Cadente
5 Nova rotina
Aquela foi à pior noite que eu tive em tempos.
Não consegui dormir. E quando consegui tive um pesadelo horrível. Não costumava a ter pesadelos, mas dessa noite em diante isso não parou.
O relógio despertou. Havia se passado uma semana desde que eu voltei do hospital. Não havia visto nenhum dos meus amigos, até tentei ligar, mas sempre seus pais diziam que não estavam. Finalmente voltaria para escola e os veria.
— Liv, já está pronta? Gritou minha mãe da cozinha
— Já to indo mãe!! Gritei de volta
Vesti uma calça caqui e uma camisa de botão azul.
— Liv ligaram da escola hoje, quando você chegar é para procurar tal de Silas.
— Ok. Podemos ir agora?
Assim começou esse dia. Minha mãe me levou a escola. Senti falta de ir com meus amigos, mas sei que meu dia melhoraria apesar de tudo. Tudo o que aconteceu, saberia que nada seria como antes.
Quando estávamos nos aproximando da escola notei que não havia nenhum aluno no portão, alem disso não havia mais estacionamento, no lugar tinha mais 2 prédios que eu não conhecia.
— Da para acreditar Liv? Construíram esse dois prédios em menos de uma semana depois do incidente.
Fiquei quieta, mas minha mãe notou que eu fiquei surpresa.
—Cadê os alunos?
— Isso eu não sei dizer. Mas toma, você só pode entrar com isso. Disse minha mãe me entregando um cartão
Despedi-me dela e me aproximei do portão. La tinha um militar.
— Você poderia me mostrar sua autorização? Disse ele com cortesia
— Aqui. Entreguei
— Senhorita Olivia Larter. Por aqui. Disse ele abrindo o portão.
— Siga reto por esse caminho. Disse enquanto me apontava o caminho.
— Procure por Silas, ele é seu coordenador.
Agradeci e segui pelo caminho indicado. Fora os dois novos prédios. Nada havia mudado. Achei que alguma coisa estava destruída, mas tudo estava igual. Estava em frente ao prédio onde fica a diretoria. Estava nervosa, triste. Empurrei a porta e tive uma surpresa.
Não era mais o prédio da diretoria, havia apenas mesas. Um enorme galpão. Segui até uma mesa aonde havia um homem de terço e óculos.
— Com licença. Procuro por Silas.
— Sim, sim. Você deve ser Olivia Larter. Disse o homem negro , de aparentemente uns quarenta anos é com voz de criança.
— Sou o agente federal Silas Guss. Serei temporariamente seu coordenador. Siga-me, por favor. Disse ele se levantando.
Segurei um riso abafado. E o segui. Passamos para o prédio das salas de aula. Tudo estava muito silencioso. Bem diferente do costume. As salas estavam lacradas com uma espécie de lona preta. Não havia mais armários. O corredor estava vazio. Estava assustada com aquela situação.
— O que será que aconteceu aqui? Disse cochichando para mim mesma.
Mas o homem com voz fina me ouviu
— Tenha paciência. Já sei que te situaram a anomalia. Mas tem muitas coisas que você ainda não sabe.
Estávamos em frente a uma das salas tampadas com a lona preta. Ele tirou a lona e abriu a porta. Por dentro era uma sala de aula comum, isso não havia mudado. Havia duas pessoas dentro dela, que não reconheci imediatamente.
— Você ficara nessa turma. Junto com Bryan Smith e Annie Sophie Donan . Disse ele fechando a porta.
Não cheguei a cumprimentar nenhum dos dois, sentei em um lugar qualquer e aguardei.
Acho que havia se passado mais de meia hora quando eu olhei para Bryan. Ele estava aparentemente mais magro, seu cabelo não estava mais tão brilhante e estava meio opaco. Parecia abatido.
Ele percebeu que eu estava o encarando e deu um pequeno e discreto sorriso para mim. Fiquei sem graça e comecei a observar Annie.
Ela estava sem o capuz habitual, estava encarando a lousa,nunca havia notado por causa do capuz mas ela tinha o cabelo ruivo, um tom de vermelho bonito, que apesar de opaco ainda era lindo. Ela tem a pele branca e o rosto sardento. Tem os olhos verdes esmeralda. Se ela se arrumasse melhor e falasse com mais pessoas aposto que seria popular.
Ela não percebeu que eu a encarava por isso a observei mais um pouco.
Alguém abruptamente entrou na sala logo notei que era Florian, o educado e prestativo agente estadual.
— Vamos ver, acho que estão todos aqui. Disse ele para o vento.
— Certo, antes de começarmos quero que assinem esses documentos, venham um de cada vez.
Ninguém se levantou para ir até ele.
— Acho que vocês ainda não perceberam o lugar de vocês. Acho que ainda não notaram que as coisas estão diferentes. Disse ele rispidamente quando percebeu que ninguém se manifestava
Bryan foi até ele e assinou os documentos, logo em seguida Annie e no embalo eu fui também.
— Muito bem, o que vocês assinaram foi um termo de confidencialidade. Sendo assim tudo o que vocês verem, ouvirem, e fizerem aqui não poderão falar com ninguém. Caso isso aconteça estarão sujeitos a intervenção do estado. Disse Florian formalmente dando ênfase na ultima parte
Quando ele disse intervenção do estado percebi que isso não seria apenas uma notificação ou algum tipo de processo. Senti uma tensão no ar e um arrepio me correu a minha espinha.
Ele continuou a falar.
— Todos os dias exceto os domingos todos vocês irão permanecer nessa unidade das 08:30 até as 15:30 sem exceção. Vocês terão acompanhamento médico constante. Fora isso tudo será como em uma escola normal. Essa será a Classe D . Falou ele como se estivesse falando em uma sala cheia.
Não entendi o que ele quis disse com escola normal, mas senti o sarcasmo nessa palavra.
— Não entendo, não posso ficar tanto tempo, tenho que trabalhar. Disse Bryan em protesto.
— Não se preocupem, todos vocês estarão recebendo uma bolsa do governo para estar aqui. Será como ganhar para vir a escola! Não é o sonho de todo adolescente? disse Florian tentando ser engraçado.
Bryan se calou, mas senti seu desconforto. Olhei para Annie rapidamente e vi que ela encarava a lousa, ignorando totalmente a presença do Agente estadual.
— Mas essa classe D será só a gente? Onde estão os outros alunos? Disse timidamente.
— Os outros alunos estão dispostos nas outras turmas no qual eu presumo que sejam A, B e C ! Disse ironicamente
— Mas teremos contato com eles? Disse me aventurando na conversa.
— Sim, em breve.
Fiquei aliviada ao ouvir isso, poderia finalmente ver meus amigos.
— Então estou indo. Qualquer duvida falem com Silas, ele é o coordenador dessa turma.
Disse ele indo para a porta.Qua
— E lembrem se qualquer coisa dita aqui é segredo de estado, e vocês são importantes para nós! Não queremos que o Estado intervenha não é mesmo? Disse por ultimo enquanto saia.
Logo que ele saiu olhei para ambos e disse.
— Ele não pode estar falando serio.
— Acho que ele está .
Nunca tinha ouvido a voz de Annie tão clara e confiante. Quando os professores a forçavam a falar em publico, normalmente ela gaguejava e não era claro o que ela dizia.
— Não entendo o que acontece, mas tenho que dar um jeito de sair daqui. Falou Bryan
— Não acho que isso será possível, você viu que todo o lugar está cercado por arame farpado e guardas. Disse a ele, mas era tarde ele já estava tentando abrir a porta.
— Estamos trancados. Disse ele enquanto forçava a porta.
— acho que não querem a gente bisbilhotando por ai. Disse a ele.
Ele desistiu e sentou. Ficamos naquela sala por mais uma hora sem dizer uma palavra.
Por fim ouvimos o antigo e nostálgico sinal do intervalo. Achei que não teríamos pausa, mas Silas nosso coordenador veio até nossa sala e pediu para que nos o seguíssemos, pois iríamos para o refeitório com todos os outros alunos.
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