Calm The Storm
36 Enfim, fim.
Quando toda a tensão da apresentação final passou, finalmente relaxei.
Fiquei um dia sem ir a faculdade e praticamente dormi ele todo, compensando todo o meu sono perdido. Agora só faltava uma matéria para fechar e eu me formaria.
Gray conseguira entregar todos os documentos aquele dia e eu estava mais do que feliz por ele.
Fomos comprar cadernos e uma mochila para ele usar no ano letivo. Até nessas pequenas coisas eu via como sou feliz de estar com ele. Eu nunca fora tão feliz a uma papelaria e o motivo era a companhia dele.
Gajeel e Levy também encerram o ano deles. Levy começou logo a trabalhar na área pela indicação de uma professora. Ela daria aula em uma escola particular de ensino médio e faria o mestrado duas vezes por semana.
Eu daria um tempo por enquanto.
Trabalharia na empresa de um dos professores que assistiram da plateia a nossa apresentação. Ele era dono que uma empresa alimentícia e precisava de um supervisor no processo de fabricação e obviamente que aceitei.
Gray continuaria na empresa do pai, onde para ele era melhor pela liberdade de horário e estudar se precisasse, mas já estavam contratando novas pessoas tanto para o lugar dele como para o lugar de Lyon.
Natsu passava a maior parte no apartamento da Lucy e nós zombávamos deles sobre quando iam casar logo ou morariam juntos de uma vez.
Hoje era dia quinze de fevereiro.
Dali dois meses Nina sairia da cadeia.
Combinamos de nos juntar para contar tudo ao Lyon.
Eu sentava no sofá com Gray com cara de preocupado. Silver tinha adiantado o assunto a ele e agora sabia sobre Nina, o pai biológico e os outros três irmãos de Lyon por parte do pai.
Fora um baque, claro. Perguntou porque não contamos a ele antes. Porque eu não contei a ele.
Silver explicou que queria saber primeiro quais eram as intenções de Nina e se seria mesmo uma boa ideia. Não queria envolver o outro filho no rolo sem antes ter certeza.
Percebi que Gray ficou meio enciumado com a história dos outros irmãos...
Lyon chegou do trabalho e sentou-se no sofá da sala quando viu nós quatro esperando ele.
—O que foi?
—Precisamos conversar.
A voz de Silver era firme e sem qualquer ansiedade. Ele sabia muito bem controlar isso, atitude que eu queria muito aprender para controlar a minha ansiedade, coçadeira e enrolação de dedos.
—É, eu vejo que querem.
—É sobre a sua mãe.
Silver foi tão direto que até eu me assustei, como Lyon.
Ele piscou e riu sem entender, perguntando se Silver estava fazendo alguma piada de mau gosto.
Ele continuou sendo direto.
—Nós descobrimos que ela está viva.
—Como assim descobriram? Quem?! – ele olhou diretamente pra Meredy que começou a tentar se explicar – Estavam investigando isso pelas minhas costas?
—Basicamente. – disse de uma vez. – Começou no almoço em família. – olhei para ela tentando transmitir encorajamento para que ela também falasse.
—E-e-eu e Juvia achamos que se ela tivesse viva poderia ser... melhor para você. Essa interação. Apenas acreditamos que iria te ajudar.
—Então, fomos atrás de qualquer informação com o seu sobrenome de nascimento.
—Ela está presa há uns bons anos por homicídio do seu padrasto.
Lyon arregalou os olhos e ficou completamente imóvel.
Sem expressão, emoção.
—Ela vai sair daqui uns meses. – Silver massageava as têmporas constantemente – Conversei com ela na cadeia. Perguntei o que achava de conhecer você.
—E agora queremos saber o que você acha de conhecer ela. – acrescentei.
—Sabia disso? – ele questionou o irmão que fez que não. – Escondeu isso de mim o tempo todo? – agora ele se dirigia a Meredy.
—Escondi. Não queria te dar esperanças sem saber se ela estava viva primeiro. Eu fiz isso porque sabia o quanto você sente por essa história não ter um desfecho. Você sonha com ela frequentemente. Eu sabia o quanto queria saber das suas verdadeiras origens, mas tinha medo e toda essa de precisar de médicos e tratamento atrasava você procurar sobre ela. Então eu fiz.
Desculpa. Não deveria ter escondido isso, mas escondi.
—Faz quanto tempo?
—Fomos lá umas semanas antes da apresentação da Juvia.
Ele respirava forte e olhava para nós confuso.
—Ela quer te ver, mas quando sair da cadeia, o que demora por mais quatro meses.
—Quer me ver? – ele perguntou surpreso
—Quer. Perguntou se você iria gostar mesmo de vê-la. Tomei a liberdade de dizer que você ia gostar muito.
—Eu quero! Claro que quero. Só... – ele sentia vontade de chorar estava na cara dele – Só não sei como reagir. O que mais eu preciso saber?
—Seu pai... – Meredy começou – O biológico. Está vivo também. Ele mora em Portugal em um asilo e tem mais três filhos.
—Ou seja seus outros irmos. – Gray disse de um jeito como quem não dava a mínima. Ele estava realmente chateado com isso. E arrisco dizer que é o mesmo medo que Silver ficara ao saber do pai biológico.
—Três irmãos...
—Olha a gente sabe que é muita informação Lyon. – Meredy começou – Sei que é um momento muito... muito...
—Importante. – ajudei
—E conturbado. – Gray também.
—Sim, mas entenda que tudo isso... Nós apenas queríamos ajudar nesse desfecho. Vai tudo se completar sabe? E nós estamos aqui para o que quer que aconteça. Mesmo que precisemos esconder certas coisas, nunca vai ser nossa intenção machucar você. Nunca. Nós só iremos te apoiar.
Ele estava em silêncio.
—Está chateado ainda sim? – Silver questionou
—Não sei chateado. Surpreso. Por tudo. Por ela estar viva, por querer me ver, a preocupação de vocês ao fazerem tudo isso por mim...
Silver sorriu e se levantou apoiando a mão no ombro do filho.
—Estamos aqui. Sempre.
Naquela noite, Lyon contou ao pai e Gray sobre pedir Meredy em casamento e teve total apoio deles. Acredito que essa iniciativa dele foi como uma troca.
Esses meses de espera seriam conturbados para ele.
Eu tinha problemas de ansiedade e depressão ainda que curados e superados aos poucos. Sabia que não seria fácil ele esquecer que dali a quatro meses iria ver sua mãe.
Gray fazia o possível para distraí-lo sobre a surpresa para Meredy. Sempre trazia assuntos diferentes para os dois conversarem que não fosse relacionado a isso, para mantê-lo mais calmo.
Fiquei sabendo por ele que até assistiram um filme chamado Interestelar e foi o que mais rendeu conversa. Resumindo todos os dias eles assistiam a filmes científicos, ação só para discutir o que acharam.
Eu não trabalhava aos fins de semana. Então fizemos um bate e volta na praia e levamos todo o pessoal conosco. Todos os amigos.
Literalmente, Lyon precisava até mesmo respirar novos ares. Meredy, infelizmente estava trabalhando no dia. Mas ele não se chateou, pelo contrário, achamos que ele ficar um pouco sozinho fora uma ótima ideia.
Deixamos ele caminhar pela praia sozinho e ir ao centro comercial também.
No segundo mês de espera.
Lyon teve uma pequena crise.
A ansiedade o fez passar mal e não tinha ninguém em casa, e a oficina estava fechada no dia.
Ele me ligou pedindo ajuda e não pensei duas vezes em pegar o carro da minha mãe e mesmo indo travando com a minha pouca habilidade de direção, fui até a casa dele e o busquei para tomar um ar.
Fiz ele ficar respirando fundo e soltando o caminho todo como eu fazia. O que geralmente demora a dar certo, mas passou. Ele foi se acalmando e comprei um milk-shake pra nós.
Lembrei nesse momento que precisávamos ver Evergreen.
Marcamos a “consulta” – já que parecia mais um encontro de amigos do que consulta.
Era estranho voltar ao consultório. O lugar era diferente, mas ainda assim era um consultório e a lembrança das minhas terças-feiras com Eve, veio a minha mente.
Ela ficara tão feliz quando entramos os dois na sala que achei que ela fosse chorar.
—Como estão? Contem tudo! Não tenho ninguém para atender hoje então não se preocupem com o tempo.
Contamos.
Eu sobre o fim da faculdade. O meu relacionamento com Gray. A explicação sobre Lyon e ele serem irmãos. O trabalho novo e minha aceitação com a minha mãe e Gildarts.
Eve ficara emocionada de ver a minha superação e progresso. Ela ainda tratava do Lyon, mas já dizia que ele estava melhorando tanto e tão rápido. Ele falou muito sobre Meredy, sobre eu ter perdoado ele. Sobre o casamento e Pepper.
—Como se sentiu ao saber sobre sua mãe, Lyon?
—Surpreso. Eu sentia que ela estivesse viva, mas... Era algo impensável. Nunca achei eu pudesse revê-la. Muito menos que ela quisesse me ver.
—Por que achou que ela não quisesse vê-lo?
—Acho que... Pensei esses anos todos que eu seria um fardo e um fruto de uma má lembrança. Olhar para mim e ver o meu padrasto. E até mesmo meu pai biológico. Imagino a dor de me criar. Achei que se eu sumisse traria paz a ela.
—Lyon, ela fez tudo isso que fez, para protege-lo. Ela não o odiava. Ou teria simplesmente deixado você com aquele homem. Ela não faria isso e não fez, porque te amava. Queria que você se salvasse e tivesse uma vida melhor. Será ótimo quando vocês se encontrem e conversarem. Do mesmo jeito que ela tirará este peso de suas costas, você também irá tirar o dela.
—Que peso?
—Ela deve achar que fez a coisa errada, e se culpar todos os dias por ter abandonado você. Pense comigo, ela vai amar te ver vivo, crescido e seguro. Que teve uma criação maravilhosa. Tenho certeza que esta é a paz que ela precisa. E será emocionante.
Com certeza seria, soltei a respiração e sequei uma lágrima tímida.
Lyon adiantou o assunto do casamento deles, e que convidaria Eve assim que tivesse tudo preparado.
Ele realmente saia leve dali e outra pessoa.
Era difícil falar sobre isso, eu imagino. Mas vê-lo participando de grupos de terapia onde várias mulheres foram violentadas e abusadas, e enxergar o quanto aquilo era odioso e errado, se arrepender cada vez mais e ao mesmo tempo se permitir perdoar-se... Era reconfortante.
~~||~~
Um mês depois
Depois que Meredy aceitou se casar com Lyon o que era OBVIO para todos que iria acontecer.
Eu e Levy ficamos de começar a ajudar na preparação de algumas coisas que estavam ao nosso alcance. Como quais lembrancinhas daríamos na festa, o chá de cozinha, ideias de convites, decorações, vestidos, moveis para casa nova...
Era muita coisa.
Mas tenho que admitir que era divertido!
Eles iriam morar próximo do centro, quase perto da onde Lucy mora. Era perto do trabalho do Lyon e Meredy havia conseguido uma oportunidade em uma empresa próximo pra área que ela queria realmente como farmacêutica. Mexer com elaboração de produtos e essas coisas que eu não entendia muito.
Como o relacionamento com os meninos ainda estava conturbado, eu e Levy ajudávamos Lyon também junto com o Gray. Algumas coisas resolvíamos só as meninas, e outras íamos juntos conversar. Principalmente para escolher onde seria a festa.
Essa era melhor parte.
Cada buffet que íamos nós provávamos tudo que ia ser servido na festa e bebidas.
Até brinquei com Meredy que poderíamos fazer isso pra sempre. Sair por ai fazendo orçamento pra nada só para comer a comida deles.
Mas no segundo lugar que visitamos ela já se apaixonou. Seria num espaço ao ar livre, em meio a vegetação nativa. Tudo muito iluminado, enfeitado delicadamente. Era a cara deles.
Infelizmente era caro.
Demais.
Meredy ficou com aquele beicinho de decepção.
No fim das contas degustamos mais uma vez e Meredy decidiu pensar um pouco antes de ver outros lugares.
Poderíamos fazer algo bem bonito, mas simples também.
Não queria que ela tivesse ficado chateada. Realmente aquele lugar era maravilhoso até eu queria casar agora se soubesse que seria ali. Mas nem tudo era flores.
E faltando dois dias pra Nina sair da cadeia, todos nós estávamos uma pilha de nervos e sem cabeça pra fazer contas de gastos por enquanto.
Lyon Vastia
Eu estava sentado naquele banco gelado de concreto com meu pai de um lado e Meredy do outro segurando a minha mão. Gray estava em pé encostado na parede.
Juvia tinha ficado em casa porque queria fazer algo pr a comermos quando ela chegasse.
Na verdade, eu suspeitava que ela queria mesmo era que esse momento fosse só nosso. Mesmo ela fazendo parte da nossa família. Eu entendia sua intenção ali.
Quando o barulho da grade correu meu coração palpitou e acelerou. Todos viramos o rosto na mesma hora.
Ela segurava uma sacola de pano vestida com um moletom cinza e blusa de manga cumprida.
Eu pensei por um minuto como consegui reconhece-la tão rápido.
Os cabelos estavam trançados de lado, cumprido e ruivo como eu ainda me lembrava.
Me levantei e dei alguns passos pra frente.
Minhas pernas estavam bambas e minha boca seca.
Ela me olhou por um tempo.
Depois para Meredy, meu pai e depois Gray.
Foi andando devagar na minha direção e parou.
Eu podia ver os seus olhos se enchendo de lágrimas e seus lábios trêmulos tentavam dizer alguma coisa. Assim como eu.
—Oi... Mãe. – consegui sussurrar.
Nesse segundo depois de pronunciar essa pequena palavra um tremendo alívio me preencheu. Ela soluçou alto e me abraçou apertado pelo pescoço chorando. Eu só percebi que chorava muito quando abi meus olhos e vi o embaçado das lágrimas distorcendo o corredor da prisão.
Ela cheirava a sabonete e seus braços estavam finos demais. Parecia que se eu a apertasse mais, poderia quebrar.
Seu rosto ainda era jovial como antes, com poucas rugas, magro, mas jovem.
Ela já fora mais corada e seu cabelo costumava ser esvoaçante e cheio. E seu corpo com várias curvas e com um bom colo para dormir.
Mas ainda era ela.
Ainda era a minha mãe.
Ela não queria me largar.
Passando toda a emoção. Nós finalmente saímos daquele lugar todo cinza. Só do lado de fora que segurando a mão dela eu a apresentei a Meredy que a abraçou apertado também e ficou falando o quanto era linda e com cabelo diferente.
Ela abraçou Gray também com força e ele – do nada – começou a chorar também.
Sabia que era por causa da Mica. Ele também conhecia minha mãe da infância, nos sempre ficávamos um na casa do outro quando elas tinham algum tipo de compromisso.
Chegando em casa, Juvia deixou um bilhete avisando que tinha ido ao supermercado. Entregamos toalha e roupas limpas de Meredy tinha comprado e a deixamos tomar banho em paz.
Eu ainda estava processando o fato da minha mãe estar em casa. Comigo.
Era inexplicável.
Quando Juvia chegou, Nina já tinha saído do banheiro e nós apresentamos as duas.
Jantamos juntos e conversamos sobre assuntos aleatórios. Ninguém queria entrar no passado agora.
Contamos do casamento e os olhos dela marejaram de felicidade ao saber da notícia. Eu nem precisava dizer que já estava emocionado só de saber que minha mãe estaria no meu casamento.
A meia noite, Juvia foi pra casa e Gray foi levar ela. Talvez ficasse por lá. Meredy disse que iria pra casa porque queria que eu pudesse conversar a sós com a minha mãe. Agradeci.
Silver ficou um pouco com nós bebendo cerveja e depois foi dormir.
Olhei para ela sentado no chão de madeira. Ela observava a lua e depois voltou os olhos pra mim.
—Se importa se eu deitar no seu colo? – pedi
—Ah óbvio que não. – ela me abraçou tão forte e depois deitei na sua coxa.
Era a sensação de voltar a ser criança.
—Eu não sei por onde começar sabia. – ela me acariciava enquanto falava – Não sei medir o tamanho da minha saudade. Não sabe o quanto foi difícil fazer o que eu fiz. Abandonar você foi a pior coisa que eu fiz.
—Eu estou aqui agora. – segurei sua mão – Por um instante, achei que falasse do... Você sabe.
—O homicídio. Pode falar. Não tenho nada a esconder de você Lyon. E não. Não foi mais difícil do que deixar você. Eu queria aquilo. Hoje eu vejo que não foi uma decisão sábia a se fazer. Nunca é. Eu já tive o meu castigo e graças a Deus eu estou com você de novo, sem qualquer merecimento. Você pensava em mim?
—Claro mãe. – disse num susto – Eu nunca acreditei que você estivesse... morta. Eu sentia que você estava viva e sonhava com você. Com a Mica.
—Ah Mica... – ela sorriu e deixou cair uma lágrima. – Ela era tão maravilhosa. Pra nós dois principalmente.
—Eu me culpei por muito tempo pelo que aconteceu.
—Silver me disse. Nunca foi sua culpa, nem nunca vai ser Lyon. Ela estaria orgulhosa de você também.
Sorri tentando não começar a chorar.
—Posso perguntar uma coisa delicada?
—Qualquer coisa mãe.
—Aquela moça de cabelos azuis. É ela não é?
Eu sabia do que ela falava. E fiz que sim envergonhado de olhar pra ela.
—Vocês têm uma sincronia tão boa agora que eu só suspeitei porque Silver me disse que ela estaria aqui. Quando você disse que Meredy era sua namorada, não me sobrou muitas opções não é. Como foi a recuperação?
—Está sendo na verdade, mas eu melhorei muito mãe. Você não faz ideia do que eu já fui.
—O passado é passado Lyon. – ela me olhou nos olhos – O que importa é você daqui pra frente. E daqui pra frente nós dois seremos melhores. Juntos.
~~||~~
Juvia Lockser
O casamento de Lyon e Meredy estava sendo a coisa mais linda do mundo.
Não.
Do universo.
Nós conseguimos na simplicidade fazer uma coisa magnifica.
Não fora no buffet chique por qual todos nós tínhamos nos apaixonados. Fora no sítio da família deles onde fomos almoçar aquele dia.
Na entrada eu e Levy providenciamos um tapete vermelho cheio de pétalas brancas e lâmpadas de led iluminavam a passagem do portão até o salão da casa.
A piscina tinha várias flores também e luzes na ponta pra iluminar a noite o jardim.
A sala de jantar se transformara num salão de homenagem a eles. Convidados deixavam os presentes, cartinhas, mensagens amorosas.
Não havia muitas pessoas. Meredy e Lyon queriam assim. Apenas os mais chegados, amigos e família.
Totalizaram talvez, umas cem pessoas.
As amigas da Meredy ajudaram na decoração também, assim como Lucy.
Natsu e Gajeel não resistiam e foram ajudar com a parte pesada. Aos poucos eles e Lyon se tornariam amigos também, eu tinha fé nisso.
O jantar foi feito por Nina e a mãe de Meredy. Minha mãe encomendou e deu de presente os doces junto com Gildarts. E os salgados foram alguns primos da Meredy.
Todo mundo ajudou e escondemos tudo dela óbvio.
Quando ela chegou e viu todo tivemos de refazer a maquiagem dela, já que ela se desabou em chorar, assim como Lyon.
O vestido dela era lindo. De ombro aberto, estilo princesa de calada longa, cheio de flores bordadas. O cabelo rosa retocado chamava mais atenção ainda, em trança embutida lateral.
Eu combinava o vestido cinza com a gravata do Lyon já que era madrinha dele. E Gray combinava a gravata rosa com o cabelo da Meredy.
Quando a cerimônia começou não teve um que segurou o choro. Nenhum de nós.
E nós não chorávamos só de emoção pelo casamento. Era por tudo que já tínhamos passado e estávamos ali num ato de perdão coletivo ao Lyon prestigiando o casamento dele com a garota que ele amava.
No beijo final nós fizemos a maior festa. Natsu e Gajeel se levantaram só para abraçar Lyon emocionado.
Lucy era todo choro e os abraçou também.
Nina e Silver estavam de mãos dadas do outro lado do altar improvisado e eu jurava que nunca vira Silver chorar tanto.
A festa foi como na nossa adolescência na escola. As músicas da época, nossos amigos. Eu achei que ficaria com medo por ter uma espécie de flashback. Pela primeira vez, era a mesma cena e nada havia me acontecido. O meu gatilho traumático estava aos poucos sumindo.
Como uma cena podia acontecer de novo e ter um final diferente. Era como se voltássemos um pouco no tempo e concertado tudo antes de acontecer.
Meredy avisou que jogaria o buquê e todas as garotas foram pra frente.
—Eu acho que vou ficar. – disse quando Gajeel perguntou porque eu não ia.
—Isso é. Fique aqui. – Gray concordou fazendo os garotos rirem e eu revirei os olhos. – Não que eu não queira sabe?
—Aham.
—Ah não fique brava!
1...
—Não tô. – fiz que não.
—Tá! – ele me abraçou
2...
—É claro que nã! Eu lá vou ficar brava por isso!
3!!
Eu me levantei para dizer que iria até lá quando o buque acertou a minha cabeça e caiu no colo do Gray.
Foi uma gritaria só entre as garotas enquanto Gajeel e Natsu riam sem parar.
Gray pegou as rosas na mãos e olhou para mim.
—Nem pense nisso! – avisei
—Não?
—Você... Não. Gray! Não está pensando direito. Está bêbado.
—Não estou.
—Me dá! – peguei o buque dele mas ele segurou minha mão e sussurrou no meu ouvido.
—Eu quero me casar com você. Quando estivermos prontos.
Há pelo menos dois anos atrás eu me perguntava se teria alguma história de amor para contar um dia. Se um dia o meu trauma pessoal seria superado, se um dia eu teria um namorado, se um dia eu me formaria...
Hoje eu tenho não só histórias de amor para contar como histórias sobre perdão e amizade.
E a minha está inclusa nelas ainda bem.
Eu vi dois amigos que se amavam em segredo finalmente ficarem juntos, anos depois. Com o mesmo amor e a mesma amizade, crescendo mais e mais.
Vi duas pessoas se apaixonarem à primeira vista, coisa que eu não acreditava, até presenciar o brilho no olhar dos dois desde o primeiro dia se estender até hoje.
Eu vi o terror, a solidão e a culpa darem lugar a alguém amoroso, carinhoso, humano. Alguém perdoável. Alguém que merecia perdão e amor.
E vi a depressão, a tristeza e o suicídio darem lugar a liberdade, amor e vontade de viver.
Nunca fui tão grata a minha vida por conseguir responder as perguntas a cima. Ter histórias a contar.
Finalmente dormir de verdade, com o meu psicológico em paz e com um sentimento de superação tão grande que mal cabia em mim.
Não só por ter alguém, mas por conseguir perdoar alguém.
Nós éramos tão diferentes e nunca nos imaginamos se quer no mesmo lugar vivendo, conversando. Ter achado o perdão nessa fase da minha vida foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.
Olhei nos seus olhos e resisti as minhas lágrimas que subiam na minha garganta.
—Promete?
—Prometo. – ele me beijou enquanto as palmas ecoavam pelo salão.
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