Caindo em Tentação
1 CAPITULO 1 - ADEUS ORFANATO
É bem difícil acreditar que depois de 10 anos morando em um orfanato, eu finalmente fui adotada. Meu nome é Maria Eduarda Mendonça, tenho 15 anos, moro em Cotia, e como toda boa órfã, não tenho pais. A dona do orfanato, Ana Júlia, conta que quando eu tinha cinco anos, meus pais me deixaram com uma amiga deles e foram para São Paulo capital, e no caminho, o carro capotou e nenhum dos dois sobreviveu. E a tal amiga dos meus pais, que até hoje eu não sei o nome, me trouxe aqui para este orfanato. Na época, eu já estudava e implorei à Ana Júlia para que ela me matriculasse em algum colégio público, ali perto do orfanato mesmo, porque eu não queria ficar sem estudar. Eu poderia até ser órfã, mas eu queria ser alguém na vida.
Agora, com 15 anos, eu continuo estudando no mesmo colégio e faço primeiro ano. Nunca reprovei e sempre fui a melhor da turma. E sofro muito no colégio porque todos sabem que eu sou uma “Zé ninguém” e que eu não tenho família – ou melhor, não TINHA. Só que isso fez com que eu não me enturmasse com ninguém da turma. A única amiga que eu tenho, é a Jéssica Gonçalves, que é filha da Ana Júlia, a dona do orfanato.Dona Ana Júlia sempre foi como uma mãe pra mim, e Jéssica, minha melhor amiga-irmã. Sempre que elas iam ao clube, me chamavam para ir junto. E foi em um desses passeios que eu conheci Pedro, que hoje é meu namorado. Estamos juntos há seis meses. Ele é um amor de pessoa, só que estuda em outro colégio, o Rio Branco. E pra minha sorte, Jéssica também é de lá. Eu não o vejo todo dia, apenas nos finais de semana. Mas como hoje é sexta-feira e eu vou mudar para a casa dos meus novos pais, provavelmente não vou vê-lo. Eu estava guardando minhas roupas na mala, quando Ana Júlia entrou no dormitório.- Duda, minha querida! Seus pais estão lá embaixo te esperando.Quando ela disse isso, eu senti um frio na barriga. Um frio daqueles bem piores do que aqueles que você sente quando vai dar o seu primeiro beijo.- Já vou descer tia, tô terminando de arrumar minhas coisas.- Tudo bem, mas não demora. – e ela se foi.Terminei de guardar minhas poucas roupas, meu tênis, meu chinelo e uma rasteirinha preta, que eram os únicos calçados que eu tinha. Guardei também minha toalha, que foi bordada pela minha mãe, peguei minha escova de dente e a escova de cabelo, e claro, meu ursinho de pelúcia e um porta-retrato com uma foto dos meus pais.Enquanto eu olhava uma ultima vez para aquele quarto onde eu dormi 10 anos da minha vida, não pude deixar de chorar. Peguei minha única mala e fui descendo as escadas lentamente, pensando nos meus novos pais. Eles não deviam ser muito normais. Porque casais normais adotam crianças com menos de oito anos. Eu não conseguia entender porque eles tinham adotado logo eu, que já tenho 15 anos. E o que mais me assusta, é que eles nunca me viram pessoalmente, nem conversaram comigo. Tenho medo de que quando eles me vissem, se arrependessem da decisão e adotassem outra criança no meu lugar.Fiquei paralisada na escada quando ouvi a voz deles. O medo mais uma vez tomou conta de mim. A Duda é uma menina encantadora – dizia a Ana Júlia – Tenho certeza que vocês não vão se arrepender de adotá-la.- Eu tenho certeza disso. Nós fomos ao colégio onde ela estuda, perguntamos sobre ela, e só ouvimos elogios. – era a voz de uma mulher, a minha nova mãe.- É verdade – agora era a voz de um homem, meu novo pai – Olha, nós queríamos acrescentar nosso sobrenome ao nome dela. O que a senhora acha? Tiramos o Mendonça e colocamos o Surita? Ou deixamos o Mendonça e acrescentamos o Surita? – perguntou meu novo pai.- Maria Eduarda Mendonça Surita? Gostei. – apareci na sala e já me meti na conversa.- Duda! – a mulher se virou para me olhar.Ela era linda e jovem. Eu ia me dar bem com ela, disso eu tenho certeza. E ela provavelmente não deve ter mais filhos. Ela veio até mim e me abraçou.- Você é linda! Prazer, sou Anne, sua nova mãe.- O prazer é meu, Anne. A senhora também é linda. – sorri sem graça.- Oi Duda, sou Emilio Surita, seu novo pai, muito prazer. – ele veio até mim e me abraçou também.Ele também era lindo e jovem. Ainda bem que meus novos pais não eram aqueles idosos carentes que ficam apertando nossas bochechas e dizendo “que coisa linda”.- É um prazer conhecer o senhor. – e sorri.- Bom – era Ana Júlia nos interrompendo -, aqui estão os documentos da Duda, senhores. Vou sentir sua falta, minha querida. – ela veio até mim e me abraçou.- Eu também tia – comecei a chorar – Prometo que venho te visitar sempre que puder.Saí do orfanato sem olhar pra trás, não queria chorar mais. Entrei no carro dos meus novos pais e abaixei a cabeça. Não queria olhar no rosto da Ana Júlia e vê-la chorando.- Vamos logo Emílio. Nossos filhos querem conhecê-la logo. – disse Anne.- FILHOS? – perguntei assustada.- Sim querida. Você tem dois irmãos. O Eduardo e o Emilio. – ela respondeu.- Nossa! – fiquei admirada – Por que vocês me adotaram então?
- Os meninos vivem reclamando que querem ter uma irmã. Então resolvemos atender o pedido deles te adotando, já que eu e Anne não conseguimos providenciar outro em cinco anos de tentativa.- Nem acredito que vou ter dois irmãos.Tomara que não sejam dois pirralhos irritantes – pensei comigo.- Quantos anos eles têm? – fui obrigada a perguntar.- O Emilio tem 17 e o Eduardo tem sua idade, 15. – respondeu Anne.Fiquei feliz. Pelo menos eu não teria que ser babá de ninguém.- Duda, o que você gosta de comer? – perguntou ela.- Ah, gosto de tudo. Lá no orfanato nós fomos acostumados a comer qualquer coisa.- Mas tem alguma coisa em especial que você gostaria de comer hoje? – perguntou Emilio.- Lasanha?! – não sei se eu estava respondendo ou perguntando.- Ótima ideia, Duda! – falou Anne – Vou ligar agora mesmo para a Joana.Ela discou um número e logo pediu:- Joana, por favor. Estamos levando a Duda para casa hoje. E gostaria de pedir que você fizesse lasanha para o almoço, tudo bem? – ela esperou um tempo e continuou – Certo, logo logo estaremos aí. Beijos – e desligou.Paramos no cartório para arrumar meus documentos sabe?! Acrescentar o Surita, assinar um monte de papel. Toda essa chatice. Demoramos cerca de uma hora lá, até que finalmente fomos para minha nova casa.
Notas finais
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