– Um garoto, né? – o homem olhava Matthew de cima a baixo – Prove para mim.

– Eu não entendo...

– Prove que é um garoto. – o grande homem encostava seu pênis na perna de Matthew – Você tem um desses, não tem?

– E-Eu... – ele não sabia mais o que fazer.

– Prove para Ivan, o grande lobo da floresta, que você é um garoto.

Foi então que vários tiros foram ouvidos próximos dali, fazendo com que Ivan tampasse os ouvidos com as mãos e se afastasse de Matthew. Ele então começou a se afastar mais e logo em seguida começar a correr para longe. Enquanto ele corria para dentro da floresta, Matthew pode perceber que ele se transformara em lobo mais uma vez para fugir do barulho.

–-- X ---

Arthur estava deitado no seu grande sofá lendo um livro e com as cobertas em suas pernas. Ele olhava para a janela toda hora. Ele sabia que Matthew iria visita-lo naquele dia, mas estava sentindo vibrações ruins vindo da floresta. Ele estava preocupado com a segurança dele. Ele sabia que Ivan poderia estar por aquelas bandas durante aquele período do ano, e Matthew não saberia lidar com ele.

“Chegue logo, Matthew...”

Ele começou a sentir que a febre voltaria, então foi logo procurando algum remédio para evitar ao máximo piorar a sua condição. Ele não aguentava ser um estorvo.

Quando Arthur tomou o remédio e passou mais uma vez pela grande janela de sua casa, ele pode perceber um pequeno ponto vermelho correndo histericamente. Será que era Matthew? Então ele se aproximou para tentar reconhecer melhor aquele ser, e vendo que era o pequeno, ele se aliviou mais. E quando foi abrir a porta para receber aquela doce criança, ele percebeu a sua feição de medo. Será que ele tinha visto Ivan?

Logo em seguida, ele percebeu um trio de camisas de flanela atrás de Matthew. O trio estava distante, mas ele soube reconhecer quem eram.

“Eles estão aqui de novo? Eles não aprendem?”

Notas finais
Próximo Capítulo (Estrofe/Frase): [Chapeuzinho] "Mas à tardinha, ao sol poente Junto à mamãezinha dormirei contente..." --- x --- Espero que tenham gostado desse capítulo! Ficou maiorzinho, mas espero que agrade do mesmo jeito. E não se preocupem, isso não será uma fic que passa de 15 capítulos. Na verdade eu pensei em colocar no máximo 10. Não irei repetir nenhuma estrofe para dar mais capítulos ou coisa parecida. E se tiverem alguma coisa que queriam acrescentar, dar umas ideias, opinar, fiquem à vontade.