A reputação do principe sempre passava batida pelos ouvidos do rei Uther, mas ele ainda sim não podia fingir que o problema não estava la. O rei sabia que estava correndo risco de vida, uma vez que era alvo da rainha das bruxas das trevas, Igraine. E que muito em breve, teria que deixar o trono em posse de alguem, mas esse alguem não poderia ser o principe Arthur, uma vez que o povo desprezava seu jeito. Ele sabia que precisava agir rapidamente, e arquitetar logo um plano para tornar a sucessão do trono segura para o povo. Ele viajaria para os reinos vizinhos dentro de uma semana, como ato diplomatico, e sabia que aquela podia ser sua ultima semana de vida. Pois toda vez que saia da segurança do castelo, estava longe das proteçoes que tinham la, e ficava a merce das magias das trevas que poderiam lhe pegar no caminho. Ao fechar os olhos para descansar em seus aposentos, depois de um longo dia de pensamentos vazios, Uther se viu preso em um pesadelo.
Igraine, a rainha das artes das trevas, estava parada em frente a Uther, que estava coberto de medo e machucados ensanguentados. Seus cabelos negros como a noite mexiam como cobras famintas, seus olhos amarelos de poder estavam fixados em Uther, que era uma presa facil, e sua boca estava banhado pelo sangue dos guardas que ela matou.
—Não pode escapar do destino.- A voz dela parecia de uma cobra pronta para dar o bote.- Até mesmo os oraculos sabem que voce morrera nessa viagem, nas mãos da magia negra!- Uhter olhou lhe assustado, sua fala havia desaparecido, e ele não pode fazer nada senão fachar os olhos e sentir seu corpo queimar com a magia que lhe consumia.
Uther acordou assustado. Seus lençois de seda estavam molhados pelo suar que emanava de seu corpo, parecia tão real, que ele acreditou com todas as suas forças que morreria. Uther sabia que precisaria parar de procrastinar com sua decisão do que faria a respeito do trono. Passara aquela manhã olhando para o fogo que queimava na lareira de seu quarto, imaginando o caos que cairia sobre o reino. O rei nem de longe tinha medo de morrer, pelo contrario, desejava a morte como se fosse a visita de uma velha amiga. Mas o que lhe dava medo era o destino de Artie e Camelot, que lhes eram as coisas que unicamente importavam de verdade. Quando ele cansou de ter pena de si mesmo, levantou de sua poltrona e lhe impunhou sua espada. Ganhara aquela espada de seu pai quando começou seu reinado, no ultimo dia de vida do grande rei Constantino. Sua lamina brilhava com os dois diferentes metais que se fundiam para lhe formar, um lado, o ouro que brilhava como o sol e o outro, a prata que brilhava como a lua. Seu cabo era de ferro, decorado com couro e pedras preciosas. Na ponta de seu cabo, um cristal que ninguem alem do rei sabia ser encantado com magias incriveis. Quando seu pai lhe deu a espada, colocou lhe o nome de Excalibur. Disse lhe tambem que apenas os reis de verdade empunhavam ela, e que ela deveria ser passada para o proximo rei quando Uther partisse. Aquilo lhe martelou na cabeça por muitos dias, e eis que um dia antes de partir, aquilo lhe acendeu uma ideia na cabeça. Naquela mesma tarde, convocou todo o povo para a praça do castelo. Todos os pais, mães e filhos de todas as aldeias de Camelot vieram, alguns tomados pela curiosidade, outros pelo desejo de agradar o rei. Quando os portoes do palacio se fecharam, o rei apareceu em sua magestade. Seu cabelo loiro ja demonstrava certa calvice, seus olhos azuis eram iguais os de Artie, sua expressão demostra força e sua roupa, autoridade. Ele usava seu manto real, todo vestido de vermelho e pedras de todos os tipo e tamanhos. Sua capa alcançava o chão e em sua cabeça, sua gloriosa coroa lembrava a todos do poder que nele havia. Ele estava parado em frente ao povo, com a espada empunhada fora da bainha e uma expressão arrependida, antes mesmo de fazer algo. Na frente dele havia uma grande pedra, que parecia ser importante uma vez que guardas estavam na sua frente em posição de ataque.
—Suditos de Camelot. -Ele parecia mais nervoso do que o proprio povo. Sua mão suava tanto que a espada quase escorregara duas vezes, como se fosse um sabão em pedra.- Eu tendo conhecimento de minha avançada idade, decidi então que é hora de decidirmos o futuro de Camelot.- Todos do povo olharam para Arthur, e fizeram caras feias.-Sei que não veem meu filho como um verdadeiro rei, suas atitudes demonstram isso ha muito tempo, por isso digo que qualquer um de voces pode se tornar o novo rei de Camelot após minha morte.- Os olhos de Artie quase saltaram das orbitas, e bem como de todos que estavam la. Uns pensaram que o rei estava louco, outros se animaram com a possibilidade. O rei levantou sua espada que brilhou com a luz do sol da manhã.-Essa é Excalibur, a espada magica que pertence aos reis de Camelot desde o inicio de seus dias. Ela foi criada por fadas da floresta do norte, e rez a lenda que todos que eram destinados a se tornarem reis de Camelot, eram escolhidos pela espada. Ela ha seculos escolhe pessoas da familia real, mas agora estou lhe dando a chance de escolher qualquer um de voces.- Ele cravou a espada na pedra e um brilho encantador nasceu, incendiando todo o lugar.- A partir de agora, aquele que retirar a excalibur da pedra, se tornara o novo rei de Camelot! Tendo sangue real ou não.- O rei se virou e entrou no castelo, acompanhado por Artie, que estava indignado com aquilo.
—Vai entregar o reino na mão de um plebeu apenas para me punir?- Uther se virou, tentando esconder a vontade de chorar, e olhou fundo nos olhos de Artie.
—Não tenho duvidas de que voce é o verdadeiro rei de Camelot, e quando voce aprender isso tambem, a espada te escolhera como sei que vai fazer!- Ele abraçou Artie e não conseguiu segurar suas lagrimas.- Eu confio em voce, meu principe! Voce sera um rei melhor do que eu, do que seu avo e todos os outros! Eu confio em voce, e nunca cansarei de dizer isso para voce. Mesmo que eu morra hoje, saiba que eu confio em voce.- Artie, assustado com aquelas palavras, abraçou seu pai com toda força possivel.
—Não quero mais te decepcionar, meu pai.- Uther se afastou o suficiente para conseguir ver o rosto do rapaz.
—Voce não consegue me decepcionar!- Ele levantou a cabeça de Artie e sorriu.- Nem quando essa é sua intenção!- Uther deu um beijo na testa de Artie e sorriu, saindo rumo a seus aposentos.
No dia seguinte, Uther se levantou cedo, minutos depois do dia nascer. Ele teve vontade de voltar a dormir, pois sabia que aquele seria seu ultimo dia de vida, e que por mais que ficasse no castelo aquele dia, o destino certo arrumaria um jeito de cumprir com seu trabalho. Ele se levantou e foi para frente do espelho, se banhando com um toalha molhada. Colocou suas roupas calorentas de veludo vermelho e sua coroa, e foi para fora do quarto. Artie ja estava acordado, o que era raro, ja que ainda se aproximava da madrugada. o rei procurou o garoto, que estava no estabulo arrumando as bagagens no corsel branco do rei. Uther olhou lhe inquieto, se perguntava como seria a vida de Artie sem pais. Era errado pensar naquilo, afinal de contas, se pensasse demais acabaria cedendo ao instinto de não sair de Camelot naquele dia, o que tornaria as coisas ainda mais dificeis. Ele aproximou se de seu filho e ele, surpreso, deu um sorriso.
—Esta quase tudo pronto, pai.- Aquela palavra o deixou paralisado, fazendo ele tirar forças do alem para impedir a si mesmo de chorar.- A cavalaria tambem esta pronta, esperando unicamente seu comando.
—Pois acho que esta na hora de ir, não é?- Uther perdeu as forças e começou a chorar.- Queria ter o dom de mudar o futuro, meu filho!- Ele abraçou o garoto e lhe deu outro beijo na testa.- Queria mesmo!- Ele montou no corsel e olhou nos olhos de Artie.- Adeus, meu filho!- Uther cavalgou sem olhar para tras um minuto, pois sabia que se olhasse, suas forças para enfrentar a morte acabariam.
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