Cafés e Gatos
3 Capítulo 03
Theo e Beatriz acabaram se encontrando para irem de ônibus até a casa de sua prima, Ivana. Mesmo não morando tão longe, a garota insistiu para que fossem dessa forma. Ele tinha certeza de que ela não queria se atrasar para o que estivesse planejando fazer depois da "leitura do futuro".
A casa pintada de roxo se sobressaia na vizinhança devido a sua cor e diversidade de plantas espalhadas pela frente da casa. Era um furacão de cores verdes, amarelas, brancas e vermelhas, porém lindo de se admirar. Até mesmo haviam pequenos cactos em um muro.
A porta da casa se abriu e uma menina de cabelos cacheados com a lateral direita raspada surgiu usando um chale rosado. Mas o que chamava mesmo a atenção era a maquiagem, como se estivesse pronta para alguma festa e as pequenas estrelas douradas próximas dos olhos. Ela abriu um sorriso quando os viu e foi rapidamente abrir o portão.
— Se não é minha priminha preferida! — disse Ivana a abraçando. — Que bom que manteve sua palavra e veio. Já estava cansada de ler o futuro das minhas plantas. Não tem dado certo.
— Sou a única prima que você conhece, garota! E duvido que suas orquídeas farão alguma coisa diferente de ficar imóvel, com o vento batendo nelas.
— E olha você, Theo! Há quando tempo não nos vemos! Você não mudou quase nada desde a época da escola. Nem o corte de cabelo!
— E você mudou bastante. Até resolveu colocar piercing no nariz! — ele retrucou a observando melhor. Ela também havia feito tatuagens nos braços.
— Estamos na fase de nos encontrarmos, não é mesmo? Mas vamos entrando antes que a dona Lourdes comece a olhar pela janela. Acredita que essa velha fofoqueira disse para a minha mãe que fiz uma orgia aqui dentro? — disse enquanto observava a janela da vizinha da frente. Quando notou que uma cabeça espiava por trás das cortinas, acrescentou gritando: — Mal sabe ela que estava pegando a neta dela! — e continuou em um cochicho: — Não, eu não peguei ninguém. Só quero irritar essa mulher.
O interior da casa era menos florido e menos pessoal. Alguns móveis de cores brancas ou tons de marrom, poucas fotos espalhadas por porta-retratos e um tapete peludo. Quando entraram, um gato preto curioso surgiu para observa-los, antes de virar o focinho para outro lado e se afastar com um andar majestoso.
O quarto da garota, por sua vez, era mais decorado. Repleto de pôsteres de bandas nas paredes e almofadas na cama. No teto, estrelas e luas fluorescentes haviam sido coladas e uma trepadeira sintética pendurada em algumas partes do quarto. Um tapete felpudo enfeitava o chão, onde uma mesa pequena estava posicionada no centro com um baralho de cartas em cima dela. Theo não deixou de reparar nas duas estantes repletas de livros, figuras de gatos de vidro, globos de neve, uma réplica em miniatura do Big Bang.
— Por favor, sentem. E obrigado por terem vindo! Antes de qualquer coisa, querem uma água? Um vinho? — os dois negaram.
— Já que sair daqui bêbada, menina?
— Nunca se sabe, não é?
— Você também vai para uma festa? — questionou Theo.
— A mesma que vocês! Será a comemoração de aniversário da minha amiga!
Ivana pegou seu celular e conectou à uma caixa de som, de onde uma música suave com uma citara indiana começou a tocar. Depois, pegou um incenso e o acendeu, balançando-o acima da cabeça, de olhos fechados.
— Ótimo, podemos começar com isso. Preciso apenas respirar um pouco, me conectar com meu terceiro olho.
— Teria que ficar pelada para ele ver alguma coisa, Ivana.
— Muito engraçada, palhaça. Já pensou em seguir uma carreira no circo?
— Foi isso que as cartas mostraram? Finalmente encontrei minha vocação?
— Limpa, limpa, limpa! Limpa toda a negatividade dessa criatura — disse a garota voltando a fechar os olhos. Respiro fundo algumas vezes antes de abrir os olhos e pegar um baralho da estante ao lado. — Primeiro preciso que você embaralhe as cartas. Vamos deixar que elas se encontrem com o seu futuro!
— Onde mesmo que você aprendeu a ler cartas? — questionou Theo.
— Estou aprendendo em um curso online que encontrei. Tem sido muito bom e barato! Em breve comprarei um para aprender a ler borra de café.
— Tudo bem, vamos lá — Bia embaralhava as cartas, enquanto observava Ivana olhar o celular para ler algo. Depois colocou as cartas na mesa. — O que faço agora?
— É agora que a minha mágica acontece! — a garota fechou os olhos e voltou a respirar fundo. Theo já não sabia se aquilo fazia parte ou se ela estava nervosa e tentando se acalmar. Sua mão tocou o baralho e puxou a primeira carta do topo, colocando-a virada para cima sobre a mesa. Fez o mesmo movimento mais duas vezes, posicionando-as lado a lado da direta para a esquerda. A primeira mostrava uma pessoa com uma trouxa, seguida por um cachorro, a segunda mostrava uma torre e a terceira uma pessoa pendurada por uma corda de cabeça para baixo. Ivana fez uma careta. — Muito bem. O louco, a torre e o enforcado!
— O que isso significa? Que vou morrer em uma torre, enforcada e sendo trouxa? — perguntou Beatriz rindo, mas olhando para as cartas com grande interesse.
— Bem... Como eu posso dizer isso? Eu prevejo caos na sua vida! Talvez uma mudança radical. Eu diria que a vida vai te levar pra essas mudanças. Algo que vai fazer sua vida ficar de cabeça pra baixo! Mas aí vai ser o momento de você respirar fundo e se acalmar. Só assim você terá uma luz pra te guiar no meio de toda a confusão.
— Espera aí! Você está dizendo que vou sofrer ainda mais na vida? Nossa, que ótimo! Até as cartas sabem que estou perdida!
— Você passará por dificuldades e talvez o seu pior momento, mas existe uma saída para isso e você só conseguirá fugir dessas dificuldades se começar a observar por outro ângulo, e não apenas ver o que está a sua frente.
— Ótimo! Tudo o que eu precisava... — disse Beatriz, debochando. — Pelo menos não foi uma morte terrível.
— "Morte" foi a previsão de um dos meus cactos. Ele secou no dia seguinte depois que li o futuro dele.
— Agora é sua vez, Theo. Tente não secar e morrer como um cacto — disse Beatriz puxando o garoto para mais perto.
— Quando estiver pronto — disse Ivana indicando as cartas. Relutante, ele pegou o baralho e fez o mesmo processo. Embaralhou as cartas com cuidado e depois as colocou de volta na mesa, para que a vidente em treinamento pudesse tirá-las. A primeira carta mostrava a morte, com sua temível foice. A segunda, por sua vez, eram duas pessoas trocando corações e a terceira mostrava uma pessoa guiando uma biga. — A morte, os amantes e o carro...
— Parece que a morte dolorosa veio para você — sussurrou Beatriz de um jeito teatral e dramático.
— Você pode até não morrer, mas eu vou!
— A morte não quer dizer exatamente "morrer". Pode representar início de novos ciclos e o término de outros. Olhando aqui... — Ivana olhou novamente para seu celular, procurando alguma coisa. — Acho que... Você vai encontrar o amor da sua vida!
— Espera aí! Enquanto eu tiro uma torre e sofro, ele tira a morte e encontra o amor da vida dele? Parece injusto. Privilegiado!
— Vai ver trocamos de energia e eu peguei o seu futuro! — disse Theo, rindo. Tudo parecia muito inacreditável para ele.
— As cartas não erram! — exclamou Ivana. — Tem alguém esperando pra te conhecer. E você vai passar por uma transformação. Se livrar de coisas ruins que te perseguem, mas vai ter que trabalhar duro pra alcançar seus objetivos. Caso contrário, sua carroça vira e você se perde de novo no caminho.
— Que tipo de vidente é você, prima?
— Alguém muito poderosa que jogará uma maldição em você se continuar duvidando de minhas habilidades! — a garota se levantou e guardou as cartas, além de parar a música. — Mas o futuro fica para amanhã! Hoje iremos aproveitar e mexer esses corpinhos gostosos!
***
Os três desceram de um carro de aplicativo em frente a uma balada com um grande letreiro em neon escrito "Sorriso da Donzela". Theo olhou para aquilo desconfiado, ouvindo o som abafado vindo de dentro do local. Foram até a pequena fila formada na entrada e aguardaram para sua vez.
— Achei que fosse uma comemoração de aniversário... — disse o garoto.
— E é! Ela só resolveu fazer aqui, nada demais — respondeu Beatriz, tentando dar uma sorriso tranquilizador.
— E o lugar é ótimo e tranquilo. Você vai gostar, com certeza!
Ao entrar, viram que o lugar estava movimentado. Em uma das pistas, algumas pessoas se arriscavam a cantar bêbadas e desafinadas no palco, com seus copos de bebida dividindo espaço com o microfone. O público gritava, ria ou aplaudia diante das diferentes performances.
O trio cruzou pelas mesas até encontrar uma no canto, próxima de onde ficava o banheiro e com uma boa vista para o palco. Uma garota loura, acompanhada por um pequeno grupo, deu alguns saltos animada quando os viu.
— Vocês estão lindas! — ela gritou, abraçando cada uma delas.
— Sempre, meu amor — disse Ivana, sorrindo.
— E você deve ser o Theo, certo? — seus olhos olharam o menino de cima a baixo. — Olha como ele é fofo! Prazer, eu sou a Glenda! Pode aproveitar e pedir o que quiser! Hoje é meu dia e estou pagando!
— E essa é a minha deixa para sair e encher a cara! — seguida por Glenda, Ivana foi até o bar.
— Ei! Eu já volto! — disse Beatriz tentando falar por cima da música.
Era um pouco intimidante ficar sozinho naquele lugar, com tanta gente ao redor, mesmo que ninguém o notasse. Ficou observando um casal no palco cantando uma música da Lady Gaga, mas impossível de distinguir a letra pelo jeito embolado que cantavam. Só estava claro que cantavam "Bad Romance" devido a melodia. "Será que estão tentando cantar em francês?", se perguntou colocando um sorriso nos lábios.
A música acabou pouco tempo depois e duas amigas subiram para cantar "I Kissed a Girl" da Katy Perry, enquanto tentavam sensualizar e falhavam, cambaleando. Uma delas caiu sentada derrubando o copo de cerveja na roupa. Nesse momento as pessoas gritavam animadas para encorajar as duas.
Forçando caminho por entre as pessoas e acompanhada por dois garotos, surgiu Bia. Ela o entregou uma das garrafas de chopp de vinho e parou ao seu lado.
— Quase derrubaram cerveja em mim! — falou quase gritando. E depois apontou para os dois garotos. — Esse é o Alex, o menino que comentei contigo outro dia. E esse é o amigo dele, Yan.
Theo acenou com a cabeça para ambos e apertou suas mãos, antes de lançar um olhar que sua amiga fez questão de desviar e fingir não notar. Yan se aproximou para ficar ao seu lado. Ele era um pouco mais alto e deveria frequentar academia com grande regularidade. Seu nariz dava a impressão de que já havia sido quebrado anteriormente, mas nenhum outro detalhe chamava mais atenção do que o cabelo perfeitamente no lugar como se tivesse sido lambido por uma vaca.
Enquanto tentava manter uma expressão neutra, bebia seu chopp amaldiçoando todas as futuras gerações de sua amiga por colocá-lo naquela situação desconfortante. Olhou para o lado e viu que Bia já estava com o rosto muito próximo de Alex e os dois conversavam esquecendo do mundo ao redor.
— O pessoal daqui tem um gosto estranho para música, não é? — disse Yan, aproximando seu rosto para ser ouvido.
— É, claro — concordou sem jeito. Como iria dizer que gostava de "Mamma Mia" do Abba para alguém que acabava de dizer que a música era estranha. — Mas é legal como dá para viajar por todos os tipos de gostos musicais aqui.
— É, sem dúvidas. Mas e você? Vai cantar algo hoje?
— Ah, eu? Não, acho que vou ficar aproveitando minha bebida.
— A gente podia cantar algo juntos, o que acha? Sua amiga disse que você adora cantar, não é? Que tipo de música você ouve?
— Acho que fico mais na música pop ou em indies que ninguém conhece.
— Ah, é legal.
— E você? O que gosta de ouvir?
— Sei lá. Acho que fico mais nas músicas eletrônicas. Na academia toca bastante.
— Então você malha? — perguntou Theo.
— Sim. E também sou personal trainer. E você? Faz algum exercício?
— Ah, é... Algumas maratonas.
— Então você corre?
Theo virou a garrafa, bebendo tudo com grande velocidade. Quando terminou, fez sinal de que iria ao bar e voltou minutos depois com mais uma garrafa. Tentaram conversar um pouco mais, porém nenhum assunto parecia se estender muito. Grande parte das vezes surgia uma pergunta genérica onde Theo tentava responder da melhor maneira possível e no final sentia que não tinha agradado com a resposta. Isso o deixava ainda mais desconfortável com a situação. Então resolveu tomar a decisão mais sábia que conseguiu pensar: bebeu para não falar.
Virava uma garrafa atrás da outra. Já deveria estar na quinta, quando Bia o arrastou para o palco e começaram a cantar "Don't Go Breaking my Heart" do Elton John. Depois cantou "Evidências" de Chitãozinho e Xororó com Ivana, que derramava lágrimas em seu ombro, trombou com um mal educado que lhe olhou com reprovação, saltou e quase caiu ao som de "Fireworks" da Katy Perry e, quando Yan voltou a tentar conversar com ele, Theo preferiu não falar nada. Começou a beija-lo sem pensar duas vezes, o que foi retribuído com a mesma intensidade.
***
Theo sentou-se em uma das mesas, com um sorriso bobo no rosto. Observava as pessoas dançando à música que o DJ colocava. Hora ou outra tocava algo interessante e ele dançava ali mesmo, sentado. Estava tão distraído que não reparou quando Beatriz se aproximou e sentou ao seu lado. Ela estava sorrindo.
— Parece que alguém está se divertindo bastante, não é?
— Eu estou bêbado! — respondeu Theo, sorrindo para ela. Sua cabeça balançava de um lado para o outro.
— Acho que dá para reparar! Mas e então? Está gostando?
— Foi legal cantar e dançar! Tinha um monte de gente estranha dançando perto de mim! A Glenda é muito chique! Ela fuma, sabia? Falei que fazia mal para o pulmão dela e ela riu. E a Ivana estava beijando ela! Achei que fossem amigas.
— Ai, Theo. Você é uma figura! E o Yan? O que achou dele?
O garoto estreitou os olhos e olhou por cima das pessoas na pista de dança. Demorou um pouco até conseguir avistar o que procurava.
— O Yan... Está beijando uma menina nesse momento!
— O que? Ah, Theo! Me desculpe...
— Tudo bem! Foi livramento! Ele tentou me agarrar quando eu estava saindo do banheiro e desde então resolvi fugir dele. Logo ele perdeu o interesse e parou de me procurar, foi quando conheceu a menina. O cabelo dela é muito lindo, sabia? Adorei — fez uma longa pausa, fechando os olhos e seguindo ao som da música. — Eu não queria nada com ele. Sentiu o cheiro dele? E ele beija estranho! Até mordeu minha boca e só sabia ficar falando sobre suplemento. Eu pensei que creatina fosse algo de passar no cabelo! Mas e você e o Alex? Como estão as coisas?
— Ah, o Alex beija bem e tem um corpo que me agrada. Porém nada além disso.
Ivana chegou dançando, o que contagiou Theo a fazer o mesmo sem sair do lugar. Ela se sentou, parecendo satisfeita.
— E qual é a fofoca da vez? Ai, gente! Fazia tanto tempo que eu não me divertia assim!
— Se divertindo até demais, né? Até parei de beber para poder ficar de olho em vocês dois!
— Olha ela! Tá pensando que é nossa mãe! — exclamou Theo, rindo.
— A mamãe sexy que fica agarrada em um homem gostoso na frente dos filhos? Onde já se viu? — brincou Ivana.
— Quero beber um pouco mais, mamãe!
— Nada disso! Bebida para você a partir de agora será apenas água! Nem mesmo está acostumado a beber! — respondeu Beatriz, se levantando. — Pode ficar de olho nele por um instante?
— E como está? Tudo bem? — perguntou Ivana quando a prima saiu em direção ao bar.
— Eu? Estou ótimo! Estou muito bêbado!
— Assim que é bom! — respondeu Ivana. — Deveríamos fazer algo assim mais vezes, não acha?
— No meu aniversário! Vamos vir e derrubar esse lugar!
— Cara... Eu te amo!
— Eu também te amo!
Os dois se abraçaram no momento em que Beatriz retornava com uma garrafa de água.
— O que deu em vocês dois hoje? — questionou entregando a garrafa para Theo. — Beba! Vai te deixar mais feliz.
— Será? — questionou enquanto abria a garrafa. Se atrapalhou um pouco e acabou derrubando um pouco em sua roupa. Beatriz pegou a garrafa de sua mão e o ajudou a beber. — Obrigado!
Alex se aproximou com uma lata de cerveja e foi até o lado de Beatriz. Ela se desvencilhou dele com facilidade e o encarou, com as sobrancelhas erguidas. Isso o fez rir.
— Vamos lá dançar mais um pouco, Bia!
— Desculpa. Agora não posso. Preciso cuidar do meu amigo.
— Deixa que o Yan cuida dele — retrucou Alex.
— Seu amigo está nesse momento cuidando de outra boca. Eu posso cuidar muito bem dele, não se preocupe.
— Pode ir, Bia — disse Theo com um sorriso tranquilizador. Tentou agir da maneira mais sóbria que conseguia. — Eu ficarei aqui, quieto. Não vou dar trabalho.
— Ouviu? Vamos lá! Ou vai me trocar por ele?
— Vou. Pode ir sem mim.
— Vacilo, hein!
— Vacilo, hein! — debochou Ivana, enquanto ele se afastava sem olhar para trás. Isso fez com que Theo caísse na gargalhada.
— É cada uma que me aparece... — resmungou Beatriz.
***
Beatriz olhou para as horas em seu celular e notou que já era manhã. A balada havia esvaziado bastante no decorrer da noite. Ela pegou Theo pelo braço e foi até sua prima acorda-la de seu sono profundo. Dormia sentada no canto, apoiada na parede.
— Acorda! Já é de manhã — disse a ajudando a se levantar.
Os três foram para fora do Sorriso da Donzela e pararam na calçada. Algumas outras pessoas estavam espalhadas ao redor, aproveitando o tempo para conversar ou chamando suas caronas para partirem. Beatriz pegou seu celular e começou a chamar um carro de aplicativo.
— Eu estou completamente morta! — exclamou Ivana, se espreguiçando. — Pelo menos foi muito bom, porém a ressaca chegará acabando comigo.
— Nem me fale. Minha cabeça ainda parece que está girando — disse Theo. Estava mais sóbrio comparado com antes, mas ainda se encontrava um pouco alterado e abobado. — Eu não sei como as pessoas conseguem ficar bebendo assim com tanta frequência.
— Mas nem todos bebem da maneira que você bebeu, né, Theo? — Beatriz o olhou, erguendo as sobrancelhas. — Estava bebendo como se sua vida fosse depender disso! Uma garrafa atrás da outra! Pelo menos tenta pegar mais leve da próxima vez.
— Acho que nunca mais vai ter próxima vez!
— Da maneira que você ficou lá dentro? Bem capaz de querer novamente. Ah! Um motorista aceitou. Vamos ter que atravessar a rua e...
Antes que Beatriz pudesse terminar sua frase, Theo começou a atravessar a rua sem se preocupar com nada. Notou tarde demais que algo estava vindo atropela-lo.
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