Caixa do Medo

2 Capítulo Um – A Garota em Chamas



Três batidas ecoam na porta, fazendo-me pular da cama. O relógio marcava exatamente 03h00, e a casa estava em um silêncio sepulcral. Hesitei antes de sair da cama, uma dúvida instalada em mim: quem poderia nos visitar em plena madrugada? Balancei a cabeça, levantei e saí do quarto, sentindo o vento quente da noite entrar.

Com cuidado para não fazer barulho algum, liguei a lanterna do meu celular e desci as escadas o mais rápido possível. Quando cheguei no andar inferior, olhei pelo olho mágico da porta da entrada e, como imaginei, não havia ninguém. Fui até o jardim, dei a volta pela casa, e ainda não havia sinal de nenhuma alma viva. A rua estava deserta.

De repente, ouvi um estrondo logo atrás de mim; corri até a porta para encontrá-la fechada. Tentei abri-la, mas era impossível. Chamei meus pais, mas eles provavelmente não ouviram. E se ouviram, não conseguiram sair.

Desbloqueei o celular, vendo que ainda eram 03h03. Quando voltei o olhar para a casa, segurei meu grito: uma garotinha, com uma expressão triste, estava na janela do quarto dos meus pais. Ela aparentava ter sete anos de idade, vestia um vestido branco e solto, colocando a mão na janela.

A cena seguinte iria me assombrar pelo resto da minha vida. A garota virou de costas e o corpo dela começou a pegar fogo. Dessa vez, eu gritei. Gritei por ajuda. Gritei de desespero. O fogo já se havia se espalhado pelo quarto, e estava se encaminhando pela casa toda.

Andei de costas até o portão para ter uma visão melhor daquilo tudo, e aquilo foi o maior pesadelo que eu já poderia ter pensado em ter. Mas ele era real.

Vizinhos saíam de suas residências para ver o que aconteceu, e a porta se abriu levemente. Entrei correndo, chamando por meus pais. Não conseguia passar do meu quarto, a fumaça encobria todo o corredor, mas mesmo assim tentei chegar até lá.

A visão que tive me fez cair sentada: meus pais ardendo em fogo, junto com o quarto inteiro. A garotinha agora os observava, intacta. O fogo a contornava, como se ela tivesse uma barreira invisível. Ela olhou para mim, caminhando lentamente em minha direção. Agachou-se na minha frente e me tocou.

Então, a fumaça me consumiu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.