Notas iniciais
Olá. Atualizando rapidinho porque estou morrendo de dor nas costas (exercícios errado na academia T.T) aí ficar sentada muito tempo dói... Muito obrigada Lolita, imouto kawaii, Imperfect Girl, DCC, Ruth Echelon, LuOrtensi, Christine Ávila, cut, Wildest Dreams, Annie Granger, Michele, Lola, DanyRock Chan, Laura Jessy, LunaBiju, Naine, viviaalencar, Bella Hanes, Kaline Bogard, Agridoce, MaruChan, lucica, Bomer, Sayori, Um Fantasma Aleatório, Yuna, Mariana Lótus e lucy pelos reviews maravilhosos. Mila e eu amamos ler cada um. E vamos lá a 6 mil e poucas palavras de puro John e Sam xDD

Quando John acordou no dia seguinte estava com um pouco de dor de cabeça. Ele girou para o lado, agarrando um travesseiro sem muita vontade de levantar.

Como faria para encarar Sam depois de tudo que havia dito na noite anterior? E depois do que ouviu? Como conseguiria se segurar agora sabendo que o loiro o amava? John não tinha absoluta certeza dos seus sentimentos por Sam, ou negava-se inconscientemente a entendê-los. Ele permanecia algemado às palavras duras que o pai proferiu durante toda a sua vida, mas... Algo dentro dele acendeu quando Sam disse que o amava. Esperança, talvez?

John não queria sentir isso porque não conseguia ver um futuro para os dois.

Com um suspirou, levantou, foi até o banheiro e fez sua higiene pessoal. Vestiu uma camisa xadrez, uma calça preta, botas e pegou o chapéu. Pela previsão aquele dia seria ensolarado, como de costume para a época.

Quando chegou à cozinha, ele estancou ao ver Sam e Davi rindo e se divertindo enquanto tomavam café juntos. Tudo o que John mais queria era ver aqueles dois (e Teo também) sempre sorrindo daquela forma.

O moreno balançou a cabeça de leve. Não cabia a ele fazer Sam sorrir.

— Bom dia. – Cumprimentou para anunciar a sua presença. Foi até Davi e deu um beijo no topo na cabeça do filho. Para Sam, ele apenas fez um movimento com a cabeça sem conseguir encará-lo por muito tempo.

— Pai, o Teo acordou e foi pras cocheiras. Nem quis tomar café. – Davi contou.

Sam bebeu o café com leite em seu copo, evitando encarar John também. Por mais que adorasse Davi, tudo que ele queria era ir embora e não olhar mais para a cara do moreno. Sentia-se ridículo por ter-se declarado e ficado no vácuo. Chegava a ter vontade de chamar Scott para sua cama quando retornassem, apesar de saber que isso era errado com o rapaz e apenas uma forma infantil de se “vingar” de John.

— Sabastian está ensinando ele a como domar cavalos. – Sam murmurou. – Talvez eu deva aprender isso. Ajudaria a lidar melhor com certas pessoas. – Disse numa indireta.

Davi olhou para o loiro.

— Por que domar cavalos ajudaria com pessoas? – Perguntou.

— Porque os animais são, na maioria das vezes, melhores que nós seres humanos. Aprendemos muito com eles, sobre respeito mútuo, parceria e amizade. – Sam disse na mais absoluta calma e convicção, bebendo mais um gole do café.

John dificilmente ficava sem uma resposta para as provocações de Sam, mas aquela foi mais dolorida do que qualquer outra.

Você merece. Aguente quieto.” o moreno pensou enquanto puxava a cadeira. Sentou e começou a se servir enquanto fingia que aquela indireta (totalmente direta) não era para ele.

Enquanto ele comia, o cachorrinho que Sam trouxe com ele entrou correndo na cozinha. Davi soltou uma exclamação, todo feliz, e se esqueceu da conversa dos adultos.

— Eu vou passear a cavalo pelo rancho com eles hoje. Você não precisa ir. Vou falar com o Davi e explicar que você nunca montou antes e que não é seguro. – Falou em um tom baixo para que o filho não o ouvisse.

— Não preciso das suas falsas preocupações. – Sam disse azedo e se levantou, tirando seu prato e de Davi da mesa e levando-os até a pia.

John estreitou os olhos, levantou e se aproximou do loiro, prensando-o de leve contra a bancada. Davi continuava muito interessado em brincar com Fubá e isso deixou John tranquilo para se inclinar e murmurar contra a orelha do loiro:

— Assim você está parecendo um potrinho que precisa ser domado.

Um arrepio desceu pela coluna de Sam, mas ele deixou o queixo cair ao ser chamado de potrinho! Furioso, ele tentou com todas as forças ignorar a proximidade de John e começou a lavar a louça.

— Então talvez eu peça ajuda ao Sabastian. Ele é bom domando potros. – Rosnou arisco.

John deu um sorriso de canto de boca e aproximou ainda mais o corpo junto ao do loiro.

— Eu conheço alguns truques que o Sabastian nem sonha. – Sussurrou. – Só não te mostro agora, potrinho, porque o Davi está na cozinha. – Provocou.

Sam corou até as raízes do cabelo, sentindo o arrepio tornar-se mais forte.

— Pare de me chamar assim! – Reclamou, mas sua voz já não tinha a ferocidade de antes. Estava até um pouco encolhido, sentindo o corpo de John contra o seu, a respiração dele em sua orelha. Mas colocou os pratos no secador e se afastou o mais rápido que pôde, com as mãos ainda molhadas. – Eu e o Davi vamos dar uma passeada com o Fubá. Ele disse que tem outros lugares bonitos aqui perto para me mostrar.

— Tudo bem. Eu estarei nas cocheiras. Se você insistir na história de ir com a gente depois, iremos quando vocês voltarem. Eu preciso verificar como os potrinhos estão. – John enfatizou na palavra “potrinhos” só pra deixar Sam mais irritado ainda. Era sexy quando o loiro ficava todo vermelho de raiva. Bem, pensando bem... Quando John não achava Sam sexy? Seu caso de atração por aquele loiro já era terminal.

— Deixa a Pintadinha pronta pra o Sam, pai! – Davi pediu. – Eu vou ensinar pra ele como montar. Você vai ver que quando ele vier aqui de novo vai estar montando tão bem quanto você.

John riu com a confiança do filho.

— Claro. Quem sabe o potrinho não me surpreende e monta maravilhosamente bem? – Disse com um sorriso sacana definitivamente não se referindo a montar cavalos.

— Potrinho? – Davi perguntou abismado.

— Ah! – John coçou a nuca ao perceber que havia se referido ao loiro pelo novo apelido. – Às vezes o Sam parece um potrinho brabo. – Explicou ao filho.

— JOHN! – Sam vociferou de raiva e se aproximou rápido do moreno, desferindo um tapa generoso no braço dele. – Não fale essas coisas pro Davi! Idiota! – Brigou e pegou a mão de Davi. – Vamos, antes que eu arrebente a cara do seu pai!

Davi o seguiu com os olhos arregalados.

— Isso é briga de casal? – Ele perguntou curioso e um pouco esperançoso.

— É claro que não! – Sam exclamou exasperado, levando-o para fora da casa. Fubá os seguiu com passinhos apressados e atrapalhados, quase aos tropeços.

John não pôde deixar de rir com aquilo. Sam teria que fazer bem mais para machucá-lo com um tapa porque aquele não doeu nada. Porém, assim que eles saíram da cozinha e ele voltou a sentar à mesa, parou de rir e ficou sério. Por que ele sempre pensava mil e uma coisas e fazia justamente o contrário? Dizia que iria ficar longe de Sam, mas quando via já estava quase o beijando na cozinha e na frente do filho!

O homem gemeu enquanto afundava na cadeira.

Definitivamente seu caso aparentemente não tinha salvação.

XxxX

Depois que tomou o café, John foi às cocheiras e, tal como disse que faria, cuidou dos potrinhos. Eles estavam crescendo bem e certamente se tornariam cavalos e éguas fortes. Ele perdeu a noção das horas enquanto estava por lá acompanhado por Sabastian e Teo. Só percebeu que havia passado bastante tempo quando Davi apareceu com Sam.

— Lá vem o chato. – Teo resmungou.

— Não seja mal educado, Theodore. – John o repreendeu fazendo com que a carranca do filho mais velho aumentasse. – Davi gosta dele. Temos que aceitar isso. – Ele se virou para Sabastian em seguida. – Sele a Pintadinha. O Sam vai montá-la.

— Mas, pai! – Teo começou a reclamar.

— Vá ajudar o Sabastian, Teo. – John disse em um tom cansado.

— Depois vamos pular mais corda! E fazer mais yoga! E... – Davi falava empolgado. Os dois haviam passeado pelo rancho com Fubá. As paisagens eram lindas, mas depois da caminhada pararam sob a sombra de uma árvore e Sam ensinou umas posições do Yoga ao menino.

Assim que descansados, Sam conseguiu uma corda e amarrou na árvore. Segurando uma ponta, ele deixou Davi pular para brincar. Fubá chegou a se meter algumas vezes e levar umas rasteiras da corda, o que parecia deixar o filhote abismado e agitado, latindo sem parar enquanto os dois gargalhavam do cãozinho tentando morder a corda.

Só depois Davi e Sam sentaram sob a árvore e o mais novo começou a explicar como montar corretamente em um cavalo. Aí sim, Davi achou que o loiro estava pronto para mais uma aventura.

— Depois, nós podemos tomar banho de mangueira. Está quente! – Davi sugeriu. – Podemos dar banho nos cavalos!

— Nós podemos fazer o que você quiser. – Sam falou e bagunçou os cabelos do pequeno. Dizia isso, mas por dentro estava com um pouco de medo de andar a cavalo. Nunca havia feito aquilo e tinha receio de animais grandes. Vai que um daqueles bichos o mordesse?

— Papai! Eu vou montar sozinho, né? – Davi perguntou e se abraçou a John.

John abraçou o filho de volta e fez um carinho no topo da cabeça dele.

— Você vai montar a Lilu. – John disse. – Você já está montando bem sozinho e qualquer coisa eu estou por perto. Todos os nossos cavalos são mansinhos. Sam vai montar a Pintadinha e iremos bem devagar para não ter perigo nenhum.

O moreno puxou um dos cavalos pela rédea, um garanhão preto, e começou a selá-lo.

— Eu quero montar o Trovão um dia. – Davi disse empolgado enquanto fazia carinho no cavalo em que John iria montar.

Depois que todos os animais estavam selados e prontos, John foi ajudar Davi e Sam a subirem em suas montarias. Teo já estava montado e impaciente.

O moreno ajudou Davi primeiro e depois foi até Sam. Ele segurou o loiro pela cintura enquanto, desajeitadamente, Sam tentava colocar o pé no estribo para pegar impulso e subir.

— Não preciso da sua ajuda. – Sam empurrou a mão de John para longe e amarrou os cabelos em um rabo de cavalo frouxo.

Primeiro ele achou que iria acabar desabando diretamente pra o chão no lado contrário ao segurar as rédeas do cavalo e colocar o pé no estribo, dando impulso; porém ele conseguiu se firmar sobre a Pintadinha, apertar as coxas contra as laterais do corpo dela e segurar firme as rédeas. Ok, o que ele tinha de fazer com isso mesmo? Ah, sim, puxar para trás fazia o cavalo parar. Puxar para os lados fazia ele mudar de direção, esquerda ou direita. Para fazê-lo andar, tinha que agitar as rédeas ou... Ele não lembrava mais da outra opção.

Tudo aquilo Davi quem lhe ensinara.

— Não seja teimoso, Sam. – John disse sério enquanto segurava as rédeas para impedir que a égua começasse a se mover antes da hora. – Isso não é um brinquedo.

— Olhe quem está me mandando não ser teimoso! – Sam riu irônico e puxou as rédeas para longe de John. Isso fez a Pintadinha dar uns passos para o lado, e Sam quase morreu de susto. – Para, Pintada, senão não tem cenouras para você hoje! – Exclamou puxando as rédeas por reflexo. É, ele não tinha muita ideia do que cavalos comiam.

John estava com um péssimo pressentimento sobre aquilo tudo.

Ele ainda pensou em dizer para Sam descer e voltar para casa, mas sabia que iria apenas receber uma resposta atravessada e mal criada.

Com um suspiro ele foi até o próprio cavalo e o montou.

— Nós não vamos muito longe. – Disse ao pequeno grupo. – Sabastian, nós voltaremos em menos de uma hora. Cuide de tudo.

— Certo, chefe.

John bateu de leve as botas na lateral do cavalo que começou a andar de forma lenta. Sam ia um pouco mais à frente com Davi tagarelando ao seu lado (não que o loiro não tagarelasse em retorno). Teo acompanhava o pai.

Em algum ponto do passeio, Sam começou a achar aquilo divertido. Davi lhe contava histórias sobre suas primeiras cavalgadas com o pai e o irmão, e falava com amor sobre os cavalos, como se eles fossem bichinhos de estimação, tal como Fubá, que ficara na casa tirando uma soneca.

— Mamãe costumava andar de cavalo com a gente... – Davi comentou em dado momento, talvez uns trinta minutos depois que deixaram as cocheiras, adquirindo um tom um pouquinho mais triste. – Ela montava a Lilu. – Ele fez carinho no pescoço da égua. – Quando comecei a andar, eu sempre ia com ela na Lilu... Mas as coisas mudaram tão rápido. Primeiro o vovô morreu, depois mamãe foi embora...

— Você sente saudades dela? – Sam perguntou, sentindo o peito se apertar ao lembrar-se da mulher dando desculpas para não ver os filhos.

— Sinto... Mas agora tenho você para andar comigo! Você sempre vai vir andar comigo, né? – Davi perguntou com os olhinhos castanhos brilhando em esperança. – Mamãe acho que não quer mais...

Os olhos de Sam umedeceram.

— Sim... – Sorriu fraco. – Sempre.

Emocionado como estava, Sam não reparou na cobra que surgiu no meio do caminho. Dessa vez, não era uma cobra falsa. A serpente fez um movimento rápido contra o cavalo, ameaçada pelo animal maior, e Pintadinha se assustou, empinando as patas da frente e disparando a toda a velocidade.

Sam soltou um grito e se agarrou ao pescoço da égua para não cair. As rédeas haviam saltado para frente e ele não conseguia alcançá-las. Sacolejava tanto que ele nem sabia que direção tomavam, apenas fechou os olhos e chegou a rezar a um Deus que nem acreditava. “Sou jovem demais para morrer!” pensou verdadeiramente assustado.

Principalmente quando percebeu que a cela começou a ceder. Ela estava frouxa e começou a escorregar para trás, levando Sam junto...

John estava conversando distraidamente com Teo enquanto os cavalos andavam em uma marcha lenta quando ouviu o grito de Sam. O moreno ficou gelado ao ver Pintadinha correr em disparada com o loiro em seu lombo tentando se equilibrar. Imediatamente John incitou o cavalo para que ele começasse a correr e tentou não pensar nas piores possibilidades. Ele conseguiria alcançar Sam. Tinha que alcançar!

Porém, quando a cela cedeu, Sam foi de encontro ao chão e caiu aparentemente desacordado no chão.

John parou o cavalo, saltou e se ajoelhou ao lado do loiro com medo de tocá-lo. Sempre ouviu dizer que em situações como aquela não deveriam mexer na pessoa porque havia chance de piorar algum ferimento. O ator que fez o superman nos anos oitenta havia caído de um cavalo e ficado paraplégico... Não, John não podia pensar nisso. Sam estava bem! Ele precisava estar bem. Como John poderia viver sem aquele loiro teimoso? Assim como os filhos eram importantes para ele, Sam era igualmente importante no coração de John e ele não conseguiria seguir em frente sabendo que Sam não estaria lá para sorrir ou implicar com ele.

Eu amo ele!” pensou desesperado, sentindo que seu coração estava quase parando de bater. “Eu amo ele! Eu amo! Por favor, não o tire de mim! Eu preciso dizer isso a ele. Eu o amo! Estou completamente apaixonado por ele!”.

— Teo! – John gritou para o filho mais velho. – Pegue Davi e volte com ele para casa. Diga para o Sabastian ir buscar um médico na cidade!

— Pai... – Teo murmurou trêmulo.

Davi estava com os olhos arregalados e extremamente pálido.

— Agora, Teo! – John gritou desesperado. Não havia percebido, mas estava chorando e provavelmente isso só deixou os meninos mais assustados ainda.

Teo deu meia volta, pegou Davi, colocou-o montado à sua frente e voltou o mais rápido que podia para casa.

XxxX

Sam piscou desnorteado ao escutar as vozes.

O susto provavelmente o fizera desmaiar, porém seu pulso e um de seus tornozelos doía pra caramba. O loiro gemeu ao tentar se mover, e seus olhos encontraram o rosto desesperado de John.

— Estou vivo, para a sua infelicidade. Égua mansinha, ‘tá bom! Eu juro que poderia te dar uns tapas por me fazer acreditar nisso. – Murmurou tentando se mover. – Isso se meu pulso não estivesse doendo tanto. E, ai, meu tornozelo também dói. – Falou e passou a mão boa pelos cabelos. – Meu penteado deve ter ficado um horror.

John sentiu que podia respirar de novo quando ouviu o loiro falar. Ele nem processou direito o que Sam falou. Só que o pulso e o tornozelo estavam doendo. Sem se importar com nada, se alguém iria vê-los ou não, John abraçou-o com força, como se sua vida dependesse disso, enquanto deixava as lágrimas caírem livremente de seus olhos. E daí que seu pai dizia que homens de verdade não choram? John não queria mais perder tempo. Não queria mais viver preso às palavras dele. De que adiantava ser feliz pela metade? John era feliz pelos filhos, mas faltava algo.

Faltava Sam.

— Eu nunca senti tanto medo na vida. – O homem murmurou enquanto o apertava mais em seus braços.

Sam ficou paralisado dentro daquele abraço, seus olhos arregalados ao sentir as lágrimas do moreno em seu ombro.

— John...? – Chamou incerto. – John, eu estou bem. – Hesitante, acabou por abraçá-lo de volta.

— Quando eu vi o cavalo sair em disparada daquele jeito eu nem consegui respirar direito. A única coisa que eu pensava era que tinha que te alcançar antes que algo de ruim acontecesse. E quando te vi cair... Meu coração parou, Sam, parou! – John disse ainda completamente assustado. Ele se afastou um pouco para encará-lo e ter certeza absoluta de que o loiro realmente estava ali, inteiro, conversando com ele. – Como você pode dizer que está vivo para a minha “infelicidade”? Eu te disse que não consigo viver sem os meus filhos, mas também não consigo viver sem você! Quando eu te vi caído, a única coisa que eu pensava era que você não podia ir assim, não sem me ouvir dizer o quanto eu te amo e preciso de você!

Ok, se Sam estava perplexo antes, agora ele achou que havia entrado em coma ao cair do cavalo e estava tendo sonhos impossíveis envolvendo John. O loiro levou a mão à testa, sentindo-se zonzo e cansado.

— Acho que eu devo ter batido a cabeça forte demais... – Murmurou, não acreditando nem um pouquinho no que John estava dizendo. – Acabo de escutar você dizendo que me ama. – Riu sarcástico e descrente disso, achando-se louco por ter pensado ouvir tamanho absurdo.

John voltou a abraçá-lo, beijando de leve o ombro do loiro e o apertando com força nos braços.

— Eu te amo. – Murmurou. – Te amo, te amo, te amo... E vou dizer isso quantas vezes forem necessárias até que você acredite em mim. Preciso me libertar das palavras do meu pai, preciso me libertar de todo preconceito injetado dentro de mim durante toda a minha vida. Eu não posso mais viver pela metade, Sam. Não posso mais negar o que sinto.

Sam tentou falar, mas as palavras lhe faltaram. Seus olhos umedeceram, é claro. Ele era aquela maldita manteiga derretida e rançosa. Sam sentiu tanto medo ao escutar aquilo que afastou John e tentou se levantar sozinho, porém gemendo de dor e tropeçando. John se levantou rápido e o amparou, impedindo-o de cair novamente.

— Não acredito em você... – Sam balbuciou, nervoso e assustado, encolhendo-se nos braços do moreno. – Quando voltarmos para a cidade você vai voltar a me tratar mal. E aí o idiota aqui, que acreditou nisso, é quem acaba se ferrando de novo! Não, não vou cair nessa! Você só quer meu corpo nu! – Sam deu soquinhos no peito de John.

John suspirou. É lógico que Sam não iria aceitar isso fácil. Não depois de tudo pelo que passaram. E aquele não era o lugar para o moreno convencê-lo de que estava sendo sincero. Sem dificuldade, pegou o loiro no colo e o colocou sentado no cavalo em que veio montado. O animal estava pastando por ali e Pintadinha havia voltado e estava do lado dele.

— Nós vamos ter uma longa conversa, Pintadinha. – Disse para a égua que nem deu bola. Depois John montou atrás de Sam e o manteve bem firme em seus braços para evitar uma nova queda. – Meu coração não aguentaria se você caísse de novo. – Disse enquanto incitava o cavalo para que ele começasse a andar.

— Tinha uma cobra no caminho... Assustou a Pintadinha. E a cela cedeu. Você devia ter uma conversa é com aquele incompetente do Sabastian. – Sam reclamou, acariciando o pulso que parecia inchar aos pouquinhos. – Mas não precisa demiti-lo. Não se vê caras bonitos como ele em qualquer rancho. – Completou por implicância. Quem sabe assim John se irritasse e voltasse a tratá-lo mal, mostrando que aquele papinho de amor era furada.

John incitou o cavalo para que ele começasse a galopar. Estava segurando Sam firme e não o deixaria cair. Pintadinha e Lilu os seguiam de perto. Ele percebeu que o pulso do loiro estava inchando e queria chegar logo em casa para colocar gelo e fazê-lo tomar algum anti-inflamatório.

— Eu estou pensando em mandá-lo embora porque estou morrendo de ciúmes por você ficar prestando atenção nele, isso sim! – John retrucou sem desviar a sua atenção de possíveis perigos no caminho.

— Eu tenho olhos, não sou de ferro. – Sam revirou os olhos, fingindo-se de indiferente. Porém no fundo estava totalmente arrepiado pela pegada forte de John em sua cintura. – Enquanto você estava lá, me esnobando nesses últimos dois anos, eu estive aproveitando. – Alfinetou um pouco mais.

— Que bom que você aproveitou. – John fingiu não se importar realmente com aquilo e não morrer de ciúmes com a informação. – Mas agora acabou. Sem mais festas nem outros homens para você.

A casa já estava visível. Davi e Teo estavam na porta observando Sabastian se preparar para sair para a cidade mais próxima para buscar o médico que John havia pedido. O sinal para celulares pegava mal ali, logo era difícil chamar ajuda da maneira mais “moderna”.

— Ele está bem. Foi só um susto. – Disse enquanto parava o cavalo. Davi parecia a ponto de começar a chorar sem parar a qualquer momento. – Não precisa do médico, Sabastian. Amanhã bem cedo voltaremos para cidade e, assim que chegarmos lá, eu o levarei até a clinica.

Sam tentou descer sozinho do cavalo, com as orelhas vermelhas após John ter praticamente lhe dado um ultimato no maior estilo “você é meu e ninguém mais tasca”. Claro, não deu certo. Ele tocou o pé no chão e soltou um gemido de dor, precisando segurar-se ao Trovão.

Quando Sabastian fez o movimento de que iria aparar Sam, John imediatamente se colocou entre eles e o afastou com um olhar que dizia “Se você encostar nele está despedido!”. Sabastian saiu praticamente correndo de perto deles.

— Sam! – Davi se abraçou ao loiro que, mesmo com dor e pouco equilíbrio, passou um braço ao redor dele.

— Estou bem, seu pai falou a verdade. Desculpe por te assustar assim. Não sou bom com cavalos em alta velocidade. – Sorriu ameno e se inclinou para dar um beijo na testa do menino, que apertava os olhos para não chorar. – Ah, vamos. Você pode chorar comigo quando a gente assistir a um filme de drama, mas não por causa desses meus machucadinhos. – O loiro brincou, mas era evidente que estava se esforçando para não demonstrar a dor que sentia.

— Davi e Teo, vão pegar gelo enquanto eu coloco o Sam na cama. – O moreno pediu enquanto pegava o loiro no colo e o levava para o quarto. O seu quarto. O colocou na cama e começou a analisar os ferimentos do mais novo. Ele estava um pouco arranhado, o pulso e o tornozelo inchados. – Parece que não há nada quebrado, mas amanhã vamos fazer um raio-x para ter certeza. Até lá você vai ficar de molho na cama.

— Quero ir para o meu quarto. – Sam cruzou os braços e fez um bico que muito se assemelhava ao das crianças teimosas. – Não pense que pode abusar de mim só porque estou machucado.

John ergueu as sobrancelhas.

— Você não vai sair do meu lado, potrinho desconfiado. – Disse em um tom tranquilo. Naquele momento, Teo e Davi entraram no quarto com o gelo e John se virou sério para falar com os filhos. – Meninos, a partir de hoje o Sam é meu namorado. – Admitir aquilo para os filhos, em alto e bom tom, era o primeiro de muitos passos que teria que dar. E, bem, Sam sabia que ele nunca mentia para os filhos e não iria falar isso se não estivesse sério em relação a ele.

Sam primeiro quis bater em John por continuar com aquele apelido, depois congelou ao vê-lo falando aquilo para os garotos. Seu rosto pegou fogo e o coração disparou como Pintadinha mais cedo. Ele abriu e fechou a boca, mas quando deu por si, Davi pulava em suas pernas com um sorriso gigante.

— Isso é verdade?! Vocês vão ficar sempre juntos agora?! – Era aquele rostinho lindo, fofo e esperançoso do menino, que deixava Sam completamente incapaz de negar.

Sam já não sabia se queria matar John, ou desmaiar de emoção por ele os declarar como namorados (sem nem perguntar-lhe nada, diga-se de passagem!).

— É-É... E-Eu acho... – Sam gaguejou, tentando forçar um sorriso. Sua cabeça estava mais confusa que o centro de um furacão, e ele evitou ao máximo olhar para John.

— É verdade, Davi. – John disse ao filho. Sentou na ponta da cama e fez um sinal para que os dois se aproximassem. – Eu gosto do Sam há muito tempo, mas não tinha coragem para admitir. O avô de vocês me encheu de coisas, de histórias... Que ele achava serem certas. Mas depois que eu o vi cair daquele jeito e percebi que poderia perdê-lo resolvi aceitar o que sinto. Eu amo o Sam e quero ficar com ele.

— Mas... Mas, pai... – Teo balbuciou. – Ele é um homem. E você também.

— Nós somos duas pessoas, Teo. – John afirmou para o filho. – Não importa nada mais que isso. Eu quero muito que vocês aceitem isso, mas não vou forçar nada.

— Eu aceito! – Davi ergueu o braço, deixando clara sua alegria com a notícia. – O Sam vai vir morar com a gente? – Ele virou-se com olhinhos do “gato de botas” para John.

Atrás dele, Sam movia os braços e a cabeça de um lado para o outro, pedindo para que John negasse.

John queria dizer que sim, mas era fato que Teo precisaria de mais tempo para aceitar aquela situação e Sam também. O moreno sabia que fora golpe baixo praticamente obrigá-lo a aceitar o namoro daquela forma, na frente de Davi, sabendo que ele não teria coragem de negar.

— Nós vamos namorar primeiro, Davi. Um passo de cada vez. – Disse ao filho que murchou um pouquinho com a resposta. Sam soltou um suspiro baixinho de alívio.

— Pai... – Teo o chamou enquanto olhava para todos os lados menos para ele. – Eu deixei a cela frouxa. – Confessou em um tom tão baixo que John quase não ouviu.

— O QUÊ? – John gritou fazendo com que o menino se encolhesse de medo.

— John... – Sam chamou, percebendo que John parecia prestes a dar o maior sermão que Teo já havia recebido junto com umas boas palmadas. É, o loiro tinha notado que, enquanto Davi o adorava, Teo parecia odiá-lo. Mas ele era apenas uma criança e tinha certo preconceito precoce com homossexuais por conta de John. Claro, ficou surpreso com a tentativa de Teo de lhe sabotar, mas sabia que o menino não devia ter real intenção de machucá-lo. Suspirou. – Teo certamente não queria me machucar de verdade. E a atitude dele... Pense se não é um reflexo das suas próprias atitudes antes de começar um sermão.

Não que Sam não achasse que John precisava conversar seriamente com Teo, mas com calma, não aos berros.

— Nós vamos conversar depois, Theodore. – John estava cansado demais para continuar aquela conversa naquele momento. – Eu preciso cuidar dos ferimentos do Sam agora.

O menino deixou os ombros caírem, segurou a mão do irmão do mais novo e começou a puxá-lo para fora do quarto, mas Davi não parecia querer sair de perto de Sam.

— Obrigado pelo gelo, Davi. – Sam referia-se ao gelo dentro de uma sacola de plástico que os meninos haviam trazido. Ele colocou no pulso e fez uma careta de dor. – Mas eu acho que preciso também de algum analgésico, ou anti-inflamatório. Tem algum na casa? – Olhou para John.

— Sim. Com duas crianças tenho sempre que andar com uma minifarmácia. – John respondeu e deu instruções para que os meninos encontrassem a caixinha com os remédios. Depois que os dois deixaram o quarto, John se aproximou e fez o movimento de que iria tirar a blusa do loiro. – Acho que talvez seja melhor você tomar um banho, comer alguma coisa e dormir.

Sam sentiu-se muito tímido de repente. O que era ridículo. Ele nem era tímido, e John já o vira sem roupas antes. Mas o moreno estava todo carinhoso e atencioso, e isso era estranho... Bizarro até! Sam encolheu os braços, impedindo John de despi-lo.

— Posso fazer isso sozinho. – Murmurou, mas dessa vez não como se rosnasse. Tudo o que John havia dito aos meninos... Só de lembrar enrubescia.

John sentou ao lado dele e o encarou por algum tempo. Depois começou a passar os dedos lentamente pelo rosto do loiro, pelas bochechas, pela boca... Sem conseguir se controlar se aproximou e roçou de leve a boca na dele, em um beijo hesitante, e casto. John nunca se sentiu calmo perto de Sam. Sua vontade era de deitá-lo naquela cama e amá-lo até a exaustão. Precisava senti-lo. Precisava tê-lo. Porém, Sam estava machucado e John não queria piorar as torções.

— Enquanto você estava por aí “aproveitando” nesses dois anos, eu estive sozinho. – John murmurou. – Imagine quando eu colocar minhas mãos em você... Mas hoje não. Você está ferido e eu vou provar que eu não quero apenas o seu corpo nu. Eu quero o seu coração. Eu quero você 100% na minha vida.

O coração do loiro falhou algumas batidas, como se tivesse se esquecido de como bater direito. Ele puxou o ar errado e acabou ofegante. Não resistiu e acabou segurando o moreno pela camisa dele com a mão boa e deixou sua boca roçar na dele novamente, já se sentindo mole enquanto a respiração quente de John aquecia seus lábios.

— Eu não aproveitei nada, não tinha graça. Você sempre dava um jeito de... – Sam não conseguiu finalizar. Davi e Teo apareceram com os remédios, e o loiro soltou John, afastando-se com as bochechas vermelhas.

John ficou curioso para saber o que Sam ia dizer, mas tinha que focar em cuidar dos ferimentos dele primeiro. Agradeceu aos meninos e pediu que eles fossem buscar Sabastian para que ele preparasse uma sopa para Sam. Davi continuava não parecendo muito animado em sair de perto do loiro, mas acabou atendendo ao pedido do pai.

— Certo. Banho primeiro. – John pegou Sam nos braços e o levou até o banheiro. O segurou com força pela cintura enquanto o loiro, com alguma dificuldade, tentava tirar a roupa. – Você está tremendo. – O moreno murmurou perto da orelha dele. – Eu disse que não vou fazer nada. Pelo menos nada que você não queira ou que possa te machucar. Prometo que vou fazer amor com você com a mesma intensidade e a mesma loucura da primeira vez, mas só quando você estiver recuperado. Você sabe que eu não sei ser delicado, potrinho.

— Exibido! Arrogante! – Sam exclamou e se virou para ele. Precisou apoiar os braços nos ombros dele, ou cairia. Seu tornozelo doía bastante, e ele só podia se apoiar num dos pés. – Eu não sei se te bato, ou se... – Sam mordeu o cantinho do lábio e aproximou o rosto ao do moreno. Aquele idiota estava se achando muito, e o loiro quis provocá-lo também. – E se eu disser que não pode me beijar, vai resistir mesmo assim? – Roçou o corpo ao dele, deixando os lábios a milímetros e os olhos apenas entreabertos.

John deu um sorriso meio malvado, meio malicioso e suas mãos foram até as nádegas de Sam.

— Quem disse que eu preciso beijar? Posso fazer outras coisas. – John guiou Sam até o box. Lá dentro havia um banquinho que John usava às vezes para sentar depois de um dia longo no rancho e mal tinha forças para ficar de pé, então sentava e ficava embaixo da ducha até se sentir firme para levantar e terminar o banho. Ele tirou a calça e a cueca do loiro enquanto beijava o pescoço, os ombros e as costas dele, e o fez se sentar no banquinho. – Que tal um orgasmo bem gostoso para você dormir bem? – Perguntou enquanto segurava o pênis de Sam. O chuveiro havia sido ligado e Sam já estava completamente molhado e mais trêmulo ainda.

Sam gemeu e levou a mão à boca, tapando-a. Seus olhos fecharam e ele sentiu todo o corpo corresponder aos toques e beijos do moreno ajoelhado à sua frente. A barba por fazer de John roçava em seu pescoço, e a mão dele segurou sem hesitação seu pênis. Sam achou que fosse desfalecer. Ele não estava esperando essa reação tão... Segura de John. E, Deus, isso era muito sexy!

Antes que caísse para trás, Sam circulou a cintura do moreno com as pernas e segurou-o pelos cabelos com a mão boa. A água caía sobre seu rosto, e o loiro jogou a cabeça para trás, deixando-a atingir em cheio seu rosto, que pegava fogo. Seus cabelos molhados escorregaram de vez do rabo de cavalo frouxo e mal-feito após a queda, descendo por suas costas.

— John... – Gemeu, com a respiração pesada.

John estava hipnotizado, olhando Sam sem nem ao menos conseguir respirar direito.

— Será que você tem noção do quanto é sexy? – O moreno perguntou enquanto dava leves beijos e alguns chupões pelo peito do loiro. – Será que você tem noção do quanto eu te desejei nesses dois anos? O quanto eu me chutava por dizer aquelas coisas estúpidas quando na verdade tudo o que eu queria era te jogar na cama e te beijar?

Enquanto ele beijava e chupava, sua mão trabalhava no pênis já completamente desperto do loiro. Seu próprio pênis estava duro e vazando pré-gozo dentro da calça que ele não havia tirado. Mas seu próprio corpo não importava naquele momento. Sam era sua prioridade.

— Eu te amo, Samson Hill. Você quer namorar comigo? – Ok, estava atrasado, mas não custava nada perguntar.

Sam achou que estava em algum sonho. Tinha batido a cabeça forte demais. Dava para acreditar no que estava acontecendo? Porém, as sensações em seu corpo eram tão intensas que não podiam ser falsas, certo? E seu corpo era tão sensível, tão carente de John, que já sentia que em breve acabaria gozando na mão dele.

— S-Sim... – Falou com dificuldade e soltou uma exclamação de prazer. – Ah, Deus, sim! – Puxou o rosto do moreno e o beijou, os lábios deslizando fácil devido à água que escorria sem parar. Em meio ao beijo, Sam acabou liberando-se na mão do maior e ficou mole nos braços fortes, gemendo baixinho contra a boca dele.

John sorriu enquanto sentia Sam cair contra ele e suspirou enquanto o abraçava. Ele sabia que ainda teriam que conversar, que quando Sam estivesse pensando com mais clareza tentaria chutá-lo, mas por hora ele se permitiu desfrutar daquele momento. Com cuidado apoiou Sam na parede e começou a lavar-lhe o corpo, tomando cuidado com o pulso e o tornozelo ferido além dos arranhões na pele branca do loiro.

Depois o moreno enxugou o corpo de Sam e o levou, nu, de volta para o quarto e o colocou embaixo das cobertas após fazê-lo tomar o remédio. Naquele meio tempo Sabastian fez a sopa e John ajudou o loiro a tomá-la já que Sam torceu o pulso direito e não estava podendo usá-lo e, ao tentar usar a mão esquerda, quase derrubava tudo porque continuava tremendo.

— Eu vou dar na sua boca, potrinho. – John disse com paciência enquanto pegava a colher da mão dele.

— Se você continuar assim... Vou achar que foi você quem caiu do cavalo e bateu a cabeça, não eu. – Sam falou um pouco contrafeito (depois do orgasmo, ficou tímido de novo enquanto John o lavava e secava tão cuidadoso e carinhoso), mas acabou aceitando a colherada de sopa que ele oferecia.

Como estavam entre as montanhas, assim que o sol sumia, o frio chegava e uma sopa quente era mais do que bem vinda. É, Sam estava achando todo aquele cuidado um exagero, mas ele aproveitaria enquanto John estivesse sob efeito das drogas que ele havia tomado. Porque Sam continuava achando que o moreno iria acordar no dia seguinte e voltar a ser o mesmo John de sempre.

— E você pretende me deixar nu por quanto tempo? — Perguntou após engolir a sopa.

— Na verdade, para sempre enquanto você estiver na minha cama. – John respondeu bem humorado e engoliu uma colherada da sopa também para ver se estava boa. – Primeira regra do nosso relacionamento: nada de roupa na cama. Segunda regra, trancar a porta do quarto para que os meninos não nos flagrem em uma situação comprometedora. Há alguma regra que você queira me dizer?

Sam abriu e fechou a boca, incapaz de encontrar palavras. Que moreno abusado!

— A minha regra é que se você continuar abusado dessa forma vai dormir é no sofá! – Sam se deitou na cama, virou em direção da parede e se tapou com o cobertor até o pescoço. – Estou satisfeito. – Resmungou. Em realidade, sentia-se exausto, dolorido e com pouco apetite.

John sorriu enquanto deixava a bandeja sobre a mesa de cabeceira. Depois que Sam dormisse levaria até a cozinha. Lentamente o moreno começou a tirar a roupa molhada, que encharcou parte do quarto.

— Tem que ir escovar os dentes antes de dormir... – Comentou enquanto empurrava o edredom.

— Não quero. – Sam falou num muxoxo e se encolheu mais na cama.

— Acho que tenho três crianças dentro de casa agora. – John deitou na cama e o puxou para ficar deitado sobre o seu peito. – Ou melhor, duas crianças e um potrinho teimoso.

Sam escondeu o rosto no peito do moreno, respirando fundo e adorando sentir o cheiro amadeirado dele invadindo suas narinas. Abraçou-o de maneira desajeitada por conta do pulso.

— Estou com medo... De me apaixonar ainda mais por você. – Sussurrou e pôde ouvir o coração do moreno bater mais forte.

John colocou a mão sobre a cabeça dele e murmurou o nome do loiro enquanto pedia que ele o olhasse. Os olhos azuis de Sam brilhavam, mas ao mesmo tempo era possível ver lá no fundo as incertezas e o medo.

— Terceira regra do nosso relacionamento: eu nunca, nunca, nunca mais vou te tratar mal. Se eu fizer isso, você pode terminar comigo na mesma hora. – Disse em um tom firme.

— Se você me tratar mal de novo, depois de tudo que falou, eu não vou apenas terminar com você. Vou te castrar e dar teu pingulim de comida pro Fubá. – Sam rosnou, tentando parecer ameaçador.

John riu e abraçou o loiro fazendo com que ele voltasse a deitar com a cabeça descansada contra seu peito.

— Muito assustador. Manterei a sua ameaça em mente. – Disse enquanto encostava a bochecha na cabeça dele. – Agora durma, potrinho arisco. Você precisa se recuperar para que eu te dome direito.

— Pare de me chamar disso! – Sam reclamou, mas acabou rindo pela felicidade que crescia em seu peito a cada novo minuto, e se acomodou confortável no peito de John. – Como você é irritante...

— Não, eu não vou parar. – John retrucou enquanto deslizava a mão lentamente pelas costas dele. – E você me ama mesmo sendo irritante assim.

— Convencido idiota... – Sam retrucou baixinho, mas já quase adormecia e entrava no mundo dos sonhos. Só esperava não acordar no dia seguinte e descobrir que tudo aquilo, em realidade, havia sido um sonho.

Por hora, ele acreditaria que não.

Notas finais
Pintadinha, melhor cupido! Davi super feliz. Tem pessoa mais linda do que esse menino feliz? Own! E o John... FINALMENTE SAIU DO ARMÁRIO! ahauhauhuahuahua Acho que muita gente vai dormir feliz depois desse cap. xDD Muitos beijos pra todos. Bia Yuuji.