Notas iniciais
Como vão? Quero desejar a todos um feliz ano novo! Sobre o capítulo de hoje, ele é um pouco pequeno. Eu quis fazer ele assim e aumentar o ritmo no próximo, já que algo que os caçadores esperam há muito tempo finalmente aconteceu. O tempo passa mais rápido nesse capítulo quando comparado aos outros. Espero que gostem.

O modo como Jackie revirava os olhos a cada cantada malsucedida de Pietro era até fofo. Ainda mais quando ela ficava um tanto envergonhada quando o garoto fazia isso em público. A verdade nua e crua era que ela tinha medo das pessoas, medo da sociedade e isso se devia ao fato de que ela nunca viveu uma vida em que pudesse de fato descobrir o que era viver.

Ela tinha quinze anos e há onze já tinha um destino pré-determinado. Antes disso, ela achava que já estava morta. Viver uma vida dupla não era viver de verdade, mas aquela vida que ela tinha era a única que ela conhecia. Por isso, sentia-se muito mais a vontade enquanto matava demônios do que apresentando um trabalho na frente de um bando de adolescentes cheios de cravos e espinhas e que já se consideravam adultos e donos dos próprios narizes. Imagine se eles soubessem que ela carregava uma pistola demoníaca e centenária naquele anel preto na mão. E que Pietro conseguia acertar uma flecha na cabeça de uma pessoa a quilômetros de distância.

De fato, todos os outros sabiam como lidar com aquele sentimento de vida dupla: eles levavam a vida normal deles de forma normal, pois um dia eles foram normais.

Jackie invejava cada um deles. Inclusive aquele garoto que falava com tanto entusiasmo e confiança na frente de todos aqueles alunos. Ele deveria ter uma ótima vida, pais ricos e presentes, uma irmã caçula engraçadinha e avós que sempre o buscava para levá-lo a algum lugar divertido durante o fim de semana.

O nome dele era Alford Temperence.

Naquele dia, ele era a dupla dele. Ela nunca em toda sua vida havia notado aquele garoto, mesmo que ele estivesse em sua classe desde sempre. E por causa disso, o observava com certa curiosidade, como nunca havia visto aquele garoto antes?

Mesmo durante noite, quando houve uma chamada de um demônio de Classe F rondando um parque perto de sua casa, ela não conseguiu deixar de pensa nele.

― Você não anda muito distraída esses dias? ― Henry perguntou quando passava uma pomada em seu braço após batê-lo contra uma coluna de concreto no parque naquela noite. O braço estaca inchado, mas nada que ela não pudesse suportar. ― Deixou até mesmo que um Classe F te acertasse.

― Não precisa se preocupar, eu estou bem ― ela sorriu em resposta.

― Tudo bem, então. Aqui, tome um desses antes de ir para cama. Sem falta.

Aquela era uma noite um tanto tensa. Não era apenas Jackie e andava com a cabeça longe. Pietro estava no hospital devido a uma apendicite e Kath estava preocupada com a loja do tio que havia sofrido um assalto na noite anterior. Ela acabou pegando o culpado e, bem... O mandando para o hospital. Kato conseguiu livrá-la de qualquer suspeita, mas o caso era um pouco mais sério, porque o homem que cometeu um assalto não estava com nenhum estorvo ou demônio em seu controle. Ele era mal por natureza e provavelmente se tornaria um estorvo quando morresse.

Por mais que aquele fosse seu destino, Kath não deveria ter se metido no meio daquilo, afinal, caçavam demônio, não seres vivos. A arma dela fora confiscada e ela levou um mês de suspensão. Seu tio estava bem e a loja também estava bem, mas Kath perdera o direito de caçar durante algum tempo e aquilo a deixava nervosa. Descontava a raiva nas caçadas. Sem elas, provavelmente perderia a cabeça.

― Eu realmente sinto muito, ― ela dizia para todos, por mais que não quisesse admitir. ― Tentarei tomar mais cuidado e cautela da próxima vez.

Ela continuava indo trabalhar na oficina do tio, passando mais tempo lá do que em casa. Gostava demais do tio e de passar o tempo com ele. Seu tio, Robert, cuidava dela desde que tudo em sua vida mudou, apesar de ele não saber na mudança drástica que ocorreu com ela depois de tudo. Seu tio conseguia acalmar o coração machucado da jovem.

― Você está passando mais tempo aqui do que com seus amigos. Está tudo bem?

― Não se preocupe. Eu não queria deixar o senhor sozinho aqui durante algum tempo. Mas daqui a pouco estarei indo encontrar um amigo do outro lado da cidade.

Kyan a esperava em uma lanchonete perto da escola onde trabalhavam. As aulas já haviam terminado e os alunos passavam a todo instante devido a parada de ônibus que era logo em frente. O garoto estava um tanto preocupado com a amiga devido a suspensão dela, mas ela realmente estava tentando não surtar. Estava tendo tempo para ler o os livros acumulados em cima da estante e passando mais noites na casa do tio, coisa que ela já não fazia há certo tempo.

― Você acha que consegue sem surtar?

― Eu sou meio desbocada, mas não sou louca.

Kyan não segurou uma risada, era um assunto sério, mas era possível ambos surtarem caso não sorrissem de vez em quando. O garoto esperava por Pietro e Jackie que logo apareceram acompanhado de Alford, a dupla invasiva de Jackie. Eles haviam feito um trabalho juntos e ele pensou que já fossem amigos de longa data.

Quando o trio parou na mesa em que se encontravam Henry e Katherine, a mesma o reconheceu de um outro dia, em que ele havia se perdido e parado na oficina do seu tio. Charleston City era enorme, assim como as coincidências.

O fato era que o garoto havia sido visto não só por aqueles reunidos naquela mesa, mas por cada um que habitava a casa de dois andares localizada no número 23 da Main Street, em Northwest Lake.

As noticias logo correram todo o mundo, pois o anel brilhou assim que a única pessoa que não tinha o visto ainda bateu os olhos nele.

O anel do líder brilhou após décadas adormecido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.