Notas iniciais
Oi, gente! Eu e a Bia estivemos ocupadas nesse final de semana, principalmente a Bia, e por isso acabamos deixando para postar hoje! Mas foi só dessa vez, a princípio, não se preocupem! Agradecemos imensamente Ruth Echelon, Myiu, DCC, imouto kawaii, LuOrtensi, JDeschamps, Annie Granger, Zenya, Mapa, LunaBiju, Bomer, Michele, kihchi, Safira Rosa, Nilla, Mariana Lótus, Bella Hanes, Ti Rorschach, Leonardo, Lucy e MilaScorpius pelas reviews incríveis e super animadoras! Boa leitura, amores!

Quando Damien chegou em casa, estacionou o carro perto da porta, foi até o porta-malas e tirou a maior quantidade de sacolas que conseguiu segurar. Não foi tudo porque ele comprou muita coisa e teria que dar outra ida até o carro para conseguir pegar o resto. A porta da frente estava encostada, então ele a empurrou com o pé, mas as sacolas despencaram no chão quando ele viu a zona.

– Taylor! Sam! – Gritou. – EU DISSE QUE NÃO ERA PRA DEIXAR PIOR DO QUE JÁ ESTAVA!!! – Com certeza estava saindo fumaça das suas orelhas naquele momento.

Taylor correu até o ruivo com sua melhor carinha de cachorrinho culpado. Como se para ajudar, Fubá o seguiu e parou sentadinho ao lado do médico e ergueu as patinhas unidas, como se pedisse perdão.

– Desculpe. – Taylor pediu mordendo o lábio e se apressou para recolher algumas sacolas. – As coisas saíram um pouco de controle. Também ninguém mandou você demorar tanto a limpar esse lugar a ponto de deixar um rato decidir morar aqui! – Acusou ao se lembrar do bicho, mas logo baixou a bola e voltou a parecer culpado. – Digo, achamos um rato... Ele era grande...

– Um rato? Como assim apareceu um rato? A casa ‘tava suja, mas não tanto! – Damien exclamou irado. Ele suspirou, bagunçou os cabelos ao ver um dos vasos quebrado e olhou para Sam, que agia como se nem estivesse por ali no meio daquela zorra. – Sam, eu não vou mais te dar o carro! Você não consegue fazer uma mísera faxina sem detonar tudo! Vai destruir o carro!

Sam praticamente voou até o ruivo, erguendo o espanador de pó e o sacudindo em frente ao rosto dele.

– Você não pode fazer isso! Deu está dado, é que nem cu, não dá pra voltar atrás depois que deu! — Falou afobado.

– Sam! As crianças... – Taylor o lembrou num sussurro, olhando para trás, e o loiro colocou uma mão sobre a boca.

– Ops! – Disse ele. – Esqueçam o que vocês acabaram de ouvir, ok?! Isso é só para quando vocês tiverem mais de quinze anos. – Sam sacudiu o espanador na direção dos pequenos.

Charlie olhou-o sem entender nada, enquanto Davi colocava a mão sobre a boca e suprimia uma risadinha.

– Céus... Você é doido. – Damien levou uma das mãos à nuca e a massageou. – Minha vontade é de largar vocês aqui e fugir pra um SPA. ‘Tô precisando uma massagem bem feita.

Taylor riu com ironia.

Você está precisando de uma massagem bem feita? – Perguntou retórico. – Tem alguma ideia de como estão meus músculos depois daquela musculação do inferno? Até respirar dói e eu estou aqui para ajudar com essa faxina, então você certamente não vai nos largar aqui para ir a SPA nenhum. – Pegou o ruivo pelo braço e o arrastou para dentro da casa, onde alcançou-lhe o aspirador de pó que haviam achado dentro do armário do rato. – Vá limpando enquanto eu coloco as compras na cozinha. Quem merecia uma massagem aqui sou eu... — Murmurou, enquanto se afastava.

– Eu quero massagem! — Charlie exclamou erguendo os bracinhos. — Eu quero! É bom? É de comer?

– É receber carinho nos músculos. – Davi explicou novamente à menina.

– Músculos? – Charlie ficou pensativa e balançou a cabeça. – Eu não tenho isso.

– Eu acho que acabo de ter uma overdose de fofura. – Sam colocou as mãos nas bochechas.

Damien riu da conversa entre as crianças e pegou Charlie nos braços. O ruivo ficou olhando o aspirador sem ter muita certeza se aquele negócio ainda funcionava e pensou em como queria dar uma massagem bem feita em Taylor seguida de...

Não! Sem pensar besteiras. Foque em coisas fofas, rosas e cheias de açúcar”, ele se interrompeu. Não era hora para ficar pensando em Taylor nu.

Ele viu Taylor indo de lá para cá carregando as compras e tentou tirar os olhos dele, mas não conseguia.

– Vamos ver se esse negócio ainda liga. Se a gente conseguir terminar a faxina antes de escurecer, eu levo vocês para correr no parque. O que acham? – O ruivo perguntou para as crianças.

– Eba!!! E o Fubá também! – Charlie bateu palminhas.

Davi, curioso, se aproximou e ligou o aspirador. O barulho foi tão alto que assustou a todos e Sam, que estava tomando um copo de suco na cozinha, acabou deixando-o cair no chão.

– Ops... – Ele murmurou de novo, sorrindo culpado. Taylor, que finalmente entrara em casa com a última leva de comprar, assim que entrou na cozinha acabou escorregando no suco e caiu de bunda por segurar tanto peso das sacolas.

As compras se espatifaram e rolaram pelo chão sujo, já Taylor usou as mãos como apoio ao cair e uma delas afundou num dos cacos de vidro.

Outh! – O médico resmungou, erguendo a mão ensanguentada.

Damien ouviu o barulho do vidro quebrando e fez o movimento de que iria até a cozinha para ver o que foi, mas antes se virou para as crianças.

– Fiquem aqui e não mexam em nada! Acho que alguma coisa quebrou na cozinha e pode ser perigoso lá. – Avisou.

Ao entrar lá, Damien viu Taylor no meio de uma poça alaranjada com vidro para todo lado e a mão sagrando.

– Sério. – O ruivo disse após um suspiro. – Hoje não é dia de faxina! Tem como dar mais errado?

Ele foi até Taylor e o segurou no colo com facilidade para tirá-lo do meio dos cacos de vidro. Damien nunca foi lá muito fã de sangue e lutou para não ficar verde e enjoado. Fora o seu sangue, acabava passando mal quando via o sangue dos outros.

– Damien! – Taylor arregalou os olhos, nervoso, olhando de esguelha para Sam. – Eu tenho pernas!

– E o príncipe chega para resgatar a princesa em perigo. – Sam suspirou, colocando as mãos sobre o peito.

O ruivo ignorou a fala dos dois e deixou a cozinha. Quando passou pela sala, ainda levando Taylor nos braços, Charlie olhou para a cena com curiosidade.

– Padrinho? Por que você ‘tá levando o Taylor assim?

– Ele caiu e machucou a mão.

– Tá dodói? – Charlie perguntou assustada.

– Sim. Está dodói, mas vou levar para curar.

– Ah! – Charlie sorriu. – Vai dar beijinho pra sarar, né? – Ela perguntou em um tom no estilo “Sou esperta. Eu sei curar também!”.

Damien apenas riu e continuou em direção ao quarto.

– Damien... Eu machuquei minha mão, não minha perna. – Taylor falou constrangido, sentindo fisgadas no peito, enquanto segurava o corte na mão para impedi-lo de sangrar demais.

– Você pode ter machucado a perna com a queda. Já estava andando todo torto por causa da academia. – Damien o levou até o banheiro e o colocou em pé em frente da pia. Com cuidado, ajudou-o a começar a lavar a mão machucada e manteve um dos braços em volta da cintura do médico.

Taylor nem conseguiu se concentrar no que estava fazendo, só conseguia sentir o braço do ruivo em sua cintura e o corpo dele colado ao seu daquela forma. Chegou a se arrepender de ter deixado aquele bilhete mais cedo para Damien. As coisas seriam mais fáceis se não tivessem feito as pazes. Não haveria toda aquela proximidade que parecia fazer sua mente derreter como sorvete sob um sol forte.

– Obrigado... – Murmurou quando o corte pareceu suficientemente limpo e parou de sangrar tanto. – Eu tenho gaze pra enrolar e enfaixar no meu quarto. Vou lá pegar. – Tentou se afastar antes que cometesse alguma loucura.

Só então Damien percebeu como estava próximo e deu um passo para trás. Na última vez em que ficaram próximos daquele jeito, o ruivo quase o beijou. Não era seguro ficar tão perto sem saber se conseguiria se controlar.

– Se... Se precisar de ajudar vou estar na sala tentando ligar o aspirador. – Damien disse sem saber se deveria ou não oferecer ajuda. Taylor era um médico e certamente o ruivo só iria atrapalhar.

– Certo. – Taylor mordeu o lábio inferior e, hesitante, deixou o quarto. Quando entrou em seu próprio quarto, secou a mão e a enrolou na gaze, impedindo que continuasse sangrando. Seu corpo continuava quente. – Droga, Damien! Pare de ser tão... Tão... – Ele nem encontrou a palavra e acabou suspirando, cansado.

Milagrosamente, quando voltou para a sala, Sam havia limpado a cozinha e ajeitado parte das compras, Damien juntado os cacos do vaso quebrado, e Charlie e Davi arrumado o sofá e o que havia sido derrubado com a correria do rato.

– Somos um poço de eficiência. – O loiro cruzou os braços, enquanto Charlie e Davi faziam sinal de sentido para Taylor. – Agora é que essa faxina vai começar de verdade!

– E sem ratos feiosos! – Charlie exclamou.

Taylor sorriu admirado.

– Bem, então vamos colocar a mão na massa. – Falou revigorado, ganhando latidos de Fubá, que parecia mais empolgado do que todo mundo ali.

– Ah, padrinho! Deu beijo no Taylor pra sarar? – Charlie perguntou curiosa.

– Esqueci o principal, Charlie! Obrigado por me lembrar! – O ruivo piscou um olho para a menina e foi até Taylor. Ele não desviou os olhos do médico nem por um segundo, pegou a mão dele e encostou os lábios suavemente por cima da gaze que envolvia o machucado.

Taylor segurou o ímpeto de dar um tapa na cara dele para impedir-se de agarrá-lo ali mesmo.

– Agora vai sarar! – Charlie exclamou dando pulinhos e batendo as mãozinhas.

Aos trancos e barrancos eles continuaram a faxina. Damien usava a força para mover os móveis, Sam e Taylor iam passando o pano molhado para tirar a poeira. Charlie e Davi seguiam atrás espanando, mas os adultos não deixavam lá muita sujeita para que eles limpassem, já que não queriam que as crianças respirassem a poeira e ficassem espirrando depois. E Fubá... Bem, Fubá deixou um “presente” no meio da sala limpa fazendo que Damien saísse correndo atrás dele prometendo que iria enxotá-lo de casa. Obviamente o cachorrinho correu para Taylor e Charlie que o defenderam com unhas, dentes e muita cara de choro.

No final da tarde, depois de deixar a casa meio limpa e o jantar encaminhado, todos foram dar uma volta no parque. Damien estava morto, largado em um dos banquinhos enquanto Charlie, Sam, Davi e Taylor brincavam com Fubá. O ruivo realmente não sabia de onde eles tiravam tanta energia.

Quando voltaram para casa, Sam e Taylor foram dar um banho nas crianças enquanto Damien teve que segurar Fubá e enfiá-lo embaixo da torneira. O cachorro fez um escândalo, chorou, esperneou, rosnou, mas o ruivo não o largou até que a “bola de pelo” estivesse sem toda a sujeita que acumulara após farrear o dia inteiro. As crianças, depois do jantar, estavam exaustas e dormiram no sofá enquanto assistiam a um desenho. Damien levou os dois para o quarto. Davi dormiria com Sam e Taylor e Charlie com o padrinho.

Depois que o ruivo colocou a menina na cama, o rapaz, exausto, acabou caindo no sono também.

XxxX

Taylor acordou no início da madrugada com vontade de aliviar a bexiga e se levantou, inicialmente estranhando a ausência de Sam no colchão montado no chão. Após dar uma olhada rápida em Davi, que dormia profundamente, ele saiu do quarto e foi para a sala. Lá, ele encontrou Sam assistindo televisão com as luzes desligadas e o som no mínimo. Logo, o pouco som da TV não conseguia abafar os soluços baixinhos do loiro.

– Sam...? – Taylor se aproximou preocupado.

Sam tomou um susto e engoliu rapidamente o choro, limpando as bochechas.

– Taylor! O que está fazendo acordado a essa hora?! – Perguntou fazendo-se de sonso.

– Eu que o diga... Está tudo bem com você? – Sentou-se ao lado do loiro e, involuntariamente, esticou a mão e limpou uma lágrima do rosto do amigo. – Por que está chorando?

Sam hesitou.

– O... O filme na TV. Tão triste... – Mordeu o lábio, desviando o olhar.

Taylor olhou em direção à tela.

– “Se beber não case” é muito triste? – Perguntou descrente e voltou a atenção ao loiro, olhando-o com cara de quem deixava claro que não cairia naquela.

Sam suspirou e, derrotado, acabou voltando a chorar. Dramático, ele se jogou nos braços de Taylor, derramando as lágrimas no peito do médico.

– Eu não aguento mais...! Por que tenho que continuar apaixonado por aquele idiota? Desde aquela noite há dois anos tudo que ele faz é me tratar mal! Já tentei me relacionar com outros caras, mas todos parecem tão... Bleh! – Exclamou entre o choro. – O que mais dói é que às vezes ele me trata de uma forma... Faz alguma mísera coisinha que me faz acreditar que pode mudar, que pode superar aquela homofobia ridícula. Mas não, no minuto seguinte ele cospe o desprezo dele na minha cara, e eu, o idiota, continuo sofrendo por ele, guardando esperanças! – Sam ergueu a cabeça e sacudiu Taylor pelos ombros, deixando o mais velho desorientado. – Por que eu sou masoquista assim?! Por que meu coração não pode funcionar direito, como o de uma pessoa racional!?

Taylor ficou zonzo com a sacudidela, mas ficou ainda mais zonzo com o que Sam dizia. O loiro não havia se declarado para Damien? Por que estava chorando as pitangas dessa forma? Damien não era homofóbico! E certamente não o tratava mal.

– Espera... Você está falando do John. – Taylor percebeu. – Você está apaixonado por ele... – Falou lentamente, como se digerisse as palavras. Sam concordou com a cabeça, abaixando o olhar choroso. – E Damien?

Sam ergueu rapidamente os olhos e o encarou confuso.

– O que tem o Damien?

– E-Eu achei... Achei que vocês tinham... No restaurante aquele dia... Um garçom disse que... – Taylor passou a mão pela cabeça, tentando pensar. – Deus, eu achei que vocês tivessem se declarado um para o outro.

– QUÊ?! – Sam gritou, mas depois colocou a mão sobre a boca por ter falado tão alto no meio da noite. – Você endoidou? – Perguntou perplexo, num sussurro. – Eu já falei que eu e Damien somos apenas amigos!

– Eu sei! – Taylor exclamou de volta, cuidando a altura da voz. – É só que... Você poderia ter percebido que ama o Damien além da amizade, eu não sei!

– Eu não acredito que você estava pensando isso nesses últimos dias! É por isso que tratou o Damien tão mal essa semana! Estava com ciúmes! De mim? – O acusou.

Taylor tentou falar, mas acabou balbuciando alguma coisa sem muito sentido.

– Eu...

– Meu Deus...! Eu aqui sofrendo por causa do John, e você achando que eu estava às mil maravilhas com o Damien! – Falou frustrado, se levantando e agitando os braços.

– Não era ciúmes, era só...

– Ora, não venha mentir para mim. Eu sei que você é gay, Taylor. – Sam não freou a língua. Ele estava esperando que o médico lhe dissesse por livre e espontânea vontade, com todas as letras. Lhe magoava um pouco que ele escondesse aquilo, já que carregavam a mesma orientação. – E duvido que não esteja a fim do Damien depois desses três meses convivendo com ele debaixo do mesmo teto. Talvez eu tivesse mesmo me apaixonado pelo Damien, se não fosse pelo John.

Taylor abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Ele sempre havia sido bastante sensível com as questões de orientação sexual e sua cor de pele. Essas duas combinações haviam lhe garantido boas doses de preconceito em todas as fases de sua vida. Algumas vezes pequenas demonstrações, outras grandes e mais dolorosas. Ali em Canmore, ele havia tentado manter o máximo de discrição possível, ao menos enquanto se adaptava ao lugar.

– Desculpe por não ter falado sobre minha orientação. Eu sou um gay fora do armário, mas eu recém tinha me mudado para uma cidade nova, pequena e desconhecida pra mim. Queria averiguar o terreno. – Falou, coçando o braço. – E sobre Damien... Eu... Eu não sei direito o que sinto por ele. Nós nos conhecemos faz pouco. Ele é bonito e obviamente eu sinto atração, mas, se você e ele não estão juntos, ele continua sendo hétero, e você sabe como que é problemático começar a gostar de um cara hétero...

Sam quis gritar que Damien não era hétero! Ok, ele nunca havia mostrado interesse em outro cara antes, mas desde que Taylor havia aparecido, certamente o ruivo começara a se descobrir bissexual. Porém Sam não quis falar nada. Ele estava chateado naquele momento, sensível e magoado. Em grande parte por causa de John, em parte por causa de Taylor não ter confiado nele e ainda achar que ele e Damien, seu querido amigo, tinham algo. Não. Também não seria correto interferir nos assuntos do ruivo e do médico. Deixaria que eles se entendessem.

Damien que largasse de insegurança e mostrasse que não era assim tão hétero! Ainda que, depois de tantos sinais que o ruivo havia dado, Taylor estava sendo bastante porta por continuar achando-o assim tão heterossexual! Sam bufou, limpando o que restava de lágrimas de seus olhos.

– Bem, ao menos essa conversa me ajudou a parar de pensar no John. – Falou o loiro.

– Sam, sobre o John... – Taylor se levantou, desejando confortá-lo, mas Sam ergueu a mão impedindo-o.

– Não, por favor, eu não quero falar de John. Não hoje. Estou exausto, cansado de chorar como um idiota e quero apenas ir dormir. – Disse resoluto, balançando a cabeça em negativa. – Boa noite, Taylor. – Ele passou pelo mais velho e retornou para o quarto.

Foi Taylor então que caiu no sofá, sentindo que seu sono havia desaparecido. Sentia-se um completo idiota. Provavelmente chateara Sam com suas suposições e temores. Bem, Dakota estava certa, ele como médico não deveria ter tirado conclusões antes de ter certeza dos fatos.

O problema agora era outro.

Taylor não tinha conclusão alguma dessa vez.

XxxX

Na manhã seguinte, Damien acordou com alguma coisa gelada no seu pé. Ele resmungou, virou de lado, mas a coisa gelada continuou lá. Gelada e molhada. O ruivo piscou tentando acordar. Charlie não estava mais na cama e Damien imaginou que Taylor havia ido até o quarto e a levado para tomar café.

– Que merda é essa... – Damien começou a reclamar por causa da coisa gelada e molhada e, ao puxar o lençol, descobriu que era Fubá que estava se “fartando” nos seus pés e os lambendo inteiros. – SEU PULGUENTO! – Exclamou irritado e Fubá começou a chorar baixinho. Damien resmungou enquanto pegava o bicho e ia até a cozinha. – Taylor! Você largou isso na minha cama?

– Fui eu, padrinho – Charlie disse encolhendo os ombros. – Eu não quis deixar você dormindo sozinho.

E lá se foi toda a vontade de gritar de Damien.

Ele puxou uma cadeira e colocou o cachorro no chão.

– Café. – Resmungou e Taylor o serviu com um sorriso puxando o canto da boca. Damien bem sabia que o médico estava satisfeito porque o ruivo não poderia ameaçar chutar o cachorro de casa depois de Charlie fazer aquela carinha.

Sam entrou na cozinha com Davi poucos minutos depois. Os dois desejaram bom dia e Sam começou a se servir em silêncio enquanto Davi se abaixou para brincar um pouco com Fubá. Damien percebeu que o clima entre Sam e Taylor estava meio estranho. Não havia conversas longas nem brincadeiras. O ruivo se perguntou se havia acontecido alguma coisa depois que ele foi dormir, mas também não iria ser intrometido e perguntar. Seja lá o que fosse eles iriam resolver.

Depois do café, eles voltaram para a “operação acabar com a imundice na casa do padrinho”. A operação, obviamente, foi batizada por Charlie. Eles conseguiram limpar com mais eficiência e menos bagunça e até Fubá ajudou não deixando presentes e mantendo as crianças entretidas.

No final da tarde, Sam avisou que voltaria para casa com Davi, pois John iria buscá-lo lá, porém Damien chamou Sam antes que ele saísse e o levou até a garagem. O clima entre o loiro e Taylor não melhorou durante o dia e dar o carro amenizaria um pouco a situação. Pelo menos era o que Damien esperava.

– Tá aí. Escolha. – Disse indicando os carros.

Sam arregalou os olhos e juntou as mãos em frente ao peito.

– Sério?! – Perguntou com os orbes claros brilhando. Ele saltitou entre os carros caríssimos. – Eu quero esse! – Para a surpresa do ruivo, Sam escolheu o carrinho mais pequeno, econômico e barato da garagem. – Ele é tão bonitinho! O que você acha, Davi!?

– Eu gostei. – O menino concordou.

– Então será esse! – Sam ergueu a mão na altura de Davi para receber um “high-five” do menino, que ainda precisou dar um pulinho para alcançar. – Vamos aterrorizar nas ruas de Canmore. – Ele falou para o pequeno.

Damien riu observando os dois. Pareciam duas crianças. Talvez fosse por isso que Sam se dava tão bem com Davi. Ele entregou as chaves do carro e Sam já foi embora, buzinando e dando tchauzinho do seu novo carro.

Pouco mais de meia hora depois, Carl veio buscar Charlie. A menina deu um show, chorou, fez birra, não queria ir embora de jeito nenhum, mas Taylor conseguiu, com jeitinho, convencê-la a voltar com o pai e prometeu que ela poderia passar outro final de semana na casa do padrinho e sem toda aquela sujeira para atrapalhar.

– Padrinho tem que manter a casa limpa! – Charlie disse ao ruivo. O rapaz coçou a cabeça e resmungou um “vou tentar”.

Depois que Charlie e Carl foram embora Damien, caiu no sofá e encarou o teto.

– Enfim, sós! – Falou para Taylor.

O médico se sentou no outro sofá, também exausto e, imediatamente, Fubá pulou para seu colo.

– Esse final de semana foi intenso. – Falou acariciando o cachorro, pensando no rato, nas bagunças, na conversa com Sam... Isso o lembrou que Damien estava disponível. Ou melhor, solteiro. Eram duas coisas bem diferentes. De qualquer forma, isso o deixou ainda mais nervoso ao perceber-se sozinho junto com o ruivo. Ele olhou para seu anfitrião, notando a forma charmosamente desleixada com que ele se esparramava sobre o sofá. Os braços fortes descansando sobre o encosto para as costas. Os gominhos do abdômen marcados de leve sob a camiseta larga. O rosto atraente que já havia seduzido tantas garotas antes.

Pare com isso”, falou para sua própria cabeça.

– Mas agora a casa é habitável. Até arrumar o banheiro você arrumou... Já posso usar o outro banheiro em vez de o do seu quarto. – Taylor comentou. Em parte isso era um alívio. Menos chances de se deparar com Damien saindo do banho apenas de toalha.

Damien colocou uma das mãos atrás da cabeça e fechou os olhos. Consertar o banheiro ele não queria não já que era uma ótima oportunidade para pegar Taylor nu ou de toalha, mas o ruivo também precisava de privacidade para fazer uma festinha no box pensando no médico. No dia em que se masturbou no banho, voltou depois e limpou dez vezes com medo de que Taylor flagrasse alguma evidência.

– Estou exausto. Acho que quando cair na cama hoje vou dormir na mesma hora. – Comentou e pouco depois abriu um olho e fitou o médico. – Aconteceu alguma coisa entre você e o Sam? Notei uma nuvem entre os dois. – Perguntou como quem não quer nada.

– Ah... Não foi nada. Tivemos uma conversa no sábado de noite... Mas amanhã já estaremos bem. – Taylor não detalhou nada, obviamente, e se levantou largando Fubá no chão. – Eu também estou cansado, e amanhã quero acordar cedo para ir para a academia. Após o trabalho é muito cansativo, então vou mudar o horário. – Comentou, bocejando.

Claro que Damien ficou curioso sobre a tal conversa, mas a parte de mudar de horário na academia atraiu toda a atenção dele. Ele não podia deixar Taylor sozinho no meio daquele monte de gente bonita! E ainda tinha os instrutores da academia que ficavam todos derretidos pelo médico e Taylor, pra irritar Damien ainda mais, era atencioso e sorridente com todos.

– Eu vou com você. – Avisou sem pensar muito que teria que levantar de “madrugada”.

– Quê? Não, Damien, eu vou acordar cinco e meia da manhã para estar na academia às seis e meia, e ainda conseguir chegar na clínica pouco antes das oito. – Taylor acabou rindo e sorriu torto. – Duvido que você consiga acordar tão cedo.

Damien fez uma careta. Realmente o negócio seria de madrugada. Mas deixar o médico sozinho estava fora de cogitação!

– Eu acordo sim! – Teimou no melhor estilo “Charlie” de birra. – E tenho dito!

Taylor ergueu as sobrancelhas. Ele achou que o ruivo desistiria rapidinho ao escutar as palavras acordar na mesma frase que cinco e meia da manhã. No entanto, ele não retrucou, apenas ergueu as mãos para cima.

– Ok, você que sabe. – Falou, apesar de achar estranha a insistência dele. Taylor olhou ao redor. – Ué, para onde o Fubá foi?

– Ah não. Não me diga que aquela bola de pelo sumiu! – Damien gemeu enquanto levava uma das mãos ao rosto. Levantou e foi só o tempo de ver Fubá correndo pelo corredor que nem um doido. – Olha ele lá. O que foi que ele viu? Outro rato? – O ruivo disse preocupado.

– Ah não! – Taylor reclamou, já se sentindo meio enjoado apenas ao imaginar. – Fubá! Nem invente de achar outro rato! Fubá! – O médico correu atrás do cachorrinho quando ele começou a latir em algum outro ponto da casa. Bem, havia inúmeros quartos e cômodos, mas Taylor acabou chegando a uma porta no final de um corredor, que estava entreaberta.

Ele a empurrou ao ouvir o cachorrinho ganindo ali dentro.

– Fubá? – Chamou preocupado.

Damien correu atrás de Taylor, que corria atrás de Fubá. No mínimo seria uma cena engraçada se não estivessem tensos com a possibilidade de o cachorro ter encontrado algum outro bicho estranho dentro de casa. Nessas horas, Damien realmente pensava em vender aquele negócio gigante e se mudar para um apartamento. Mas ele não conseguia. Apesar de ali ter sofrido com o tratamento dos avôs, também foi o único lugar em que foi verdadeiramente feliz enquanto a mãe ainda era viva.

– Ele encontrou alguma coisa? – O ruivo seguiu o médico para dentro do quartinho.

Para piorar a situação, a lâmpada do lugar não funcionava. Taylor pegou o celular e o usou como fonte de luz. Fubá havia encontrado um besouro, mas gania de medo do inseto.

– Cachorro besta. – Damien resmungou revirando os olhos.

– Ah, coitadinho! Vem cá, filhotinho. Não precisa ficar chorando. – Taylor falou carinhoso para o cachorro, ajoelhando-se e pegando-o no colo.

Distraídos pelo cãozinho, nenhum dos dois percebeu que a porta lentamente se fechava. Pelo menos não até que ela batesse com força, com um baque espalhafatoso, acabando com a fonte de luz externa para o quarto...

Notas finais
Sim, maldade acabar o capítulo assim! Mas Damien e Taylor presos no mesmo quartinho escuro... O que será que rola disso?! HAHAHA Feliz Natal adiantado, gente, e até sábado!