Notas iniciais
Olá pessoal. Mais um capítulo pra vocês. Com nossos cegos, digo, teimosos, digo... Damien e Taylor xDD Um imenso muito obrigada a Flower que fez uma recomendação linda e deixou eu e a Mila com sorrisões de orelha a orelha. E muito obrigada também a Ruth Echelon, Mateo lettore, Alexandre, UchihaMarina, Pattysouza, Mapa, Agridoce, imouto kawaii, Miyu, Utau_chan, lucy, kihchi, Leonardo, paozinhois, Flower, Hitoha Marui e DCC pelos reviews! Amamos cada um e é sempre muito importante pra nós esse feedback de vocês. No mais, boa leitura. Esperamos que gostem. Foi escrito com muito carinho.

Depois do lago, Taylor e Damien foram comer alguma coisa no pequeno restaurante do parque. A comida era simples, mas gostosa e quente, o que era muito bom em um dia frio. Taylor ficava repetindo a cena do lago minuto após minuto. Estava se sentindo confuso e, ainda, um tanto envergonhado. Será que Damien havia percebido a maneira como ficou nervoso com aquele contato?

O ruivo fez os pedidos pelos dois. O médico estava com tanta fome que comeria qualquer coisa, até porque tiveram de pedalar um pouco mais para chegar ao restaurante. No entanto valera à pena, porque a natureza era linda, assim com as montanhas bem próximas. Taylor sentia-se quase em outro mundo, tão acostumado estava a prédios, avenidas, carros e multidões.

Depois que a comida chegou, eles começaram a conversar amenidades, e o médico tirou aquelas caraminholas da cabeça. Damien estava agindo normal e, por isso, ele tratou de também agir da mesma forma. Estava exagerando e pensando demais, nada de estranho havia acontecido.

Em meio ao almoço, no entanto, um rapaz de vinte e poucos anos, que Taylor havia atendido na clínica por queixas de vertigem, se aproximou para cumprimentá-lo.

– Dr. Haustings! – Ele falou jovial. Tinha em torno da idade de Sam, era moreno e dono um jeitão todo amigável e espontâneo. – Que bom te ver!

– Jack, como vai? – Taylor sorriu e se levantou, apertando a mão do rapaz. – Você está melhor daquelas vertigens?

– Depois das manobras que você fez no consultório, eu nunca mais tive nada. É incrível! Pude voltar a escalar. – Empolgado, Jack deu um abraço surpresa em Taylor. – Eu nem sei como agradecer. Pensei que teria mesmo de parar de escalar. Meus pais achavam que eu tinha algum tumor no cérebro ou algo do tipo.

– Que bom que eu estava certo. – Taylor falou, sorrindo sem jeito quando Jack o soltou. Apesar disso, era muito gratificante receber um agradecimento tão sincero por fazer seu trabalho.

Já Damien bem que tentou ficar concentrado na própria comida e deixar o médico falar com rapaz, mas foi impossível ignorar quando o moreninho praticamente agarrou o médico com um abraço apertado. Aquele trequinho que estava em seu estômago resmungou alto querendo que ele arrancasse a sua companhia de perto de Jack. E aquilo era absolutamente ridículo: primeiro porque eles não tinham nada para que ficasse incomodado com um abraço, segundo porque nem ele e muito menos Taylor eram homossexuais para que no futuro eles possivelmente viessem a ter algo.

Mas o ruivo percebeu que Taylor estava incomodado com toda a atenção de Jack então, por isso e somente por isso, levantou, pigarreou para chamar a atenção e estendeu a mão para cumprimentar o rapaz. Ele apertou a mão do moreno com mais força do que o necessário quando ele aceitou o seu cumprimento.

– Oi. Eu sou o Damien. Nós estávamos almoçando. – Disse na maior cara limpa do mundo.

– Ah! Que falta de educação a minha. – Jack sorriu culpado e coçou a nuca, tentando ignorar a dor na mão após o aperto de mão do ruivo. – Eu vou indo, minha namorada está me esperando ali na entrada. Só queria mesmo te agradecer de novo, Dr. Hastings.

– Fico feliz que você está bem, Jack. Até mais. – Taylor se despediu quando rapaz se afastou, encontrando a namorada pelo caminho. Depois se sentou, assim como Damien, e olhou-o com uma sobrancelha erguida. – Só faltou você rosnar pro garoto. – Falou.

Damien sentiu suas orelhas ficando quentes. Ele tossiu de leve, tentando ignorar a vergonha que estava sentindo pelo papelão ciumento que havia feito. O cara tinha uma namorada! E ele achando que era um possível rival.

O ruivo quase bateu a cabeça na mesa outra vez, mas se conteve. Ele não queria ser arrastado para a clínica por Taylor achar que ele estava ficando louco.

É, mas eu ‘tô ficando louco...”, pensou enquanto fazia uma careta.

– Ele foi mal-educado. Não deveria ter interrompido o nosso almoço. – Damien se limitou a dizer. – Agora vamos nos apressar que eu ainda quero te levar em um lugar aqui no parque.

Taylor revirou os olhos, mas com certa diversão. Damien não era das pessoas mais sociáveis da cidade, pelo que havia escutado. Ele era recluso e amigo basicamente de Carl e do resto da família. Provavelmente para ele era um saco ter um almoço interrompido por um estranho.

– Certo. – Taylor assentiu. – Só espero que não seja mais nada envolvendo necessidade de equilíbrio. – Murmurou levando uma garfada à boca.

Depois do almoço, eles ainda deram uma passeada pelos arredores, para que Taylor visse mais um dos lagos. Eram os dois mais famosos. Naquele, a água ainda não havia congelado porque se misturava com a água quente que saía de umas termas ali perto. Os olhinhos do médico brilharam e, ele tinha de admitir, todo o passeio estava ajudando-o bastante a relaxar.

Antes que escurecesse, pois ainda teriam que pedalar um bom caminho para voltar ao carro, os dois pegaram outra rota e chegaram a uma área entre as montanhas que era repleta de árvores, lembrando uma espécie de recanto onde seres fantásticos como duendes, fadas e ninfas poderiam morar.

– Aquelas são as termas? – Taylor perguntou, apontando para as águas de cuja superfície raias de vapor subiam para as alturas. – Não tem ninguém tomando banho...

– É raro não ter ninguém. – Damien comentou, parecendo abismado e escondendo o fato que a partir daquele horário as pessoas já começavam a se recolher. – Será que alguma coisa afugentou o pessoal?

Taylor franziu a testa, se perguntando o que poderia ter afugentado os turistas, porém, ao se virar, ele teve sua resposta. Um enorme urso de pelos marrons se ergueu sobre as duas patas, criando uma sombra sobre ele e o ruivo. Os olhos de Taylor arregalarem e, completamente apavorado, ele soltou um grito e se abraçou à única pessoa que estava perto: Damien.

– Não faça nada! – Sussurrou em pânico, abraçado a ele com o coração aos pulos. – Dizem que é pior se a gente correr. Droga! Eu gritei? Eu não deveria ter gritado, posso ter assustado ele e ele vai querer nos comer. E eu achando que você estava brincando sobre um urso solto! Como eles deixam as pessoas andarem por aqui com um bicho desses solto? – O urso soltou um resmungo atrás deles. – Ok, eu vou calar a boca agora. – Taylor disse se encolhendo ainda mais de medo e nervosismo nos braços do ruivo, enquanto escondia o rosto no pescoço dele. – Obrigado por esse passeio, Damien. Foi bom te conhecer. Quem sabe a gente se encontra lá no céu? Calar a boca, sim, eu vou calar a boca. – Calou-se finalmente, nervoso e agitado.

Damien levou um susto quando Taylor se agarrou a ele. Ok, o susto começou primeiro quando o médico deu aquele grito absolutamente afetado. Mas tudo bem, as pessoas tinham reações adversas quando em situações de tensão. O ruivo, claro, aproveitou para tirar uma casquinha e abraçou Taylor forte, mantendo-o junto ao próprio corpo.

Ele quase riu enquanto ouvia o médico tagarelar feito uma matraca. Pelo jeito, além de gritos gays, situações tensas faziam o médico falar pelos cotovelos.

– Hum, e qual é o seu último desejo? – Damien provocou.

– Eu gostaria de poder pedir desculpas ao meu irmão. – Taylor sussurrou, afundando os dedos nas roupas do ruivo. – Dizer que eu faria de tudo para voltar no tempo. Teria pegado outro caminho, ou prestado mais atenção ao trânsito, ou simplesmente ter conseguido... Salvar Emily. Eu gostaria de poder dizer tudo isso antes de morrer. Eu gostaria de não ter fugido de maneira tão covarde depois de tudo aquilo. – Sua voz tremeu. Deus, era ruim morrer sabendo que seu irmão iria odiá-lo pelo resto da vida.

Damien ficou tenso enquanto ouvia Taylor falar e toda a brincadeira perdeu o sentido. Só um idiota para não entender o que havia acontecido... Claro que ele queria os detalhes, mas ainda assim era bem imaginável a situação pela qual o médico havia passado.

– Desculpa. – Soltou-o, mantendo a cabeça baixa. – A gente tá indo, Mark. Foi mal grandão. Não tem mais brincadeira hoje. – Damien disse, indo até o urso e fazendo um carinho na barriga dele. – Ele... Ele é adestrado. Desde pequeno vive cercado por humanos... Eu... Eu só quis brincar um pouco. Não achei que você fosse se assustar tanto. Desculpa. – Repetiu.

Taylor olhou mais chocado para aquela cena, do que quando deu de cara com o urso. Lentamente, ele entendeu o que aquilo tudo significava, conforme as palavras do mais novo faziam sentido em sua cabeça. Apertando os punhos, Taylor trincou os dentes e deu as costas ao ruivo. Ele não estava brabo. Não. Ele estava era furioso! E ele não sabia se as lágrimas começaram a cair por suas bochechas pela raiva, ou se por finalmente ter falado em voz alta sobre o acidente.

Sobre como havia sido um covarde em fugir. Fugir do irmão. Fugir da culpa. Fugir das responsabilidades para se enfiar em uma cidadezinha pequena, onde não poderia ser encontrado pela família. Fugir do fato que passara a se odiar desde aquela noite, e tentava todos os dias fingir que não. Que ainda era o mesmo Taylor de antes: sorridente, otimista, brincalhão e responsável com seu trabalho.

Ele até mesmo esqueceu a bicicleta. Apenas continuou andando pela trilha que levava para fora do parque.

Damien suspirou e não tentou correr atrás do médico para se explicar. Pela expressão que Taylor fez, o ruivo percebeu que tinha estragado tudo. Ele foi até as bicicletas e começou a empurrá-las lentamente pela trilha. Não demorou até que o alcançasse, mas ficou andando mais atrás, seguindo-o em passos menos apressados. Mark, o urso, seguia os dois.

– Eu estraguei tudo, Mark. – Ele disse ao urso.

O problema foi que Mark achou que Damien estava brincando com ele e pensou que seria divertido pegá-lo pela camisa.

– Hey! Mark! – Damien gritou exasperado. – Mark, me coloca no chão!

O urso grunhiu e o balançou. Ok, agora Damien estava muito assustado.

– Taylor! – Damien gritou. – Meu último desejo é não morrer com você me odiando por causa de uma estupidez! – Outra sacudida do urso.

Taylor se virou rapidamente ao ouvir aquilo. Ele levou outro susto ao ver o que acontecia. Primeiro ele pensou que era outra brincadeira do ruivo, porém ao ver a expressão de Damien, ele percebeu que o ruivo não tinha nada a ver com aquilo. Ele voltou até os dois com pressa e parou na frente do urso.

– Largue ele agora, Mark! – Disse com autoridade, apontando para o chão. O urso pareceu surpreso por um momento (se é que ursos ficavam surpresos) e, então, obedientemente largou a roupa de Damien. – Urso feio. Urso mau! Não fique assustando as pessoas dessa forma! – Taylor exclamou, e Mark grunhiu parecendo muito com um cachorrinho recebendo sermão. O médico deu mais um passo e, hesitante, fez um carinho na cabeça do urso. – Pessoas são mais frágeis do que parecem, entendeu?

O urso grunhiu de novo.

– Hei! – Alguém gritou se aproximando rápido. – Mark, aí está você! Ele escapou das minhas vistas, esse danado! Eu estava procurando por ele! – A mulher parou ajeitando o boné que usava na cabeça e passou também a mão pela cabeça do urso. – Oi, eu sou a Drika, adestradora do Mark. Desculpe se esse grandão estava causando algum problema. – Ela cumprimentou Taylor e depois viu o ruivo. – Ah, olá, Damien! Fazia tempo que eu não te via por aqui. E as crianças?

Damien sentia que estava prestes a colocar o almoço para fora depois de todas aquelas sacolejadas que levou. E também pelo susto. Ele estava tão acostumado a brincar com Mark que às vezes esquecia que ele poderia ser perigoso mesmo com o adestramento recebido. Mark era como um cachorro que adorava brincar e não tinha noção do próprio tamanho, ou do tamanho de seus dentes.

– Elas estão em casa. Charlie andou adoentada. Esse é o Taylor, o médico novo que cuidou dela. – Damien apresentou, tentando manter a voz firme, mas ele tinha certeza d que estava meio verde e gago.

– Prazer, Taylor. – Drika disse energética. – Bem, vou levando esse garotão para a casa dele. Está na hora de ele descansar. – Ela abraçou o urso como se ele fosse de pelúcia. – Na próxima vez, venham com as crianças! Daqui umas semanas o Mark vai apresentar uns novos truques que andei ensinando a ele!

Drika se despediu e o urso a seguiu. Ela se afastou conversando com o animal como se ele pudesse entendê-la perfeitamente. Isso deixou Taylor e Damien sozinhos novamente. O médico olhou para todos os cantos antes de encontrar coragem para fixar o olhar no ruivo.

– Eu não te odeio. – Falou enfim. – Em algum outro momento... Eu teria te xingado e talvez até te dado uns socos no braço, mas depois caído na gargalhada. Você não tinha como saber. – Encolheu os ombros e segurou um de seus braços, como se tentasse esconder sua vulnerabilidade. – Eu me diverti muito hoje, Damien.

– Eu realmente não quis trazer lembranças ruins e... – Damien começou a falar, mas uma ânsia de vômito incontrolável o fez correr até uma das moitas e todo o almoço foi parar lá. Merda! Aquela era hora para fazer as pazes e não parar botar praticamente os seus órgãos para fora. – Eu realmente estraguei tudo. – Tossiu enjoado quando sentiu que não tinha mais nada para vomitar. – E o feitiço voltou contra o feiticeiro. Quis te assustar e quem quase morreu fui eu! – Dramatizou.

Taylor colocou a mão sobre a boca e, sem conseguir se controlar, acabou rindo incontrolavelmente. Ok, isso não era nada médico da sua parte. Damien havia acabado de vomitar! Porém, Taylor sabia que era reflexo das sacudidas que ele havia recebido do urso. E como o ruivo havia comido feito um condenado no restaurante... Sinceramente, os hábitos alimentícios de Damien eram os piores!

– Parece que há justiça no mundo, afinal. – Brincou ao se aproximar do ruivo e ajudá-lo a se endireitar. – Melhor voltarmos. Há água no carro e uns chicletes para tirar o gosto ruim da boca. Se ainda estiver enjoado quando chegarmos em casa, posso fazer um chá de gengibre, ou hortelã com erva-doce. – Deu uns tapinhas nas costas dele.

Damien balançou levemente a cabeça e não tentou retrucar. Era melhor deixar Taylor ganhar a discussão daquela vez, até porque ele tinha razão. Os dois voltaram a andar juntos pela trilha. Quando chegaram ao carro, o ruivo já estava se sentindo melhor e, depois que tomou a água e sentou por alguns minutos, sentiu-se habilitado para dirigir para casa. Ambos estavam quietos e cheios de coisas na cabeça durante o percurso de volta e, para não ficar aquele silêncio constrangedor no carro, Damien ligou o som para que as músicas preenchessem o ambiente.

O ruivo não conseguia parar de pensar no que Taylor havia dito. Ele sabia que não deveria fazer isso, mas iria pesquisar sobre a vida do médico. Precisava encontrar o irmão dele. Damien sabia que corria o risco de Taylor nunca mais querer falar com ele, mas não poderia deixá-lo viver com aquele peso no coração.

Quando chegaram, ele foi direto tomar um banho e escovar os dentes para se livrar daquele gosto insuportável de vômito. Enquanto estava embaixo da ducha, as imagens do passeio voltaram à sua mente... Como eles se abraçaram e brincaram enquanto andavam de patins, as demonstrações de felicidade e encanto do médico enquanto Damien mostrava os lagos, as montanhas e contava sobre algumas lendas locais; a expressão de medo e de dor enquanto Taylor confessava o medo do irmão odiá-lo; seu tom firme ao obrigar Mark a largá-lo.

As diferentes formas como Taylor sorria e ria...

– Droga. – Damien amaldiçoou baixinho ao perceber que estava ficando excitado.

Decidindo que precisava resolver aquele problema antes que realmente ficasse louco, Damien encerrou o banho e escolheu uma roupa social. Ele precisava de sexo. Era a falta de sexo que estava fazendo com que ele ficasse pensando tanta besteira em relação ao Taylor. Aquilo já estava fugindo completamente do controle e daqui a pouco ele acabaria perdendo a cabeça de vez.

O ruivo entrou na sala e encontrou o médico sentado no sofá.

– Vou sair. – Anunciou.

Taylor ergueu o olhar do exemplar do New England American Journal of Medicine que havia acabado de chegar. Ele assinava essa revista, que era uma das de maior impacto no mundo médico, e quando recebia um novo exemplar já corria para olhar as novidades.

– Onde você vai? – Perguntou, mas logo balançou a cabeça, se repreendendo. Damien não tinha obrigação de ficar dizendo o que iria fazer sempre que saía. – Erm... Digo... Te espero pra jantar? – Ok, isso também havia soado um tanto estranho, como se fossem um casal ou algo assim para jantarem juntos e Taylor ainda esperá-lo com a mesa pronta. Evitando a vontade de esconder o rosto atrás da revista, Taylor tentou manter a expressão serena.

– Ah, não. Você pode jantar. Eu vou comer pela rua. Se eu tiver sorte, vou passar a noite fora. – Forçou um sorriso. – Não me espere acordado. – Avisou enquanto pegava as chaves da sua Ferrari.

O clima entre os dois também não estava lá muito bom para que eles jantassem juntos de qualquer forma. Pode-se chamar o que o Damien estava fazendo de fuga. Definitivamente uma fuga. Ele meio que se sentia na obrigação de contar algo do seu passado para compensar o que Taylor havia dito (mesmo que involuntariamente) a ele, mas não queria, então era melhor evitar conversas por enquanto.

– Ah... – Taylor também forçou um sorriso e chegou a piscar um olho em incentivo. – Boa sorte com isso. – Voltou seu olhar para a revista e apenas escutou o barulho do carro saindo da garagem. Assim que tudo ficou completamente em silêncio, Taylor puxou as pernas para cima do sofá e as abraçou, apertando um dos punhos contra a testa. – Idiota, idiota, idiota. Se deixou levar por esse passeio. – Murmurou, sentindo uma dor chata no peito. – Damien é hétero, nunca mais pense bobagens sobre ele só porque ele te abraçou tão forte, e depois pareceu tão sinceramente arrependido por ter te assustado daquela forma...

Achando-se louco por estar falando sozinho, Taylor suspirou e se deitou um pouco do sofá, para continuar lendo.

XxxX

Damien decidiu ir para uma boate na cidade vizinha. Ele já era conhecido em todos os lugares de Canmore e, principalmente, era conhecido por boa parte da população feminina solteira da cidade. Obviamente chegar em uma Ferrari atraiu a atenção de todo mundo, mas ele não deu muita bola, entrou e foi direto para o balcão.

– O mais forte que você tiver. – O ruivo pediu ao barman. – Pode deixar a garrafa. – Disse quando o homem fez o movimento de que iria levar a bebida para longe.

Ele não ficou bebendo sozinho por muito tempo, pois uma mulher logo se aproximou e tentou puxar conversa com ele. Com certeza ela seria o tipo de Damien. Mulheres que usavam sutiã acima de G estavam entre as suas favoritas, mas ele não conseguiu prestar atenção na conversa da morena, já que só ficava repassando mentalmente o encontro com Taylor e em como conseguira estragar tudo. Tinha tudo para ganhar alguns pontos com o médico naquele dia e no final saiu com saldo de menos dez (sendo otimista).

A mulher logo percebeu que ele não estava interessado e se afastou. Damien suspirou e se virou no banquinho para ter uma visão geral do lugar. Ninguém parecia ser bom o bastante. Ninguém tinha um sorriso como o de Taylor.

– E pensar que eu odiava o sorriso dele no começo. –Resmungou antes de virar mais um copo.

– Você parece ‘tá com um problema, cara. – O barman disse em um tom solidário.

– Dos grandes. – Damien respondeu desgostoso.

– Se quiser conversar... Sou terapeuta, nas horas vagas. – O rapaz confidenciou bem humorado.

– Talvez outro dia. – O ruivo retrucou enquanto tirava uma nota bem maior do que o valor da bebida do bolso e a deixava sobre o balcão.

Depois ele foi até a pista de dança e se misturou em meio aos corpos suados que se moviam animados ao som de uma batida eletrônica. Damien sentiu quando foi abraçado por trás. Ele se virou e se permitiu dançar com a bela loira de olhos verdes. Não tentou impedi-la quando ela começou a deslizar as mãos para dentro da sua blusa e muito menos tentou evitar o beijo que ela lhe deu. O problema foi que sentiu nada. Absolutamente nada. Nenhum formigamento. Nenhuma animação entre as pernas. E olha que ela definitivamente se enquadrava no quesito “superpeitões” e estava esfregando-os em seu peito sem qualquer pudor.

Não adiantava insistir. Aquilo não daria certo.

Ele pediu desculpas e tentou se afastar dela. A mulher tentou persuadi-lo a ficar, mas Damien apenas balançou a cabeça e deixou a loira, furiosa, parada no meio da pista de dança.

Saiu do bar e decidiu voltar para Canmore de táxi. Ele realmente tinha que parar de sair por aí deixando os seus carros na rua depois de encher a cara. O ruivo até achava que conseguiria dirigir, mas não iria fazer isso. Já não era muito do seu feitio se arriscar (e arriscar os outros) de tal forma e depois de ouvir Taylor dizer que havia perdido Emily – a possível namorada do irmão – em um acidente, aí que ele não chegaria mesmo perto de um carro depois de beber.

Quando chegou em casa, encontrou tudo escuro. Era lógico que Taylor havia ido dormir. Já passava de duas da manhã.

O ruivo foi para o quarto, tirou toda a roupa e caiu na cama. Agarrou o travesseiro e tentou dormir. Mas não conseguiu. Parecia que estava faltando alguma coisa. Ele ficou rolando, rolando, rolando até que decidiu ir até o quarto de Taylor. Só iria olhá-lo e voltaria para o próprio quarto.

Entrou no quarto do médico tentando não fazer barulho. Taylor estava dormindo embaixo de um amontoado de edredons, e Damien se aproximou e sentou na beira da cama. Ele ergueu a mão para tocar o rosto do rapaz, mas hesitou.

Chegou a quase levantar, mas suas pernas pareciam ter virado chumbo.

– Só um pouco... Eu saio antes de ele acordar. – Murmurou enquanto puxava o edredom. Deitou no lado oposto do médico, com medo de acordá-lo. Aos poucos, porém, foi se aproximando até cuidadosamente abraçá-lo, em conchinha, adorando o fato de ele estar dormindo sem camisa.

Damien inspirou fundo sentindo o cheiro bom de Taylor.

E só então, abraçado ao médico, conseguiu adormecer.

XxxX

Taylor acordou, como de costume, bem cedo pela manhã sem nem precisar de despertador. Conforme readquiria consciência de seus sentidos e das coisas ao redor, Taylor percebeu que parecia mais calor que o normal embaixo daquela cama. Depois, ele notou o peso que circundava parte de sua cintura e a respiração quente que batia em sua nuca. Arrepiando-se inteiro, principalmente porque a nuca e a parte superior das costas entre as omoplatas eram definitivamente seu ponto fraco, Taylor se ergueu e virou, afastando as cobertas para os pés.

– DAMIEN! – Gritou ao ver o ruivo completamente apagado (e nu!) na cama. Na sua cama! Taylor ficou totalmente quente, sentindo o rosto pegar fogo ao ver o... Damien Júnior. Até porque Damien estava com uma típica ereção matinal inconsciente, e todo o tamanho do membro estava mais do que visível em sua grandiosidade. E, ah sim, porque era grande. Muito grande.

Pare de reparar tanto!” Taylor se chutou mentalmente enquanto o ruivo parecia, ainda grogue, aos poucos despertar.

Damien passou a mão pelo rosto enquanto bocejava longamente. Demorou um pouco para que as coisas entrassem foco e ele lembrasse o que havia feito. Quando se deu conta de como estava, onde estava e, principalmente, quem o estava encarando com perplexidade, ele puxou uma almofada e cobriu as partes íntimas.

– É... Como eu vim parar aqui? – O modo ator entrou em ação e ele coçou a nuca enquanto fingia confusão ao olhar para os lados. Seu plano de sair antes de Taylor acordar foi para o espaço já que o médico acordava com as galinhas.

– E você pergunta para mim?! – Taylor se ergueu da cama, tentando recuperar o ar. Sua respiração estava pesada e difícil. Também pudera. Seria difícil se recuperar do que havia flagrado tão cedo pela manhã. – Você não deveria estar nu com alguma garota na sua cama? Por favor, não me diga que há mais alguém embaixo dessas cobertas! – Apontou para o bolo de edredons na cama.

Damien bufou e empurrou o travesseiro para lado. Levantou e se espreguiçou.

– Eu não dormi com nenhuma garota. Só topei com tamanhos PP. – Mentiu sobre o real motivo de não ter ido para a cama com nenhuma mulher. – Acho que eu devo ter tido uma crise de sonambulismo. Já aconteceu algumas vezes. – Outra mentira. – Vou para o meu quarto. Estou com uma puta dor de cabeça. Me acorde se o mundo estiver acabando. Ou melhor, não me acorde. Não vou poder resolver mesmo se acabar.

Taylor ficou puto da cara ao ver Damien caminhar para fora do quarto com aquele ar de charlatão, como se não fosse nada demais ter subido nu em sua cama e o abraçado durante a noite. Por impulso, Taylor pegou uma das almofadas em cima da cama e a atirou na direção do ruivo, atingindo-o na cabeça.

– Ao menos pare de ficar exibindo sua bunda por aí, imbecil! – Exclamou, propositalmente deixando de citar o que havia de ainda mais perturbador na parte da frente. Perturbador porque Taylor sentia seu próprio pênis endurecido, e não apenas por causa de uma comum ereção matinal. Olhar Damien desfilar nu no quarto não havia ajudado. Estava nervoso, e quando ficava nervoso falava demais. – E na próxima vez que você resolver dar uma de sonâmbulo pelado na minha cama, eu não me respons... – Taylor engoliu a pouca saliva em sua boca antes que falasse alguma bobagem. Bufou e cruzou os braços. – Esqueça.

No fundo Taylor estava um pouco chateado, já que ele bem que poderia se encaixar no tamanho PP que Damien tanto parecia desprezar. Ou melhor, tamanho PPPP, para ser mais exato.

Damien ia sair de boa do quarto, mas depois daquela não pôde se conter. Ele virou, olhando o médico, percebendo que a calça do pijama dele estava bem marcada e os mamilos também estavam duros. O ruivo se perguntou como seria lambê-los. Tudo bem que podia ser pelo frio e uma ereção matinal não queria dizer nada, mas ainda assim Damien se sentiu um pouquinho mais confiante ao pensar que talvez o gaydar de Sam não estivesse quebrado.

É, é isso. Damien não ia mais fingir que não estava interessado. Depois do fracasso da noite anterior, ele ia parar de botar a culpa na falta de sexo. Taylor o atraía e ponto. Não iria fazer drama, e muito menos surtar por conta disso. Agora o ruivo só precisava ter certeza de que não seria chutado no meio das pernas caso tentasse algo.

– Ok, na próxima vez eu escapo antes de você acordar. – Piscou um olho e saiu do quarto antes de levar outra almofada na cara.

Taylor ficou ali parado no meio do quarto com cara de tacho, abrindo e fechando a boca. Depois bufou e foi para a cozinha. Precisava de café. E um café ainda mais forte que o normal!

Notas finais
Tem pessoa mais cara de pau que o Damien? Não mesmo. Próximo capítulo temos Sam, temos Davi, temos John, temos Taylor, temos Damien... Tropa toda no mesmo capítulo xDD Beijos! Bia Yuuji.