Calawah (hiato)

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá, demorei pois estava muito atarefada. bjos.

Capítulo Três

Eles remaram até o meio-dia, quando fizeram uma breve parada para comer uns sanduíches e descansar um pouco antes de prosseguir viagem. Bella pouco reparou na paisagem, pois estava muito preocupada em remar, mas no meio da tarde já havia pegado o jeito, e a dor nos ombros e braços quase não a incomodava mais.

_ Há um bom lugar para acampar logo ali adiante, Bella. — disse Edward. _ Que tal pararmos por hoje e acamparmos?

_ Acho que é a melhor idéia que você teve hoje. — respondeu Bella, gritando para trás e ouvindo a risada dele em resposta.

Depois de descer da canoa, ela ficou com os olhos pregados em Edward, que estava desembarcando as provisões, observando como seus músculos ondulavam por baixo da camisa azul e sentiu mais uma vez aquela curiosa agitação no estômago. Quando ele roçou nela ao passar, carregando as coisas para o acampamento, ela sentiu um arrepio no braço em que ele havia tocado. Ela não entendia como ele podia ficar tão indiferente, quando a simples presença dele a deixava perturbada. Sentindo uma súbita raiva, seguiu Edward até o local em que iriam acampar e começou a desempacotar a comida.

_ Vou fazer a comida — anunciou rispídamente. _ Se você acender o fogo.

Os olhos de Edward brilharam ao olhar para ela.

_ Com muito prazer, Bella. Eu sou ótimo para esquentar as coisas.

Ela corou e virou rapidamente para o outro lado, imaginando se ele tinha dito aquilo com segundas intenções. Bobagem, pensou, ele estava apenas tentando manter uma conversação com ela, sem qualquer duplo sentido em suas palavras inofensivas. Mas, antes que ela mesma percebesse, estava respondendo para ele.

_ Então, não sei por que você me deixa tão fria, sr. Cullen.

_ Deixo, é? Seu rosto está bem vermelho, e eu não acho que seja de remar o dia inteiro.

_ Está queimado de sol.

Depois de examiná-la minuciosamente, comentou:

_ Se for, está desbotando rápido demais, pois você já está pálida de novo.

Isabella sentiu a cor voltar-lhe às faces no mesmo instante e desviou rapidamente o rosto, enquanto Edward ria às suas costas.

_ Eu vou buscar lenha para a fogueira, depois vou amarrar a canoa e montar a barraca. Acha que poderá aprontar o jantar até eu terminar isso tudo?

_ Fique tranquilo, que o jantar estará pronto.

_ Espero que sim — disse Edward, sorrindo. _ Eu não gostaria de pensar que estou aqui no meio do mato com uma completa novata.

Ela jogou a cabeça para trás, lançando-lhe um olhar de menosprezo.

_ Se você é tão medroso, deveria ter trazido uma arma para proteger-se dos ursos.

_ Não é dos ursos que eu tenho medo, Isabella Swan. Deles, a gente pode fugir.

_ Então, do que você tem medo?

_ De ter me metido numa viagem de duas semanas com uma mulher que não tem a menor noção sobre a vida na selva.

Bella levantou-se e colocou as mãos nos quadris.

_ Eu hoje cumpri a minha tarefa na canoa direitinho, Edward Cullen, e não venha me dizer que não. E eu não me queixei uma vez sequer. E, se você acender esta droga de fogueira, o jantar ficará pronto a tempo.

Ele levantou as mãos, como se fosse para se proteger das palavras dela.

_ Está bem, está bem. Não precisa ficar nervosa.

_ Então não fique me irritando.

_ Eu lhe disse que era bom para esquentar as coisas. — disse ele, abrindo um largo sorriso e com um brilho no olhar.

Sem saber o que responder, Bella virou-se e começou a remexer no pacote, procurando as batatas e o forninho refletor. Pretendia fazer batatas assadas, bifes grelhados e um bom café bem forte.

Uma hora depois, o jantar estava pronto. O aroma do café que se espalhava no ar, misturado ao cheirinho da carne grelhada, aumentou ainda mais o apetite dos dois, que praticamente avançaram na comida, sem conversar, até esvaziarem os pratos. Então, Edward esticou as pernas, recostou-se na árvore e começou a tomar seu café.

_ Esta é a melhor hora do dia — disse, olhando para o rio. _ A gente reconhece que todo aquele trabalho duro valeu a pena.

Bella ficou olhando para ele e admirando seu físico: os músculos das coxas, os ombros largos, a pele bronzeada e o peito peludo exposto pela camisa desabotoada. Subitamente, teve vontade de passar a mão por aqueles pêlos enrolados e sentir a textura daquela pele bronzeada do peito. Assustada por tais pensamentos, tomou rapidamente um gole de café, que desceu errado e fez com que ela engasgasse. Enquanto tossia, Edward ajudou-a dando-lhe um tapa nas costas.

_ Está bem, sr. Cullen — disse, depois de ter se recuperado. _ Pode tirar as mãos de cima de mim agora.

_ Prezada srta. Swan, o dia que eu puser minhas mãos em você, aí sim, poderá ficar preocupada. Mas o que eu fiz foi apenas dar-lhe um tapa nas costas para passar o seu engasgo.

O que estaria ele insinuando? Que no futuro pretendia abordá-la? E o que ela faria se ele tentasse? Ele era um homem tão grande, que seria impossível lutar com ele e talvez ela nem quisesse tentar.

Alarmada com esses pensamentos, continuou a tomar seu café sem olhar mais para ele. Surpreendeu-se ao perceber que suas mãos estavam tremendo e seu coração batendo com muita força. Aquele homem emanava uma força que a fascinava, que a atraía, como se ela fosse um ímã e ele um campo de força, e aquilo era algo que jamais havia acontecido com ela.

No entanto, Bella sabia que precisava resistir. Edward era um homem muito seguro de si, provavelmente as mulheres viviam correndo atrás dele e ela não pretendia dar-lhe a satisfação de ser mais uma conquista fácil. Além do mais, ela não tinha a menor intenção de se envolver com outro homem de gênio forte — já bastava seu pai -, e por isso faria o possível para resistir àquela tentação. Quando aquelas duas semanas terminassem, ela deixaria Edward Cullen para trás e nunca mais se lembraria dele.

_ Você está perdida em pensamentos, Isabella — disse Edward, interrompendo seus sonhos.

Ela levantou os olhos e em seguida voltou a olhar para o café.

_ Acho que sim, sr. Cullen.

_ Meu nome é Edward. Você não consegue me chamar assim?

Ela sacudiu a cabeça, dizendo:

_ Se você não se importar, prefiro chamá-lo de Cullen.

_ Para mim, está bem — respondeu ele, encolhendo os ombros.

Em seguida Edward apontou em direção do rio, onde o sol estava se pondo por trás dos pinheiros, lançando raios dourados por entre os galhos.

_ Lindo, não é? — perguntou ele.

De repente, um som estranho, vindo de longe, fez Isabella dar um salto.

_ O que foi isso?

_ É o grito do mergulhão-do-norte — disse Edward, sorrindo. _ Eles começam a piar a esta hora da noite. Você logo se acostumará. Daqui a pouco você estará achando que é o som mais lindo da terra.

_ Parece o grito de um louco — disse Bella, estremecendo.

Em pouco tempo, o sol desapareceu no horizonte e tudo ficou envolto pelas sombras. A fogueira estalou, as labaredas subiram pelo ar e Bella sentiu um arrepio.

_ Vou buscar um agasalho — disse ela, levantando-se. _ Quer que traga um para você também?

_ Não, obrigado. Estou bem assim.

_ Você não sente frio?

_ Isso não é nada. Você vai ver o que é frio amanhã cedinho.

_ Amanhã cedinho eu pretendo estar dormindo.

_ Então, se eu me levantar, tentarei não fazer barulho para não acordá-la.

Concordando com um aceno de cabeça, Bella foi até a barraca. Lá chegando, viu que Edward já havia arrumado os sacos de dormir, um ao lado do outro, quase sem nenhum espaço entre eles, e sentiu-se nervosa em pensar que dentro em pouco os dois estariam dormindo ali. Pegou rapidamente o agasalho e voltou para perto da fogueira, mas ficou fora do círculo de luz, observando Edward, que estava tranquilamente fumando seu cachimbo. Os olhos dele eram meigos, mas seu corpo irradiava uma força e uma resistência assustadoras. E se ela fosse levada pelo seu charme envolvente? Bella passara seus vinte e seis anos lutando contra a dominação do pai, e não pretendia passar o resto da sua vida lutando contra um homem como Edward Cullen. Ela deve ter feito algum barulho, pois ele voltou-se e perguntou:

_ Pegou seu agasalho?

_ Sim, agora estou melhor — respondeu, aproximando-se dele e sentando-se.

Ele continuou a fumar seu cachimbo, com os olhos fixos nas chamas da fogueira.

_ Diga-me uma coisa, Cullen — disse Bella, após alguns minutos. _ Você não fica entediado de ficar aqui?

_ Entediado? — Meneou a cabeça. _ Nunca. Eu aqui, me sinto em paz, ouvindo o murmúrio do rio e o canto dos mergulhões no meio da noite.

Ele espreguiçou-se e Bella sentiu sua atenção atraída para as costas largas dele, os músculos dos braços e do peito, que saltavam embaixo da camisa. Sentindo que sua respiração estava novamente irregular, esforçou-se para se controlar, mas seu coração continuava disparado.

_ Tem gente — continuou Edward _ Que não aguenta ficar sozinha. Essas pessoas não têm conteúdo, não têm uma força básica à qual se apegar, e o silêncio as deixa loucas.

Bella concordou com um aceno de cabeça, mas continuou olhando para as chamas, embora estivesse totalmente consciente da presença dele. De repente, teve uma grande vontade de virar-se para Edward, parar de fingir que não se sentia atraída por ele e dizer-lhe que o desejava.

Não! Gritou uma voz dentro de seu cérebro. Isso era um absurdo. Ela não desejava Edward Cullen, não queria saber de nada com ele. O que ela desejava era aquela incrível paz e quietude, uma chance para arrumar suas idéias, e não envolver-se num romance de curta duração. Levantando os olhos

para o céu, viu as estrelas que cintilavam como diamantes sobre um veludo negro. Do lado dela, Edward apontou para o céu.

_ Viu aquela estrela cadente, Bella? Você pode ficar horas aqui vendo estrelas cadentes. Se fizer um pedido, ele se realizará amanhã de manhã.

Bella sorriu e continuou a olhar o céu com expressão sonhadora. Ele, então, perguntou-lhe com uma voz quente e macia:

_ Fez o pedido, Bella?

_ Não há nada que eu queira pedir, Cullen

_ Nada? Nem mesmo amor?

Aquelas palavras flutuaram no ar da noite, envolvendo-a, roçando sua pele. Amor? Olhando fixamente para o fogo, lembrou-se do único homem que havia amado na vida

Tony Carlotto. Ela o conhecera na faculdade, onde ele tinha uma bolsa de estudos integral, e foi um caso de amor à primeira vista. Mas foi num feriado, quando ela o levou para casa para conhecer seu pai, que Bella começou a sentir o alcance do poder de Charlie Swan. Ele trancou-se no escritório com Tony e uma hora depois o rapaz saiu, fez as malas e voltou para a faculdade. Quando ela foi procurá-lo no quarto dele, teve uma grande decepção ao ver que ele não queria mais saber dela. Pelo jeito, seu pai havia sido bastante convincente ao mostrar-lhe que sua linda e rica filha não teria qualquer futuro com um pobre filho de imigrantes italianos.

Ela terminou aquele semestre num grande desânimo, e, ao voltar para Boston, recebeu de presente do pai um carro Mercedes esporte, zero quilômetros. Como se fosse para compensar o que ele havia feito com Tony. Ela odiou o carro pelo que ele significava, e em menos de um mês vendeu-o e comprou um Volkswagen usado, numa afronta aberta a seu pai. Sua grande satisfação era ver o desânimo estampado no rosto dele ao ver aquela charanga estacionada na frente da mansão.

Aquela foi a única vez em que ela desafiou o pai. Acabou esquecendo Tony, e a dor que sentira passou a ser apenas uma vaga lembrança. Bella sabia que o amor era algo a que ela não teria direito, pois, enquanto seu pai vivesse, imporia sua vontade sobre ela, escolhendo inclusive um homem com quem ela se casaria.

Bella estremeceu ao pensar nisso, sabendo que tinha vindo ao Maine exatamente para tentar evitar que aquilo acontecesse com ela. No entanto, lá estava ela reagindo a esse homem da mesma maneira que reagira a Tony Carlotto; e acabou sorrindo ironicamente ao imaginar-se levando Edward consigo para casa. Charlie Swan o faria em pedaços com uma só mão.

Mas, olhando para Edward, Bella achou que talvez aquele fosse um homem capaz de enfrentar seu pai dominador. Charlie Swan poderia tentar persuadi-lo a não ver mais sua filha, mas ela achava que a personalidade de Edward era suficientemente forte para resistir à pressão de seu pai.

_ Você está sorrindo, Bella. Assustada, Bella olhou para ele.

_ É uma piada particular.

_ Espero que não seja comigo.

_ Não. É com meu pai.

_ Seu pai?

_ Pois é. Meu pai e eu nem sempre pensamos da mesma maneira, Cullen. Ele às vezes é... — Fez uma pausa e depois continuou — muito duro.

_ Entendo. Talvez, em parte ele seja responsável por sua fuga.

Espantada com a percepção dele, Bella olhou para o outro lado e procurou refugiar-se no café, que já estava frio a esta altura.

_ Deixe-me esquentar o café para você -disse Edward, pegando a caneca de Bella. Ela encolheu-se ao sentir a mão dele encostar na dela, mas logo sentiu-se envolvida por uma onda de satisfação.

Por alguns segundos eles ficaram se olhando, olhos nos olhos, em seguida Edward levantou-se e foi até a fogueira, onde estava o bule com o café quente. Bella ficou olhando para ele, fascinada com seu porte atlético e másculo. Quando ele voltou, ela abaixou os olhos.

_ Aqui está seu café, Bella — disse, estendendo-lhe a caneca.

Quando ela olhou novamente para ele, criou-se uma tensão no ar. Como que hipnotizada, ficou olhando para aqueles olhos prateados, sem se mexer, até que finalmente pegou a caneca com mãos trêmulas e começou a tomar o café. Encolhida dentro do agasalho, sua mente estava cheia de emoções conflitantes, mas seu corpo ficou tenso ao sentir que Edward se sentou a seu lado. Subitamente, nada mais existia além de Edward Cullen; nem céu, nem estrelas, nem o barulho do rio, nem o grito do mergulhão-do-norte. Todos os sentidos de Bella estavam concentrados na figura de Edward Cullen que estava sentado, enchendo o cachimbo de fumo.

Bella estava admirada por ele ficar indiferente enquanto ela estava tão perturbada por sua proximidade. Como ele podia ficar tão calmo, enchendo aquele maldito cachimbo, enquanto ela ansiava ser tocada por ele? Sentindo uma súbita irritação, levantou-se e foi até a beira do rio. Precisava libertar-se dele, quebrar aquele encanto que a envolvia cada vez mais.

Porém, logo em seguida, ouviu o barulho de folhas secas e percebeu que ele estava atrás dela. Ela sentia sua presença tão forte como se ele a tivesse tomado nos braços.

_ Eu queria ficar sozinha, Cullen — Sua voz mostrava irritação.

_ Queria mesmo? — perguntou Edward Cullen, com ternura.

_ Algo me diz que você queria que eu viesse atrás de você.

Bella sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo, pois aquela voz melada e aveludada parecia acariciá-la. Cruzou os braços em torno do próprio corpo.

_ Mas que absurdo! Se eu quisesse ficar com você, teria ficado ao lado da fogueira.

Ele ficou em silêncio por um momento, e depois começou a andar.

- Então, eu me enganei, Bella. Deixarei você sozinha. — E, assim dizendo, voltou para junto da fogueira.

_ Droga! — resmungou ela, dando um chute num toco de madeira podre. Como era boba! Por que não admitia que queria ficar com ele? Por que estava revoltada contra ele? Levantando os olhos para o céu, viu outra estrela cadente. Lembrando-se das palavras de Edward, apertou os olhos e fez um pedido:

_ Estrela cadente, dê-me o que eu quero.

Então abriu os olhos em direção ao céu. Mas, o que ela queria? Nem ela mesma sabia. Nervosa, deu mais um chute no toco e voltou para junto da fogueira. Edward estava sentado no chão, encostado numa tora de madeira, olhando fixamente para o fogo.

_ Pelo jeito, você quer novamente a minha companhia; é isso, Swan?

Ela ficou olhando para ele por algum tempo, e em seguida serviu-se de mais um pouco de café.

- Não é bem isso, Cullen. Não tenha mania de grandeza. Eu só queria mais um pouco de café.

Ele olhou para ela com vontade de rir.

_ Você não dá o braço a torcer, não é? Cismou que tem de ser dura como aço, não sei por quê.

Ela levantou ligeiramente o queixo e olhou-o nos olhos.

_ Eu sou dura como aço, Cullen. Ele riu sacudindo a cabeça.

_ Nestes próximos dias você terá a chance de me mostrar como você é dura, Swan. Então não comece a contar vantagem antes do tempo.

_ Tem alguma queixa de mim até agora, Cullen?

_ De jeito nenhum. Você até que cozinha bem. Só falta perder um pouco desse mau humor.

_ Isso faz parte de meu contrato de duas semanas com você, Cullen? A mulher tem de ser doce, meiga e sensual para você levá-la numa viagem pelo Calawah?

_ Ah! — Ele deu um suspiro e ficou observando-a à luz da fogueira. _ Doce, meiga e sensual. Ajudaria muito, Swan, mas como parece que você não é nada disso, vou ver o que posso fazer nessas duas semanas.

Sentindo-se embaraçada, Bella deu-lhe as costas e tomou um longo gole de café. Por mais absurdo que parecesse, tinha vontade de chorar, mas logo reagiu. Quem é que estava se importando com o que Edward pensava dela? Afinal, ele era apenas um caipira analfabeto. O pai dela podia comprar e vender um homem como ele uma dezena de vezes e ainda sobraria muito dinheiro. O Cullen levantou-se e começou a apagar o fogo.

_ Hora de ir para a cama — disse. _ Está cansada?

_ Bem, acho que é melhor eu estar, pois você já está apagando o fogo.

Dirigindo-se para a barraca, Edward disse sorrindo:

_ Acho melhor fazermos uma trégua enquanto dormimos, ou será que eu devo dormir de frente para você, para não ser apunhalado pelas costas?

_ Durma do jeito que quiser, Cullen. Eu estou pouco me importando com você, acordado ou dormindo.

Ele entrou primeiro e ficou segurando a aba da porta para que Bella entrasse. Ela hesitou por alguns segundos, e acabou entrando, ficando imediatamente perturbada pelo cheiro almiscarado que emanava dele. No pequeno espaço da barraca, Edward parecia ainda maior, mais másculo. Abaixando-se, Bella perguntou:

_ Como é que a gente vai dormir?

_ Pode ser juntos ou separados, como você quiser. Para mim não faz diferença — disse ele rindo.

_ Não foi isso que eu quis dizer — retrucou Bella, corando e virando o rosto. _ Eu queria saber qual era o meu saco de dormir.

_ Pode escolher o que você quiser. Eu durmo em qualquer lugar.

Ela deu uma olhada para trás e ficou espantada ao ver que ele estava desabotoando e tirando a camisa, mas quando ele abriu a braguilha da calça, ela arregalou os olhos e virou a cabeça, sentindo-se embaraçada.

_ O que você está fazendo? — perguntou indignada.

_ Tirando a roupa, madame. Por quê? Acha estranho ver um homem se aprontando para ir para a cama?

Ela não sabia o que responder. Se dissesse não, ele acharia que ela era uma mulher fácil. Se dissesse sim, acharia que ela não tinha nenhuma experiência com homens, o que realmente era verdade, mas ela não queria que ele soubesse. Assim sendo, sem dizer nada, entrou no saco de dormir e fechou os olhos, percebendo que Edward continuava a se mexer.

_ Boa noite, princesa — disse ele, com ternura. Ela abriu os olhos e olhou para o teto da barraca, sem saber como responder. Finalmente, voltou-se e olhou diretamente para o rosto sorridente dele.

_ Boa noite. — E virou para o outro lado, fingindo dormir.

Em poucos minutos, pela respiração regular de Edward, ela percebeu que ele já estava dormindo, e foi preciso que se passasse mais uma hora para que ela fechasse os olhos e dormisse, sonhando com um certo caipira barbudo.

Notas finais
Lembrem-se de comentar.