Calm The Storm

1 Capítulo 1 - Só um dia comum...


Notas iniciais
ღ Primeiro u.u Não sei como ficará a postagem dos capítulos,ainda estou escrevendo a fic então... provavelmente um por semana. Comentem... Acompanhem, mande MP , é isso ae (:

Dezembro 2010

—Qual é Juvia? – a voz de Leon sussurrou no seu ouvido, mas não lhe causou arrepios ou qualquer sensação prazerosa como, talvez, devesse ser. Pelo contrário, um total desconforto lhe tomou e até um pouco de medo.

—Para... – a voz saiu rasgada, suplicante.

—Você agüenta mais um pouco vai...

Apertou com força o lençol abaixo de si sentindo aquilo lhe rasgar e abrir empurrando onde não tinha espaço.

Só desejava que aquilo acabasse, parasse. O que não aconteceu, não naquele dia, mas hoje daquele pesadelo ela podia acordar.

O despertador do celular soou estridente no canto esquerdo do seu ouvido fazendo-a pular de susto. Esticou a mão sem rumo caçando o objeto até que sua mão esbarrou nele derrubando o no chão soltando a bateria.

Enfim, silêncio.

Sentou-se na cama secando uma lágrima tímida no canto do olho e se espreguiçou indo fazer sua higiene matinal.

Olhou para o espelho ajeitando os cabelos num coque meio fofo atrás, não tinha paciência pra deixar os cabelos soltos num calor daquele. O ápice do verão em dezembro...

Passou um lápis de olho e levou o brilho labial na mão para passar depois de tomar café.

Desceu as escadas indo pra cozinha pegar uma xícara grande até enchê-la de café com leite.

O maior silêncio pairando sobre a casa.

Provavelmente os pais tinham saído pra trabalhar... e com a falta do ronco de Bickslow seu irmão dedurava ele não estar em casa ainda. Adorava uma noitada, deveria estar na casa de um amigo ou “amiga”. Cana sua irmã por parte de pai – Gildarts – só vinham pra casa no jantar já que ainda não moravam juntos.

Bocejou lavando a xícara e pegando suas coisas saindo de casa.

Esperou o ônibus no ponto perto de casa e por sorte foi sentada até a faculdade. Assim que entrou no local se sentou encostada no murro com os fones de ouvido o sinal bater. Estava entretida com a música que se assustou quando alguém lhe tirou os fones tacando um beijo estalado na bochecha.

—Faz cócegas – riu

—Sempre faz, é bom não é...?

—Ei! – ela sentiu o rosto esquentar – N-não foi isso que eu quis dizer!

—Mas eu também não. Aaah estava pensando besteiras sua danada. – levantou as duas sobrancelhas.

—Cala a boca Gajeel. – cruzou os braços emburrada

—Você que pensou malícia... – provocou

Continuaram naquela discussão boba atiçada por ele só pra vê-la se embaralhar tentando explicar a situação. Gajeel era praticamente um amigo de infância de Juvia. Conheciam-se desde os sete anos,mas demoraram a pegar amizade.

O sinal bateu dando a briga por encerrada, fazendo Gajeel fazer um beicinho nos lábios e ela sorriu.

—Ela não vem...

—Tão fofos! – sorriu e o abraçou forte desfazendo o sorriso e ele percebera.

—Ei...

—Nada. – disse de prontidão se levantando

—Sempre fica assim, não gosto disso.

—Não é nada...

—Devia se deixar permitir conhecer alguém.

—De novo?

—Alguém de verdade não um monte de lixo com cérebro...

—Não quero falar disso.

—Ok. – ele bateu nas pernas e se levantou – Te entendo.

Havia ficado bravo, certeza. Juvia observou-o pegar a mochila e colocar nas largas costas. Apreciava a preocupação dele, que nunca fora um sujeito que demonstrasse tanto afeto. A não ser que a pessoa merecesse. Mas aquele era um assunto que ela se recusava a falar de uns tempos pra cá.

—Estarei aqui se precisar. – ele apenas precisou esticar a mão para afagar o topo da sua cabeça. Quando era mesmo que ele pararia de crescer?

—Eu sei. – ela sorriu e ele saiu subindo as escadas encontrando com alguns colegas.

A aula fora normal.

Juvia cursava química e estava no quatro semestre, no período da manhã e fazia um estágio numa metalúrgica a tarde.

Assim como as aulas, tudo ocorria normalmente agora no trabalho. Kinana era sua mentora, chefe e amiga. As duas “cabelos coloridos” da empresa. Era uma mulher cheia de vida que adorava falar e rir, linda e absurdamente inteligente.

—Vamos sair hoje?

—Hmm – Juvia coçou a cabeça – Acho que não.

—Faz tempo que não sai Juvia... – disse com desânimo – Tipo muito.

—Não to afim.

Kinana suspirou.

—Desde de que voltou... Enfim – desistiu – Quando quiser sair, vamos marcar. – sorriu e a outra concordou.

O expediente se encerrara. Juntou as coisas a caminho do ponto para a casa.

Assim que chegou tomou um bom banho e desceu pra cozinha. Por sorte hoje Bisca preparava o jantar da família. Uma moça jovem que optou por ser cozinheira da família depois de engravidar. Às vezes ela preparava e às vezes Juvia vinha pra cozinha pra não perder os dotes culinários.

Na hora do jantar era a única hora que todos tinham pra ficar juntos Rebecca a mãe do Juvia chegava sempre na mesma hora com o seu padrasto Gildarts que vinha vez ou outra a casa deles. Era a tradição, comer todos juntos quando ele estava lá...

—Eai filha! – ela falou com Juvia – Como foi o dia hoje?

—Tinha mesmo que perguntar... – Cana sussurrou e Bicks suspirou concordando.

Ao que parecia a mãe de Juvia nunca perceberia o quanto aquilo a deixava... Irritada, se não fosse uma palavra tão forte.

—Normal. – Juvia colocou duas garfadas de uma vez.

—E... Aprendeu algo novo? – Gildarts incentivou e Cana o fuzilou com o olhar

—Não. Talvez... Metrologia¹

—Uuh! – sua mãe sorriu – Parece legal.

—Mais ou menos.

—Por quê?

—Tem cálculos que eu não entendo.

—Tipo?

—Tipo não adianta eu explicar vocês não vão saber.

Os dois ficaram em silêncio enquanto ela terminava de comer rapidamente, tomando o copo todo de suco de uma vez e acabando o prato.

—Licença.

A uma distância segura quando ela subiu as escadas e ouviu-se o baque da porta Cana teve de falar.

—Às vezes vocês forçam hein?

—Ué! Não posso mais perguntar como foi o dia da minha filha? — Rebeca cruzou os braços

—Como se fosse isso que você queria saber mãe. A conversa sempre começa assim e termina com você falando de homens. – Bicks ajudou

—É meu direito perguntar. E ela não precisa falar daquele jeito eu...

—Precisa, porque se ela não corta vocês ninguém corta mais. –

— Só... – Bicks respirou — Deixa ela em paz, ela tem 21 anos tem até os setenta pra achar alguém.

—Pessoas depressivas não acham alguém. – Gildarts soltou.

Aquilo o enfurecia...

Apertou com força o garfo.

—Minha irmã não é depressiva! – ele quase gritou

—Ela está quase voltan-...

—Você não estava aqui pra saber o que aconteceu com ela ta?

—Bicks... – sua mãe massageou as têmporas.

—Então não vem bancar o sabe tudo! – continuou sem ligar para a mãe — Ela está melhor do que antes! Como se estar solteira fosse o único problema... Olha, ela não precisa de vocês enchendo o saco pra ela achar um cara, ela não precisa disso, até parece que você não sabe que ela não essas vadias que precisam dar pra ser feliz.

—Bicks!

—A gente só tenta ajudar... Sabe disso. – Gildarts começava a tentar concertar o que dissera

—Ajuda não perguntando, ela fala quando quer.

—Fala pra você não pra nós! – agora Rebecca também quase gritava

—Talvez eu seja a única pessoa que ela confia. Sinto muito se é assim.

Levantou-se da mesa jogando aquela bomba pra eles e praticamente lançou os pratos dentro da pia, sussurrando um pedido de desculpas para Bisca que se assustou quando passava pela cozinha pra ir embora.

Juvia fechou os olhos deixando uma lágrima cair ouvindo que a briga acabara.

Passos fortes subiam a escada e pararam de frente a porta. Mas desistiram indo até o fim do corredor.

Ela achou que ele tinha desistido e então pegou o coberto no guarda roupa e se cobriu ouvindo duas batias na porta.

Não era Bicks.

Ele nunca batia.

—Entre.

Cana abriu devagarzinho a porta e entrou.

—Eai gatona... – piscou – Vim me despedir.

—Na verdade você veio me sondar pra saber se eu escutei, e eu te responder que sim e você começar a conversar.

—É, você sabe de tudo mesmo. – a meia irmã ficou sem graça

— Juvia sempre sabe. – ela riu alto com a brincadeira da irmã, já estava acostumada com aquele modo de falar.

—Então, você ouviu... Eai?

—Eai o que? – Cana deu de ombros – Sei lá. Não posso fazer nada de acham que estou depressiva.

—Mas você é?

—Não é assim que devia ser, devia ser – ela se sentou e fez um a careta forçada de felicidade – Juvia!Você está ótima e sem indícios de depressão! É isso que as pessoas falam...

—Eu queria saber...

—Eu queria gostar de contar.

—Juvia...

—Um dia Cana... – ela apertou o travesseiro contra o peito

Ela suspirou desistindo e abriu a porta saindo dando de cara com Bicks. Que entrou em seguida.

—Quem mais não vai me deixar dormir hoje?

—Chega pra lá , to com sono. – ele se deitou espaçoso na cama

—Ah sério isso! Juvia está cansada, sai Bicks.

—Nós dormíamos juntos!

—Nós éramos crianças!

—Eu não sou sis-con² eu juro. – ela gargalhou alto – Gosto da sua risada.

Ela sorriu sem graça, e foi apagar a luz se cobrindo enquanto Bicks tirava os chinelos pra se deitar.

—O que eu tenho que fazer?

Depois de quase uns dez minutos de silêncio dada as apresentações feitas Juvia decidiu falar.

—Me conte de você.

—Exatamente o que?

—Como é sua relação com seus pais?

—Meu pai morreu... há, dois anos num acidente de carro, ele era alcoólatra.

—Entendo... E a sua mãe?

Evergreen anotava tudo em um caderninho vermelho encostado no seu joelho de pernas cruzadas. Os óculos na ponta do nariz.

Certamente que o problema não era o pai... A mulher pensava. Fazia anos que Christopher tinha falecido. Juvia era apenas uma criança na época. E de acordo com a sua mãe o estágio de depressão começara desde que ela entrara no ensino médio. Já pegara vários adolescentes com problema de entrosamento na escola,mas sentia que não era só um problema de entrosamento.

—Ela é normal. – Juvia deu de ombros

—Costuma conversar com ela?

—Não.

—Por quê?

—Por que... – coçou a cabeça...

Entrelaçava os dedos freneticamente, segurava a manga da blusa que Eve podia ver rasgos em ambas as mangas de tanto morder e puxar e batia os pés... – Por que... Ela não confia em mim... E sempre briga comigo por alguma coisa.

—Por que acha que ela não confia em você?

—Porque ela não confia, eu sei,já tentei contar pra ela.

—Contar o que?

Silêncio...

A garota olhava para janela observando as gotas da chuva baterem da janela e dançarem com o vento.

—Gosta do ensino médio? –Eve quebrou o silêncio tentando resgatar de novo Juvia perdida em pensamentos.

—Não muito.

—Amigos?

—Só dois...

—Por que não gosta de lá?Não gosta de estudar... do lugar...pessoas?

—Tem um garoto que eu não gosto lá. Ele é um imbecil...

—O que ele te fez?

—Me humilhou na frente de todo mundo... Aliás! – um misto de felicidade e tristeza se expressou no rosto da garota fazendo Eve levantar uma sobrancelha – Foi assim que eu virei amiga do Gajeel.

“Gajeel?”

—Quer me contar como foi?

—Ele só bateu no cara que é um imbecil – Eve reprimiu uma risada – E então, viramos amigos. Melhores amigos.

Evergreen tirou os óculos massageando as têmporas. Não conseguia entender de onde vinha o problema da garota... Dentre esses meses de depressão não conseguia achar a raiz do problema. Dentre aqueles meses... mentalmente Eve fez uma linha do tempo pensando no ápice da depressão...

Entrada no ensino médio... Um garoto imbecil... Morte do pai...

A morte de seu pai fora dois meses antes de Rebecca vim até Eve dizendo sobre... a tentativa de suicídio.

—Juvia? – ela a olhou curiosa – Você sabia que seu pai morreria, ou tinha esperanças dele se curar?

—Não eu sabia... Ele bebia demais mesmo. Foi doloroso e ainda é, mas eu superei.

Ok. Uma pessoa depressiva dizendo estar bem? Cadê o drama?

Eve respirou fundo mais confusa.

—Ok... Como ficou a rotina da sua casa depois que seu pai foi embora?

Foi ai que ela viu Juvia ser atingida como se uma agulha alfinetasse.

Voltou a morder as mangas e entrelaçar os dedos um no outro.

—Não gostei...

—Porque?

—Meu tio foi morar lá.

Quase sentira a repulsa tomar seu estômago querendo cuspir a força o café da manhã.

—Não queria voltar pra casa...

Seu tom finalmente se tornou de choro.

—E por quê?

—Minha mãe... Ela não acredita em mim... Eu não quero viver lá com ele lá entende... Não gosto dele...

—O que ele te fez Juvia?

—Coisas... Tipo eu... Acho... Que ele queria me ... Pegar, tipo abusar de mim...

Eve apertou a caneta com força.

—E sua mãe não acreditou por quê?

—Porque ele é meu tio.

A médica ficou alguns segundos em silêncio anotando algo no caderninho

Ela achava que tinha falado alguma besteira mas se aliviou quando ela voltou a falar.

—Seu irmão acreditou?

—Sim, ele é o único que confio.

—Por que é o único?

—Porque... ninguém nunca me deu motivo pra confiar em outro alguém.

—Ainda mais um homem não é?

—É... não confio neles...

Notas finais
¹ Metrologia : se não me falhe a memória estuda a medição de coisas e métodos de análises, formulação de novos produtos, pesquisas e... É uma matéria que um amigo meu vivia falando do curso dele de química,então tai ai u.u² Sis-com termo japonês usado para indivíduos que tem relações amorosas e sexuais com irmãos e irmãs.