Caçadores de relíquias
11 Vamos “descansar”
Notas iniciais
Sidney acordou pela manhã e foi ao banheiro escovar os dentes e lavar seu rosto, o que por certo tempo o fazia pensar que os acontecimentos do dia anterior não passavam de sonhos, ou melhor, pesadelos. Porém, quando deu por si, estava parado em frente ao espelho pensando em seu futuro, não um futuro distante, um futuro de aproximadamente uma semana, o que de certo modo mexia muito com sua cabeça. Teria de pensar em algo para fazer nesse meio tempo, algo que o livrasse dessa tensão “pré-morte”, então decidiu deixar um bilhete sobre a mesa ao lado da cama de Beto o avisando que estava saindo para algum lugar, o qual ainda não fazia ideia de onde seria, mas acreditava que seria para onde lhe desse vontade de ir.
Beto acordou e a primeira coisa que viu foi o bilhete do amigo. Naquele momento, Beto estava tão preocupado com o futuro quanto Sidney, mas decidiu não interferir nas ações tomadas por ele, pois de certa forma isso o ajudaria a pensar em alguma cura de forma mais clara.
Sidney estava andando pelas ruas, onde certas vezes ainda queria acreditar que em poucos instantes acordaria em sua cama, com Beto em pé aos pés da cama, puxando sua coberta e o forçando a acordar, pois estariam atrasados para outra aventura, rotina comum de suas manhãs. Após esses pensamentos e seguido de pequeno riso, sua cabeça voltou a terra, se lembrou novamente de que estava no mundo real e nem um beliscão provaria o contrário, então decidiu fazer algo além de andar sem rumo pelas ruas e partiu o mais rápido possível em busca de ajuda...
“O telefone não se encontra disponível no momento. Por favor, tente mais tarde.”. Essas era a única voz que Beto escutava quando tentava ligar para Sidney, pois apesar de pensar melhor sozinho, se sentia com o dever de como amigo, se preocupar com seu parceiro de aventuras. Depois de algumas ligações sem resultados, Beto pensou que a situação parecia estar mais fora do controle do que pensara antes, e trancando a porta de casa, saiu em busca de seu amigo.
Saiu pelo portão do quintal o mais rápido que podia, olhava para todos os lados como um cão que perdera o osso que havia enterrado. Sem perceber o mundo ao seu redor, acabou se esbarrando com uma mulher. Ela usava uma calça jeans e uma camiseta branca, além de uma jaqueta de couro preto que vestia por cima. Seus cabelos eram longos e escuros, tinha olhos verdes e não devia medir mais de um metro e setenta. Em resumos, era uma linda mulher, fato que Beto só reparou quando seus sentidos, antes confusos pela distração, tomaram o devido lugar.
– Puxa! Me desculpe – disse a mulher se levantando do chão.
Beto também se levanta o chão e bate as mãos em suas pernas a fim de tirar o pó.
– Não precisa se desculpar. Eu é que fui muito distraído. Olhe, me deixe ajudar com suas coisas.
Logo após recolher as coisas de jovem mulher...
– Eu é que deveria pedir desculpas... Aliás, se você quiser, gostaria de pagar alguma coisa para podermos comer, como um sinal de arrependimento – disse rindo.
– É uma oferta que eu não posso recusar. – respondeu ela com a mesma expressão que fizera Beto – Eu vou aceitar o convite.
Enquanto caminhavam até uma lanchonete próxima, Beto e a “mulher desconhecida” conversavam.
– Fico feliz em poder compensar o meu erro... errr... Qual o seu nome?
– Meu nome é Roberta. – respondeu um pouco tímida – Qual o seu?
– Alberto, mas eu não gosto muito desse nome, então peço para todos me chamarem de Beto.
Enfim chegaram na lanchonete, e logo após a refeição, ficaram conversando um pouco mais.
– E então Roberta, no que você trabalha?
– Bem, se você reparar o que estou vestindo, não parece que meu trabalho é muito comum. Isso porque eu sou uma arqueóloga, mais precisamente uma caçadora de...
Beto já imaginava uma resposta.
– Relíquias? Por favor, diga que é relíquias – interrompeu Beto.
– Sim, relíquias. – respondeu Roberta com um sorriso – Como você adivinhou?
Nosso aventureiro arqueólogo estava espantado, pois nunca havia visto antes um trabalho que envolvia tantos perigos ser feito por uma força feminina.
– Acredite se quiser, – disse Beto – mas eu também sou, na verdade, eu e meu amigo Sidney...
Então Beto se lembrou de algo que durante um tempo havia se esquecido.
– Ah, não! Sidney! Eu fiquei aqui conversando a tarde toda, e acabei me esquecendo do sofrimento do meu amigo.
– Sofrimento? – perguntou Roberta sem entender.
– Sim, sofrimento. Venha comigo, no caminho eu te conto essa longa história.
As pernas pareciam não acompanhar a velocidade com que corriam, e por volta das sete da noite, chegaram em casa.
– Não acredito!
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