Calm The Storm
13 Aqueles Olhos
Notas iniciais
—Que eu faço? – perguntei pro Natsu depois de explicar resumidamente o que tinha acontecido naquele dia.
—Caraca. Você também!Beija ela de uma vez!
—Não é fácil assim!- retruquei- Eu achei que ela não quisesse você sabe...
—É,tem razão. – Natsu fez um “hmm” como se estivesse pensando no que fazer – Porque não a chama pra jantar?
—Eu nunca chamei ninguém pra jantar.
—Ótimo, chama ela. Aqueles restaurantes bem fodas, com direito a mesa do lado de fora, garçom com sotaque francês, comida cheia de nome estranho... – dei risada – Ela vai adorar, tenho certeza.
~~
Narrador
Juvia passo o resto do dia emburrada.
Deixou o celular dentro da gaveta pra não ficar olhando o status online do Fullbuster e querer ir falar com ele.
Adiantou a maioria das lições, estudou a matéria do dia fez um pouco da sua parte do grupo de trabalho que agora apenas uma dupla.
Juvia tinha sérios problemas pra lidar com a pessoa da sala. E num grupo de cinco pessoas dois desistiram do curso e o terceiro desistiu da falta de paciência da Juvia em relação às coisas.
Ela sabia uma hora ou outra poderia ficar sozinha e jurava se esforçar pra melhorar. A ultima restante, única salvadora do grupo que a compreendia. — só que ela não sabia já que nunca tinha se permitido conversa com a garota sobre o que não fosse sobre o tema do trabalho.
Pensou na idéia de ir até a academia, mas desistiu.
O celular ainda trancado recebia várias e várias mensagens, e ela não viu uma se quer.
Tomou banho, colocou o pijama e ligou o notebook em cima da cama. Hora de adiantar algumas, séries e animes que não via a tempos.
—Juvia! – sua mãe gritou de lá debaixo – Telefone.
—Telefone?Que é isso? – zombou
Nunca ligavam no telefone fixo dela. Deixou o computador em cima da cama e desceu descalça.
—Onde aperta pra falar?
—Para de graça. – Rebecca lhe entregou o telefone
—Moshi Moshi... — Rebecca revirou os olhos dando risada
—Oi. É oi Juvia... – mas que voz era aquela...
—Quem é?
—É-é – do outro lado da linha alguém gaguejou – É a Kagura...
—Kagura?! – Juvia se espantou – Ah... Oi.
—Eu mandei umas mensagens pra você... Precisava entender uma coisa da minha parte.
Juvia se envergonhou de ter se desligado do mundo.
—Ah sim, pode falar.
—É que eu estava indo na sua casa... – ela sentiu o tom de vergonha na voz da outra – Só que eu me perdi.
Respirou.
—Onde você está?
Meia hora depois Juvia voltou pra casa com Kagura do lado.
—Mãe! – anunciou indo pra cozinha onde a mesma se aventurava a fazer um bolo junto com Bisca – Essa é a Kagura. Veio fazer lição.
—Oi...
—Oi! – Rebecca disse animada – Depois levo bolo pra vocês.
As duas subiram as escadas e Juvia parou no meio do caminho olhando a porta do quarto.
—Não se importa de ficarmos no escritório né?
—Não.
Kagura era... Estranha? Pensou Juvia.
Ela parecia uma menininha assustada ali. Mas tinha uma pose de durona na escola. O que fez Juvia pensar se ela tinha medo dela. O que era meio sentido, porque não faz sentido alguém ter medo dela?
Pelo menos era o que a azulada achava.
Sempre temos uma parte da nossa memória que parece se perder com o tempo. E quando alguma referência daquilo volta, parece trazer vestígios, mas que não são importantes.
Afinal, como diria o dito popular, quem apanha nunca esquece.
Estranha, porém bonita. Ela tinha longos cabelos arroxeados com uma franja reta na testa sempre com uma tirara branca.
Elas levaram muitas folhas de sufite pra impressora até o escritório, todos os livros que Juvia tinha de química que falavam sobre o assunto. E após ler o que Kagura tinha que fazer explicou a ela passo a passo.
—Jura que era isso? – a garota perguntou desapontada
—Sim... era. – a azulada riu
Enquanto faziam o trabalho Juvia sem nem perceber puxou assunto com ela sobre a faculdade,o que levou a porque do curso,que levou a família da Kagura e quando foram ver já estavam conversando sobre tudo e nem percebiam a hora passar.
Rebecca trouxe algumas coisas pra elas comerem e já ia descer as escadas de novo quando ouviu a campainha.
—Tem um garoto aqui. – Bisca disse baixinho da escada.
—Tem um garoto ali. – Rebecca disse a Juvia.
—Que tenho eu com isso? – ela se levantou do chão e foi até Bisca
—Não é o Gajeel. – Bisca se levantou – É... Não sei – ela olhou disfarçadamente da janela – Ele é moreno... alto, forte. Nossa ele é bonito.
—Quero ver. –Rebecca foi até a Janela – Uhuul. Concordo, ué... Pera. Juvia acho que aquele menino que é meu genro.
—É QUEM?!
Juvia desceu as escadas correndo quase escorregando na sala de meias e abriu a porta.
—Gray?! – olhou do portão.
Pela sua roupa ele havia acabado de sair do trabalho. Estava encostado no portão quando foi surpreendido pela voz dela na porta.
—Ah Oi. – ele coçou a cabeça sorrindo – Eu tentei avisar que vinha mas...
Mas o celular dela estava guardado na gaveta faz dois dias...
—Ah é... – Juvia pegou as chaves no chaveiro se dirigindo para o portão – Eu... Perdi o carregador. – disse ao entrar em casa com Gray do lado.
As três outras mulheres espiavam a conversa em silêncio, cada uma em um canto da casa.
Juvia se virou para a cozinha quando percebeu o carregador em cima da mesa da cozinha.
Quase se engasgou de susto e foi até lá correndo empurrando a base de encontro ao chão da cozinha fazendo um leve barulho do outro lado.
—Acredita que perdi? – reforçou
—Não tudo bem, acho que eu teria vindo mesmo de qualquer jeito. – ele riu ainda na porta – Eu... Vim falar com você... Na verdade queria te chamar pra jantar.
Juvia se assustou.
Sair?
Jantar?
Nunca tinha saído pra jantar com alguém. Não como uma companhia... Não como casal de alguém.
—Eu?
—É... – ele riu de novo
—Ah, é claro. – sorriu — Quando?
—Bem, se você estiver livre pode ser hoje? As oito?
—Tá. – respondeu sem nem saber que horas eram e esquecendo-se completamente do trabalho, de Kagura, da vida... – Pode ser as oito.
— Tabom então.
Antes que o clima ficasse mais cheio de okays, okays. Despediu-se dele e levou-o até o portão com um sorrisinho todo constrangido no rosto.
Rebecca deu uma risadinha de detrás da pilastra ouvindo os passos de Juvia voltarem a sala.
—É feio espiar sabia? – exclamou.
Rebecca apareceu de detrás da pilastra da cozinha, Bisca fingia que não tinha ouvido varrendo pela décima vez a escada hoje e Kagura estava na porta do escritório.
—Seu namorado? – a empregada perguntou curiosa
—Que?! É nada!
—É meu genro. – Rebecca alfinetou – Foi o que o rosinha disse.
—Mãe quer parar. E não ele não é meu namorado, ele é... meu... amigo? – Juvia se perguntou a si mesma. Não sabia como definir um amigo que gostava dela e ela dele, mas que não estavam juntos... Era confusão demais. – Um amigo. É.
Ainda havia conseguido um tempo para terminar uma parte do trabalho junto com Kagura,mesmo depois da mesma insistir que podia fazer sozinha. Não ia deixar o resto pra garota fazer só porque tinha um encontro.
Conseguiria se arrumar facilmente em menos de uma hora.
Era o que ela achava.
—Ele... É o só seu amigo ou você não quis falar na frente da sua mãe...- Kagura arriscou comentar.
—Ah, nós estamos...
Como era a palavra mesmo?
—Ficando? – ela sugeriu
—É? Acho que é.
~~
Kagura foi embora minutos depois levando consigo algumas partes do trabalho e um alívio de falar com a Lockser sem situações desagradáveis. Pelo jeito a azulada não se lembrava da menina. O que era de se esperar.
Foi até seu quarto com o celular e disse pra Levy sobre Gray ter ido lá,aproveitando para pedir ajuda no dilema “que roupa eu ia pra um jantar?”
—Quem é Kagura? – ela perguntou meio ríspida
—Colega de trabalho.
—Ah ta. Espera.
Juvia sentiu o silêncio do outro lado.
—Achei que não se falavam.
—Ué,ela é da minha sala não teria nem como não falar.
Levy mordeu os lábios do outro lado da linha achando melhor deixar aquele assunto pra outro dia ou a amiga iria para o encontro com a cara, mas fechada e decepcionada do mundo. Sabia que ela não estava se lembrando dos ocorridos. Era mais do que normal Juvia esquecer alguns fatos que aconteceram quando ela entra em crise.
—E aquele vestido preto de renda? – mudou o assunto.
Juvia estava de pernas cruzadas agora,com a toalha enrolada no corpo pingando sobre a cama encarando o guarda roupa. Estava cegueta, porque não via nenhum vestido preto ali.
—Que vestido?
—Esta na sua outra parte do guarda roupa.
Agora estava explicado.
—Anda mexendo nas minhas coisas? – questionou quando abriu a outra parte do guarda roupa achando o vestido rapidamente — Ou você tem uma câmera interna aqui?
—Dei uma bisbilhotada um dia.
Juvia procurava focar apenas no cabide do vestido pra não ter que ser obrigada a ficar vendo as outra roupas, as outras coisas
Lembrava-se dele.
Tinha usado num aniversário da mãe do Gajeel. Vários médicos e pessoas importantes iriam se encontrar naquele dia, fazendo as duas amigas se preocuparem em vestir as melhores roupas possíveis
Era preto todo rendado, de manga 3x4 decotada nem tão exposto nem tão fechado. Até um pouco acima do joelho.
—Quem sabe... – sussurrou pra si
Se secou e vestiu tendo um leve probleminha com o zíper nas costas,mas conseguiu fechar sozinha.
Colocou um salto fechado, treinou algumas vezes andar com ele. Afinal fazia tempo...
Se preparou para arrumar o cabelo quando sua mãe entrou no banheiro.
—Juvia ele está... – ela parou de falar.
—Ele já chegou?! Mais que horas são?!! –
O relógio marcava oito e vinte fazendo Juvia soltar um gritinho de reprovação.
—Eu nem arrumei o cabelo!
—Esta linda.
—Para mãe!
—Você fica com vergonha tão freqüentemente que nem precisa de blush já percebeu isso?
—Mãe!
Rebecca era quase uma expert em fazer os mais variados tipos de penteados que soubesse, foi por muito tempo diretora de uma revista de moda e passava as vezes nas alas de maquiagem pra dar um espiadinha. Uns lá extravagantes e outros simples. Sabia que Juvia não gostada de chamar muita atenção.
Pediu para Bisca avisar que Juvia estava terminando e sentou a filha num banco.
— Agora – arrumou a cabeça dela reto — não se mexa.
Relembrou os tempos de criança que tinha quase que amarrar Juvia num pé da mesa pra garota conseguir deixá-la fazer uma trança que fosse.
Sempre foi uma criança, arteira, ligada no duzentos e vinte o dia todo.
Nunca pensou que sentiria falta daquela euforia toda...
Enquanto Rebecca trabalhava no cabelo afim de fazer o penteado ficar de lado, Juvia passou um pó de leve,lápis de olho e batom. Nunca foi de se arrumar muito. Os cílios não precisavam de rímel, chegavam a se curvar de tão grandes. Passava pó para esconder umas marquinhas de espinhas, quase nada.
—Deixa eu ver. – Rebecca foi à frente dela dando um sorriso – Falta só... – abriu a gaveta do banheiro e dali tirou uma presilha delicada apenas para enfeitar o cabelo. Uma pequena flor azul
E pronto.
—Agora sim! – deu duas palminhas.
Juvia abriu um dos olhos e ela mesma se surpreendeu.
—Como você... – ficou se virando para olhar o jeito que a mãe tinha prendido o cabelo sem precisar de nada.
—Prendi com seu próprio cabelo. Agora desce – empurrou a filha pela escada lhe desferindo um tapinha na bunda — Aquele galã de cinema ta te esperando vai fazer dez minutos.
Juvia respirou, pegou a bolsa e se segurou no corrimão fazendo o famoso “toc toc” dos saltos ao descer a escada.
~~
Gray Fullbuster
Voltei da casa da Juvia com a sensação de ter ganhado uma guerra.
“Ela voltara a falar comigo!”Suspirei caído na cama.
Comecei a abotoar os botões da camisa social quando meu pai passou pela porta do banheiro e voltou.
—Onde você vai assim?
—Vou sair. – disse sem conter um sorriso.
—Sair? – ele ergueu uma sobrancelha
—É vou levar uma garota pra jantar.
—Ah ta... Sei... E esse jantar ai é num motel?
—Pai!
—Não porque você sai com muitas mulheres, mas pra estar vestido assim, ir num jantar...
—Você e o Natsu são igualzinho. – suspirei
Meu pai continuava me olhando torto da porta até voltar a falar.
—Você deve gostar dela...
—Ah, até que enfim percebeu. – dei um peteleco na testa dele
—Sei... Tabom, quem é você e o que fez com meu filho?
—Engraçadinho.
Terminei de arrumar todas as minhas coisas e ele continuava ali.
—Ela existe mesmo?
—Quer parar de me zoar?
—Mas eu não estuo zuando! – ele riu alto – Tá parei... Mas ela é bonita?Qual a altura dela?
Começou as perguntas estranhas.
Meu pai tinha umas coisas tão esquisita que eu me pergunto se ele conquistou mesmo a minha mãe, ou se ela só percebeu depois que ele era assim.
—Eu não sei a altura dela. – dei risada – Agora que você disse, eu nem sei quantos anos ela tem?! – me espantei comigo mesmo – Mas ela tem cara de uns dezesseis – ia terminar de concluir meu raciocínio quando meu pai disse pra parar de sair com garotinhas – Pai... ela não é uma garotinha.
—Sei. Traz ela aqui?
—Ela veio aqui... Mas você não deve lembrar.
—Já veio?! A quanto tempo vocês tão nesse enrola enrola?
Pior que era um enrola mesmo...
—Uns meses.
—Definitivamente, você não é o Gray...
Narrador
Gray se sentou no sofá depois de Rebecca insistir.
Bicks ficou confuso afinal o que o dono da oficina estaria fazendo na sua casa? Gildarts começou a puxar assunto com o garoto dando aquela pose de “Pai” que na verdade ele não era, mas tinha de fazer o seu papel.
No entanto, Gray não ficou nem um pouco intimidado com as coisas que ele perguntava. Sabia que sair com Juvia aquela noite valeria qualquer pergunta que ele pudesse responder. Valeria qualquer coisa por sinal!
Quando ouviu os saltos descendo a escada,confessou a si mesmo que ficara extremamente ansioso e nervoso. Continuou sentado no sofá. Parecia que as pernas tinham parado de funcionar. Olhou a reação de Bicks ao ver Juvia descendo as escadas e finalmente levantou de curiosidade e se virou.
Sabe aquelas cenas de anime que o queixo dos bonecos abre até o chão de tanto espanto?E aparecendo muitos corações voando?
Poderia definir Gray muito bem agora.
—Oi! — ela exclamou
Linda era pouco e muito pouco pra descrever como ela estava.
E Juvia também se deixando observar Gray e concordou com sua mãe. Ela parecia mesmo um galã de cinema. Estava fazendo o estilo Sport chic: uma camisa social por baixo de um casaco preto, calça jeans e um par de botas até um pouco da canela.
Juvia segurou um suspirou dando lugar a uma risadinha.
—Você está linda. – ele elogiou sorrindo.
Ela corou sendo elogiada na frente de todo mundo.
—Ai que casal lindo! – Rebecca deu dois pulinhos.
—Ai mãe! – agora era um pimentão em pessoa.
—Desde quando vocês se conhecem? – Bicks perguntou sério.
—Hm, faz tempo. – Foi Juvia quem respondeu. – Ah é.Você já viu ela,mas Gray – se virei pro lado – essa é minha mãe. Rebecca.
Juvia teve de apresentar os dois porque sabia que Rebecca esperava por isso...
Eles se cumprimentaram e pra não ficar mais tão envergonhada pegou na mão dele saindo até a porta.
—Demorem o quanto quiser!
—Tchau mãe!
.
No carro Juvia soltou um suspirou longo e Gray deu risada.
—Minha mãe... Ela é doida...
—Eu gostei dela. Se parece um pouco com você.
—É que ela se empolga – Juvia mordeu os lábios – Digamos que eu não sou de trazer meninos em casa.
—Imagino. – ele ligou o motor sentindo seu ego ir lá em cima depois dessa.
O restaurante era maravilhoso. Exalava riqueza dali de dentro e Juvia logo ficou com vergonha de Gray ter feitos reservas num lugar como aquele. Mas não pode deixar de conter a felicidade ainda mais depois de ver as mesas localizadas na varanda próxima a uma árvore cheia de flores e folhas arroxeadas com um castiçal de vela na mesa.
Suspirou totalmente encantada e Gray sorriu levando-a pela mão até lá.
—É tão lindo... – sussurrou em pé ao lado da cadeira que ele havia feito questão de puxar para ela se sentar.
—Precisava de um lugar digno de você. – ela se sentou rindo sem nem conseguir responder a aquele elogio. – Gostou?
—Não tem como não gostar...
Juvia estava encantada. Se aquilo era uma forma de pedido de desculpas ele nem precisava te ser esforçado tanto.
Por sorte aquele lado da varanda os escondia do vento fraco, mas frio do lado de fora.
Realmente escolhido com cuidado, pensou ela olhando algumas folhas roxas caírem ao chão.
O garçom chegou para atendê-los e ela se deixou apreciar um pouquinho que fosse — deixando a vergonha de lado — o homem a sua frente.
Gray ficava mais do que lindo e charmoso em roupas sociais, isso ela é já tinha confirmado. Deixava-o com um totalmente viril e atraente...
A garota balançou a cabeça negativamente refletindo os elogios na sua mente sobre ele.
Como conseguia pensar essas coisas dele?
Se já não bastasse todo aquele conjunto social transbordando charme,ele tinha os dois botões da camisa aberto revelando a cruz dentro da blusa,mas também um tantinho de nada do seu tórax que a fez se esforçar pra tirar os olhos dali,se contentando com a imagem que tinha do mesmo na piscina aquele dia.
Mordeu os lábios dando uma risadinha voltando a olhá-lo e só ai percebeu que o garçom já tinha ido embora e que ele também a olhava.
Gray nunca iria cansar de ver que Juvia tinha a carinha mais inocente que ele já vira,e até agia as vezes com inocência o deixando todo abobalhado, e como aquilo era contraditório. Meiga e inocente,mas partindo para seu corpo ele esquecia qualquer inocência estampada naquele rostinho moldado pelos cabelos azuis. Ele mal pode segurar um suspiro quando a mesma cruzou as pernas expondo um pouco das coxas.
—O que vai pedir? – ela quebrou o silencio.
Gray tinha muitas coisas a pedir...
Mas se contentou em se concentrar na parte “comida” e não nela.
Ficaram olhando o cardápio dando risadas dos pratos com os nomes mais estranhos que ambos já viram e se deliciando quando alguns deles diziam alguns ingredientes contidos no prato.
— Rivioli com queijo suíço, ao molho de tomate e cogumelos paris. – Juvia disse fazendo um “hmm” no final.
—Isso parece muito bom... Quer? – ela fez que sim, os olhinhos brilhando de vontade.
Juvia deixou que Gray escolhesse o vinho já que dessa parte não entendia nadinha.
Minutos depois o garçom voltou com uma bandeja onde dois pratos fumegantes exalavam um cheiro maravilhoso.
Os dois olharam os pratos como duas crianças, até darem a primeira garfada.
Juvia queria se derreter. Era mais do que delicioso. E o vinho mais ainda.
O jantar fora acompanhado de alguns risos, conversar e troca de olhares por cima das taças que faziam as borboletas do estômago de Juvia fazerem cócegas e mais cócegas.
A sobremesa foi outra indecisão, e pela primeira vez ela não escolheu nada de chocolate optando por um pedaço de bolo de morango – se lembrando de Erza, e Gray um pedaço de bolo branco.
Ambos não queria ir embora dali mais,porém o horário já avançava e Gray ainda queria oportunidade de levar Juvia pra dar apenas uma volta na avenida. Gostava do frio, e noite linda que fazia lá fora merecia ser apreciada.
Depois de pagarem a conta e saírem pela porta de vidro Juvia deu um gritinho de frio ao sentir o vento gelado.
Soprou nas mãos juntas na tentativa de aquecê-las. Por sorte tinha colocados meia calça,não estava tão crítico a situação das pernas.
Começou a andar quando sentiu um casaco ser posto sobre seus ombros.
—Gray... Você vai congelar.
—Magina – ele riu enfiou uma mão no bolso, as magas da camisa dobradas até os cotovelos – Eu adoro frio. E sinceramente, ele não me incomoda nem um pouco.
Ela sorriu aceitando de bom grado o casaco e ele passou o braço pelo ombro da garota num leve abraço fazendo-a sorrir. Gray tinha razão, as ruas a noite estavam lindas. Sempre bem iluminado e frequentado. Passaram em frente a uma loja de roupas e Juvia parou pra olhar umas coisas . Gray respirou fundo se sentindo mais do que bem,de ter saído com ela e conseguido lhe arrancar os sorrisos que tanto achava lindos. Foi do outro lado da vitrine olhar a parte masculina apenas por curiosidade.
—Gray?
Sempre ouvimos, seja em qualquer época da vida, em qualquer lugar, aquele famoso ditafo de o mundo é pequeno. Em meio a tantas pessoas que se podiam encontrar,Gray gelou ao reconhecer o som daquela voz.
—Se lembra de mim?
E como iria esquecer? Bem que queira poder apagar todas as coisas que a aconteceram naquela época. Queria voltar ao passado e bater em si próprio quem sabe ele não teria sido tão imbecil. Ela ainda tinha a mesma expressão, um pouco mais velha agora certamente,não deixando de ser bonita. Tinha ficado da mesma altura que ele os cabelos ainda eram cumpridos. Engoliu seco a saliva que se recusava a descer.
—Oi... Ultear.
—Aaa então você lembra! — ela deu risada.
Gray olhou discretamente pra trás. Juvia ainda permanecia observando a vitrine,mas ele sabia que ela estava escutando. E é claro que estava.
Juvia fingiu que não estava lhe incomodando... Quem era ela?
Na verdade não se importou de principio com a mulher e sim a reação do Gray. Essa expressão,ela lembrava... Lembrava quem mesmo ?
Ela própria... Quando tinha uma enchurrada de passado passando pela sua cabeça.
—Caramba,faz o que? — a chamada Ultear continuo — 7 anos? Nossa!
—Oito... — ele corrigiu a contra gosto
—É,o bom com datas sempre foi você certo? — ela riu
Gray assentiu sem querer acreditar que estava de frente com ela novamente. Depois de tantos anos.
—Nós... Podíamos marcar de colocar a conversa em dia. — ela sugeriu colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
Juvia tentou não dar um pigarro proposital ali.
E foi Gray que se engasgou de leve quando Ultear elevou a mão para arrumar a mecha que ele viu uma grande anel dourado em sua mão esquerda.
—Você... Se casou?
Ora,ora. Quem sempre enchera a boca pra dizer que não se apaixonava,não amava. Que vivia e viveria bem sozinha e etc. Tinha se amarrado em alguém?
—Ah — ela olhou a mão e riu – Casei!!Acredita?!
-Nunca pensei que...
—Eu também não ! — ela disse empolgada — Mas Você sabe como é , a vida da dessas ...
—Quanto tempo?
—Sete anos e umas coisinhas,foi logo depois que... — Ultear parou de rir — Que eu sai da escola.
—Ah claro.
Gray se lembrava do discurso fingido,inventado de Ultear.
E de repente ela estava casada?! Ela gostava tanto de mentir assim e iludir as pessoas? Ou ele tinha sido tão ruim em todos os sentidos imaginados?
“Não Gray,você não vai ficar remoendo isso hoje. Foi a oito anos...” Tentava afastar os pensamentos.
Juvia a atrás observava a situação dele. Estranhava a reação dele à garota,mas não com ciúmes. Ele estava com uma cara um tanto.... assustada? Talvez...
A expressão dela própria quando tinha uma memória ruim passando pela sua cabeça.
E aquilo não era bom. Pra ninguém, e ela não queria que Gray se sentisse dessa forma.
Ajeitou a postura e o casaco indo na direção dele e pegou sua mão entrelaçando os dedos nos dele.
Ultear olhou um tanto torto,não sabia que a garota atrás dele estava com Gray.
Aquele perto de mão tirou Gray do transe, que olhou pra baixo do lado direito, os cabelos da azulada e foi só ali que reparou que ela tinha uma flor azul amarrada nele. Deu um sorriso de leve.
Sua mãe costumava ter várias presilhas de ferro como aquela. Ele se lembrava de Ariane quando ele se aventurava a mexer no cabelo da irmã. Achava tão macio,tão bonito. Era de um preto vivo igual ao de seu pai e o dele... E mesmo que Lyon tirasse sarro dele por isso, ele não se importava... Adoro enfeitar Ariane mesmo que a cabeça dela tivesse mil pressilhas diferentes...
Daria qualquer coisa pra mexer nos cabelos dela novamente.
—Ultear... — disse ainda olhando pra Juvia — Essa é Juvia, — sorriu. Juvia olhou pra tal Ultear e estendeu a mão — minha...
Minha...
Minha oras.
—É minha. — Gray deu de ombros fazendo Juvia soltar uma risada — Ela é minha, e Juvia essa é uma colega minha do colégio. — as duas apertaram as mãos
—Ex-namorada... — Ultear corrigiu
—Pode ser. — Gray deu de ombros novamente abusando da sua habilidade cafajeste de ser — mas não convém ao caso. Bem, estamos de saída. A gente se vê Ultear. — passou os braços pelos ombros de Juvia (com as mãos ainda juntas) que soltou um tchau dando-lhe uma piscadela.
Gray nem deu tempo da mesma responder.
Queria apenas,apenas sair dali...
Andaram sem rumo de novo. Aproveitando apenas a beleza da avenida iluminada,das lojas de ricos exalando preços caros fazendo Juvia parar ora ou outro e comentar algo a respeito dos preços.
—Aqui tudo é tão caro que me espantei não termos que pagar pra andar na rua também...
Gray soltou uma risada.
—Ela é muito bonita...
—É as roupas são, mas o preço corta o coração... – Gray fingiu um suspiro dramático
—Não... — Juvia o olhou — Ultear.
Gray suspirou.
—Ela te deixou bem... — a azulada mordeu os lábios — Ela te causou algo bem impactante.
—É,pode ser...
—Vi que te incomodou... E que está te incomodando...
—Não se preocupe com isso. De verdade, — respirou fundo — não quero estragar a noite,muito menos encher você de...de coisas chatas minhas,ainda mais se for uma ex-namorada idiota...
Okay, agora ele estava bravo.
—Sou sua amiga antes de tudo e se quiser contar eu escutarei com prazer. — decidiu parar por ali.
Gray ficou em silêncio um tempo. Pensando no assunto. Queria mesmo conversar com Juvia,talvez despois daquele encontro repentino ele precisasse desabafar.
—Eu tinha uns dezesseis anos quando conheci ela. — começou surpreendendo Juvia ao falar. — Eu era...normal na escola sabe? Estudava longe do Natsu na época,mas a gente não se falava com tanta frequencia. E na escola que eu ficava tinha poucas amizades,uma ou outra... Era normal,como eu disse,tirando o fato que ser sempre o "aluno querido". As melhores notas em tudo,melhor comportamente,nenhum histórico de violência, e nenhum histórico ruim de outras escolas. Eai... — Gray se sentou no banco trazendo Juvia com ele. — Ela se matriculou no meio do ano,estava precisando repor muita matéria e não entendia muita coisa... Foi quando a gente se conheceu, e... Comecei a gostar dela... mas a Ultear é, ou era, um tipo diferente de menina, ela não queria alguém pra ficar de verdade,ficar sério. E eu naquela época... Acreditava muito na história dos meus pais... de conhecer alguém no colegial e ficar junto se casar e etc. Ela ficava com muitos,muitos garotos mesmo,não só de beijos. Mais do que eu a vida inteira,era ela em uma semana. E muitas meninas e meninos diziam que ela era puta essas coisas, mas eu nem ligava se ela tinha ficado com metade da escola,eu só ligava pro fato de eu não ter ficado com ela ainda. Sei lá,qual era o meu problema, que ela não via em mim? Acho que foi só ai que eu percebi que estava numa "Friendzone" terrível — ele deu risada –
“Sério,era ríduculo sabe? Ela ia na minha casa, e vice-versa,ficavamos sozinhos e nunca acontecia nada... Ela se encotrava com uns caras e dizia pra mae dela que estava comigo,e eu acobertava... Andávamos abraçados,de mãos dadas... Era... — ele bufou — Eu me daria um murro... mas eu queria aquilo,queria ficar perto dela... E um dia, ela ... Ela ... Me disse que tinha conseguido o que queria... Tinha ido pra cama com um jogador de futebol bonitão da escola,queria me dar todos os detalhes... Não consegui ficar feliz,e acabei explodindo. Falei um monte pra ela, que gostava dela e que ela não me notava... Um monte de idiotice pra no final eu começar a chorar igual a um bebê... E sabe o que aconteceu... Ela me beijou e fomos pra cama. Se eu soubesse tinha chorado antes... Confesso que no outro dia estava mais do que feliz,não tinha como não estar feliz... Os professores passavam trabalhos pra nós fazermos juntos... e acabava que a gente ficava se pegando e não fazia trabalho nenhum... Dançamos a musica que te falei na escola,é foi como ela... Até eu descobrir que foi por pura pena, sério,eu devia saber não?Eu devia saber... Ela ficava comigo quando tinha vontade,quando não tinha mais ninguém e com outros cara, e eu achava que ela gostava de mim, que tinha começado a gostar de mim. – ele fez uma pausa apetando os dedos de Juvia ainda entrelaçados — Ela foi pra faculdade em outra cidade. Fui atrás dela dizendo que ela não podia ir embora... Eu quase fui atropelado... Resumindo,eu era um babaca... tinha depositado o que eu achava que sabia de amor numa garota que não valia nada entende? Eai ela se casou agora!Eu só consigo pensar que eu devia ter algum problema... Foi então que eu virei... eu. Ficava com todas que eu queria e até as que eu não queria mas prometi não gostar de ninguém mais... Que não seria idiota de novo. Prometi apenas me divertir e foda-se se meu pai teve a sorte,eu não tive ... Não queria mais saber de gostar,de se apaixonar... Por um tempo deu certo... Uma bela noite,eu vi de longe a garota mais... mais diferente,mais interessante e bonita que eu ja tivesse visto... E eu reagi como todas as outras quis ficar com ela,só uma noite... Já começava a pensar em tudo,como eu iria chegar nela, tudo que eu podia fazer com ela e ela me deu o maior fora da história. — Juvia se avermelhou toda e soltou uma gargalhada — Foi ai que eu estava diante que uma pessoa realmente diferente...Eu estava acostumado com o fácil... Até vir você. Fiquei com medo de gostar de você... Principalmente, porque você devia me odiar... — ela segurou outra risada- Mas sem nem perceber eu tinha em arriscado de novo,caído na tentação de se apaixonar de novo.”
A azulada sentiu o rosto corar e se aproximou dele.
—Sinto muito...por ela ter feito isso... Você não merece isso... Nem você de antes nem você de agora. É e foi uma escolha sua não querer nada sério com ninguém...
—Eu não me importo mais...- ele riu
—Ela é bem bonita — ressaltou — mas, não vale sua tristeza.
Gray deu outra risada e segurou a mão dela fazendo carinhos em círculos nas costas da mão.
—É algo que admito ter mexido comigo... Não espereva ver ela aqui... Desculpe se eu conversar com ela te incomodou ou...
—Não precisa se desculpar por isso. Sinceramente,não sei se faço o tipo ciumenta... Ás vezes... — confessou – Tá,um pouco. Mas não que uma ex-namorada vá me fazer perder acabeça. Minha noite está ótima, certeza que não será isso que vai me abalar. Então. Não se desculpe.
Gray olhou profundamente para os olhos de Juvia ao seu lado. Ela sorriu timida e desviou o olhar.
Aqueles olhos... Ele podia facilmente se perder na imensidão azul, grande e redonda que eram eles. Mais hipnotizantes que qualquer magia,feitiço que pudesse jogar nele. Seria facilmente petrificado se ela fosse,um exemplo de Medusa,mas valeria a pena.
—Seus olhos... São, realmente lindos.
—Não... – ela ficara totalmente desconcertaza — Não tem nada demais,s-s-só são azuis.
—Hm,normalmente olhos de cores diferentes sempre chamam a atenção,mas tenho que ressaltar que gosto particularmente do seu. Lembra os da minha mãe...
Gray tinha um sorriso lindo... Juvia continuou olhando para ele,penetrando em seus olhos escuros. Sentindo uma formigação no estômago,nas bochecha,uns arrepios estranhos passearem pela suas costas... Lembrou-se dos conselhos doidos de Levy e Gajeel e se levantou sem pensar sentando na perna direta do Fullbuster passando os dois braços pelo seu pescoço,fez um carinho ali e passou os dedos pela corrente até onde ficava a cruz.
Ele segurou uma mão na sua cintura e outra acariciou sua bochecha indo devagarzinho para a nuca enquanto ela se aproximava lhe dando um selinho... Gray fechou os olhos e mexeu os lábios pedindo passagem para o beijo que logo foi concedida.
Juvia jurava que tinha sentido um choque quando as línguas se tocaram levemente,num beijo calmo.
Ela sentiu o estômago se retorcer de tanto nervoso.
Primeiro beijo em cinco anos?!
O que ela tinha que fazer?
Onde colocava as mãos mesmo?!
Afastou os pensamentos da cabeça e tentou apenas acompanhar o ritmo de Gray aos poucos se lembrando de como era beijar alguém de verdade.
Sentiu as mãos de Gray pegarem levemente nos fios do cabelo próximo a sua nuca fazendo leves carinhos até o ar deles faltarem e se afastarem os labios,mas ainda permanecendo perto um do outro as testas encostadas.
Juvia ainda de olhos fechados tinha um sorriso tímido estampado no rosto,mais do que feliz de ter passado aquela sensação de nervosismo e ainda mais por ter dado praticamente seu primeiro beijo depois de tanto tempo... Jurava que não iria conseguir fazer aquilo nunca mais devido a todas as coisas que lhe aconteceram... E lá estava ela... Sentada no colo de Gray. As maçãs rosadas de frio e vergonha sentindo os lábios formigarem depois do beijo.
—Melhor do que imaginei... — ele sussrrou os rosto ainda próximos saindo ar quente em fumaça da sua boca. Juvia sorriu saindo mais um arzinho de fumaça.
Juntou os lábios apressadamente mais uma vez nos do Fullbuster. O beijo agora foi um pouco mais urgente... Gray puxou-a mais para perto de si no seu colo e ela arriscou distribuir uma leve mordida no seu lábio inferior o que fez ambos sorrirem entre o beijo. Até que ela se levantou de súbito dando uma tremidinha frio.
—Está bem frio... E tarde.
—Você é muito friorenta... — ele se levantou também passando os braços pela cintura da azulada apertando-a contra o corpo – Eu poderia dar um jeito no seu frio...
—Ah! – ela riu e lhe acertou um soco no ombro – Cafajeste...
—Ok,parei,parei – ergueu as mãos como se rendesse e riu — Mais uma volta?
—Quero café. — ela disse firme e risonha olhando pra cima. Os olhinhos brilhando de empolgação fez Gray sorrir e dar um beijo na testa dela.
—Sim,madame. Um café então.
~~
Até pra sair do carro e ir pra cafeteria foi um leve sacrífico. Estava tão quentinho ali dentro...
Juvia soprou as mãos e saiu do carro. Mesmo o casaco de G ray a fazia sentir frio ainda. Mas estava quentinho... e cheiroso...
—E graxa.
—O que? — Gray riu
—Graxa...
Gray sentiu uma leve pontada de vergonha.
Como assim tomava banho todos os dias!Lavava o cabelo... As roupas eram limpas.
Deu uma leve cheirada em si mesmo.
—Não se preocupe — ela riu alto — Dizem que quando se trabalha muito numa coisa tem o cheiro em você... E,eu gosto. Estranhamente,eu gosto. E olha pelo lado bom pelo menos você não trabalha numa peixaria... – Gray gargalhou
—Gosta do cheiro de graxa então?
—Mas é claro!Olha!
De súbito ficou na pontas dos pés a fim de chegar próximo ao pescoço de Gray,ao lado do colarinho inspirou devagar o cheiro no pescoço dele... Perfume...Sabonete e bem leve o cheiro de graxa.
—Viu?! — ela voltou pro lugar — É... gostoso.
Por dez segundos Gray ficou imóvel encarrando os olhos azuis a sua frente sorrirem e arrastá-lo pra cafeteria...
Engoliu seco o nervosismo.
Ter Juvia ali tão perto do seu pescoço...Assim que ela o fez se inclinar mesmo na ponta dos pés um arrepio lhe passou pelos braços mas não foi comparado ao que veio a seguir quando ela inalou o cheiro que vinha do seu pescoço, fez-o estremecer e gelar a coluna. Um misto de nervoso e excitação o pegou extremamente desprevenido.
Juvia escolhia o café que queria enquanto ele fingia ainda estar escolhendo o dele.
Fazia um tempo que uma mulher não exercia esse efeito tão profundo nele...
Talvez fosse consequência de estar apaixonado...Seria possível?
Afinal não poderia ser suas necessidades...sexuais... Fazia um mês? Não estava contando... Mas em torno de um mês que não se relacionava sexualmente com alguém. Já tinha ficado mais tempo,não poderia ser isso... Poderia?
Tantos e tantos pensamentos que ele mal ouviu quando Juvia perguntou se ela jáse decidira.
—Ah é... Já... Pode ser o ... simples. — decidiu. Não conseguia nem pensar.
Juvia pediu um com chantily e os dois foram se sentar nas cadeiras estofadas enquanto conversavam.
~~
—Posso perguntar uma coisa...
Os dois abraçados caminhavam sem nenhuma pressa rumo ao estacionamento.
Já eram por volta da meia noite e quinze e mesmo coma deixa da mãe de "Demorem o quanto quiser" ela já sentia os pés reclamarem do salto.
—Pode... — ela virou o rosto lentamente pra cima e o olhou.
—Foi... — segurou uma risada — seu primeiro beijo em cinco anos?
Juvia abriu a boca de espanto e a fechou rapidamente inflando as bochechas.
—Deu pra perceber tanto assim?!
—Não,não ... !! -Gray começou a se explicar mas o nervosismo estava estampado no rosto inocente agora corado da azulada. -Ei sério,eu só quis saber ...
—Pois foi, qual o problema?!
—Nenhum,nenhum! Fiquei curioso... E você beija...muito bem.
—Ah?! — virou o rosto e continuou a andar.
Gray se segurou pra não rir olhando de canto do olho Juvia dar um sorrisinho tímido pelo elogio dado aquela noite.
Fale com o autor