Caçadores de Orion

4 Especialistas de Fonte Rubra


A aglomeração no pátio era impressionante; nunca ninguém havia visto tantas fadas tão histéricas quanto naquele momento. Tudo se dava pela presença dos especialistas de Fonte Rubra. Os garotos sorriam galanteadores e acenavam enquanto passavam, e as fadas se derretiam.

— Sejam bem-vindos à Alfea — disse Faragonda, parada na entrada do castelo. As escolas logo se fundiriam por magia, dando um upgrade na infraestrutura para abrigar a todos. Aquela seria uma nova era para o mundo mágico, um momento em que voltariam a se unir para transformar Magix.

— É um prazer estar aqui, diretora Faragonda — disse um jovem rapaz, com um sorriso galanteador no rosto. Seus olhos varreram os rostos do corpo docente de Alfea até pararem em Amália, que mantinha uma expressão fria. Ele tinha certeza de que ela poderia engoli-lo apenas com aqueles olhos, que pareciam ler sua alma.

— Faragonda, este é Jared, o novo professor de transformação. Ele é um metamorfomago — Saladin disse, iniciando as apresentações. Fonte Rubra tinha os melhores para si, e agora todos teriam acesso ao melhor ensino possível.

Jared tinha cabelos curtos, de um castanho-claro, e olhos castanhos médios. Sua roupa era típica do uniforme de Fonte Rubra: um macacão bege e azul, com uma capa presa por um broche em forma de dragão.

— Novamente, é um prazer — Jared parecia amigável demais. — Esta é minha equipe e também os professores de Fonte Rubra: Adhan — ele apontou para um de cabelos castanhos e olhos azuis, que acenou e sorriu. — Ele é um lobisomem e ensinará combate corporal, é o melhor nisso. — Jared olhou para um loiro ao seu lado. — Este é Philipe, ele tem o dom da intangibilidade, ou seja, ele é quase um camaleão, difícil de ser rastreado e pode atravessar qualquer coisa, desde objetos até pessoas.

— Philipe ensinará a arte do rastreio e como se camuflar em qualquer ambiente, mesmo sem poderes — Codatorta explicou, sorrindo. O fato de Codatorta sorrir era em si um evento raro. — Os outros são Dean, que ensinará como transformar, parar e segurar qualquer magia, e Lewis, que é um mago e ensinará a controlar seus poderes e se conectar com seu eu interior.

A aparência do mago era a mais excêntrica entre eles: cabelos laranjas vibrantes e olhos roxos intensos. Dean, por sua vez, tinha cabelos pretos e olhos verdes, semelhantes aos de Philipe.

— É um prazer ter tantos talentos no nosso corpo docente este ano — disse Faragonda animadamente. — Vamos ao que interessa?

Saladin assentiu, e Faragonda se virou para os novos discentes, fazendo seu discurso anual, mas incluindo a união entre as escolas e destacando a importância das mudanças que Alfea sofreria naquele ano.

Todos os professores reuniram seus poderes, começando a fundir as duas escolas. Agora, Alfea teria dois andares a mais e uma arena. Os dormitórios femininos ficariam no último andar à esquerda, e os masculinos, à direita, com uma sala de descanso dividindo as alas. Os professores ficariam no térreo, junto à sala da diretora, as salas de aula comuns, o salão principal de festas, a biblioteca e o refeitório. No andar mediano, estariam as salas especializadas: o dojo de treino de combate, a sala de simulação, a academia e uma sala acolchoada. No porão, haveria a sala de artefatos mágicos, a biblioteca protegida e a sala de reuniões. Fora de toda aquela estrutura, ficaria a arena.

Depois de tudo pronto, todos puderam entrar e apreciar o novo castelo. Claro que cada fada ficaria no mesmo quarto de antes, assim como os especialistas. Cada um tinha seu nome gravado na porta para evitar confusões.

— Não acham que nossos professores parecem ter alguma rivalidade? — Bloom perguntou curiosa, enquanto estava na sala de descanso com suas amigas e seus namorados.

— Vocês não souberam por mim, mas ao que parece, nossos novos professores têm descendência duvidosa — disse Stella misteriosamente.

— Como fica sabendo de todas essas coisas? — Brandon se surpreendeu, e a loira apenas deu de ombros, risonha.

— Mas Stella tem razão. Tirando o professor Lewis, os outros são filhos de inimigos, e talvez as novas professoras saibam disso — Nabu disse. — Elas parecem ter uma aura diferente.

— Pelo que soubemos, elas têm poderes especiais, como os que estamos começando a ter — Flora explicou, e os outros apenas assentiram.

Lembravam-se de que, dias depois da festa de Bloom, as Winx começaram a desenvolver novos dons, e seus poderes estavam mais instáveis do que nunca. Às vezes conseguiam ficar em paz, mas bastava usá-los para que tudo se complicasse.

— Só espero que eles convivam em paz — Aisha disse pensativa.

Na parte inferior do castelo, no subsolo, os professores de Fonte Rubra e Alfea se entreolhavam como se pudessem destruir o castelo recém-reformado. Era ódio mal direcionado, claro, mais relacionado aos seus antepassados do que a eles próprios.

— Espero que possam trabalhar bem juntos — disse Faragonda, com Saladin e Griffin ao seu lado. Os três pareciam apreensivos.

— Filho — Griffin chamou, fazendo Philipe suspirar e olhar para seus amigos. — Por favor.

— Precisamos fazer dar certo. Esta é nossa chance — Philipe disse. Conhecia o passado de seus amigos e sabia muito bem quem era filho de quem, mas também sabia que eles queriam ser diferentes, queriam ser melhores. Aquela era a chance deles.

O próprio Philipe às vezes odiava a mãe por ter sido uma bruxa que há muitos anos permitiu que bruxas fizessem mal a Magix, mas Griffin estava tentando se tornar melhor.

— Jared — Philipe chamou, tendo a atenção do castanho, que antes se direcionava a Amália. — Lembre-se do porquê estamos aqui.

Jared mordeu o lábio inferior e assentiu. A verdade é que havia uma grande desconfiança ali, devido à guerra entre seus povos. Mas eles não eram seus antepassados e precisavam mudar aquele rumo.

— Estou disposto, se você também estiver — ele disse, estendendo a mão para Amália, que olhou para aquele gesto com desdém, mas segurou a mão do homem à sua frente, mantendo um sorrisinho cínico nos lábios.

— É claro — ela disse, mas seus pensamentos eram totalmente diferentes. — Não confio em um filho de Mandrágora.

E eu nunca confiaria em uma sereia maldita — ele sorriu, mas ela sabia que havia ironia naquele sorriso, e ninguém parecia notar, além dela.

Os dois soltaram as mãos e se afastaram. Faragonda deu aquilo por encerrado, liberando-os para prepararem suas coisas. O dia letivo começaria oficialmente no dia seguinte, então eles tinham que cuidar de tudo.

Assim que se viu sozinho no corredor com ela, Jared a prensou na parede, fazendo-a arfar com o impacto. Havia uma tensão ali, e era excitante demais, mas seus olhares exalavam ódio.

— Não pense que pode enganar a mim e meus amigos. Eu não confio em você — ele rosnou, com o rosto bem próximo do dela.

— Está andando demais com aquele lobo imundo. Cuidado, Jared, pode acabar virando um cachorro igual a ele — ela debochou, aproximando ainda mais o rosto do dele, em um claro sinal de afronta. Se havia uma coisa que Amália não tinha, era medo, ainda mais de alguém como Jared. — Como eu disse, não confio em um filho de Mandrágora, ou de Chimera, e muito menos de Ogron. Foi por causa de pessoas como vocês que minha família foi destruída.

Jared rosnou novamente, enquanto mirava aqueles olhos verdes e sentia ainda mais ódio. Era inegável a raiva, mas qualquer um que olhasse de fora diria que aquilo era nada mais do que tensão.

— Te vejo por aí, cachorro — Amália o empurrou e saiu andando, enquanto Jared olhava suas costas se distanciando.

Anos de ódio entre raças, passados de geração em geração. Será que poderiam ser superados pelo bem da nova era? Bem, eles teriam que tentar.