Caçadores de Orion
10 Aula de Psique

As vozes se sobressaíam umas às outras, enquanto elas gritavam entre si. Quem olhasse de fora não entenderia qual era o assunto de maior importância ali, já que cada uma falava o que queria, e o entendimento do tema principal já havia se perdido há muito.
— Simplifiquem! — Amália gritou, fazendo todas se calarem e suspirarem, enquanto se entreolhavam e finalmente colocavam ordem naquele caos.
— Não tem espaço para ela, professora. Eu acordo todos os dias com um bicho diferente na minha cama — a fada de cabelos azuis falou, fazendo Amália assentir.
Como agora era professora em Alfea, Amália havia se tornado a madrinha das meninas, monitorando os quartos e ajudando a manter a ordem no lado feminino.
— Você fala como se minha cama não tivesse um inseto diferente a cada dia — a fada de cabelos roxos reclamou, cruzando os braços, enquanto a outra bufava.
— Professora, os animais da Roxy comem tudo o que deixamos pelo quarto. Eu adoro plantar alimentos para desenvolver meus poderes, mas os animais dela não ajudam — a outra fada disse, essa tinha cabelos pretos e mechas roxas.
— Tudo bem — Amália olhou para Roxy e suspirou. — Vou encontrar outro lugar para você, tudo bem?
Roxy apenas assentiu cabisbaixa. Já havia se passado uma semana desde que elas se encontraram em Torre Nebulosa, e consequentemente, uma semana desde que Amália havia colocado a fada dos animais com outras fadas no dormitório, o que não estava sendo nada fácil para ninguém. O sinal tocou, e as fadas reviraram os olhos.
— Vão para suas salas — Amália disse para as outras, que apenas saíram. — Você fica, Roxy.
Roxy parou e esperou por um sermão, mas este não veio. Amália sabia que a maioria das queixas não era por causa dos animais da fada, mas sim pelo dom dela, que às vezes a deixava intuitiva demais, assustadora demais.
— Como tem se adaptado ao seu dom? Christopher me disse que às vezes você não dorme — Amália perguntou sutilmente. O guardião das Pixies era o único em quem ela confiava verdadeiramente, mesmo que agora ele fosse muito próximo dos seus inimigos.
— É difícil. Quando percebo, já estou em fluxo — ela deu de ombros, e Amália assentiu, indicando a cadeira. Sem dizer nada ou resistir, Roxy se sentou e suspirou.
— Fique um pouco para a aula de psique — Amália sorriu reconfortante, e a mais nova apenas assentiu.
Aos poucos, algumas fadas e especialistas foram entrando na sala e se acomodando em seus lugares. O último a entrar foi Jared, que estava suado e respirava com força, como se tivesse corrido até ali. Amália semicerrou os olhos, e ele apenas deu um sorrisinho cafajeste, o que fez Amália grunhir. Era claro que ela o odiava.
— Bem, queridos — a voz de Amália soou da porta, mas aquela não era dela, e sim de Jared. Ele sempre fazia aquilo, por isso ela apenas revirou os olhos e cruzou os braços. — Vamos descobrir hoje qual a diferença entre manipulações mentais para pessoas como eu.
Voltando à sua forma original, ele adentrou devidamente a sala e foi até o quadro, anotando quatro palavras parecidas, mas diferentes na ordem psíquica.
— E então, qual desses quatro eu poderia ser? — Jared perguntou, e um especialista levantou a mão. Era Helia, sobrinho do mestre Saladin.
— O senhor poderia ser um metamorfo, um transmorfo ou um metamorfomago — ele respondeu, fazendo Jared assentir em dúvida.
— Por que não um animago? — Amália perguntou, interessada.
— Animagos só podem se transformar em animais — Roxy completou o raciocínio do colega, fazendo os dois à frente assentirem.
— Exatamente, jovem Roxy — Jared foi até o lado de Amália, novamente na versão dela. — Um animago só assume a forma de animais, um metamorfo só assume formas humanas, um metamorfomago assume formas de ambos os anteriores e um transmorfo se transforma em qualquer coisa, independente do que seja.
— Professor, pessoas que não têm dons podem ser algum desses? Mesmo temporariamente? — Sky perguntou, fazendo Jared assentir. Era uma pergunta interessante.
— Existem poções e feitiços para isso, Sky, mas... se não aprenderem a controlar a ordem psíquica, não adianta dom ou fórmula mágica, nunca conseguirão se transformar — Jared suspirou, fazendo Amália mirá-lo de soslaio. O que havia sido aquele sentimento repentino?
A aula se seguiu bem; os alunos pareciam interessados em cada detalhe que envolvia a ordem psíquica. De certa forma, aquela aula foi muito útil para Roxy. Ela não tinha o dom de se transformar em algo, mas sua percepção psíquica lhe causava muitos problemas, e talvez ter uma ordem para ela a ajudaria a colocar cada ponto dos seus poderes em seu devido lugar.
Assim que a aula acabou, Amália chamou as Winx que estavam presentes e Roxy. A ideia era juntá-las, e assim que foram apresentadas umas às outras, a sinergia foi imediata, aliviando mais um problema das costas da telepata.
Ela sorriu enquanto as fadas saíam juntas, rindo e conversando sobre a natureza. Bem, juntem Stella, Flora, Roxy e Aisha, e prevejam uma floresta dentro de Alfea.
— Você parece feliz — Jared murmurou, fazendo Amália grunhir. Quase havia esquecido da presença dele. Ela olhou para ele com desgosto e suspirou. Até quando teria que aguentá-lo? — Sabe, Mah, às vezes eu acho que essa sua antipatia por mim é apenas amor reprimido — ele foi se aproximando dela, até cercá-la na mesa. Amália não havia dado um passo; a presença dele não a intimidava.
— Acho que a sua ordem psíquica está em colapso, querido — ela retrucou, mirando o rosto dele de perto. Tinha que admitir que Jared era muito bonito e seus olhos tinham um brilho diferente, mas ela não estava ali para romances. Por mais que quisesse, ainda havia a questão da desconfiança.
— Por que pensa tão pouco de mim? — ele aproximou o rosto do dela, vendo-a manter o olhar firme no seu. — Estou aqui com o mesmo propósito que o seu.
— Não, não está, e eu não confio em você. Nenhum filho de Mandrágora seria confiável; sua mãe é um mau exemplo — Amália semicerrou os olhos em um claro desafio e viu Jared se aproximar um pouco mais, colando seus corpos e mantendo suas bocas a poucos centímetros.
— Usa a imagem de Mandrágora para negar que existe algo entre nós. Pare de se enganar, Amália. Você fica ridícula nessa posição — ele deu um selinho nos lábios dela e se afastou, a vendo com a mesma expressão. Amália não vacilava e dificilmente demonstrava fraqueza. — Até a próxima — e ele se foi.
Jared passou por Lilian, mal se importando se a fada viu o momento em que estava com a outra.
— O que foi isso? — Lilian parecia animada, olhando de Amália para a porta por onde Jared passou.
— Não foi nada — Amália engoliu em seco e suspirou. — Então, vamos?
— Vamos.
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