Cadê meu gancho, Bon Bon? –ONE SHOT-
1 Capítulo único, Bon Bon?
Notas iniciais
Meus olhos se abriram lentamente, havia luz da lua entrando pela janelinha, já estava de noite.
Mas para que servia a noite, se você está preso num lugar, sem opção de sair?
Bocejei escandalosamente, como um cachorro, e vou dar minha coçada noturnal nas costas, adoro isso, me faz sentir-me feliz.
Então estendi meu braço esquerdo, porém quando eu ia coçar...
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! –Berrei como um maluco, meu braço! Meu gancho, cadê?! ONDE ESTÁ?
Ah, mas esse gancho faz parte de mim! Eu vivi (Quase) toda minha vida com ele! Não posso perdê-lo... QUEM PEGOU? Eu preciso da minha personalidade de pirata de volta!
–CADÊ MEU GANCHO SEUS FILHAS DA MÃE?! –Gritei apressado, mas então eu me esqueci que não posso ficar com esse buraco metálico aqui, então vou enrolar com uma bandana pirata. Quando saí, esbravejei meia dúzia de palavrões que aprendi “nos mares”.
Os meus três amigos animatrônicos estavam jogando... Pôquer? Bem, estavam, e todos me encararam, procurando alguma explicação que definisse o porquê da minha raiva, ah! Mas eles vão ver só.
–Olá Foxy, vejo que não dormiu bem. –Comentou irônico Freddy, enquanto apostava 20 dólares no jogo, urso filho da mãe.
–QUEM PEGOU?! –Gritei quase explodindo de raiva, e me pareceu que Bonnie sorriu em uma fração de segundo, ele está gostando disso?!
–Pegou o quê? –Perguntou Chica, que com uma cara maliciosa, desceu suas cartas, parecia que ela poderia ter ganhado, ah galinha esperta, pode muito bem ter sido ela...
Estendi o braço esquerdo quase entrando em pânico, fazendo a cara mais desesperada que eu podia. Mostrei meu braço, demorou alguns minutos para os animatrônicos LERDOS, perceberem o que estava faltando, o meu lindo gancho prateado, que saudade...
–Ih, oh só! Foxinho perdeu o gancho! –Chica disse, e gargalhou logo depois, ora... Eu vou arrancar o braço dela...
–Nossa, que pena cara, pega um de plástico. –Freddy ironizou, e logo depois desceu mais cartas, certo de que ganhou o jogo, como eu vou usar um de plástico? Isso não faz minha imagem!
–EU MATO TODO MUNDO AQUI, SE EU NÃO ACHAR MEU GANCHO! –Berrei soando como uma criança, já estou desesperado, faço tudo pelo meu maravilhoso coçador de costas... Meu gancho...
Então, Bonnie desceu suas cartas sorrindo, ele havia ganhado o jogo, deixando Freddy de testa franzida, e Chica boquiaberta. Ele não é bobo não, as vezes eu acho que ele é o segundo mais inteligente daqui... O primeiro sou eu, é claro.
–Ganhei. –Disse, e assim saiu com um sorriso gigante no rosto, e eu fiz uma cara de raiva e ódio, foi ele sim, sempre é ele que apronta...
Resolvi seguir ele, para encurralá-lo e perguntar onde estava meu gancho, afinal, não aguento mais esperar nem meio minuto.
A medida que Bonnie ia andando pela pizzaria, eu tentei ser mais oculto do que o Golden Freddy, seguindo-o sorrateiramente, até que do nada o coelho dá um salto, e eu tenho tempo apenas de arregalar os olhos, pois o danado me derruba no chão e fica em cima de mim... YARRE!
–Bonnie seu filho da puta! –Esbravejei irritado e envergonhado por ser derrubado tão facilmente- CADÊ MEU GANCHO?!
O coelho fez uma expressão séria e ficou me encarando, então o imitei. Ele parecia estar pensando, e olha que normalmente ele não pensa muito, apenas FAZ!
Bom, o “disgramado” começou a rir escandalosamente, e eu fiquei sem entender nadinha. Esse coelho é maluco?
–Hahahaha! Você devia ter visto sua cara hahahaha! –Ele dizia em meio as risadas, então era isso, ele pegou meu gancho... Eu vou esganar ele...
–Porra seu irritante! –Gritei me levantando- Agora dá meu gancho! –Chiei, e ele continuou rindo.
–Ora Foxy, menos “rage” por favor! –Bonnie ainda estava rindo, e eu apenas cruzei os braços e fiquei batendo o pé, se ele não me devolver logo, juro que arranco as orelhas dele.
Ele pareceu parar de rir e começar a chorar, que estranho! O que será que aconteceu? Segurei seus ombros, e pude ver ele com as mãos no rosto, acho que ele ficou bipolar, ou maluco mesmo.
–Ei... –Falei, alisando sua cabeça enquanto ele soluçava- Você está bem? –Perguntei, já estou assustado dele chorando assim... Acho que ele precisa de um médico de cabeça.
Do nada, o desgramado... Deu um pulo e começou a rir da minha cara, de novo. Eu já estou mais que confuso, e com vontade de desmontar cada peça de metal desse idiota, ele está tentando me confundir?!
–HAHAHA, você caiu nessa! –Bonnie ria igual a um maníaco, e eu então desabei no chão, esse coelho é incompreensível e maluco, eu preciso ficar longe dele, vai que a loucura me afeta, não?
–Poxa Bonnie... Pare de me assustar... –Falei esfregando a testa, eu realmente me preocupo com ele, quando éramos humanos, ele sempre foi tão propenso a depressão... Mesmo com seu otimismo, é estranho como o fato de que as pessoas mais legais podem se tornar pessoas trágicas.
–Ah, relaxa cachorrinho! –Ele tentou me tranquilizar, mas quem deu essa autorização de me chamar de cachorro? Eu sou um CA-NI-NO, não um cãozinho- Eu só queria alguém para pregar uma peça...
Ele fungou e pude ver que ele estava meio sério meio brincalhão, lá vem relato!
–Quando eu tento com a Chica, ela nem se importa, e me dá um monte de tapa... Quando eu tento com o Freddy, ele arranca meu rosto e esconde... –Ele fungou escandalosamente, e admito que isso me deu um pouco de pena, ele é meio brincalhão da forma errada- E eu nunca tentei com o Goldy, pois se eu chego perto dele ele me dá medo.
Bonnie se sentou, e eu apenas fui para seu lado. Eu entendo, ele gosta muito de brincar, sempre foi assim... Mas acho que hoje em dia ninguém mais curte as brincadeiras dele, é como se todos tivessem mudado...
Bom, na verdade todos mudamos, ninguém é mais o mesmo depois de VÁRIOS anos fazendo a mesma coisa no mesmo lugar.
–Olha Bonnie... –Segurei seu ombro, e suspirei pesadamente, pois não creio que vou fazer isso- Pode pregar peças o quanto quiser comigo, eu sei o quanto é difícil se divertir aqui... Então...
Aos poucos, ele foi tirando a cabeça do joelho, e sorrindo de leve, é bom saber que eu consigo fazê-lo sorrir, ele é meu segundo melhor amigo, o primeiro é o guri do Mike, mas isso não vem ao caso.
–Então... Mesmo eu estar de boa contigo, eu ainda quero meu gancho. –Avisei, já está mais que na hora de me devolver uma parte de meu corpo.
Bem, ele resmungou baixinho, -coisa que é normal dele quando não consegue algo- e então se levantou, aleluia, acho que minha esperança renasceu.
–Bem... –Ele começou- Você vai ter que... –Então eu percebi que ele começou a rir, oh não Bon...- PEGAR DE MIM!
E lá foi ele correndo, e eu como um otário, fui atrás, os dois correndo a pizzaria, que engraçado e ridículo, de certa forma eu não quero estar aqui no dia primeiro de Abril.
*** 15 minutos depois ***
–Eu desisto! –Gritei enquanto caía no chão, puxa vida, eu estou mais cansado do que nunca, alguém me socorre!
Pude ver ele se aproximando, ele estava com meu gancho na mão, acho que está feliz por eu ter desistido.
Levantei e cocei minha cabeça com a mão boa.
Fui estendendo a mão devagar para pegar meu gancho... Bem devagar para ele não fazer mais nada... Espero que ele não faça...
De repente, ele puxa o gancho e sorri de uma forma que eu posso considerar maníaca ou maliciosa...
–Só se me der um beijinho! –Ele pediu, e começou a rir, nossa Bonnie, como isso é velho.
Revirei os olhos e bufei, se ele ficar com meu gancho por mais dez segundos eu arranco a cara dele, opa...
–Me dê logo isso! –Gemi já mais do que irritado, e ele fez bico.
Só pude ver o gancho voando na minha cara e então, eu caí para trás com algumas cambalhotas, oh coelho irritante.
–Toma. –Ele disse, comecei a encaixar meu gancho no lugar, finalmente.
Pude ver ele resmungando e chutando copos que estavam no chão, acho que ele está um pouco bravo... E eu não creio que vou fazer isso.
Corri em sua direção e segurei seus ombros, o virei para mim e fitei seu rosto, acho que estou ficando maluco em fazer isso, mas o que mais posso fazer?
–Ei... –Ele gagueja, mas quanto mais aproximo meu rosto do seu, ele simplesmente arregala os olhos e congela.
–Eu te solto, -Falei, então encostei meu focinho no seu- só se você me der um beijinho.
A reação dele foi um tanto anormal, eu achei que ele fosse me empurrar ou algo do tipo, mas não... Ele me beijou.
Oh Deus, que castigo... Ter que aguentar isso sem poder agarrá-lo... Pois posso o assustar... Mas essa sensação de nós dois juntos... É algo que eu penso ser maravilhoso...
Nos beijamos intensamente, e de tempos em tempos, me vinha memórias de nossa infância, realmente, ele era meu segundo melhor amigo, tirando o Goldy, mas nunca achei que ele fosse Gay...
Arfei e me separei devagar, para não o entristecer, olhei em seus olhos, ele parecia um tanto confuso e feliz.
–Uau. –Bonnie finalmente disse, e eu sorri, exibindo os caninos, consegui provocar nele tudo que queria, e isso o deixou alegre de novo.
–Então, quer mais um? –Perguntei totalmente convencido de que ele gostou, e ele riu, como é bom vê-lo sorrir.
–Vem comigo. –O coelho disse e começou a me puxar, óbvio, eu não tenho outra opção a não ser, ser arrastado por esse animal meio forte.
Aos poucos passamos por todos os lugares da pizzaria, eu estou surpreso o quanto ele ficou calado todo o trajeto.
O que será que eu senti naquele beijo? Amor? Não sei, mas ele quis tomar a iniciativa, e eu aceitei, então sou tão bicha quanto ele. Quem diria, um pirata... Há, isso é muito irônico, pelo fato de que piratas são considerados uma sociedade “muicho macha”, mas eu já não sei.
De repente, chegamos na minha “casa”, minhas cortinas roxas, e ele me puxou para dentro... Bon bon esperto...
–Então... –Perguntei um tanto curioso para ver onde isso ia dar- O que viemos fazer aqui?
Bonnie me olhou nos olhos e novamente colou seus lábios nos meus, e eu retribui, afinal, quem sou eu para deixar uma oportunidade dessas passar?
Ah que fragrância romântica, mas está muito tediosa... Será que eu posso?...
Já não quero saber, empurrei Bonnie na parede, e pude ver a cara dele mudando para curiosidade.
Aos poucos, fui colocando minha perna ao seu lado, fazendo uma espécie de barreira para que ele não fugisse... Pois agora quem acordou foi meu gigante, e ele não vai descansar até ter o que quiser... Foi mal Bon Bon.
–Foxy... O que você vai fazer?... –Ele perguntou ofegante, e eu aproximei meu rosto do seu, ah Bonnie... Cê tá fudido...
Com meu gancho, rasguei sua pele, e ele soltou um gemido que acabou me deixando muito mais animado...
–Não era isso que queria?... Agora terá Bon Bon... –Falei segurando sua nuca, e ele arfou baixinho.
–Sabe... –Ele disse enquanto mexia no rasgo que havia em “minha pele”, isso me provocou um pequeno arrepio- Sempre achei o seu jeito de pirata meio careta.
Era isso que ele queria me dizer?
–E eu sempre achei seu jeito de brincalhão irritante. –Contra ataquei, e ele riu.
–Pelo menos eu não falo Yarr o tempo todo. –Bonnie se aproximou e olhou fundo em meus olhos.
–Pelo menos eu não sou um viadão. –Eu rosnei enquanto encostava minha testa na sua, e ele gargalhou.
–Bem-vindo ao clube, viadérrimo. –Então ele me beijou novamente, e então eu comecei a tirar sua roupa.
Não sei porque, mas eu sempre desconfiei que nós não éramos simples bonecos, estranho não?
De certa forma, todos nós temos órgãos, é estranho, mas temos, acho que nosso corpo de criança se adaptou aqui, estranho e surreal, mas verdadeiro.
Bonnie se abaixou e começou a fazer algo que eu concordo que me fez delirar... Movimentos leves com a língua... Coelho irritante...
–Bonnie... Sua boca é tão pequena assim? –Perguntei já frustrado, e ele mais uma vez riu.
–Se ela for, é do tamanho do seu pênis otário. –Eu ri levemente, e ele abocanhou de vez.
Fechei os olhos e senti aquilo, o momento era decididamente estranho, mas era um prazer que eu nunca recusaria, nunca.
O levantei e virei-o de costas para mim, ele riu e arfou um pouco.
–Um coelho não deveria ter um pompom de rabinho? –Perguntei curioso, pois sempre vi os coelhos assim.
–Vai ver que no lugar disso colocaram um buraco. –Bonnie respondeu, e eu ri de leve.
Então o fiz, Bonnie gemeu numa espécie de oitava aguda, uma espécie de grito com gemido, mas é uma bicha mesmo.
Enquanto eu fazia movimentos rítmicos, e ele gemia parecendo uma cantora de ópera, apenas aproveitávamos o momento, nosso momento.
Mas tudo que é bom, só dura uns 20 minutos.
–MAS QUE PUTARIA É ESSA AQUI?! –Ouvi um grito atrás de nós, e ora, não vou parar por isso, virei a cabeça e vi Chica de olhos arregalados, com o cupcake que ela carrega na mão, na cabeça.
–Oi Chica. –Falei naturalmente, e isso fez Bonnie rir.
–QUE PORRA É ESSA? O BONNIE É... PASSIVA?! –Ela gritava e perguntava, e eu dei de ombros.
–Não sei, você é Bon Bon? –Perguntei me virando para ele, e ele olhou para mim.
–Mais rápido. –Ele disse, e eu gargalhei alto, fazendo movimentos mais rápidos.
Chica estava paralisada, e eu apenas sorri.
–Alguém tinha que fazer algo diferente nessa pizzaria, não? –Perguntei irônico, e ela deu um gritinho.
–VOCÊS DOIS SÃO DOIS VIADÕES! QUE NOJO! QUERO VER SÓ QUANDO EU CONTAR PRO FREDDY! –Ela saiu correndo, e eu fiquei com Bonnie ali, me divertindo.
Quando nós cansamos, vestimos nossas “roupas” e eu sorri de leve para ele.
–Passiva. –Falei, e ele começou a bater em mim enquanto eu ria, que divertido...
*** Dia seguinte ***
–Bom dia viadões. –Chica disse grossamente enquanto estapeava Bonnie, e logo depois começou a me bater, que galinha chata!
–Olá amiga, quer participar da festa hoje? –O coelho perguntou ficando com os olhos semi-abertos, e Chica gritou.
–SAIAM DE PERTO DE MIM! –Ela gritou e saiu correndo para perto do Goldy, que ria descontroladamente.
Então eu olhei para Bonnie e sorri, ele pode ser até gay, mas é meu melhor amigo gay, e isso não muda nossa amizade.
Bem, só um pouquinho.
–Bon bon? –Chamei, e ele se virou para mim, não sei de onde tirei isso, mas vou falar- Acho que estou curtindo essa vida de homem feminino.
E então nós dois rimos, de tão idiotas que nós somos.
Ou maldosos.
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