Caindo em Tentação

8 CAPITULO 8 – E AGORA?


- DUDA NARRANDO -

Eu ainda estava confusa, eu não sabia o que dizer.

Meu irmão acabou de me dar um selinho, e eu... gostei? Caramba, mano.

Só falta agora eu me apaixonar pelo meu irmão. Não, não. Isso não pode acontecer.

- Duda? – ele estava passando a mão em frente ao meu rosto.

Balancei a cabeça saindo do transe.

- Próxima vez que for me dar um beijo no rosto, tome cuidado. – falei fingindo estar zangada.

- Pode falar que você gostou. – brincou ele.

- Tá, eu gostei. – mentira que eu disse isso? – Mas isso muda alguma coisa?

- Não. – ele ficou triste.

- Ei, vocês dois. – chamou Emilio. – Atrapalho alguma coisa?

- Não Emilio, pode entrar. – respondi.

- Só vim trazer o telefone. – ele fez uma pausa. – O Matheus quer falar com você.

O Eduardo foi até o Emilio pegar o telefone, mas o Emilio pegou o telefone e entregou pra mim.

- É com a Duda que ele quer falar. – e saiu do quarto.

Dudu sentou na cama e ficou me encarando enquanto eu atendia o telefone.

- Alô.

- Oi Duda, tudo bem minha linda? – morri.

- Tudo sim Matheus. E com você?

- Melhor agora. – pausa. – Será que tem um jeito de eu te ver, sem o Dudu saber?

- Err... eu acho meio difícil. – mais difícil ainda com o Dudu bem na minha frente me olhando com essa carinha de bravo. Até com cara de bravo ele é lindo. Como Deus foi bondoso com ele.

- Eu imagino. Ele tá aí com você, não tá?

- Aham.

- Você contou pra ele?

- Pra ele não.

- Contou pro Emilio? – ele ficou bravo ou é impressão minha.

- Aham.

- Droga, Duda. Por que você contou? Agora ele vai contar pro Dudu e o Dudu vai ficar puto comigo.

- Por que ele ficaria?

- Porque você é irmã dele. – pausa. – O Emilio ficou bravo?

- Nem um pouco.

- Menos mal. Acho melhor conversarmos amanhã no colégio. Porque com o Eduardo aí perto, tá difícil. Beijos Duda.

- Beijos. – e desliguei.

Eu ia descer lá na sala para colocar o telefone sem fio no lugar, mas o Dudu segurou meu braço.

- Posso saber o que o Matheus queria com você? – perguntou ele bravo.

- Dudu, você tá com ciúmes do seu amigo ou é impressão minha? – zombei.

- Não tenta mudar de assunto Maria Eduarda. – nossa, ele tá mesmo bravo.

- Dudu, calma. – tirei a mão dele do meu braço. – Ele só queria saber como eu tava.

- Ele já tinha ligado no meu celular e perguntou como você tava. Por que ele ligaria de novo pra saber a mesma coisa? – ele cruzou os braços.

- Mano, eu to falando sério. Ele só queria saber ... – e ele me interrompeu.

- EU NÃO SOU BESTA MARIA EDUARDA. – gritou ele.

Eu tampei os ouvidos. E isso fez com que ele ficasse mais irritado ainda. Ele desistiu de falar comigo e se jogou na cama dele.

Eu desci, deixei o telefone sem fio no lugar e subi pro quarto de novo.

- Dudu? – chamei.

- Que foi? – ele ainda estava irritado.

- Eu vou te contar uma coisa, que só o Emilio sabe e você tem que prometer que não vai contar pra NINGUÉM. – ele me olhou nessa hora. – Promete?

- Prometo. – respondeu ele, agora com um sorriso no rosto.

- Eu fiquei com o Matheus. – falei na lata.

- O QUE? – ele começou a gritar de novo. – POR ESSA EU NÃO ESPERAVA. VOCÊ FICA COM UM AMIGO MEU E O PRIMEIRO A SABER É O EMILIO? BOM SABER QUE VOCÊ ME CONSIDERA TANTO ASSIM TÁ DUDA? BOM SABER QUE O MATHEUS É UM TRAÍRA. BOM SABER QUE EU SOU SEMPRE O ÚLTIMO A SABER DAS COISAS.

Nossa. Não sabia que o Dudu era tão revolts.

- Dudu, calma. – eu fui até ele e acariciei o rosto dele. – Posso me explicar?

- Pode. – ele tirou minha mão do rosto dele.

- Dudu, eu não queria que acontecesse. Eu fui até a cozinha tomar água, ele chegou lá, se aproximou demais, e aconteceu. Foi só um beijo, nada mais. Eu só contei pro Emilio primeiro, porque ele nos viu na cozinha. E eu não contaria nem pro Emilio, se dependesse do Matheus, ele não queria que eu contasse pra ninguém. – eu ergui o rosto dele para que olhasse pra mim. – Eu não queria esconder isso de você Dudu, me desculpa poxa. Todo mundo erra.

Ele não falou nada, apenas me abraçou e repetiu a frase que ele disse há alguns minutos atrás.

- Não me esconda nada, tá bom Duda. – ele disse com uma cara de bravo, mas eu sabia que ele não estava mais bravo.

Fui dar um beijo no rosto dele, e adivinha? Ele virou o rosto. Mais um selinho.

- Droga Dudu. – eu briguei. – Dessa vez você fez de propósito.

- Pior que foi. – ele deu uma risadinha e saiu do quarto.

O resto do dia foi tranquilo. Eu e Dudu estávamos super bem, ele não parecia mais estar tão bravo comigo por causa do Matheus. Conversava comigo normalmente, contou detalhes do fim do namoro dele com a Mary, e eu achei bem feito. Graças a Deus o Dudu largou dela. Jantamos, eu subi pro quarto, tomei um banho e sentei na cama para mexer mais um pouquinho no notebook. Quando abri meu Orkut, novamente havia depoimentos pendentes.

Um deles era da Jéssica.

“Duda, eu não consigo entender o que tá acontecendo com você. Por que você tá tão estranha comigo e com o Pedro? Eu te adicionei no MSN, ok? Depois a gente conversa. Beijinhos.”

Cara, essa Jéssica só pode estar de sacanagem comigo né? Ela não se tocou ainda que eu já sei do caso dela com o Pedro? Falsidade deveria ter limite, não é?

Eu apenas recusei, não fiz questão nenhuma de responder. E adivinha quem tinha feito um depoimento pra mim também? O idiota do Pedro.

“Meu amor, mil desculpas pelo que aconteceu hoje. Quando eu te vi com aquele imbecil do Eduardo, eu perdi a noção, eu deveria ter dado um soco nele e não um tapa em você. Agi sem pensar. Me perdoa? Beijos, eu te amo.”

Mais um depoimento que eu apenas recusei e não quis responder.

Desliguei o notebook e fui dormir.