Calling Down.
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Notas iniciais
Desculpem-me quaisquer erros. Boa leitura. ♥~
O último livro era posto em uma das enormes estantes, e um suspiro aliviado deixava os lábios fartos. Gesto imitado pelo amigo, que enquanto se espreguiçava sentia as costas e braços estralarem. Yuu olhou para a porta de entrada, que estava entreaberta, notando que logo anoiteceria, então sorriu satisfeito.
– Finalmente terminamos! – Ouviu Akira falar, então se virou de frente para o loiro. Ambos compartilhavam sorrisos gêmeos. – Pensei que esses livros não acabariam nunca!
– Não é você o amante dos livros, Akira? — Perguntou zombeteiro.
– Eu sou amante deles, okay? Só não estou acostumado a amar tantos assim de uma vez só.
Ambos riram, sentando-se em um dos sofás que estavam dispostos no local. Haviam arrumado tudo de forma totalmente organizada e aconchegante. Havia sofás e mesas em um espaço amplo onde as pessoas poderiam dedicar-se a leitura ali mesmo. Enormes estantes repletas de livros, cada uma com categoria diferente, para mais fácil localização dos livros, e os mesmos eram organizados por autores. Em um canto próximo ao balcão de atendimento e à entrada, havia uma máquina de café expresso, que haviam comprado quando ainda moravam em Tokyo. Tudo em cores sóbrias, para que as pessoas se sentissem mais a vontade, e para que o ambiente ficasse mais harmonioso.
– Sabe, ficamos tão entretidos arrumando as coisas que nem te contei.
O loiro havia tirado a faixa que usava no nariz para ajeita-la de novo. O único que o via sem o acessório era Yuu, que já estava acostumado e entendia o desconforto do amigo. Sempre dizia que ele era bonito mesmo sem aquele pano lhe cobrindo parte do rosto, mas Akira insistia no contrário.
– Não me contou o que? – Perguntou enquanto tirava a faixa das mãos de Reita, e pedia com as mãos para que ele se virasse, para amarrá-la direito, o loiro prontamente obedeceu.
– Hoje de manhã enquanto eu caminhava até a sua casa eu vi aquele garoto que te falei dias atrás, que me parecia um tanto familiar. – Virou-se novamente de frente para Yuu assim que o mesmo havia terminado de ajeitar a faixa em si, notando que ele estava prestando atenção no que falava. – Então eu resolvi seguir ele, e não me olha com essa cara! Não sou nenhum maníaco sexual! Eu só fiquei curioso e fui atrás. Quando notei, ele tinha entrado em uma construção velha, eu realmente estranhei aquilo, mas ele parecia tão distraído que eu duvidei que tivesse notado.
– Akira, você seguiu o garoto até uma construção abandonada? – Yuu parecia incrédulo e divertido ao mesmo tempo. Não conseguia imaginar o amigo seguindo alguém.
– Eu não sei explicar isso, Yuu. Parecia que tinha uma força me empurrando pra lá, não sei dizer. – Suspirou, lembrando-se de horas atrás. Ainda podia sentir o perfume – o qual não sabia identificar – que o menor deixava pelo caminho. Talvez fosse alguma flor. – O fato é que eu fui, e quando cheguei lá quase matei o coitado do coração. Ele não tinha me visto, então acabei assustando ele.
– Akira... Você é um retardado. O mais velho constatou, recebendo um soco no ombro. – Ai, desculpa. Continua.
– Eu conversei com ele. O nome dele é Matsumoto Takanori, mas também é conhecido por Ruki. E esse nome me parece tão familiar; eu sinto que o conheço de algum lugar, e há muito tempo, Yuu. Ao mesmo tempo em que eu sei que não o conheço, algo dentro de mim fica inquieto. Eu sei, você vai dizer que sou louco.
Akira esperava uma risada, ou até mesmo algum tipo de brincadeira, mas notou que Aoi havia ficado calado e pensativo. Pode ver o momento em que ele soltou o ar lentamente por entre os lábios grossos, umedecendo os mesmos logo depois.
– Não posso dizer que você é louco. – Viu que o loiro ia falar alguma coisa, então apenas ergueu a mão e continuou a falar. – Lembra do Kouyou, aquele homem que te falei? Eu sinto a mesma coisa quando estou com ele. É uma sensação estranha.
Não havia mais o que falar. Ficaram cada um com seus pensamentos, tentando achar um ponto onde a sanidade se tornasse aceitável, porém não chegavam a lugar algum.
Estavam cansados; haviam arrumado tudo com esmero, cada detalhe sendo carinhosamente cuidado por cada um, para que no dia seguinte estivesse tudo perfeito para as pessoas sentirem-se bem. Era estranho, mas aquela cidade, para os dois, tinha um ar diferente. Um ar nostálgico que fazia a realidade parecer algo totalmente anormal, como se suas vidas fossem parte de um grande quebra-cabeça. Para Yuu era loucura, Para Akira, destino.
~xXx~
O sol já estava fraco, e o céu já presenteava os moradores da pequena cidade com um céu multicolorido, deixando o anoitecer mais leve.
Ainda no sofá, desfrutando de um bom café, Akira e Yuu permaneciam conversando amenidades, organizando verbalmente coisas do dia seguinte. Nem mesmo notaram quando duas pessoas adentraram o local silenciosamente, parando atrás do sofá. O mais alto com um sorriso calmo no rosto, e o mais novo com um sorriso divertido.
– Olá! – Takanori disse, não elevando muito a voz. Porém, foi o suficiente ara que Akira desse um pulo no lugar onde estava, quase derrubando a bebida que segurava com apenas uma das mãos.
Reita e Yuu viraram-se em direção aos intrusos, e não puderam contem um sorrio em meio a surpresa que estava claramente estampada em suas faces.
– Takanori?! Que susto, e que bom ver você aqui.
– Agora estamos quites. Sabe, pelo susto.
O menor mantinha uma expressão amena, enquanto Kouyou tentava não olhar tanto para o moreno que, junto com Akira, levantou-se do sofá para cumprimentar os recém-chegados.
– Kouyou, Takanori, que bom que vieram! Aliás, vocês já conheciam o Akira?
Kouyou maneou negativamente com a cabeça, logo apontando para o amigo para então dizer: – Acho que apenas o Taka conhecia. Então esse é seu amigo com quem veio para abrir a biblioteca. Prazer, Takashima Kouyou. – Cumprimentou educadamente o da faixa, que não demorou em corresponder à mensura, ainda com um sorriso simpático brincando nos lábios.
– Suzuki Akira, muito prazer. – Viu o sorriso se espelhar no mais alto, e então se virou para Yuu, seu rosto demonstrando certa curiosidade. – Você já os conhecia? Aliás, eu não sabia que você já conhecia o Takanori.
O moreno bateu na própria testa, fazendo um estalo soar pelo local. Os outros três ficaram sem entender, esperando que Yuu explicasse o gesto; o que não demorou a acontecer.
– Então era dele que você estava falando, Akira! Sabia que eu já havia ouvido aquele nome. Pois bem, foram eles quem me devolveram o documento que eu havia perdido. – Começou a rir sendo acompanhado pelos outros. – Me desculpem a confusão! Akira estava comentando mais cedo que havia conhecido você, mas eu não liguei os pontos.
– Nossa, ficou realmente muito bonito isso aqui.
Kouyou estava encantado com a forma como havia sido organizado o espaço, sendo bem aproveitado e tudo perfeitamente organizado. Estava passando os olhos minuciosamente pelo lugar, notando que havia características de ambos ali. Após todos aqueles anos convivendo com todos os tipos de pessoas, aprendeu a ser bastante detalhista e observador, o que lhe garantia bastantes pontos caso quisesse aproximação com alguém. Coisa que obviamente não havia acontecia sempre, apenas de cem em cem anos.
– Obrigado. Acabamos tudo agora pouco. Deu trabalho, mas valeu a pena. Fico feliz que tenha gostado. – Aoi sorriu, fazendo com que as pernas do mais alto tivessem vontade de fraquejar. Era um sorriso que tinha vontade de ter só para si, não queria que mais alguém pudesse desfrutar de tamanha beleza.
Com toda sua experiência de vida, podia dizer que o moreno tinha uma ponta de interesse em si. Mas um fato que intrigava ao loiro era saber que Yuu de algum modo parecia sentir que havia algo mais, e pelo que Takanori havia contado do encontro que tivera com Akira, o da faixa também sentia o mesmo. Não sabia dizer o que estava acontecendo, apenas tinha certeza de que algo grandioso aconteceria em breve, e torcia com todo o coração para que fosse algo a seu favor e de Ruki.
– Antigamente isso aqui era um depósito de materiais cirúrgicos. Se não me engano foi à falência, e ficou um bom tempo inutilizado, até vocês chegarem. – Kouyou comentou simplista, buscando um assunto qualquer para desviar sua atenção daqueles lábios fartos que o convidavam de maneira tentadora a matar sua sede. A sede que sentia de ter Yuu em seus braços.
– Quando chegamos isso aqui era apenas uma enorme caixa de poeira, não é mesmo Aoi? – Akira contou, observando o amigo apenas manear a cabeça, confirmando o que havia dito. – Então eu e o Aoi tivemos que usar máscaras para limpar tudo, e depois colocamos tudo no lugar, e bem, aos poucos foi se ajeitando até ficar assim.
Reita abriu os braços como se estivesse mostrando o lugar pela primeira vez, e uma expressão orgulhosa estava estampada em si, e refletida em Yuu.
– Realmente, ficou bem bonito mesmo. Quando vão abrir? – Takanori perguntou, notando que, com a biblioteca sendo aberta, ele e Kouyou teriam mais chances de aproximação, com a desculpa deslavada de alugar um livro, ou ler por lá mesmo. O ponto positivo era que ambos gostavam de ler.
– Amanhã, às oito horas, já estaremos abrindo. Vocês gostam de ler? – Yuu perguntou aos dois, porém seus olhos buscavam os de Uruha. Era como se houvesse uma força que os atraíssem.
– Adoramos ler. Temos uma biblioteca em nossa casa. – Kouyou respondeu correspondendo o olhar, tentando sem sucesso desviar.
– Wow, que bom! Viu, Reita? Já temos dois clientes garantidos!
– Com certeza! – Takanori respondeu, e mais uma vez os quatro riram em uníssono, deixando o ambiente descontraído.
A noite já caía, deixando as primeiras estrelas aparecerem. A lua crescente já exposta deixava a cidade ainda mais bonita. Pessoas ainda caminhavam calmamente pelas ruas, e os quatro nem ao menos chegavam a notar, pois estavam entretidos em uma conversa amena. Não notaram também, a presença de mais alguém que os observava da porta. Um sorriso ladino no rosto, como um gato preto no meio da noite sem ser visto, apenas observando. Já havia ficado ali tempo demais, minutos, mas ainda assim era tempo demais. E assim como uma sombra sem luz, desapareceu.
– Já está escuro, precisamos ir. – Kouyou alertou, olhando para fora.
– Mas já? Não gostariam de jantarem conosco? Podíamos pedir uma pizza. – Akira sugeriu, tentando prolongar o tempo com os novos amigos.
– Teremos de recusar o convite, mas quem sabe outro dia? Já entramos aqui sem sermos convidados, apenas por ver a porta entreaberta. E vocês precisam levantar cedo, não?
O loiro mais alto argumentou, vendo que havia convencido os outros dois de que seria melhor adiarem aquele evento. Talvez não devesse apressar as coisas, seu coração dizia para não apressar, mesmo que o tempo nunca corresse a seu favor.
– Tudo bem, mas vocês têm que prometer que irão voltar e que algum dia desses irão jantar ou almoçar com a gente. – Aoi acompanhou os outros três até a porta, olhando para a rua ainda movimentada e respirando fundo. Gostava do ar noturno.
– Nós prometemos. Aliás, agora temos um bom lugar para frequentar na cidade, e que fica ao lado da melhor cafeteria! – Ruki falou animado, olhando o modo como Akira ficava ainda mais bonito sob a luz baixa, característica da noite. Assim como Kouyou e Yuu, muitas vezes se pegou compartilhando olhares com Akira, fazendo seu estomago sentir as famosas borboletas agitadas.
Despediram-se, tomando cada um o seu rumo. Akira fechou as portas da biblioteca, indo para o apartamento que ficava logo acima; Yuu foi para sua casa que não ficava muito longe dali. Kouyou e Takanori tomaram o caminho da grande casa, que não era longe, porém também não era tão perto como a casa de Yuu.
No meio do percurso, sem estar prestando atenção no caminho, pois mantinha uma conversa com o mais alto, Ruki não viu uma senhora, e ambos acabaram se esbarrando levemente. Porém, a grande surpresa veio quando a senhora educadamente falou “Me desculpe, meu jovem”, fazendo com que Uruha e Ruki ficassem parados estáticos no lugar, o menor murmurando um “a culpa foi minha, me desculpe” para então voltar os olhos espantados para Kouyou.
– E-ela pode me ver, me sentir, Kou... Por quê?
Uruha passou um dos braços pelos ombros do menor, deixando que Ruki se encostasse a si, como se passasse alguma segurança.
– Eu não sei, Taka. Mas está acontecendo alguma coisa muito estranha. Vem, vamos. – Com cuidado voltou a caminhar, ainda abraçado ao amigo.
Nem ao menos notaram que um par de olhos os observava ao longe.
Notas finais
Eu fiz uma conta no AnimeSpirit, vou postar o link no final das notas. Caso vocês ainda queiram que eu continue escrevendo essa história, eu peço com todo meu coração que vocês me falem, pois se não fica complicado continuar. Vocês indiretamente dão rumo a história, pois ela é feita pra vocês.
Enfim, queria agradecer a Anghel, a Liza Cavendish, a Dark Poison e a "mikappy" (que não é a Mikappy, pois comentou em uma conta que não é dela), por terem me deixado reviews extremamente fofos e lindos.
Então, é isso. Aqui está o link da minha conta no AnimeSpirit: http://animespirit.com.br/terrypoison Espero ver vocês por lá também. ♥
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