Caindo em Tentação

10 CAPITULO 11 – HOSPITAL


Dessa vez ela não se mexeu. E eu fui revoltado, me deitar no sofá. Mas peraí, se eu perguntei se ela não me ama, e ela não se mexeu, é porque ela me ama sim. Fiquei deitado no sofá olhando pra ela. E ela começou a mexer todos os dedos, fazendo um sinal como se estivesse me chamando para ir até ela.

- Voltei. – e segurei a mão dela novamente.

Agora ela apertou minha mão com um pouco mais de força, como se quisesse mesmo que eu ficasse ali. Eu a empurrei para o cantinho da maca com cuidado e me deitei ao lado. Se nós dois já dormimos juntos na cama dela, que é de solteiro, por que não poderíamos dormir juntos nessa maca?

Eu a abracei com cuidado, e continuei segurando a mão dela. Ela abriu os lábios, como se tentasse falar alguma coisa, mas não saia som nenhum.

- Tudo bem. Eu te desculpo por dizer que não me ama. – brinquei. – Você não precisa se esforçar pra me dizer nada, tá? Quando você ficar boa, nós conversamos.

Ela apertou minha mão, como se estivesse confirmando o que eu disse. Dei mais um beijo no rosto dela, e dormimos.- Duda, você tá de brincadeira comigo, não é? – e ela mexeu um dedo.

Eu estava começando a entender qual era a dela.

- Eu vou te fazer uma pergunta, e se a resposta for sim, você mexe a mão, se a resposta for não, você fica parada.

E ela mexeu o dedo. EBA! Ela podia me ouvir.

- Você quer que eu fique aqui perto de você? – perguntei.

Ela mexeu o dedo. Eu peguei a sua mão, e ela a apertou. Apertou não seria a palavra certa, porque com a força que ela tava, eu mal senti o aperto.

- Você me ama? – que pergunta idiota.

Ela não se mexeu. Droga! Ela não me ama.

- Você não me ama Duda? – soltei a mão dela.Me afastei dela e fui me deitar no sofá que tinha ali por perto. É impressão minha ou ela mexeu a mão? Me aproximei dela novamente.

- Duda, você tá acordada? – perguntei na esperança que ela dissesse alguma coisa, mas ela não disse nada.

Fui até o sofá, e vi que a mão dela mexeu de novo. Me aproximei novamente.

- Entendi. – sorri. – Você quer que eu fique perto de você.

E novamente, ela não se mexeu. Será que eu tô vendo coisas? Eduardo, a mão dela nem deve ter mexido, é impressão sua. E fui me deitar no sofá. Cara, agora a mão dela mexeu, eu tenho certeza.- Ela não vai ficar sozinha, filho. – disse minha mãe. – Deixamos uma enfermeira para cuidar só dela.

- Podem ir, eu não vou. – resmunguei.

- Mano, vamos pra casa. – disse Emilio. – Já são 8 da noite, passamos o dia todo aqui.

- Pode ir Emilio, eu vou ficar aqui com ela.

Entrei no quarto em que ela estava. Ela estava tão pálida, com aqueles pontos, o braço engessado. Eu precisava saber o que tinha acontecido, e eu tenho certeza que sei quem foi a culpada por isso.

Coloquei uma cadeira ao lado da cama em que ela estava deitada. E disse tudo que eu tinha pra falar.

- Foi tudo culpa minha Duda. Eu sabia que a Mary ia fazer algo contra você, eu não devia ter ficado longe de você nem um segundo, eu tinha que ter te protegido dela. Duda, por favor, fica boa logo, eu não consigo mais viver sem você. Eu não consigo ficar um segundo longe de você, por isso que eu to aqui, sozinho. Nossos pais e o Emilio foram pra casa, mas eu to aqui. E eu não vou deixar você sozinha nunca mais, isso é uma promessa. – dei um beijo no rosto dela. – Eu te amo.Menos de cinco minutos se passaram e meu pai subiu. Pegou Duda no colo e a levamos para o hospital. Essa era a parte boa de ter pais médicos, era só chegar ao hospital e já éramos atendidos.

- Enfermeira, providencie uma maca para mim, por favor. – disse meu pai com a Duda, ainda no colo dele.

A enfermeira foi rápida. Meu pai deitou Duda na maca e a levou até a emergência.

Foram feitos oito pontos na cabeça dela e ela ficou desacordada o tempo inteiro. Fizeram os exames nela, e graças a Deus ela não teve nenhum tipo de traumatismo craniano. E coitadinha, quebrou o pulso. Mas ela estava desacordada há tanto tempo que nem devia estar sentindo dores, ainda mais com tanto sedativo que deram a ela.

Eu estava no pátio do hospital, quando meus pais chegaram.

- Vamos embora. – disse meu pai.

- O que? – eu o encarei furioso. – Que tipo de pai é você que vai deixar a filha aqui sozinha?- DUDA NARRANDO –

Depois que o Dudu disse tanta coisa pra mim, e por final me deu um beijo no rosto e disse que me ama, eu fiz um esforço enorme pra mostrar a ele que eu podia ouvi-lo. E ele pareceu perceber. Se sentou no sofá e voltou até a maca que eu estava, um monte de vezes. Coitadinho, eu estava fazendo ele de besta.

Por fim ele perguntou se eu amava ele, e eu não consegui me mexer, que droga. Ele ficou revolts e foi até o sofá de novo. Eu queria tanto conseguir abrir os olhos e vê-lo, porque ele fica muito lindo revolts, mas o meu esforço de nada adiantava, a única parte do corpo que eu conseguia mexer era a minha mão. Tentei fazer um sinal para que ele voltasse e ficasse perto de mim, e foi o que ele fez. Eu tentei dizer que amava ele, mas não saía som nenhum, eu já estava ficando irritada, mas o Dudu me tranquilizou.

- Tudo bem. Eu te desculpo por dizer que não me ama. – brincou ele. – Você não precisa se esforçar pra me dizer nada, tá? Quando você ficar boa, nós conversamos.

Eu apertei a mão dele. Ele me deu mais um beijo no rosto e dormimos. Ou melhor, ELE DORMIU.Eu já tinha dormido não sei quanto tempo devido a quantidade de sedativos que me deram, e havia perdido totalmente o sono agora. Fui tentando aos poucos, mexer cada parte do meu corpo, mas não fazia efeito nenhum, só minha mão é que mexia.

Eu comecei a sentir uma dor enorme na cabeça e no meu braço, sinal que o efeito do remédio estava mesmo passando.

- Ai! – foi o máximo que eu consegui dizer. E só isso já fez com que o Dudu acordasse.

- Que foi, Duda? – ele se afastou de mim. – Eu te machuquei?

Eu fiquei parada. Se ele ainda lembrasse do nosso código de antes, ia entender que quando eu fico parada, a resposta é não.

- Tudo bem. – ele olhou ao redor. – Quer que eu chame a enfermeira?

Eu mexi um dedo. E ele saiu do correndo do quarto. Que bom que o Dudu é esperto e entendeu direitinho.

Menos de dois minutos se passaram e ele voltou com a enfermeira.

- O remédio pra dor só faz efeito por doze horas, então já deve ter passado o efeito. – explicou a enfermeira, entrando no quarto.

- Menos mal. Achei que eu tivesse machucado ela. – resmungou ele.- DUDU NARRANDO –

Depois que a enfermeira fez a Duda dormir, eu me deitei ao lado dela novamente e apaguei junto com ela.

Acordei às 6 da manhã. Eu não queria ir na aula hoje, então achei melhor ir dar uma volta no hospital para ver se meus pais já haviam chegado.

- Dudu. – gritou alguém. Quando olhei pra trás, era a Mary.

- O que você tá fazendo aqui? – perguntei o mais grosso que pude.

- Vim visitar a Duda. – disse ela.

- Ela não está aqui. – menti.

- Tá sim que eu sei. – respondeu arrogante.

- E como você sabe? – agora ela ia se entregar.

- Porque... – ela desviou o olhar e não me respondeu.

Tá na cara que a culpa foi dela.

- Tá com a consciência pesada, é? – perguntei.

- E por que eu estaria?

- Odeio quando eu faço uma pergunta e me respondem com outra pergunta. – reclamei.

- Tudo bem, Eduardo. – ela nunca tinha me chamado de Eduardo. – Você tá achando que eu fiz algo contra ela?

- Achando não. – fiz uma pausa. – EU TENHO CERTEZA!

- Rá. – ela deu uma risada irônica. – Eu não tenho nada a vê com isso.

- Então como sabe que ela está aqui? – perguntei desconfiado.

- Eu liguei na sua casa ontem o dia todo. Então consegui falar com o Emilio a noite, e ele me disse que você estaria aqui. – ela abaixou a cabeça. – Eu só vim saber se você vai pra aula hoje, porque se você não for, eu venho aqui depois da aula pra te passar a matéria.

Ok. Por que ela tá sendo tão boazinha? Será que ela realmente não teve culpa do que aconteceu com a Duda? Eu não posso julgá-la antes de ouvir da boca da Duda o que aconteceu.

- Certo. Estarei te esperando aqui depois da aula. – dei as costas pra ela e fui procurar meus pais.- A dor já vai passar, Duda. – disse a enfermeira.

Segundos depois, eu apaguei.- EI! – ela gritou. – Eu quero ver a Duda.

- Não, você não quer. – olhei para ela e continuei. – Agora some daqui.

Ela abaixou a cabeça e foi embora. Acho que eu peguei pesado com ela agora, mas eu nem tô ligando, ela merece ouvir umas boas de vez em quando.

Saí pelo pátio do hospital e meus pais estavam entrando bem na hora.

- Filho. – minha mãe veio me abraçar. – Como ela está?

- Dormindo. Não falou nada até agora. – pausei. – Conversamos através de sinais.

- Bom saber que você gosta tanto da sua irmã! – Ô pai, você não imagina o quanto.

- Mãe, não vou a aula. – mordi o lábio. – Tem algum problema?

- Claro que não filho. Quer que eu chame um táxi pra te levar para casa? Sua noite deve ter sido cansativa. – disse ela.

- Não. – eu a encarei. – Vou continuar aqui. Só queria saber se podia faltar aula e já vou voltar pro quarto dela.

Acenei a eles e voltei para o quarto. Quando cheguei lá, tive uma surpresa, Duda estava acordada. E o melhor de tudo, dessa vez ela estava com os olhos abertos. Ela sorriu ao me ver entrar.- Oi Duda. – fui até ela e beijei o rosto dela.

- Oi Dudu. – respondeu ela baixinho, com a voz rouca. – Brigada.

- Você tá conseguindo falar? – eu pulei. Sim, foi gay, mas eu pulei. – Isso é muito bom. Err... e brigada pelo que?

- Por ter ficado comigo essa noite. – um suspiro. – Não seria a mesma coisa sem você aqui.

- Não fiz mais do que a minha obrigação Duda. – eu acariciei o rosto dela. – Eu jamais te deixaria sozinha aqui.

Ela deu um sorriso torto e fechou os olhos.

- Não acredito que você tá com sono. – brinquei.

- Não estou. – ela abriu os olhos novamente. – Só estou pensando.- No que? – sim, eu sou curioso.

- Você. – Oi? Eu fiquei sem saber o que falar. – Com você perto de mim, eu esqueço de todos os meus problemas, eu esqueço de todas as coisas ruins que já aconteceram comigo, só penso em coisas boas. E não tenho pesadelos quando você dorme abraçado comigo.

- Por que será? – perguntei. – Eu sinto o mesmo sabia? Tirando a parte dos pesadelos, porque meus sonhos são sempre bons.

Ela deu um sorriso, ficou me olhando por um longo tempo, depois disse:

- Eu também queria saber por quê. – ela respondeu.- Você não me ama. – olhei feio pra ela. – Então não tem outro motivo.

- Besta. – ela mostrou língua. – É claro que eu te amo.

- Ontem você não mexeu o dedo quando eu perguntei se você me amava. – reclamei.

- Dudu, eu sei que é um movimento mínimo. – ela fez uma pausa. – Mas você não tem ideia do quanto é difícil conseguir mexer UM dedo, no estado que eu estava ontem.

- Isso quer dizer que você tentou mexer o dedo? – perguntei mais animado.

- Claro Dudu. – ela ficou vermelha, que linda. – Eu tentei muito mexer o dedo, mas não consegui. Depois eu tentei dizer que eu te amo, e também não consegui.

- Então aquela hora que você abriu a boca... – fui interrompido.

- Eu ia falar que eu te amo. – ela disse na lata. E dessa vez acho que fui eu quem ficou vermelho.Eu fiquei sem reação, eu não sabia o que falar. Então mudei de assunto.

- Duda, você tá com fome? Eu busco alguma coisa gostosa pra você. – sorri. – Eu sei que comida de hospital é horrível.

- Eu imagino. – sussurrou ela. – Mas o que eu tô com vontade de comer, eu não vou conseguir.

- E por que não? – ergui uma sobrancelha.

- Tô sem força pra mastigar. Eu acho. – ela revirou os olhos.

- Err... você pode me dizer pelo menos o que é? – perguntei.

- Negresco. – respondeu ela sorrindo.

- Negresco? – perguntei. – Aquela bolacha?

- É. – ela deu uma piscadinha pra mim.

- Pô mano, você tem que comer alguma coisa nutritiva. – momento dando uma de pai. – Vou trazer uma fruta pra você.

- Ahh! – reclamou ela. – Não me venha com pêra, por favor. É sem graça demais.

- Vou te trazer uma melancia. – sorri. – E você vai comer sozinha.

- Pensando bem, pode trazer a pêra. — ela deu um sorriso sem graça.

Eu ri e saí do quarto. Antes eu fiquei vigiando a entrada, não queria que ninguém entrasse lá e perturbasse ela.Fui a recepção e perguntei se tinha algum mercado ali perto. A recepcionista disse que na esquina tem um. Ótimo. Fui a pé até lá, comprei duas peras e voltei para o hospital.

Quando entrei no quarto, Duda estava chorando. Droga. Não devia ter deixado ela sozinha.

- Duda, por que você tá chorando? – corri até ela e segurei sua mão.

- Nada não. – ela disse enxugando as lágrimas. – Trouxe as peras?

- Aqui. – mostrei a sacola.

Fui até o banheiro, lavei as duas e dei a ela.

- Consegue morder isso né? – perguntei.

- Err... vou tentar.

Ela pegou a pêra, e com muita dificuldade, conseguiu morder um pedaço.

- Já volto. – disse a ela.

Fui até a lanchonete que tinha no hospital e pedi uma faca. A moça gentil me entregou uma.

- Voltei. – disse abrindo a porta do quarto.

- Vai me matar? – ela perguntou olhando a faca.

- Capaz. – peguei a pêra da mão dela.

Então comecei a cortar a pêra em pedaços pequenos e colocava na boca dela. Estava me sentindo um pai pra ela.Era engraçado a situação, ela parecia um bebê. E eu como sou legal, ficava fazendo aviãozinho quando ia dar a pêra na boca dela.

Por mais que estivéssemos em um hospital, a gente se divertia junto.

- Dudu, você falou com o Matheus? – ela perguntou depois que comeu as duas peras.

- Sim. – respondi. – Mas nada sobre você e ele. Por quê?

- Não sei. – ela fez uma pausa. – Tive medo que você deixasse de ser amigo dele por causa do que aconteceu.

- Eu até pensei nisso no começo. – suspirei. – Mas o Matheus é meu melhor amigo. Não consigo ficar sem conversar com ele.

- Que bom. – ela sorriu.

- Você tá gostando dele? – sou curioso mesmo, e daí?- Ah. – ela mordeu o lábio. – Acho que tá muito cedo pra saber se eu gosto dele ou não.

- Hum. – meu celular começou a tocar. – Só um minuto Duda, já volto.

Saí do quarto para atender, e era o Emilio.

Combinamos que ele ia vir no hospital ficar com a Duda enquanto eu ia ficar um pouco em casa. Afinal, eu precisava de um banho, precisava descansar, precisava respirar um ar puro.

Passou meia hora e o Emilio entrou no quarto.

- Oi irmãzinha. – ele foi até a Duda e beijou o rosto dela.

- Irmãozão. – ela disse sorridente. – Bom ver você aqui.

- Duda, eu vou pra casa agora e o Emilio vai ficar com você tá? – eu dei um beijo no rosto dela. – Mais tarde eu volto.

- Tá bom Dudu. – ela disse triste.Fui para casa, deitei na minha cama e capotei. Eu estava precisando dormir, dormir de verdade, em uma cama confortável, que não fosse uma maca. Acordei com o meu celular tocando, era a Mary avisando que não ia poder ir até o hospital levar as matérias de hoje. Ainda bem – pensei comigo. Afinal, eu nem estava no hospital.

Resolvi fazer um agrado para minha irmãzinha, peguei o Ipod dela, coloquei músicas do Justin Bieber, da Lady Gaga e do Nx zero, que são as bandas que eu sei que ela gosta. Depois peguei meu notebook e passei algumas músicas que eu gosto. Fui até a cozinha, comi um mega sanduíche e voltei para o hospital. Chegando lá, não gostei NADA do que vi.- DUDA NARRANDO -

Logo que Dudu saiu, Emilio foi até a porta e ficou espiando o corredor.

- O que você está aprontando Emilio? – eu fiquei curiosa.

- Tem alguém aqui que quer muito te ver, mas não queria que o Dudu o visse aqui. – respondeu ele ainda espiando o corredor.

- VEM AQUI! – gritei.

Ele veio até mim e segurou a minha mão.

- O Matheus tá aqui. – ele deu uma piscadinha.

- O QUÊ? – gritei. – VOCÊ É LOUCO DE TRAZER ELE AQUI? OLHA O MEU ESTADO! EU ESTOU HORRÍVEL...

- Shh. – ele me interrompeu. – Você tá linda, agora fica tranquila que eu vou lá fora chamar ele tudo bem?

- Tá bom. – droga. Emilio não devia ter feito isso.

Ele saiu e eu me preparei psicologicamente para encontrar o Matheus. Ele vai sair correndo quando ver o estado que eu estou.

Ele entrou no quarto e veio me cumprimentar com um selinho.

- Err... – fiquei sem reação. – Tá louco Matheus?

- Por quê? – ele perguntou assustado.

- Olha o Emilio ali. – apontei pra ele.

- Duda, ele já sabe tudo não sabe? – ele sorriu.

- Sei. – respondeu Emilio. – Agora se vocês me dão licença, vou lá pra recepção.

Emilio saiu do quarto, Matheus puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado, segurando a minha mão.

- Você tá melhor? – perguntou ele. – Vim te visitar ontem, mas o Dudu não saía daqui, daí achei melhor não entrar.

- O Dudu já sabe, Matheus. – respondi.- Já sabe o que? – ele ergueu uma sobrancelha. – Você não contou...

- Contei. – interrompi ele.

- Que estranho. Ele não comentou nada comigo. – ele fez um biquinho.

Ê que boca é essa?! MINHA NOSSA!

- Ele me disse mesmo que não comentou nada com você. – afirmei.

- Menos mal. – ele sorriu. – Pensei que ele fosse me matar se soubesse que eu fiquei com você.

- Ele ficou bem bravinho quando eu contei. – mordi o lábio. – Mas depois eu consegui deixá-lo mais calmo.- Duda. – ele segurou minha mão novamente e a beijou. – Eu vim aqui pra te pedir uma coisa.

- Peça. – sorri.

- Quer namorar comigo? – ele fechou os olhos com força, como se estivesse preparado para levar um não.

Eu não sabia o que dizer. Como assim namorar?

- Matheus? – ele abriu os olhos. – A gente só ficou uma vez. Tá muito cedo pra gente começar a namorar.

- Se é esse o problema... – ele se aproximou e me deu um beijo daqueles.

Ai Jesus, me abana. Não tem como resistir a esse menino.

- Nossa. – eu disse depois que o beijou terminou.

- Agora você aceita? – perguntou ele todo convencido.

- Você me dá uns minutos pra pensar? – propus.

- Claro. – respondeu ele. – Vou chamar o Emilio e já volto. – ele me deu um selinho e saiu.

Eu estava sem ar. O beijo do Matheus era daqueles beijos de tirar o fôlego de qualquer um. Depois que ele saiu, fiquei pensando no pedido de namoro. Aceito ou não aceito? E o Dudu? Ele não vai aceitar que eu namore o melhor amigo dele, ou vai? E será que eu gosto mesmo do Matheus? Ou é só uma atração?

- E aí? – Emilio entrando no quarto.

- Aqui nada e aí? – sorri.

- Como assim aqui nada? – perguntou ele. – Como foi a conversa com o Matheus?

- Ele foi embora? – mudei de assunto.

- Não. Ele disse que ia comer alguma coisa e já voltava. – ele fez uma pausa. – Não muda de assunto.

- Ele me pediu em namoro. – falei na lata.

- HÃ? – gritou Emilio.

- Ele me pediu em namoro. – repeti.

- Você aceitou? – ele mordeu o lábio. Ê Emilio, se você não fosse meu irmão...

- Disse que ia pensar. – fechei os olhos.- Por que Duda? Aceita logo. – HÃ? Ele disse que eu tenho que aceitar?

- QUÊ? – gritei.

- Você não quer aceitar por causa do Dudu não é? – perguntou ele.

- Também. – confessei. – Tenho medo que isso estrague a amizade dele com o Matheus.

- Não me referi a isso. – falou Emilio.

- Se referiu a que então? – Emilio estava me deixando confusa.

- Vocês se amam Duda. Confessa. – ele disse sério.

- Rá. – dei uma risada irônica. – O Dudu é meu irmão Emilio, assim como você.

- Vocês dois são tão idiotas. – resmungou ele. – Qualquer um percebe que vocês se amam, acho que até nossos pais já perceberam isso.

- Eu acho que você e nossos pais estão ficando loucos. – Talvez eles estejam certo, mas eu tenho que negar isso até a morte.- Então por que você não aceita o pedido do Matheus? Por que você se preocupa tanto com o que o Dudu pensa ou deixa de pensar? – ele parou as perguntas. – Você o ama Duda.

- Eu o amo sim, mas é como irmão. Assim como eu amo você. – afirmei.

- Rá. – ele deu uma risada irônica. – Dá pra perceber a diferença do seu amor pelo Dudu e o seu amor por mim.- Tudo bem, Emilio. – resmunguei. – Você venceu. Eu vou aceitar o pedido do Matheus.

Emilio deu um sorriso e saiu do quarto. Minutos depois o Matheus entrou todo sorridente.

- Já pensou? – ele veio até mim e me deu um selinho.

- Sim. – respondi.

- E aí? – perguntou ele.

- Já respondi. – falei.

- Já? – perguntou ele.

- Sim. – eu já estava ficando irritada.

- Sim? – ele ergueu uma sobrancelha.

- SIM! – gritei. – Eu aceito.Ele sorriu e depois me deu outro beijo daqueles de tirar o fôlego. Mas dessa vez, fomos interrompidos. Alguém abriu a porta, quando fui olhar, era o Eduardo. DROGA!

- Err... cheguei na hora errada. – ele me fuzilou com os olhos.

- Não mano, pode entrar. – disse Matheus com educação.

- Eu é que não vou ficar de vela. – reclamou ele.

Quando ele foi abrir a porta pra sair do quarto, Matheus disse a última coisa que deveria ser dita nesse momento.

- Terá que se acostumar mano. Afinal, você é meu cunhado agora. – ele disse sorrindo.

Dudu fechou a porta novamente e encarou Matheus. Ele estava furioso, mas parecia que estava tentando se controlar. Eu fiquei quieta.

- C-como? – bufou ele.

- Cunhado! – exclamou Matheus. – Eu e a Duda estamos namorando.

- Desde quando? – ele me olhou com uma cara de “te odeio”.- Desde agora. – respondi abaixando a cabeça.

- Legal. – e ele saiu do quarto.

Droga, droga, mil vezes droga. Por que o Matheus tinha que contar pra ele assim? Por que ele tinha que entrar aqui bem na hora que o Matheus estava me beijando? Droga, droga, droga. Talvez o Emilio tenha razão. Eu e Eduardo nos amamos. E olha a merda que eu acabei de fazer. Ok, Duda. Você e o Dudu se amam, mas vocês são irmãos. Talvez você tenha feito a coisa certa ao aceitar o pedido do Matheus.

- Nossa. – resmungou Matheus. – Não esperava que ele fosse reagir assim.

- Eu esperava. – falei chorando.

- Por que você tá chorando Duda? – ele enxugou minhas lágrimas.

- Eu não podia ter feito isso com ele. – não conseguia controlar o choro.

Matheus me abraçou e disse:

- Vou lá conversar com ele e já volto. — e saiu do quarto.Pouco depois que Matheus saiu, vi que alguém abriu a porta, levantei a cabeça para olhar quem era.

- O que você está fazendo aqui? – era a Mary.

- Vim ver como você está. – disse ela com uma cara triste.

- Consciência pesada? – perguntei.

- A minha não. – respondeu ela. – Talvez o Eduardo esteja.

- Como assim? – do que essa vaca estava falando?

- Duda, como você é ingênua. – falou ela dando uma risada irônica.

- Não entendi. – eu não estava entendo mesmo.

- Sabe por que eu te empurrei da escada? – ela perguntou.

- Porque você é uma idiota. – acusei.

- Não. – ela deu um sorriso falso. – O Eduardo mandou.

- QUÊ? – gritei.

- Isso mesmo que você ouviu. – ela piscou. – Você acha que ele não desgrudou de você o tempo inteiro por quê? A consciência dele ficou pesada. Ele queria que fosse só uma brincadeirinha, ele não queria que você viesse parar aqui no hospital.

- Não acredito em você. – dei de ombros.

- O azar é seu. – ela revirou os olhos. – Cuidado pra ele não te jogar da escada da casa dele também.

Dizendo isso, ela saiu do quarto.

O Dudu não fez isso, eu não vou acreditar nela. Não vou.- DUDU NARRANDO -

A Duda me paga. Como assim namorar meu melhor amigo? Tinha que ser logo ele?

Agora que eu estou aqui, solteiro, ela vai atrás de outro? Tudo bem que eu sou irmão dela, mas poxa, a gente tava se dando tão bem, já tinha até dado uns selinhos nela, pensei até que pudesse rolar um namoro às escondidas. E é isso que ela faz comigo. Burro, burro, burro. É isso que você é Eduardo. Um burro.

Hoje eu conversei com ela e ela disse que não gostava dele, e agora está namorando ele? Legal.

Saí do hospital com a raiva tomando conta de mim e me sentei em um degrau da escada no estacionamento. Fiquei lá tentando organizar meus pensamentos, mas a única coisa que vinha à minha cabeça, era a cena do beijo deles. ARGH. Eu vou matar os dois.

- Calma, Eduardo. – alguém disse.

- NÃO! – gritei. – NÃO ME ACALMO.

- Mano, deixa eu me explicar. – olhei pra trás e era o Matheus. Ele veio e se sentou ao meu lado.

- Não acredito nisso. – revirei os olhos. – O QUE VOCÊ QUER?

- Shh. Não precisa gritar. – reclamou ele. – Mano, não sabia que você era ciumento assim.

- ESCUTA AQUI MATHEUS DONADIO – gritei – SE VOCÊ NÃO QUISER LEVAR UM SOCO, SOME DAQUI AGORA!Mano, eu sou seu melhor amigo. – ele me olhou assustado. – O que deu em você?

- Já que você não sai, eu saio. – e foi o que eu fiz.

Mas pra onde eu iria? Saí andando no corredor do hospital feito um louco, eu precisava me acalmar ou alguma enfermeira ia me dar um sedativo agorinha. Tomei uma água e voltei para o quarto da Duda.

Quando abri a porta, vi que ela estava chorando, eu fiquei com vontade de ir até ela e saber o que tinha acontecido, mas me joguei no sofá e liguei a TV do quarto.

- Dudu? – chamou ela.

Eu não respondi, continuei olhando a TV como se não tivesse ouvido nada.

- DUDU? – ela gritou.

- Fala. – fiz pouco caso, continuei olhando a TV.

- A Mary acabou de sair daqui. – ela disse baixinho.

- HÃ? – corri até ao lado dela e segurei sua mão. – O que ela veio fazer aqui?

- Me contar a verdade. – ela voltou a chorar.

- Como assim? Que verdade? – perguntei confuso.

- Por que você fez isso Dudu? – ela perguntou.

- Duda, eu tenho ciúme de você ok? Você está namorando o meu melhor amigo, eu fiquei com raiva. – falei com calma.

- Não estou falando da sua crise de ciúmes. – ela revirou os olhos. – Estou falando sobre a escada.

- Escada? Hã? – agora sim que eu não tô entendendo nada mesmo.

- Eduardo, deixa de ser cínico tá? – ela soltou minha mão. – Eu achei que você ficou o tempo todo comigo porque você me ama. Mas não, você ficou o tempo todo comigo, só porque está com a consciência pesada.

- Duda, seja mais clara, por favor. – eu a encarei. – Não estou entendendo nada, de verdade.

- Eu já sei que você mandou a Mary me empurrar da escada. – ela fechou os olhos e voltar a chorar.

- EU O QUÊ? – gritei. – Então foi ela que te empurrou da escada?- Rá. – ela deu uma risada irônica. – Como se você não soubesse.

- Eu cheguei a pensar que ela fosse aprontar algo contra você, mas nunca imaginei que ela teria coragem de ir tão longe. – suspirei. – Duda, olha pra mim.

Ela abriu os olhos e me lançou um olhar furioso em meio às lágrimas.

- Duda, eu quis tanto te proteger. – segurei a mão dela novamente. – Eu divido o meu quarto com você, Duda. Por que diabos eu ia fazer algo contra você se a gente sempre se deu tão bem?

- Talvez seja por isso. – ela fez uma pausa. – Agora que eu estou aqui, o quarto é só seu.

- Tudo bem. – eu suspirei fundo. – Acredite no que você quiser. Eu não vou falar mais nada.Saí do quarto revoltado. Como que a Duda pode pensar isso de mim? Logo de mim que sempre tentei proteger ela, fiquei a noite toda aqui, não a deixei sozinha. Dei até pêra pra ela comer, fiz aviãozinho. QUE INGRATA. ISSO QUE ELA É. Mas tô nem aí, vou pra casa que eu ganho mais.- DUDA NARRANDO -

Depois que o Dudu saiu do quarto que eu fui perceber que ele tinha deixado alguma coisa no sofá. Com muito esforço me sentei na cama e vi que era o meu Ipod. Apertei o botão de emergência e a enfermeira chegou correndo lá.

- Algum problema, Maria Eduarda? – ela perguntou preocupada.

- Desculpa ter feito isso. – falei sem graça. – Eu só queria meu Ipod. – e apontei pro sofá.

A enfermeira sorriu, foi até o sofá pegar o Ipod e me entregou.

Liguei e lá estavam todas as músicas que eu gostava. Coloquei os fones, e fechei os olhos. Sentia a presença de alguém entrando e saindo do quarto várias vezes, não sei se era a mesma pessoa ou se eram pessoas diferentes. Só sei que a porta abriu e fechou umas cinco vezes, e todas elas eu fingi estar dormindo. Até que na sexta vez em que a porta foi aberta, resolveram me acordar.

- Duda? – alguém balançava meu braço.

- Oi? – abri os olhos e era Anne.

- Querida, você já recebeu alta. – ela disse sorridente. – Vamos pra casa?

- Sério? – perguntei triste. Eu não estava preparada pra dividir o mesmo quarto que o Eduardo de novo.

- Por quê? – ela perguntou séria. – Tá querendo ficar mais tempo aqui?

- Não. – droga. Eu queria ficar. — Podemor ir embora.Ela me ajudou a levantar, me sentou em uma cadeira de rodas e me levou até o carro. Lá Emilio pai nos esperava. Fomos juntos para casa.

Quando chegamos, Emilio pai queria me carregar, mas eu o convenci de que já estava bem para andar sozinha. Apesar de sentir meu corpo inteiro dolorido. Quantos degraus de escada eu devo ter rolado?