Calm The Storm

9 Madrugada - Part.2


Notas iniciais
Eai gente o Consegui postar hehe Porém vai demorar pra postar o próximo agora. Estou sem tempo pra escrever... Obrigada pelos comentários seus lindos e lindas e pelos 5 favoritos ♥ ♥ Me deixaram muito feliz > < Mas um capítulo grande,sorry, já disse que me empolgo né? Altas revelações aqui.

Gray Fullbuster

Juvia me soltou tão rápido que eu mal pude ver pra onde ela tinha corrido... E nem sabia o que porque de ter acontecido.

Todo mundo parecia ter ficado estranho... Não as pessoas da festa, meus amigos.

Ouvi barulho de vidro caindo... Natsu tinha derrubado uma garrafa aos seus pés. Fui até lá lhe ajudar a pegar os cacos.

Ainda sim olhava pros lados procurando Juvia.

Senti cheiro de sangue de repente... Olhei pra baixo.

—Natsu! – gritei

Ele apertava com tanta força um dos cacos que rasgara razoavelmente a sua mão...

— Solta isso! – tirei da mão dele furando a ponta do dedo também – O que você...

—Cadê a Juvia? – ele disse aquilo tão sério que chegou a me assustar... E não era só ele. Levy estava sentado no chão no meio das pernas do Gajeel respirando fundo quando vi uma lágrima escorrer do seu rosto. Gajeel se levantou e ela o impediu dizendo pra ele se sentar. Ele também tinha uma expressão nervosa no rosto... Mas era mais um ódio do que a angústia que eu via no Natsu.

—Eu... Não sei... – respondi...

Naquela resposta um sentimento esquisito parecia ter brotado no meu peito... Uma leve queimação... Não sabia dizer o que era, só sabia que...eu precisava achá-la.

Levantei largando Natsu com os cacos.

Tentei passar no meio da multidão quando alguém segurou meu ombro.

—Gray! – Sting abriu os braços – Não sabia que conhecia a Lucy também...

Já estava prestes a responder quando vi atrás dele outra figura aparecer. Fechei a cara e os punhos.

Eai maninho!— Leon veio me dando um tapa no ombro – Quanto tempo não?

A mesma cara cínica de sempre com os cabelos quase cinzas de tão claro num topete. Não sentia nem falta dessa cara.

—Que ta fazendo aqui?

—Ai vocês dois... – Sting nos abraços cada um por um braço – Podiam esquecer essa briguinha de irmãos por um tempo? Deixem de bobagem!Vamos beber!

—Apesar de que você parece que já bebeu todas Gray.

—Cala a boca. – me soltei dele

—Nervosinho como sempre... — Leon sorriu

Como eu queria acertar um murro naquele sorriso amarelo dele, mas não iria estragar a festa da Lucy por um capricho meu.

—Preciso... Fazer uma coisa. – anunciei – Falo com você depois Sting.

Sting era o único por quem eu ainda... Nutria algo bom, mas ele também não era flor que se cheire.

Dei as costas sentindo a minha queimação de achar Juvia só aumentar.

Vi Erza saindo do banheiro correndo pro andar de cima da casa.

Olhei de relance... Juvia estava com a testa apoiada do vaso. As costas davam espasmos... Ela estava chorando. Entrei no banheiro encostando a porta pra ninguém ver ela daquele jeito...

—Juvia.

Ela tomou um susto tão grande que deu um grito tapando a boca.

—Não, por favor... Não me machuca...! – ela recuava cada vez que eu chegava perto.

—Ei ei... – abaixei na frente dela. Ela cobria os olhos e chorava de soluçar — Juvia... Sou eu... – toquei as costas da sua mão, fiz um carinho e as tirei devagar dos olhos. A maquiagem dela estava toda borrada e o nariz parecia ter sagrando pouco tempo atrás... – Não... Não vou machucar você.

Eu sabia que não ia machucá-la... Mas parecia que aquilo devia ser dito então eu disse...

—Gray...? – ela me chamou num tom de pergunta

—Oi... – sorri – Sou eu sim...

—Vo-você... Por favor... – mais lágrimas saiam pelos olhos – Me... Me tira daqui.

Suspirei.

Olhei em volta no banheiro e abri o armarinho achando um pacote quase vazio de algodões e outro de que parecia lenço umedecido, mas quando li era tipo uns lencinhos de tirar maquiagem. Peguei um algodão e o pacote de lenço.

—Confia em mim não é? Eu vou buscar...

—Não, não. Gray por favor, não vai, não me deixa aqui...

—Ei, confia em mim eu vou voltar e ninguém vai entrar aqui tá? Só confie, eu juro que volto.

Abri a porta rápido antes dela protestar de novo.

O que quer que fosse que tinha acontecido, estava acontecendo...Estava me deixando até assustado ver Juvia daquele jeito,tão amedrontada e indefesa.

Fui ao bar e pulei a bancada abrindo o frigobar, peguei duas garrafas de água e sai voltando pro banheiro. Vi Erza descendo as escadas e segurei o pulso dela.

—O que é? – ela protestou

—Vou cuidar dela. Avisa a Levy.

—Não vou deixar ela com você nem morta!

Bufei.

—Porque diabos eu faria alguma cosia pra ela?!

—Ele disse a mesma coisa! – ela gritou de volta e respirou fundo

—Ele quem?- gritei de volta — Olha eu não ligo,ela me pediu ajuda,deixa que eu fico com ela.

Ela suspirou e deu uns três comprimidos na minha mão.

—Pra que isso?

—Dá pra ela depois. – e saiu de perto indo até Levy.

Guardei-os no bolso e abri a porta. Ela tomou outro susto, mas se acalmou quando me viu. Parecia uma garotinha com medo do escuro... ou de monstros que ficam debaixo da cama.

Passei meu braço pelas costas dela e a levantei saindo do banheiro.

~~

No começo da festa tive tempo o suficiente para ir com Natsu olhar o sítio da Lucy.

Saímos pela porta dos fundos que dava pra um gramado iluminado com uns cinco postes de luz ao longo do caminho – devia ser uns dois metros de diferença um pro outro — que era uma subida. Ao passar do terceiro poste senti Juvia bambear as pernas.

—Sobe. – disse firme

—O que?

Virei de costas pra ela.

—Sobe.

Ela demorou um pouco, mas pulou desajeitada nas minhas costas e eu a ajeitei continuando a andar. Os dias que eu arrumava o estoque de peças sozinho estavam fazendo efeito...

No último poste virei à esquerda. Havia uma estufa de vidro agrícola... Pelo menos era antes como Lucy falara. Agora, haviam poucas flores e o lugar fora designado a uma mini sala. Tinha dois sofás em cada lado. Um tapete felpudo no chão de cor marrom e uma casinha de cachorro. Lucy tinha deixado três colchões de casal já que a maioria de nós não voltaria pra casa. Ajoelhei num dele e Juvia desceu das minhas costas.

Respirei um pouco ofegante.

—Onde... Onde estamos?

—Na... – tossi – estufa dos pais da Lucy. Era, né uma estufa.

Tirei minha capa que agora fazia um calor danado ali dentro.

—Frio? – estendi pra ela que pegou colocando nas costas.

Peguei um dos lenços de maquiagem e me aproximei dela.

—Que vai fazer? – ela olhou o lenço na minha mão

—Você está toda borrada. – disse e ela ficou vermelha de vergonha – Posso te limpar... – comecei a passar o lenço da testa descendo no nariz e indo pro lado direito abaixo do olho – E você se acalma... E se quiser conversar eu estou aqui.

Talvez, pra minha tristeza Juvia ficou quieta enquanto eu limpava seu rosto... E ela segurava o nariz com o algodão, mas já não sangrava tanto quanto antes.

Assim que terminei de limpar dei uma das garrafas de água pra ela que bebeu quase tudo de uma vez.

—Sabe... – coloquei a mão no bolso – pra que são? – estendi os remédios na frente dela.

—Isso... Meio laranja é dor de cabeça... Isso é... pra dormir – ela falou como se tivesse com vergonha – e isso... É...calmante.

—Hm... – cocei a cabeça. – vai tomar?

—Onde conseguiu?

—Erza me deu.

—Só esse. – ela pegou o que era de dor de cabeça e colocou na boca tomando. – Pode jogar fora.

Olhei confuso... Mas fiz o que ela disse jogando no lixo do lado de fora. Quando voltei ela estava deitada de lado... Deitei-me distante dela olhando o céu.

—Você...me acha estranha?

Ri de leve.

—Não.

—Não? Mas... Eu estava lá... feliz e de repente não mais... Achei que você...

—Você deve ter seus motivos. Me importa se quiser contar – me virei pra ela – mas se não quiser tudo bem. O que importa é você estar bem.

—O-obrigada... – já ia agradecer quando ela continuou – por ficar comigo... E cuidar de mim... E... Dançar comigo. – ela sorriu

—Eu que tenho que agradecer.

Ela ficou em silêncio depois, mas parecia que queria me contar alguma coisa.

—Pode falar o que tiver pra falar.

Ela respirou e se aproximou de mim deitada de lado se cobrindo com capa.

—O que você acha que eu tenho?

Essa eu não sabia responder... E ainda fiquei com medo de responder e deixar ela mal.

—Achei... Que estivesse passando mal por causa da bebida. – disse a verdade

—Eu não consigo falar o motivo de hoje, por que... Eu não consigo... Mas, é que eu tive uma crise... Hoje e aquele dia do restaurante.

Fiquei tentando raciocinar o tipo de “crise” que ela podia estar falando. No restaurante ela dissera ser apenas uma queda de pressão.

—Eu tive...tenho... – ela deu de ombros como se não fizesse diferença — depressão.

Foi quase como se tivesse levado um susto...

Eu nunca imaginaria que ela tivesse esse tipo de coisa... Por mais que não tenha como saber quem tem esse tipo de coisa.

—Quando? – perguntei

—Assim que eu entrei no ensino médio. Aconteceram... umas coisas... Mas eu nunca fui de falar sobre isso...

—Se, por acaso não se sentir bem não precisa.

Por mais curioso que eu tivesse naquela hora... Vamos combinar que isso não é um assunto que alguém goste de falar.

Lembrei do que Gajeel dissera no dia em que ficamos na casa do Natsu

“Ela é uma pessoa maravilhosa que teve uma vida difícil”...

—Mas, eu... Quero te contar...

A olhei no fundo dos olhos encorajando a falar.

—Só que... Eu só vou falar uma coisa. – fiz que sim — Acho que uma das primeiras coisas... Não me afetou tanto, mas mesmo assim era aquela maldita fase de criança pra pré-adolescente... Então sempre ficou na minha cabeça. Eu gostava de um garoto... Ele se chamava Hibiki... Todas as garotas gostavam dele, e acho que eu tenho um problema com isso, gostar de alguém que várias pessoas gostam... Um dia eu fui me declarar pra ele, e quando eu finalmente consegui dizer tudo achei que daria tudo errado, mas ele me deu um beijo. E até ai eu estava mais do que feliz... Só que um dia depois... Eu fui a atração da escola, Hibiki tinha contado pra todo mundo que ficou comigo, e... Que tinha ficado porque tinha dó de mim, e eu era feia... E tudo mais... Só que eu era um tanto desaforada e fui tirar satisfação com ele na hora do intervalo...

“Só que eu achava que ia dar certo de novo, achei que íamos conversar sei lá. Afinal, eu achava que ele era maduro o suficiente pra isso mesmo depois de tudo. Mas eu fui burra e não ouvi quando me disseram pra não ir, não ouvi quando disseram o quão babaca ele era, eu não liguei. Só me dei conta do quanto era,quando estava no meu do pátio com ele me zoando.. E era a escola toda ao mesmo tempo gritando...no meu ouvido. Todos os xingamentos já usados contra mim direcionados num dia só. Eu só pude chorar... O que mais eu podia fazer... Acho que era minha criação sempre me deixou assim,frágil,sempre fui protegida de tudo... Tudo mesmo! Soube o que era menstruação quando aconteceu comigo,eu achei que tava morrendo... Isso lembra um pouco aquele livro Carrie, a Estranha... mas minha mãe não era religiosa,ela só,não dava atenção pra mim...digamos que ela não me queria. Acho que eu vim numa péssima hora. Penso que todo o ódio direcionado ao meu pai,veio pra mim quando eu nasci. E eu percebi isso em todas as fases da minha vida. Ela nunca do jeito carinhosa comigo,ela me dava roupas e comida só. Sempre arranja motivos pra brigar comigo. Dificilmente aconteciam coisas boas em casa.”

Ela respirou fundo... Parando um pouco. Eu ouvia atentamente tudo aquilo, sentindo um pouco de raiva crescer em mim

“E depois que eu tentei correr pra outro lugar fora do pátio. Vi meu vizinho que estudava comigo. Nós nunca tínhamos nos falado... Quando éramos crianças brincávamos juntos, mas depois não mais. E então ele se virou pra mim e perguntou ‘ você gosta mesmo dele?’ ‘se importaria se alguém batesse nele’ Eu estava tão ... nervosa,tão aborrecida que eu disse que não,que não dava a mínima. E então ele se levantou,passou por todo mundo e foi fazendo um silêncio enquanto ele passava. Foi engraçado, ele deu um murro tão grande no Hibiki que um dente dele caiu.. E eu fui a única a começar a rir descontroladamente e chorar junto... Nós três fomos pra diretoria. No final do dia,eu cheguei nele enquanto íamos pra casa e perguntei se ele queria algo em troca e ele só disse “Seja minha amiga e se possível, descubra o nome daquela garota ali.”

“Nunca passou pela minha cabeça que aquela amizade duraria. Depois daquele dia todas as madrugadas de insônia eu sai pro telhado e ficava conversando com ele até o Sol nascer. Claro, que não pararam de me zoar, mas eu tinha um amigo novo então teve um lado bom nisso até...”

— Gajeel. – concluí

—É. – ela sorriu

—As pessoas ficam tão imbecis nessa fase de pré-adolescência... Eu... Nunca pensei no lado que afeta as pessoa, tipo o seu. Mas não deixam de ser idiotas.

—Eu atraio muitos idiotas.

—Essa doeu. – coloquei a mão no peito

—An? – ela ergueu os olhos pra mim — Não, não. Gray – ela riu – Você não é idiota...

—Sei.

—Não é... Gosto de você.

De novo...

Cada vez que dizia aquilo. Meu estômago gelava e eu sorria instantaneamente.

—Mas não deveria gostar.

Só porque eu estava feliz.

—Porque não? – quase me senti ofendido

—Porque você sai com outra pessoa.

—Não saio. — retruquei

—Sai! – ela se sentou — Com aquela garota sua recepcionista...

—Juvia... – quase rosnei — Eu já disse que não tenho nada sério com ela. Você saiu com o Natsu! E me levou na mesma sorveteria que levou ele!– cutuquei mesmo sabendo que não fora nessa intenção.

—Ah!Sai sim!Fomos comprar o presente da Lucy se você não sabe. – ela abraçou os joelhos com a cara emburrada – E levei você na droga da sorveteria porque você gostava... Podia ser qualquer outra, mas aquela tinhas as coisas mais gostosas... Diferente de você... Eu não beijo ele,nem nada ta?

—Quer a verdade? Ok. – me sentei também — Eu só ficava com ela porque eu não estava em bons dias, e aconteceu... E ela acha que tem algo sério entre nós... Só saímos aquele dia de novo porque ela me pediu, disse que eu não dava atenção pra ela... Mas, eu não quero mais fazer isso.

—Por quê?

—Porque eu gosto de outra pessoa agora.

—E porque não vai com ela então... – ela virou a cara — e me deixa.

—Você quer?- a interrompi — Porque é você.

—Ah! – ela se virou de repente pra mim. As bochechas roxas de vergonha,deu até pra perceber a aceleração dos batimentos cardíacos pelos movimentos no vestido. – N-não d-diz essas co-coisas de repente!

—Só disse a verdade..

—Eu... To confusa...

—Não tem problema. Espero você pensar... – sorri — Sobre bullying – mudei de assunto – Eu fui chamado de gay na escola porque não quis ficar com uma menina.

—Por que não quis?

—Gostava da amiga dela... – respirei com a memória — E também, fizeram vários desenhos, e me chamaram por muuito tempo também de Patrick Swayze¹, mas não sei se é considerado ruim...

—É claro que não! – ela riu – Ele era maravilhoso,e lindo!! E... Nossa eu dançaria com ele até debaixo d’água – Gray gargalhou — Mas por quê?

—Eu fiz uma representação da Dança Final do Ritmo Quente². – Juvia começou a rir sem parar – Sério... – segurei o riso — Fui divertido ta?Lembro os passos até hoje...

—Queria ter visto!

—Ah não queria... Melhor, danço com você um dia, até debaixo d’água...

—Não! – ela riu — Eu sou péssima dançando...

—Ah é claro, lá embaixo não parecia. Aliás, nossa música sempre será essa de hoje, super romântico...

Ela gargalhou de novo.

—Até agora não acredito no que eu fiz – ela se deitou de novo com a capa cobrindo o decote do vestido — mas também foi divertido... – bocejou — Foi bom dançar com você.

—Eu que digo isso... – me deitei também de lado perto dela.

Parei pra analisar os olhos dela que eu nunca vira tão de perto como agora. Azuis mais claro que os da minha mãe eram. Maiores e redondos.

—Cafajeste. – sorriu

Fiquei olhando ela dormir enquanto o meu sono não vinha.

Natsu Dragnell

Madrugada

01:35

Levy entrou comigo no banheiro e lavou minha mão que não tinha parado ainda de sangrar.

Percebi que ela estava um tanto nervosa também... Ela tremia de leve,e fungava o nariz.

—Levy...

—Tô bem Natsu. – ela disse firme pegando gaze pra enfaixar minha mão

—Eles...falaram com você já?

—Não. – ela riu – E acho que não seriam tão doidos assim... – suspirou – Tô mais preocupada com Juvia do que outra coisa, ela sumiu mesmo.

—Eu também... E vamos lá pra fora logo... Sabe como Gajeel é...

—É eu sei. – ela apertou a gaze com força dando um nó e saiu por debaixo do meu braço.

Assim que sai do banheiro Leon estava parado ali perto e me viu. Mas não viu Levy.

—Eai! – ele veio até mim. Que ótimo.

—Eai...

—Que fez na mão?

—Nada demais, uma garrafa que quebrou.

—Estranho encontrar vocês por aqui – ele encostou-se à parede – Não sabia que Lucy tinha ido pra cidade de vocês.

—É foi.

—Esse reencontro todo faz eu me lembrar dos velhos tempos,se lembra né Natsu? – ele deu um tapinha no meu ombro e eu respirei fundo – Nós tínhamos tantas festas...

—Era, era legal... — menti

—E você sumiu também depois da nossa formatura.

—Foi, eu... Quis estudar pra entrar logo nos cursos...

—E as meninas?

—Meninas? Que meninas?

—Se você ainda viu alguma delas... Ah você sabe, a McGarden... Julia... – ele sorriu – Não, — ele bateu a mão na testa – É Juvia. Saudades dela.

Respirei fundo de novo.

—Sei lá, Leon acho que mesmo se eu visse não te falaria... Sabe como é.

A graça saiu do rosto dele. Continuei o encarando.

—Vou pegar uma bebida — dei as costas. — Aproveita a festa.

—Você sabe Natsu... – parei de andar – Que tudo daquele dia foi culpa sua.

Fechei as mãos em punho.

—Então, não tente jogar a culpa em mim. Foi você que levou ela até lá.

—Seu filho da – me virei vendo ele abrir um sorriso como se quisesse mesmo me irritar quando Gajeel segurou meu ombro.

—Natsu.

—Uou!Realmente, é um dia de reencontros...

—Que seja. – Gajeel cuspiu – Fique na sua Leon ou vai ter o nariz quebrado igual o Sting.

Virei-me com ele me puxando mesmo a contra gosto.

Afinal nós dois sabíamos o quanto era foda olhar a cara daquelas imbecis sem sentir vontade de acertar um murro neles...

Sem contar que ver Leon me lembrava um leve segredo que eu tinha escondido da Juvia...e de todo mundo. Ele e Gray eram irmãos.

Andamos de volta a sala Levy estava sentada no sofá. Pareciam que acharam o botão de desligar dela. Estava sentada do lado de Erza que afagava seus cabelos. Lucy veio até mim de repente me puxando pela mão boa.

—Que foi? – perguntei quando ele me levara pro lado de fora depois da porta de vidro.

—Porque todo mundo fico estranho de repente...? – ela suspirou – Levy me olha como se eu tivesse cometido um crime!Ficou tão muda de repente... A Juvia sumiu,mas achei que ela e o Gray pudessem... –ela ficou levemente avermelhada – estar se divertindo por ai... – eu também torcia por isso e não por ser coisa pior — Sabe de algo?

—Bem... Não, Luce... Acho que só é um efeito da bebida...

—Você também ta estranho... E o que houve com a sua mão?!

—Nada com que tenha que se preocupar.

—Vocês estão me escondendo alguma coisa...

Respirei.

Eu escondia tanta coisa de todo mundo.

—Luce,onde é que nós vamos dormir...Acho que já estou cansado. – disse logo

—Na estufa que eu mostrei... O pessoal vai demorar ainda pra ir embora tenho que ficar.

—Tá... Eu vou lá já...

—Tem uma casinha de madeira,os chuveiro ficam lá... Depois encontro vocês.

Voltei pra dentro e disse pra Gajeel que ia dormir porque pra mim já tinha dado.

—Eu também quero. – Levy se levantou.

—Acho melhor vocês todos irem. – Erza sugeriu – Afinal de contas se vocês dormirem que vai segurar eu e o Gajeel? – nós rimos de leve e então decidimos subir.

Fui à frente com a minha mochila e a de Gray. Pedi pra Erza avisar a ele que eu tinha pego as mochila dele e Levy a de Juvia.

Assim que viramos no poste parei de andar fazendo Levy e Gajeel baterem em mim.

—Ai Natsu,já ta escuro você ainda trava ai! – Levy reclamou

—Estávamos igual idiotas procurando e os pombinhos estão aqui. – anunciei

Os dois deram um passo à frente e seguraram um riso.

O casalzinho estava deitado no mesmo colchão cobertos pela capa de mosqueteiro dele.

—Belo esconderijo. – Gajeel tirou as botas antes de entrar pra não fazer barulho.

Eu e Levy também tiramos os calçados e acendemos a luz de fora pra não incomodar.

—Eai? – ela cruzou os braços

—Eai o que? – eu e Gajeel dissemos juntos

—Quero saber quando vão sair daqui pra eu me trocar...

—Eu viro de costas – disse me virando – ainda não achei minha roupa.

—Eu viro também... – Gajeel riu

—Essa risadinha ai.

—Ué.

—Se espiar mato você.

Segurei uma risada.

—Quer um espelho Gajeel?

—Natsu! – Levy atirou uma almofada em mim.

~~

Levy McGarden

Tive que... engolir o meu orgulho se assim pode dizer...

Sempre despreocupada, sempre se mostrando não ligar pra nada... Decidi ir atrás do Gajeel pra ficar de olho no chuveiro.

A verdade é que os chuveiros não eram a nem três metros de distância da estufa. Peguei minha troca de roupa, toalha e necessarie, mas eu congelei só de pensar em ir lá sozinha.

Os chuveiros eram fechados menos mal. Mas a preocupação ainda me corroia.

Eles perguntaram se eu queria ir primeiro, mas voltei no meio do caminho dando de cara com Gajeel.

—Esqueceu alguma coisa?

—Não... Eu... – engoli seco – Fica lá... Perto. – pedi — Não quero ficar sozinha. – ele riu e afagou a minha cabeça

—Sem problemas.

Assim que fechei a porta do banheiro Gajeel perguntou lá fora se eu queria companhia dentro do banheiro também...

—Bocó...

02:25

Todos de banho tomado.

Deitei-me no colchão. Gajeel do meu lado esquerdo e Natsu do direito virado de costas pra mim.

—To me sentindo abusada aqui. – comentei e eles riram

—Nem vem com essa to quase esmagando o Gray e a Juvia. – Natsu se desculpou

—Se tentar se aproveita de mim... – já ia começa a falar quando Gajeel passou o braço por mim me apertando contra ele – Gajeel... – disse meio sufocada.

—Tem a Lucy ainda precisa de espaço ué.

—Bela desculpa...

Pelo menos era quentinho...

03:20

—Ei. Vocês dois... – Natsu sussurrou

—Ainda acordado? – perguntei

—Acha mesmo que consigo dormir...

—Acho que Gajeel consegue. — respondi

—To aqui ainda também.

E então nós três nos sentamos.

—Levy como Lucy conhece ele? – Natsu sussurrou enquanto se certificava de que Gray estava mesmo dormindo.

—Eu não sei... Ela disse agora na festa que estudaram juntos... Ficaram algumas vezes...

—Que nojo... – Gajeel comentou e eu senti um arrepio me tomar.

—Não nesse sentido. Lucy não é desse jeito, mas ainda sim... Eles ainda ficam, devem ser por isso dele estar aqui.

—E como você não soube que ele vinha!

—A culpa é minha agora Natsu?! Nem passou pela minha cabeça que eles pudessem se conhecer, então não perguntei.

—Pelo menos,não aconteceu nada de pior... Ele podia ter ido falar com ela...

—É. – outro arrepio...

Lucy chegou de mansinho e paramos de conversar na hora. Ela já tinha tomado banho pelo visto que alguns fios estavam molhados.

—Ishe...Vocês pararam de falar de repente... Estão estranhos mesmo...

—Não é nada. – disse

—Eu fiz algo?

—Não... – nós dissemos os três juntos

—Sério Lucy, não é nada ta? – completei

—Então ta... Quero fala com você...

Os dois se olharam e deitaram.

Me levantei indo com Lucy lá pra fora.

—Acredita que Leon veio falar que queria algo sério comigo?

É o Que?!!!!

—Tá maluca?!Você aceitou?!

—Não!! Oushe sabe que eu to... Meio que gostando do Natsu... Mas ainda estou ficando com ele – ela balançou a cabeça confusa — E porque todo esse alvoroço? Pensar bem, vocês ficaram assim depois que ele chegou!Ai Levy desembucha!

Respirei fundo.

—Se um dia você abrir a boca pra alguém sobre isso eu vou ter que te matar.

—Não brinca... – Lucy riu

—Não to brincando. Se falar isso pro Leon vai ser dois ainda.

—Ok...

—E promete que não vai surtar e sair correndo pra chamar a polícia.

—Ok...

Eu poderia contar só a minha parte... Sem precisar dizer o que havia acontecido com Juvia.

—Quando éramos adolescentes... ou até hoje,isso não interessa. No começo do ensino médio. Leon tinha um site... pornográfico usando as meninas da escola...e na verdade só quem era da escola tinha acesso ao site. Você jogava a senha lá... E tinha categorias fotos e vídeos... e tipo uma votação,das mais bonitas do terceiro e bláblá, e... Sempre tinha “A garota que vocês querem ver” Resumindo. Ele tirava fotos das meninas pra colocar no site e pagava por isso. Fotos nuas. A maioria fazia porque era vagabunda mesmo e as outras bêbadas demais. Um dia... A “escolhida” foi eu. – preferi não dizer sobre a Juvia — Fomos numa festa de despedida dos terceiros anos... E depois de eu recusar obviamente, ele me drogou... Eu não era de beber. Mas o pouco que bebi na festa, Hisui foi encarregada de colocar alguma droga dentro dela... – respirei — Tirou fotos de mim junto com Sting pra por no tal do site... Fotos minhas nuas ta?Dele me beijando e tudo que você consiga imaginar de podre. Eu sabia que os meninos tinham um grupo que falavam das meninas afinal até isso podia ser considerado normal... O problema era que não era um simples grupo, era um site!Porra as fotos valiam dinheiro acredita?Eu valia dinheiro e nem sabia... Ele me ofereceu 200 reais pra tirar as fotos...

—Não quero mais ouvir...

—Ainda bem – suspirei – Porque eu também não queria contar.

—Não acredito que o beijei.

—Sorte que não fez coisa pior, acho que eu teria mais nojo ainda.

—Porque nunca me contou?

—Porque não!Acha que é algo que eu goste de sair contando... E que eu possa sair contando?

—Que fez com as fotos?

—Essa é a parte boa. Rogue, irmão do Gajeel ele entende de computador, tipo muito. Ele hackeou o computador do Leon em umas duas horas... E instalou um vírus... Que apagou tudo que fosse de foto, vídeo e áudio. Ele tinha uma pasta só com isso. Mas como demorou a gente ficou com medo de ter caído em alguma rede social. Pra nossa sorte ele só tinha um lugar com elas, o pen drive. Foi quando Gajeel, Natsu e ele entraram na casa e reviraram tudo e acharam... Lembro que no outro dia Leon estava puto na porta da casa do Gajeel dizendo que queria as coisas dele de volta e “todo o dinheiro que ele perdeu”. Eles quase saíram na porrada bem feio se não fosse por mim. Mesmo com tudo isso até hoje eu tenho medo de cópias. Tipo, Sting... as garotas podem ter cópias.

—Porque não chamar a polícia?Mano... Uma pessoa dessa solta por ai?Na minha festa!Convivendo com vocês, com os outros livremente?Essa porra de site existe ainda?

—Não. Rogue derrubou o site também...

—Caralho esse menino é foda,parece coisa de filme.

—Ele é. – dei risada- Por que da polícia? Porque além do Leon ser preso pelo site,agressão,droga e outras coisinhas... Gajeel ia também por agressão, invasão de domicílio... Rogue ia ser preso por ser um puta nerd hacker inteligente... A mãe da Juvia ia descobrir tudo,a minha mãe ia... – respirei – Todo mundo ia se foder só isso. Nós escolhemos sofrer com isso do que chama a polícia e ficar presos... Porque eu não sou rica pra pagar fiança.

—E pensar que a Hisui seria dessas...

—Eu não me surpreendo com mais nada Lucy. Por dinheiro todo mundo sujo faz qualquer coisa – me levantei – Por isso que agora, eu só confio em vocês e ninguém mais que aparecer na minha vida vai ter dez por cento dessa confiança.

—E se você se casar? – ela brincou – Com alguém que não seja de nós quis dizer... – ela fingiu uma tosse.

—Engraçadinha... Que mal tem, ele não vai saber se confio nele ou não. Eu já fiz teatro esqueceu. – Lucy caiu na risada – Ele tem que ser muito bom pra me fazer mudar de idéia...

—Espero que seja... – achei que ela ia parar, mas continuou – melhor que o Gajeel! – disse rapidinho e se levantou.

—Olha aqui sua vaca! – atirei a almofada nela que gargalhava – Se ele ouvir isso... –Lucy ria ainda e eu desisti de brigar.

~~

Gray Fullbuster

Aposto que todo mundo achou que eu dormia feito um bebê... na verdade eu estava... Até Juvia acordar no meio da madrugada reclamando de calor e tirar a parte de cima do vestido...

...

Acham que eu dormi?

Cobri-a com a capa e torci pra amanhecer logo.

Ouvi... Um pouco do que Natsu,Gajeel e Levy conversaram... Pelo que entendi eles não sabiam que Leon era o meu irmão... E eles tinham algum ódio por ele... E nojo como dizia o Gajeel. Bem, isso eu também tinha... Mas fiquei pensando qual era o motivo deles... Natsu eu sabia que nos tempos de escola eles se desentenderam feio.

Leon era meu irmão... de criação.

A madrinha da minha mãe o deixou em casa um dia e nunca mais tinha voltado... Às vezes eu penso que é por isso que ele fazia e faz, tudo pra chamar atenção... Nós fomos criados juntos, ele era um ano mais velho que eu. Quando eu nasci foi o caos. Minha mãe só tinha olhos pra mim e meu pai também. Ainda mais porque eu pegara o gosto por desenhos por parte dela... e carros pelo meu pai. Leon só gostava de carros pra ter atenção do meu pai. Até hoje ele diz que meu pai ainda vai dar a oficina pra ele e não pra mim.

E quando minha irmã nasceu foi pior ainda... Ele tinha quinze anos e bateu o pé que moraria sozinho. Que odiava choro de criança... Eu sempre achei que ele tivesse algum tipo de demência, com o tempo eu só tive certeza.

Quando minha mãe morreu e conseqüentemente a minha irmã também, ele esperou a escola acabar e veio pro interior... Só o vi no enterro delas. E depois ele e meu pai brigavam constantemente que ele voltou.

Era estranho... Sempre foi.

Leon era o tipo de criança que queria os seus brinquedos e os dele... Tudo era e é dele. Ele sempre mandava nas brincadeiras, esse tipo de coisa. Eu sempre fui muito quieto e na minha... Nunca briguei. Tá, algumas vez na escola. Com ele... As coisas só começaram a virar brigas sérias quando Ariane nasceu. E ficaram piores o dia que ele a mandou subir na árvore pra pegar um pipa porque disse que estava com preguiça... Coisa mais besta possível, mas quando ela caiu. Eu senti tanta raiva que enchi ele de porrada na frente do meu pai...

Coitada da minha mãe. Pra ela a pior coisa era a gente não se dar bem.

Ele ainda ia aos almoços de família... festa de aniversários essas coisas... Mas a maioria das vezes não conversamos por mais de cinco minutos.

Acho que todo mundo pegou no sono depois, porque não escutei mais nenhum assunto sobre. Mas eu tinha ficado realmente curioso sobre a ligação deles com o Leon.

Lembrei-me da queimação que sentia quando ficava perto dele e pensava em Juvia...Devia ser pura coincidência,assim eu esperava. Do jeito que ele era, e de como eu o conhecia e sabia de coisas mais bizarras que ele tinha feito, me dava calafrios de pensar que ela podia estar envolvida em alguma das babaquices dele.

Notas finais
Ta meio corrigido meio não kkk Patrick Swayze é um ator, era n é ;-; Que fez vários e vários filmes dahoras. E ele é o ator do filme Ritmo Quente² ou Dirty Dancing ee eu ainda vou usar muito esse filme aqui pra zuar com esse casal :3 Beijos e Beijos ,até um dia ai. Comentem o que acharam !! ♥ ♥ E agora vou correr porque NÃO TEVE BEIJU !!