Cabelos cor de lua

2 Capítulo 2: A estação


Notas iniciais
Olá, Pessoinhas! Espero que gostem do capítulo. Beijinhos de luz ♥

Tudo era muito novo e eu estava em um mix de emoções, meu cabelo não parava de trocar as cores e isso estava me deixando muito envergonhada, mas Hagrid me disse para ficar tranquila, ninguém me acharia estranha em Hogwarts e eu podia ser quem eu realmente sou. Uma bruxa.

Hagrid me levou para o Beco Diagonal, segundo ele lá eu compraria todos os materiais necessários para estudar em Hogwarts. Era um lugar turbulento e muito interessante, várias lojas de artigos bruxos eram observáveis e tudo era muito peculiar, mas aí me dei conta, como eu pagaria por tudo aquilo que estava escrito na carta?

— Hagrid, eu não tenho dinheiro algum, não posso ir para Hogwarts, não tenho como pagar os materiais. — Disse eu em um tom muito triste, que fez meus cabelos escurecerem.

— Não se preocupe, querida. Dinn me deu sua chave do cofre, segundo ela, seus pais deixaram uma boa quantia para garantir seu futuro.

Congelei instantaneamente.

— Como assim meus pais? Hagrid, eu não tenho pais.

— Ora, é claro que tem! Seus pais foram bruxos esplendidos, eu os conheci e você se parece muito com seu pai, esses olhos escuros, difícil de esquecer. Foi realmente muito triste quando desapareceram.

— Desapareceram?

— Acho que não sou a pessoa mais apropriada para lhe contar sobre tudo. Venha, vamos ao Gringotts! É lá que todo bruxo guarda suas riquezas e coisas importantes, não se assuste com os duendes, eles são criaturas fascinantes, mas não muito agradáveis.

Fiquei pensando sobre quem seriam meus pais, nunca me contaram quem me deixou no orfanato e eu não sabia nada sobre meus familiares, simplesmente ninguém sabia ou não queria me contar.

Ao entrar no Gringotts, meus cabelos mudaram para o branco acinzentado que evidenciava que eu estava assustada. Os duendes eram realmente criaturas fascinantes, mas davam muito medo. Hagrid retirou uma chave pequena de dentro dos enormes bolsos da capa que vestia, entregou ao duende e fomos encaminhados para um carrinho que parecia não oferecer um pingo de segurança. Foi a viagem mais louca que eu já fiz, o carrinho rodopiava nos trilhos e fazia curvas acentuadas, eu estava muito animada e meus cabelos foram pra um azul vibrante. Chegamos no cofre e o duende abriu, lá dentro eu pude ver muitas moedas, mas elas eram diferentes do dinheiro que eu conhecia. Hagrid pegou um punhado e colocou em um saco pequeno, ele me olhou e disse:

— Agora vamos comprar seus materiais.

Eu estava ansiosa.

— Primeira parada, Olivaras, é lá onde vai comprar sua primeira varinha.

Entrei na loja empoeirada, tudo parecia muito velho.

— Oh, olá Srta. French. Que prazer em vê-la! Estava mesmo esperando por você esse ano. Vejamos o que seu pai reservou para você, ele era um homem quieto e reservado também, vejo que puxou isso dele. — Disse um homem magricelo, com cabelos brancos e olhos pequenos e azuis.

Meu cabelo ficou em tom de cobre, eu estava envergonhada. Como ele poderia saber sobre mim? Meu pai era uma pessoa reservada? Me encolhi ainda mais, mas reuni forças para dizer:

— Eu não o conheci. Não sei como ele era. — Eu disse em um tom triste.

— Posso dizer que são muito parecidos, esses olhos escuros são difíceis de esquecer. Bom, prove essa, fibra de coração de dragão, 28cm, inflexível.

Ele me entregou uma espécie de vareta muito bem elaborada, era de um marrom muito escuro e em sua base possuía uma curvatura que a deixava muito bonita. Assim que peguei a varinha, senti um arrepio pelo corpo e até parece que senti o vento soprar mais forte.

— É, seu pai era um homem muito preciso, Srta. Ele acertou de primeira.

Hagrid me ajudou a pagar o velhinho franzino e então fomos comprar o restante das coisas, eram muitos livros, um caldeirão e as vestes, lembro de ter lido que os alunos poderiam levar um bichinho de estimação, Hagrid pareceu ler os meus pensamentos.

— Que tal levar um companheirinho, hein?

Entramos na loja e eu vi de primeira um gato preto, muito lindo, seus olhos eram amarelos e eu fiquei encantada, Hagrid me olhou e disse:

— Vejo que já escolheu. — Disse me lançando uma piscadela.

Seguimos para a estação 9 3/4, eu pensei que esse era um número muito atípico para uma estação, mas depois do que presenciei no beco diagonal, não ousei questionar.

— Bom, eu te deixo aqui. — Disse ele me apontando o trem "Expresso de Hogwarts".

— Tudo bem, muito obrigada por tudo Rúbeo Hagrid.

— Nós nos encontramos na escola Anne! Até logo.

Havia muita gente, vi pais com seus filhos e seus animais peculiares de estimação, fiquei um pouco apreensiva, mas me enchi de coragem e entrei no trem, procurei uma cabine vazia e me sentei. Nora, a gata preta que eu havia adotado, estava num sono muito gostoso deitada no meu colo. E então a cabine se abriu e um menino alto, de cabelos castanho escuro bagunçados, pele clara e olhos esverdeados disse:

— Podemos sentar com você? Somos em quatro.

Fiquei com vergonha e meu cabelo tom de cobre me denunciou, gaguejando eu disse:

— P-podem sim. Claro.

Entraram na cabine o garoto alto, um garoto mais baixinho com cabelos pretos e os mesmos olhos esverdeados, uma menina muito ruiva e uma menina loira muito bonita. Eles olhavam atentamente para o meu cabelo e logo me senti uma aberração de novo, fazendo meu cabelo ficar mais acobreado ainda.

— Esses são Alvo Severo, Dominique, Rosa e eu sou Tiago. E você é?

— Sou Anne French.

— French? Filha do casal desaparecido? — Perguntou a menina ruiva, Rosa.

— Bom, é o que dizem. — Eu disse confusa.

— Nossa, que maneiro, você é uma metamorfomaga, igual ao Ted. — Disse Dominique.

— Você veio de Londres? Estava morando com sua avó? — Perguntou Tiago.

— Não, eu moro em um orfanato ou morava, para ser sincera, não sei se vão me aceitar de volta. — Disse dando uma risadinha, mas no fundo eu sabia que era essa a verdade. — Eu nem sabia que tinha avó.

Todos eles me olharam curiosos.

— Pelo que o papai me contou, a filha dos French foi deixada com a avó depois do desaparecimento. — Disse Tiago. Ele era o que mais tinha sede de saber de onde eu vinha e também falava bastante.

— Bom, eu não morei com ninguém pelo que me lembro, sempre estive no orfanato.

— Hum, que interessante. E aí, já sabe para qual casa quer ir? — Perguntou Tiago animado. — Eu sou da Grifinória, estou no segundo ano, Rose, Alvo e Dominique estão no primeiro também.

Comecei a me sentir totalmente perdida.

— Desculpe-me, mas não sei do que você está falando. — Eu disse em um tom meio triste e com a voz baixa.

— Ah, tudo bem! Nós temos quatro casas em Hogwarts, os alunos são selecionados para suas casas quando chegam no castelo, são selecionados pelo chapéu seletor. Nós temos a Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina, cada casa reúne bruxos com características parecidas, mas ninguém é igual. Na Grifinória somos conhecidos pela coragem, na Lufa-Lufa pela habilidade de comunicação, na Corvinal os inteligentes são os que comandam a parada e a Sonserina é o lar dos bruxos ambiciosos e cá entre nós, muitos bruxos sombrios foram selecionados para a Sonserina, mas meu pai disse que nem todos são, então, não se preocupe se for parar lá. — Disse Tiago muito animado mesmo.

De repente a porta da cabine se abre novamente, um menino com cabelos brancos parecidos com os meus entrou, sentou e disse:

— Oi, Tiago. Vou sentar com vocês, lá nas cabines do fundo está a maior bagunça, um pessoal do primeiro ano achou viável usar as varinhas sem saber ao menos o que elas são. — Disse o menino de cabelos brancos.

— Só imagino a algazarra. Scorpius, essa é Anne French, invadimos a cabine dela, igual a você. — Disse Tiago.

Eu olhei para Scorpius e me meu coração disparou instantaneamente. Ele era muito bonito e então o meu cabelo começou a entrar em um tom de rosa que eu nunca havia visto.

— Oh, olá Anne, mas que diabos está acontecendo com o seu cabelo? — Ele disse e começou a rir. — Está virando uma versão mágica da boneca Barbie? — E continuava rindo.

Comecei a ficar desconfortável e irritada. Vi que Dominique não se conteve nas risadas também, ela parecia ser a única plateia do palhaço.

— Cala boca, idiota. Ela é uma metamorfomaga. — Disse Tiago quando percebeu minha irritabilidade, já que minha sobrancelha estava arqueada.

— Uh, eu só estava brincando, Potter. — Disse Scorpius debochado.

— É, ele só estava brincando, Tiago. — Disse Dominique.

— Não liga não, Anne. A ignorância é uma característica dos Malfoy. — Disse Tiago em um tom brincalhão.

— Tudo bem, já estou acostumada a ouvir idiotices, mas se não quiser que seu cabelo ensebado descole da cabeça, sugiro que fique quieto. — Eu disse confiante. Não ia deixar mais ninguém me jogar para baixo.

— Ora ora, temos uma replica perfeita de Antonie French, metida e arrogante. — Disse Scorpius.

Quem era Antonie French?