Caídos

5 "Ninguém sabe como é ser o homem mau e triste por de trás desses olhos verdes."


Notas iniciais
Hey gente! Personagem novo e importantíssimo nesse capítulo! Espero que vocês gostem dele. Boa leitura!

Joguei o resto do bolinho na mesa e encarei o teto do refeitório por um tempo. Era o intervalo e eu estava sentada sozinha em uma das mesas torcendo para que o tempo parasse, a próxima aula seria matemática e isso significava que Daniel também estaria lá.

Aquele beijo não sai da minha cabeça, tão desesperado, tão profundo. Quem ele pensava que era para chegar assim e me beijar? Nós mal nos conhecíamos e ele estava mais para um perseguidor do que para um estudante.

Escutei algumas risadas escandalosas e desviei minha atenção do teto. Anna e Jasper estavam caminhando em minha direção rindo e conversando sobre algo. Ah não, pensei, Anna tagarelando agora não. Tarde demais.

– Emminha! – Ela puxou uma cadeira e se sentou em minha frente, enquanto Jasper se sentou ao meu lado – Estou tão feliz em te ver! Seu pai me ligou ontem perto das 6 da manhã me perguntado onde você estava. Eu fiquei preocupada, não tinha certeza se você sabia ou não voltar para casa.

– Pera ai, ele te ligou ontem? – Ela acenou com a cabeça, fazendo seu cabelo se mexer de maneira engraçadinha – Como diabos ele conseguiu seu numero?

– An, acho que tinha alguma coisa a ver com a placa do meu carro...

– Meu deus.

John tinha ligado para Anna as seis da manha apenas para saber onde eu estava? Desde quando ele se importava a esse ponto? Tudo bem que estamos em uma cidade totalmente diferente e que eu não conheço nada, mas usar a placa do carro da Anna para poder conseguir o telefone dela já era extrapolar demais os limites.

– Passou a noite a onde?

Jasper que até então estava calado enquanto via o desenrolar da situação agora me encarava a procura de respostas. O que eu iria dizer? “Ah, então, eu dormi na casa do Daniel, aquele cara com quem vocês nunca me viram falar e parece um stalker muito estranho.”

Acho que não.

– Eu fiquei em casa mesmo.

– Então por que seu pai me ligou?

– Porque eu cheguei depois das seis. Eu encontrei com uma amiga da minha outra cidade e a gente foi para um... Um lugar. Não lembro muito bem.

Anna e Jasper pareceram absorver minha mentira aos poucos, como alguém que desconfia que algo esteja errado, mas não tem certeza se acredita ou não. Fiquei aliviada ao ver o sorriso de Anna, tendo em mente que pelo menos um pouco da mentira ela tinha aceitado. Ela provavelmente estaria pensando que eu fiquei com algum menino e não queria contar ainda.

– Bom, vamos mudar de assunto – Ela disse enquanto se inclinava para frente como se fosse me contar um segredo – Vocês viram o garoto novo?

– Eu soube que ele foi expulso da ultima escola.

– Que garoto novo? – Perguntei meio curiosa – Não vi ninguém até agora.

Jasper se inclinou para mais perto de mim, assim como Anna tinha feito há poucos segundos atrás.

– Parece que ele veio para cá porque foi expulso por causa de uma tentativa de assassinar um dos professores.

– Não era um aluno?

– Acho que não. – Jasper pareceu pensar um pouco no que Anna disse – Eu ouvi falar que foi um professor.

Balancei a cabeça tentando acreditar no que eles tinham acabado de me falar. Será que eu encontraria com esse tal garoto ainda hoje? Pelo menos eu iria saber que Daniel não é o único sociopata da escola.

– Pensei que não podiam aceitar alunos que foram expulsos ou com ficha criminal.

Será que Daniel tinha ficha criminal? Do mesmo jeito que o pensamento veio do nada, ele sumiu exatamente igual quando Anna me encarou.

– Eu também, mas parece que Sebastian Whittemore vem de uma família com muitooo dinheiro.

Ela deu ênfase no muito colocando vários O na palavra. Então Sebastian, o novo aluno, era um quase assassino de quem eu teria que ficar longe, o que não seria muito difícil, porque eu já tenho problemas suficientes para minha vida e não ia precisar de mais rondando minha cabeça.

O sinal para o penúltimo tempo agora soava em nossos ouvidos. Meu animo que ate agora estava bem animado com as noticias de Anna, não que seja animador ouvir que tem um serial killer na sua escola, mas era legal saber das fofocas, tinha descido subitamente do mesmo jeito que chegou. Eu não queria ir para a classe, porque se eu fosse eu iria revir o que aconteceu hoje mais cedo apenas por encarar aqueles olhos cinza.

Jasper se levantou e ofereceu o braço para caminharmos juntos. Aceitei com um sorriso e me levantei já com Anna em nosso encalço tagarelando sobre o quanto odiava ter que estudar e o quanto iria dormir quando chegasse a sua casa.

Paramos em uma sala no segundo andar para deixar Anna que se despediu mandando beijinhos no ar e depois prosseguimos até o terceiro andar. Jasper era muito atencioso e por um segundo sequer soltou meu braço do seu, um gesto cavalheiro da parte dele, apenas quando chegamos à porta da minha sala que ele me soltou e me deu um beijo na testa seguido de um sorriso, que eu retribui de bom grado o sorriso.

Nem todos tinham chegado ainda, e com isso eu queria dizer que Daniel ainda na havia chegado. Caminhei até o fundo da sala e me sentei na ultima carteira, se fosse para aguentar essa aula que fosse isolada e longe de todos.

Abaixei-me para pegar o caderno azul de dentro da bolsa que estava jogada no chão e quando me levantei percebi olhos verdes me encarando, não eram olhos verdes normais. Algo naquele tom me fazia lembrar que eu já o tinha visto em algum lugar, mas nada que eu pudesse fazer iria me ajudar a lembrar naquele momento.

O dono dos olhos verdes sorria para mim mostrando praticamente todos os seus dentes branquinhos e perfeitos. Tinha o cabelo bem curto e loiro, era bem mais alto que eu e parecia ser bem, mas bem malhado. Ele devia passar horas na academia, não era possível ele ter um corpo desses sem o mínimo de esforços.

– Acho que você deixou isso cair na escada. – Ele me estendeu o meu celular, um iPhone branco que agora estava com a tela rachado do lado. Ele ainda sorria e continuou o fazendo quando se sentou ao meu lado.

– Como sabia que era meu?

– Sua foto estava na tela – Ele disse batendo o dedo na tela do seu próprio celular – E antes que eu me esqueça, é uma bela foto.

Abaixei a cabeça envergonhada e agradecida ao mesmo tempo.

– Obrigada por me devolver o celular.

– Não precisa agradecer. Meu nome é Sebastian a proposito.

Meu coração disparou. Esse era o Sebastian? O garoto gostoso que tinha acabado, praticamente, de me chamar de bonita e estava sentado ao meu lado, era o Sebastian serial killer? Tentei conter minha surpresa e guardei o celular na bolsa tentando ganhar um tempo para pensar se eu diria ou não meu nome. Mas afinal, porque não? Uma hora ou outra ele descobriria, a escola podia ser grande, mas não tão grande a esse ponto.

– Meu nome é Emma.

Sebastian se aproximou de mim como se fosse me beijar e eu fiquei paralisada a onde eu estava, sem conseguir mexer um musculo sequer. Em vez de me beijar ele apenas tirou uma mexa de cabelo do meu rosto e o colocou atrás da minha orelha. O sorriso de poucos minutos atrás voltou ao seu rosto e eu consegui respirar.

– É um prazer Emma.

Me mexi na cadeira e me sentei virada para frente e encarei o quadro negro. O professor já estava na sala e arrumava sua aula em cima de sua mesa. Assustei-me ao ver que Daniel estava parado na porta e encarava Sebastian com todo ódio do mundo, e não só me assustei com isso como me assustei por ver que Sebastian também fazia o mesmo.

Daniel desviou o olhar de Sebastian e o voltou para mim enquanto caminhava para o fundo da sala. Ele puxou uma cadeira que estava do meu lado direito e a colocou do lado da minha, como as criancinhas fazem quando vão fazer um trabalho em dupla.

Ele jogou a mochila preta no chão e se sentou confortavelmente ao meu lado.

– Temos que conversar sobre algumas coisas.

Eu o encarei incrédulo e com a boca aberta. Afinal o que diabos ele queria comigo?

– Não tenho nada para falar com você. – Voltei minha atenção para o professor que agora escrevia algo no quadro e peguei minha caneta para poder copiar no caderno. Daniel segurou minha mão com força a impedindo de deixar que a caneta rabiscasse o papel – O que você pensa que esta fazendo? Me solta!

Minhas palavras foram um pouco altas demais, porque todos, inclusive Sebastian, encaravam a cena que se passava no fundo da sala. O olhar de Daniel se moveu para cima e automaticamente ele ficou em pé quando percebeu que Sebastian, também de pé, apertava firmemente a mão que estava por sobre a minha.

– Acho que você não escutou – Ele disse calmante – O que a garota disse.

O que eles pensavam que estavam fazendo?! Eu não era a droga de uma Suíça aqui e nem estava a fim de ser. Porque eu não posso estar cercada de garotos lindos e normais, tipo o Jasper? Porque o Jasper veio a minha cabeça?

Daniel apertava minha mão firmemente, mas não chegava ao ponto de uma dor absurda como ele devia estar sentindo com o aperto de Sebastian. Sua mão cobria a de Daniel e apertava de tal modo que era possível ver as veias saltarem de seu braço até a mão, enquanto a do outro estava vermelha.

– Não se meta a onde não foi chamado. – Daniel praticamente cuspiu as palavras na cara de Sebastian, que apenas o encarava com aqueles olhos terrivelmente familiares.

– Apenas faça o que a menina falou e solte a mão dela, camarada.

O ar que até então estava pesado e difícil de respirar ficou mais leve quando Daniel tirou sua mão da minha e a passou pelos cabelos. Seus olhos queimavam de ódio e os punhos que agora estavam soltos do lado de suas pernas, estavam fechados. Foi em questão de segundos para que um desses punhos atingisse o rosto de Sebastian e ele fosse para trás tropeçando em sua mesa.

– Eu não sou seu camarada.

Eu me levantei imediatamente e coloquei as mãos no peito de Sebastian como que para impedir de ele devolver o golpe. Não sabia se estava fazendo isso apenas pelo motivo de apartar uma briga que foi causada por mim ou seu eu apenas não queria que Daniel levasse um soco.

– Você é louco? – Gritei para Daniel e senti um olhar de decepção passar por seu rosto. Sebastian se mexeu atrás de mim e eu vi que ele estava tentando me tirar da frente onde eu estava perante o fogo cruzado – Pare, pare, por favor!

A sala inteira estava em silencio e todos prestavam atenção no que acontecia entre a gente, e finalmente o professor pareceu notar que uma briga acontecia em sua aula. Ele balançou a cabeça e apenas levantou o dedo apontando a porta. Claro, sair da classe por ter participado de uma briga é outra coisa que posso riscar da minha lista de afazeres na primeira semana de aula.

Daniel saiu primeiro e eu fui logo atrás, junto com Sebastian que se abaixou para pegar as coisas que tinham caído de sua mesa.

Era importante eu ter a consciência que a hora que eu chegasse em casa, eu não estaria encrencada, eu estaria morta porque definitivamente minha mãe não gostava desse tipo de atitude, então eu acho melhor eu começar a rezar agora do que depois.

Notas finais
Sebastian é do tipo "se for para chegar, tem que chegar causando" hahaha E então o que acharam? Deixem um comentário, e até o próximo capítulo