Caindo em Tentação

17 CAPITULO 17 – O MOMENTO MAIS ESPERADO


- Tô revolts. – falei fazendo um bico.

- Por quê? – Dudu me olhou revoltado.

- A desculpa que ele deu pra terminar comigo. – revirei os olhos. – E por telefone.

- Tenta ver pelo lado positivo, Dudinha. – ele mordeu o lábio. – Agora você pode ficar comigo.

- Você tá muito safadinho pro meu gosto. – brinquei.

Alguém bateu na porta de novo. ARGH. Como as pessoas gostam de nos atrapalhar.

- Posso entrar? – era Anne.

- Claro, mãe. – respondeu Dudu.

- Fui até a casa da Paola. – ela disse zangada.

- E aí, como foi lá? – perguntei.

- Ela mora só com a mãe, os pais dela são separados. – Anne revirou os olhos. – E não conseguimos resolver nada.

- Como assim? – perguntou Dudu.

- A mãe dela é louca. Conversamos com ela e ela disse que se a Paola fez o que fez, é porque ela teve motivo. E que não ia fazer nada pra impedir a filha dela de causar algum mal à Duda. – o queixo dela caiu no chão.

- Nossa. – foi só o que eu consegui dizer.

- Eu avisei que não ia adiantar. – Dudu cruzou os braços.

- Pois é Dudu. – Anne suspirou. – Mas já fui até o colégio, e ordenei que te colocassem na mesma sala que a Duda. Agora você será responsável por não deixar que nada aconteça a ela.

- SÉRIO? – Dudu gritou de empolgação e me abraçou. – Pode deixar mamãe. Eu vou cuidar muito bem dessa menina aqui.

- Ótimo. – Anne sorriu e saiu do quarto.

Dudu estava todo sorridente. Nunca tinha o visto tão feliz.

- Posso saber por que tanta felicidade? – perguntei.

- Mano, desde que começou o ano que eu sou louco pra mudar de turma. – ele comemorava. – Agora eu consegui.

- E por que não mudou antes? – fiquei confusa.

- Nossa mãe. – ele fez uma pausa. – Ela não queria que eu ficasse na mesma sala que o Hector e o Matheus. Mas agora eu estou. – ele sorriu.

- Ah. – fiquei triste.

- Ué. Por que você ficou triste? – ele parou de comemorar.

- Achei que você estava feliz assim, porque ia ficar na mesma sala que eu. – fiz bico.

- ÔÔÔ! – ele acariciou meu rosto. – Saber que eu vou ficar na mesma sala que você também, me deixa mais feliz ainda.

- Sei. – falei desconfiada.

- É verdade. – ele sorriu.

- Tá. Eu acredito. – forcei um sorriso.

- DUDU NARRANDO -

Eu sou o cara mais feliz do mundo. Mudei para a melhor sala do colégio e agora a Duda tá solteira. Eu precisava comemorar, eu precisava dar uma festa.

- Eu já volto, amor. – dei um beijo no rosto dela e desci. – MÃEEE! – gritei lá na sala.

- Sua mãe acabou de sair, Dudu. – falou Joana.

- Droga! – reclamei.

Subi de novo e peguei o telefone sem fio. Duda ficou me olhando sem entender nada.

- Alô.

- Mãe, posso te pedir uma coisa?

- Claro, filho

- Posso fazer uma festa aqui em casa amanhã?

- Claro que pode. Mas precisava me ligar agora?

- Já tenho que começar a convidar o pessoal e comprar as coisas pra festa né?

- Entendo. Vê se não vai chamar muita gente.

- Tudo bem. Beijos, mãe. Te amo.

- Eu também. – e ela desligou.

Levei o telefone de volta à sala. Peguei um papel e uma caneta e subi.

Quem você quer eu chame pra festa? – perguntei à Duda.

- É mais fácil dizer que eu NÃO quero que você chame. – ela sorriu.

- Paola? Marina? Beatriz? Pedro? Jéssica? – perguntei.

- Exato. – ele piscou. – Não quero nenhum desses aqui.

- Tudo bem. – sorri. – Eles não serão convidados.

Coloquei o nome de todos que eu conhecia no colégio, depois fui até o quarto do Emilio e perguntei se ele queria que eu chamasse alguém, ele me passou o nome de umas 3 pessoas da sala dele e só.

Comecei a ligar para todos da lista, convidando para virem aqui em casa amanhã às 18:00h. Todos estavam confirmando a presença, a festa ia bombar.- Duda, vamos ao mercado comigo? – perguntei depois de convidar todos que eu queria.

- Claro. – ela levantou da cama e foi até o banheiro, provavelmente trocar de roupa.

- Quer ajuda? – perguntei do lado de fora.

- SIM! – gritou ela destrancando a porta. – Abotoa pra mim? Não to conseguindo.

- Claro. – sorri. Ô tentação.

Abotoei a calça dela e descemos. Pedimos para Carlos nos levar até o mercado.

Chegando lá, comprei carne, carvão, refrigerante, cerveja, vodka, suco. Sim, vamos beber muito. Paguei a conta com a minha mesada da semana e voltamos para casa.

- Pelo jeito todo mundo vai ficar bêbado amanhã. – resmungou Joana guardando tudo em seu devido lugar.

- Ah Joana, nós sabemos beber com moderação. – sorri.

- É, eu imagino. – ela falou ironicamente.Fui até a despensa, peguei dois pacotes de bolacha negresco, fui até a geladeira e peguei uma coca cola e subi para o meu quarto. Duda já estava lá, jogada na cama feito uma morta.

- Ê, mas que preguiça é essa? – brinquei.

- Ah, vai cagar Dudu. – resmungou ela.

- Grossa. – fiz bico. – Trouxe um lanchinho pra gente.

- AAAAAAAA – ela gritou. – NEGRESCO.

- Sim, negresco. – pisquei.

- Eu amo essa bolacha. – os olhos dela brilhavam.

E pelo jeito, ela ama mesmo, porque comeu um pacote todo sozinha e depois ainda queria comer do meu. Comemos e depois ela pediu que eu a ajudasse a entrar na internet.

- Duda, você quebrou o braço, não os dedos. – brinquei.

- CREEEDO DUDU. – ela gritou. – Deixa que eu me viro então.- Tô brincando boba. – me levantei e peguei o notebook dela.

Liguei, abrimos o Orkut dela e tinha um pessoal do colégio adicionando ela. Aceitei todo mundo.

- Tá ficando popular hein!? – brinquei.

- Claro. Eu sou irmã dos dois meninos mais gatos do colégio. – ela revirou os olhos. – Todas querem ser minha cunhada.

- Mas um irmão seu não está livre. – mordi o lábio.

- É verdade. O Emílio tá ficando com a Yasmin. – ela sorriu.

- Não me referi ao Emílio. – revirei os olhos. – Tô falando de mim.

- Hum. – foi só o que ela disse.Continuamos olhando o Orkut dela. Tinha uns recados antigos, das amigas dela desejando melhoras. E uns depoimentos pendentes que eu deixei para ler por último. Um era do Pedro e o outro era da Jéssica.

O do Pedro dizia: “Começou a namorar o Matheus sem nem terminar comigo antes? Poxa, não esperava isso de você. Boa sorte com seu novo namorado.”

O da Jéssica dizia: “Precisamos conversar. Sinto falta de você. Quero voltar a ser sua amiga. Por favor?”

- Povo chato. – resmungou Duda.

- Vai querer responder? – perguntei.

- Sim. – ela fez uma pausa. – Digita aê...

Ela foi ditando e eu fui digitando. A resposta para o depoimento do Pedro foi: “Pior é você que fica com a minha melhor amiga e ainda pagava de melhor namorado do mundo. Adeus Pedro, me esquece por favor.”

A resposta para o depoimento da Jéssica foi: “Tudo bem. Liga aqui em casa qualquer dia desses que a gente conversa. Beijos.”

- Você é bem insensível hein?! – zombei.- Ah Dudu. Insensível eu? – ele me olhou chocada. – Eu não preciso te lembrar o que eles fizeram comigo né?

- Não, não precisa. – sorri. – Quer ver mais alguma coisa na internet?

- Não. Pode desligar o notebook. – ela sorriu.

Eu peguei o notebook e deixei em cima da cama dela. Quando ia sentar na cama de novo, alguém bateu na porta.

- ARGH! – gritei. – Ninguém nos deixa em paz.

Abri a porta e era Joana segurando o telefone.

- É pra você. – e entregou o telefone pra mim.

- Alô?

- Oi meu amor.

- Err... Marina? – Não acredito que era ela.

- Sim. Que bom saber que você ainda reconhece minha voz.

- Rá. – ri ironicamente.

- Então, fiquei sabendo que você vai fazer uma festa na sua casa amanhã.

AH MERDA. COMO QUE ELA FICOU SABENDO? – pensei comigo.

- Vou sim.

- Esqueceu de me convidar?

- Na verdade Mary, seu nome não está na lista.- O QUÊ? – ela gritou.

- Não precisa gritar. Eu não sou surdo.

- EDUARDO SURITA – ela gritou de novo – EU VOU NESSA FESTA, VOCÊ ME CONVIDANDO OU NÃO.

- Pode vir. Mas já vou avisando que você não é bem vinda.

- Estarei aí amanhã amorzinho. Beijos – e desligou.

O que ela tá pensando? ARGH. Que raiva dessa menina.

- O que a Mary queria, Dudu? – perguntou Duda depois que eu desliguei.

- Ligou pra falar da festa. – revirei os olhos. – E que mesmo não sendo convidada, ela vem. ARGH. – bufei de raiva.

- ARGH digo eu. – Duda ficou com irritada.

- Calma meu amor. – me aproximei dela. – Vou fazer de tudo para que ela se arrependa de ter colocado os pés aqui.

- Eu acho bom. – ela sorriu, como se estivesse tramando alguma coisa.- DUDA NARRANDO -

Quem essa Mary pensa que é? Se auto-convida para vir à festa. Ai que raiva. Mas ela vai se arrepender de vir nessa festa. Ah, se vai.

- Vou levar o telefone lá embaixo e já volto. – falou Dudu.

- Melhor deixar aqui em cima. Sabe-se lá quando vão ligar de novo. – revirei os olhos.

- Verdade. – ele sorriu e deixou o telefone em cima da cama mesmo.

E adivinha só? Tocou de novo.

- Alô. – Dudu atendeu irritado. – Só um minuto.

Ele me entregou o telefone e ficou me encarando durante a ligação inteira.

- Alô? – atendi curiosa.

- Oi Duda.

- Quem é? – não reconheci a voz.

- A Jéssica. – ela suspirou. – Acabei de ler seu depoimento.

- Ah, claro.

- Eu acho que o que temos para conversar, é melhor ser resolvido pessoalmente.

- Aham. – concordei.

- Fiquei sabendo que vai ter uma festa aí amanhã. Posso ir?

AVE MARIA. ESSE POVO TÁ MUITO OFERECIDO PRO MEU GOSTO.- Não sei se uma festa é um bom lugar para conversar. Mas se quiser vir – fiz uma pausa -, fica a vontade.

- Tudo bem. Eu vou. Até amanhã.

- Até. – e desliguei.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Dudu já me interrompeu.

- O que ela queria? – ele cruzou os braços.- Se ofereceu pra vir à festa. – revirei os olhos. – Que povo oferecido. Meu Deus.

- E você deixou ela vir? ARGH. – ele ficou irritado.

- Ah, claro. A Mary pode vir e a Jéssica não?! – eu fiquei mais irritada ainda.

- Tá, esquece. – ele sorriu. – Não quero discutir com você, amor.

Já disse que ele é perfeito, fofo, lindo, romântico e que eu amo ele? Ah, claro que eu já disse.

- Eu te amo, seu lindo. – e acariciei o rosto dele.

- Eu também te amo, sua feia. – e acariciou meu rosto.

- Você tem que estragar o clima. – eu ri.- Quem? Eu? – era uma voz diferente.

Quando olhei pro lado, era Emílio. Como ele entrou no quarto sem que eu e Dudu percebêssemos?

- ARGH. Merda, merda, mil vezes merda. – reclamou Dudu.

- Calma mano, eu não queria estragar o clima. – brincou Emílio.

- Fala logo o que você quer mano. – resmungou Dudu.

- Nossos pais chegaram e mandaram chamar os dois pombinhos para jantar. – ele piscou.

- Emílio, para de falar assim ok? – eu disse.

- É mano. Para mesmo. Vai que nossos pais escutam. – falou Dudu.

- Tá, tá. Vamos jantar logo. – dizendo isso, Emílio saiu do quarto.

- A melhor parte fica pra depois. – Dudu segurou minha mão e me puxou para fora do quarto.

Err... o que ele quis dizer com “a melhor parte”? É claro que eu sei do que ele tá falando. Mas preferi me fazer de desentendida.

Descemos para jantar.Amanhã cedo não vamos trabalhar. – avisou Anne.

- Por que, mãe? – perguntou Emilio.

- Resolvemos fazer plantão. – ela fez uma pausa. – Para não estarmos em casa durante a festinha de vocês.

- SÉRIO? – Dudu gritou de empolgação.

- Sério ué. – Emilio pai revirou os olhos. – Ou vocês acham que nós vamos ser daqueles pais chatos que ficam nas festas vigiando todo mundo.

- Caraaaaca. Vocês são os melhores pais do mundo. – Dudu levantou e deu um beijo no rosto dos dois.

- Para com isso filho. – disse Anne. – É claro que nós temos uma condição.

- Qual é? – perguntaram Emílio e Dudu juntos.

- Fiquem só fora da casa, na parte da piscina, POR FAVOR. – Anne deu ênfase. – Não quero bagunça aqui dentro de casa.

- Fica tranquila mãe, cuidaremos disso. – Emílio disse todo feliz.

Terminei de comer, levei meu prato até a cozinha, dei boa noite aos meus pais e subi. Fui até o banheiro, tomei um banho, escovei meus dentes e vesti minha camisola. Saí e vi Dudu sentado na cama todo sorridente.

- Já pro banho, garoto. – brinquei.

- Tô indo mãe. – e ele entrou no banheiro.

Peguei meu Ipod, deitei na minha cama e comecei a ouvir músicas. Fechei meus olhos, o sono estava chegando, mas eu não ia dormir antes que o Dudu saísse do banho.

Ele saiu do banheiro só de cueca. Eu fiquei chocada com a cena, mas não falei nada. Foi até a porta e a trancou. Depois foi até o guarda-roupa dele e pegou uma bermuda, vestiu e se deitou na cama dele.

COMO ASSIM? – pensei comigo. ELE NÃO VAI NEM ME DESEJAR BOA NOITE?

Fiquei revoltada e fechei os olhos de novo. Escutei vozes ao fundo e resolvi tirar o fone.

- Ô surda – Dudu disse -, tá esperando o que pra vir deitar aqui comigo?!

- Tava esperando você chamar, ora. – revirei os olhos.Me levantei e fui até a cama dele.

- Eu preciso te chamar toda vez? – ele me encarou. – Você sabe que agora é lei nós dormirmos juntos.

- Por pouco tempo. – fiz bico. – Não se esqueça que meu quarto fica pronto logo.

- Argh. Não precisa lembrar. – ele fez bico também.

Eu me deitei ao lado dele e ele me abraçou.- Posso? – ele perguntou sorrindo e olhando nos meus olhos.

Sinto que fiquei mais vermelha que um tomate. Eu não conseguia responder, fiquei sem palavras, então apenas balancei a cabeça que sim. Ele foi se aproximando lentamente de mim e me deu um selinho.

Só isso? — pensei comigo.

- Tanto tempo esperando por isso e agora eu não sei como fazer. – reclamou ele.

- Como assim não sabe? – perguntei confusa.

- Tenho medo que você não goste do meu beijo. – e fez um cara tão diferente, que eu não conseguia saber se ele estava triste, com medo, feliz ou assustado.- E por que eu não ia gostar do seu beijo? – perguntei confusa.

- Não sei. – ele se sentou. – Vai que você pensa “O Matheus beija melhor”. – falou tentando imitar a minha voz.

- Dudu – eu segurei o rosto dele para que ele olhasse pra mim -, o Matheus beija bem. Mas e daí? Não é ele quem eu amo.

- Você me ama mesmo? De verdade? – os olhos dele brilhavam.

- Lógico que eu amo. – revirei os olhos. – Não vou mais repetir isso.

- Tudo bem. – ele sorriu. – Eu acredito que você me ama.

Ele respirou fundo, deitou-se novamente e foi se aproximando lentamente. Ele deu uma mordida no meu lábio inferior e começou a rir.

- Isso não vai dar certo. – resmunguei. Ele ia ficar com graça agora? Argh. Que raiva.

- Vai sim. – ele falou sério.

Se aproximou de mim novamente e me deu O beijo. Fiquei completamente imóvel enquanto as mãos dele pegavam meu rosto e seus lábios encontravam os meus com ansiedade. Meus braços já estavam em seu pescoço, então agarrei seus cabelos – ignorando a pontada de dor na mão direita. O beijo foi daqueles de tirar o fôlego. Se o Matheus beija bem, como posso definir o beijo do Dudu? Ótimo? Perfeito? Fantástico? Não sabia uma palavra certa para definir o que eu estava sentindo agora.

Acho que já devem fazer uns cinco minutos que nós estávamos beijando. Eu já estava sem ar – e eu não to exagerando. E pelo jeito ele também tava, porque ele parou o beijo e respirou fundo.

- Nossa. – foi a única coisa que eu consegui dizer.

- O que? – ele perguntou assustado.

- QUE BEIJO! – falei empolgada.Ele riu sem graça e me deu outro beijo. Quando este terminou, ele me olhou nos olhos.

- E aí?! – ele falou e mordeu o lábio.

- E aí, o que? – não tinha entendido.

- Tô aprovado? – ele ergueu uma sobrancelha.

- A verdade é que... – fiz uma pausa – Se eu soubesse que você beijava tão bem, já tinha te beijado faz teeeempo. – e ri.

- Digo o mesmo. – ele riu. – Devia ter te agarrado a força.

- Por que não agarrou? – perguntei chocada.

- Você ficava dando uma de fiel. – ele revirou os olhos.

- Ah, mas eu tava doida pra te beijar. – pisquei pra ele.

- Ô danada. – brincou ele e me puxou para outro beijo de tirar o fôlego.

Depois que já estávamos cansados de tanto beijar, Dudu levantou e foi destrancar a porta. Deitou-se de novo, e me abraçou. Acho que menos de dois minutos se passaram e eu já estava dormindo.