Caged

1 Prologue


Vazio; talvez não exista nenhuma palavra melhor para descrever esses dois últimos anos. Depois da morte dele, Minato Arisato, para impedir a Queda, todos resolvemos seguir em frente. Esquecer o passado e seguir em frente, foram as palavras que eu disse para mim mesma. Mas quando eu paro para pensar, tudo não passou de uma mentira. Desde a minha decisão de esquecer o passado até a matrícula naquele intensivo para o vestibular. Não se pode esquecer o passado, as únicas opções são enfrentar e aceitá-lo, ou olhar para o outro lado, para o Jardim do Éden que acoberta todas as dificuldades que enfrentamos na vida.

Eu escolhi a segunda opção. Sem perceber, coloquei uma nova máscara para esconder o que eu estava realmente sentindo. Todos nós sentíamos falta dele. Todos nós culpávamos nossa falta de poder para fazer qualquer coisa que impedisse aquela tragédia, e ainda assim, continuávamos sem a força necessária para admitir aquilo. Tentamos enganar a nós mesmos por tanto tempo. Nós, que um dia tivemos a coragem de encarar a pessoa refletida no espelho, de aceitar a nós mesmos sem todas as máscaras que nos tornavam “perfeitos”.

Essas mesmas pessoas decidiram tomar o caminho mais fácil em mais uma das encruzilhadas que a vida nos apresentou. E foi assim que descobrimos, naquele 31 de março, a verdade por trás de Nyx... não, a verdade por trás de nós mesmos. Sombras — os “monstros” que tratávamos como uma aberração criada pela experiência de um cientista louco, ou talvez criaturas alienígenas que resolveram invadir a Terra, — nada mais eram do que uma parte de nós mesmos. Aqueles desejos reprimidos no fundo de nossos corações, os quais nunca tivemos a coragem de aceitar, por algum motivo eles tomavam forma e atacavam as pessoas que um dia Despertaram para suas Personas.

Personas não eram muito melhores que as Sombras, essencialmente elas eram a mesma coisa: parte de nós. Esses eram nossos egos, as inúmeras máscaras que utilizamos durante toda nossa vida para enfrentar o mundo. E foi com elas que nós lutamos contra os desejos da humanidade até o fim.

Ainda me pergunto se foi justo; um grupo de pessoas egoístas tentando impor seus desejos de “viver”, enquanto toda a humanidade — nós, inclusive, — buscava uma mentira doce, o belo e eterno sonho do Jardim do Éden. Não seríamos nós os vilões, por trazer tristezas, desespero, dor e, mais do que isso, por ir contra aquilo que todos desejavam no fundo de seus corações?

Se o Stupei estivesse aqui, agora, ele certamente diria que fomos os heróis. Que merecíamos uma página especial ao lado de Joana D’Arc ou do Rei Artur. Bem, o mais provável é que ele dissesse algum personagem dos vídeo-games, como Maya e Tatsuya, mas isso não muda o fato de que ele continua acreditando que fomos os heróis. A “rainha de gelo” provavelmente diria que isso foi necessário. Talvez ela passasse um bom tempo explicando sobre a humanidade com exemplos de figuras históricas que fizeram o mesmo. Quanto a mim, Yukari Takeba, eu ainda não decidi. Tanto tempo pensando sobre isso e eu não consegui chegar a nenhuma conclusão. Herói, vilão, nenhum dos dois, ou talvez, quem sabe, os dois ao mesmo tempo? Se ele estivesse aqui, eu me pergunto qual seria a resposta dele.

Notas finais
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E se você jogou Persona 2: Innocent Sin, deve ter entendido a parte de Maya e Tatsuya :3 Se não jogou, jogue. É interessante e milhares de vezes mais difícil que P3 e P4 juntos (que são até bem facéis para um jogo da Atlus). Só não tem Dating Sim, mas você pode seduzir os demônios do jogo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.