Califórnia

1 Capítulo 1 - Aqueles que matam


Notas iniciais
Hello, hello. Sejam bonzinhos, certo?

Los Angeles, West LA. 12 de Abril de 2010

Annebeth voltava de mais um dia, em uma escola qualquer. Ela tinha pego um dos carros de Ares, por isso dispensou Jack, o motorista.

Enquanto manobrava o automóvel dentro da enorme garagem do tio, Annabeth pensava em como tinha acabado ali.

Não tinha sido de um jeito legal, mas ela não pensava que era trágico. Depois da morte de sua mãe, Annie não tinha mais ninguém. Ela não tinha um pai, nem avós. Só Ares, que milagrosamente apareceu de lugar nenhum.

A loira ainda lembrava dos momentos agonizantes e solitários, onde tentava achar uma solução para tudo aquilo. Esse era um de seus grandes problemas. Sempre havia uma explicação para tudo, nada acontecia por acontecer, simplesmente, não acontecia.

E no fim, de um jeito que não pôde explicar, Ares apareceu como um anjo salvador.

Annabeth desliga o carro e deixa a chave em um quadro de chaves. Antes de sair da imensa garagem, que mais parecia um galpão, ela observou todos os carros. Eles eram totalmente diferentes: cores, formatos e motores, e do mesmo jeito, pareciam se dar tão bem… Ela se questionava se seria assim com Ares, já que tirando a cor dos olhos, eles não tinham nada em comum.

Annie colocou a bolsa sobre o ombro e saiu pelas enormes portas de madeira reforçada. Ela caminhava distraidamente, observando o chão de cascalho, enquanto atravessava o pátio em direção a casa.

A construção de dois andares era de um cinza chumbo, com algumas janelas e possuia uma porta vermelha, que lembrava Annabeth a uma maçã. O galpão dos carros estava um pouco a direita, e era lá que seu tio passava a maior parte do tempo. A casa de Ares era afastada da cidade, e o vizinho mais próximo estava a sete quilômetros.

Annabeth entrou pela porta, estranhando o silêncio sepulcral do local. Nunca era assim. Ares sempre estava gritando ao telefone, ou socando arduamente um saco de areia, na academia, com a foto de alguém. Lucy, uma das empregadas, não apareceu no hall para saber quem adentrava na residência. E aquele foi o primeiro sinal para Annabeth de que alguma coisa estava errada.

Algo que Atena, sua mãe, havia lhe ensinado, era prestar atenção aos detalhes. O que podia ter acontecido? Pensou. Cautelosamente, ela subiu as escadas até o segundo andar. Enquanto subia, Annabeth tentava lembrar se tinha visto algum homem no jardim. Nenhuma voz era ouvida em toda a casa.

Tio Ares era um pouco estranho em sua opinião. A começar por seu trabalho, ele dizia que todos aqueles homens que rodavam a casa trabalhavam com ele, mas não explicava o que fazia. Annabeth tinha seus palpites, mas cada um era mais mirabolante do que o outro, e a assutavam de certo modo.

Será que alguém estava dentro da casa? Ou todos tinham ido embora? Já que seu período de luto não tinha passado, Annabeth ainda tinha alguns pensamentos fúnebres. Na pior das hipóteses, estavam todos mortos.

A loira tinha se mudado a dois meses, e durante a mudança, ela encontrou um fundo falso em seu armário, com um pequeno cofre. No início não era nada demais, só que ela encontrou algo que prometeu nunca usar: uma arma, um maço de dinheiro e uma adaga japonesa, chamada kunai.

Atena sempre a chamava de paranóica, e talvez fosse verdade considerando o que estava prestes a fazer.

Infelizmente, estava na hora de usar uma daquelas coisas. Annie descartou a ideia de usar a arma e pegou a kunai. Podia estar sendo um pouco lunática ou paranóica demais, mas não se importava já que seu coração batendo rápido era a única coisa que escutava.

Largando suas coisas no quarto ela voltou até o térreo onde seguiu o barulho. De início era algo baixo, depois, Annabeth reconheceu como a voz irritada de seu tio:

— Mas que porra! — Ares falou alto e em bom tom. — Saiam da minha casa, seus idiotas.

— Não depois de todo o trabalho que tivemos — um homem disse calmamente com a voz baixa. — Você não pode começar uma guerra, por causa de um território.

— Sim, eu posso. O território é meu!

— Isso é o que você diz — outro homem fala dessa vez, mas sua voz tinha poder e uma pitada de raiva.

Curiosa, Annabeth se aproxima mais da porta marrom do escritório de Ares. O gabinete se encontrava no final de um corredor.

Ela não sabia, mas um homem vestido de preto patrulhava o corredor. E assim que a viu encarado a porta do escritório, se aproximou com a arma em mãos.

— O que está fazendo aqui? — perguntou friamente levantando a pistola com um silenciador na ponta.

A garota estacou no lugar. O medo de ter sido descoberta preenchia seu coração, e transformava suas entranhas em pedras de gelo. Annabeth virou-se, lentamente, em direção ao homem e logo viu o cano preto apontado para si.

— E-eu me perdi — respondeu gaguejando, e se amaldiçoou por isso.

O homem olhou-a de cima a baixo, sem notar a faca que Annie escondia atrás do corpo. A loira engoliu em seco e apertou mais o cabo negro da kunai. Ele foi abaixando lentamente a arma, já que a garota não aparentava ser perigosa, e Annie aproveitou o momento para atacar.

Ela bateu com o cabo da faca na mão em que ele segurava a arma, que com um estalo seco atirou no chão de madeira. E antes que o homem fizesse qualquer coisa, a loira perfurou seu pescoço com a faca fortemente.

Gibbings olhou-a surpreso, ele tentou falar, se expressar, mas nada funcionava. Ele só sentia o sangue escorrer em grandes quantidades pelo lado direito de seu pescoço.

E lentamente, o homem foi caindo no chão.

Gibbings sabia o que aconteceria a partir do momento em que aceitou aquele emprego. Ele poderia morrer a qualquer instante, claro. Assim como sabia que seria obrigado a ver a morte constantemente, e a matar pessoas. A única coisa que Colin Gibbings não esperava, era ter seu fim desencadeado por uma garota de olhar feroz.

Annabeth arrependeu-se assim que soltou a faca e Colin caiu no chão. Aquele não era o plano. Não que tivesse um.

Gibbings olhava assustado para o teto, ele tentava falar. As palavras fugiam-lhe da mente, e ficava cada vez mais difícil de respirar.

— The — ele diz.

— The? — Annie sussurra, aproximando-se.

— Theo — falou, antes de começar a engasgar com o próprio sangue. Dois tiros foram ouvidos de dentro do escritório de Ares, porém ninguém apareceu no corredor para conferir.

Annabeth arregalou os olhos subitamente e deu um passo para trás assustada. Ela não podia tê-lo matado, simplesmente não podia. Colin mexia as mãos freneticamente, tentando alcançar a adaga ou a garota.

Quando Gibbings finalmente parou de se contorcer, Annabeth olhou para as próprias mãos. Havia respingos de sangue na lateral de seu braço direito, ela os tinha ganhado quando enfiou a kunai no homem.

A culpa e o terror não eram comparados ao nojo que sentia, nojo de si mesma. Ela era uma humanitária, já tinha até perdido as contas de quantas passeatas tinha ido contra a guerra ou a violência.

Annie sentia um frio no estômago, ele revirava e ela sentia o gofo na sua garganta, mas não conseguia deixar de olhar para o corpo imóvel de Colin Gibbings.

Algo atingiu sua nuca. Foi uma pancada forte aquela, que a fez cambalear para frente, ultrapassando a pequena poça de sangue no chão. Quando olhou de volta, havia um homem moreno, apontando uma arma para si.

— Ele era meu irmão, vadia — o dono da arma rosna.

Dois homens estavam atrás dele, ambos de terno, e encaravam-na friamente. Pareciam até irmãos.

— Já temos nosso trato, vão embora — Ares diz com uma voz cortante, parado na porta de seu escritório.

Os dois homens de terno se entreolharam numa conversa silenciosa.

— Vamos, Gibbings — o mais alto disse ao moreno, que apontava a arma para Annabeth.

— Mas, senhor... — a expressão dura de Paul Gibbings vacila.

— Vamos – seu tom não deixava espaço para contestacão.

Paul Gibbings abaixou a arma, mas Annabeth conseguia ver a raiva em seu olhar. Aqueles homens claramente eram seus chefes, e pareciam poderosos. Annie tremeu quando os homens de terno, que julgava serem irmãos, passaram ao seu lado.

Ela não se virou para vê-los sumir pelo corredor. Com passadas largas Ares a alcançou e a abraçou. Ela não tinha percebido que estava tremendo.

— Nós vamos ficar bem — seu tio disse no seu ouvidos. E repetiu – Nós vamos ficar bem…

Seu olhar recaiu sobre a sala no fim do corredor onde conseguia ver um braço imóvel no chão. O som de tiros, foi por causa daquela pessoa. Mas, o cadáver a sua frente chamou sua atenção. O sangue formava uma poça ao redor da cabeça do homem morto.

— Não olha — Ares rodou consigo a fazendo olhar o corredor. – Nós vamos ficar bem.

Ele passava as mãos pelos cachos loiros de Annabeth, enquanto murmurava palavras esperançosas que a loira não prestava atenção.

Ela simplesmente não acreditava que seu destino se encerrava ali. O único erro que havia cometido até então, e que acabaria com sua vida.

Por mais que não quisesse admitir, ela tinha virado uma assassina. E era em parte, culpa de Ares.

Aquele tinha sido um dia fatídico para Paul Gibbings, que tinha perdido o irmão.

Para Ares Harvenshaw, que teria que enfiar Annabeth naquele mundo.

E principalmente, para Annabeth Chase, que teve o coração endurecido e a alma congelada. Ela não seria mais a mesma, todos pareciam saber disso, menos ela. Annie faria coisas impensáveis em nome de sua sobrevivência. E no fim, seu destino seria decidido somente por uma pessoa:

Perseu Jackson.

Notas finais
Primeiro cap meio bosta, eu sei, sou péssima neles, mas o segundo cap é melhor, isso eu posso garantir. Deem um "oi", eu não mordo, juro.