Caçadora de Asas
22 Felicidade?
Notas iniciais
Eu precisava conversar com Jonathan, mas tinha também que descobrir tudo sobre Adriano. Decidi falar primeiro com John, ele me entenderia melhor. O guia estava um pouco diferente do que ele me falou, havia trechos a mais, alguns trechos a mais que não interferia no que foi dito, nem tudo é como John me explicou.
– John, preciso falar com você sobre o guia que me emprestou.
– Se for sobre você não ter mais sangue, pois matou, não precisa nem começar.
– Não, eu ainda tenho sangue.
– C...co...com você matou dois — John perguntou assustado.
– Primeiro eu não matei, comecei a matar. Segundo olha isso — peguei um alfinete e furei meu dedo — esta é a prova que tenho sangue, meu dedo está sangrando.
– Você está louca, está me dizendo que matar e começar a matar tem diferença?!?
– Para mim não, mas o que você disse não condizia muito com o guia...
– Como não? — perguntou John confuso — Decorei o guia, a um tempo atrás poderia dizer o que estava escrito em determinado parágrafo.
– Mas parece que você se enganou, olha esta parte — mostrei o guia para ele.
" Você só perderá o seu sangue quando esse lhe recusar, assim não terá uma gota correndo em suas veias. O sangue irá para suas asas e manchará as de seus descendentes, tornando-as escuras como seu próprio sangue."
– Não há quase nada de diferente do que eu te disse, o que mudou foi esta parte — apontou John ao guia, não entendi do porque não ter mudado para ele — o seu sangue irá o recusar, assim o resto está igual.
– Como? — perguntei confusa — Você me disse outra coisa.
– Claro que não Mei — riu um pouco apreensivo — olha aqui: " Os akumas perdem o sangue quando matam, o seu sangue irá o recusar. Ele secará e será eliminado pelo corpo logo após seu primeiro assassinato injusto."– ele terminou a frase e me olhou — Viu como te falei só que mais detalhado.
– Não está não, é diferente. A primeira linha diz: " Você só perderá o seu sangue" e não "Os akumas perdem o sangue" — respondi com uma sobrancelha levantada.
– Mei, eu li como está, você que não olhou direito. Veja! — apontou ele o começo — "Os akumas"
– Você só pode estar brincando — falei rindo — está escrito que "Você só"
Olhamos o livro e lemos em sintonia, cada um disse a frase anteriormente dita. Olhei para Jonathan esperando sua resposta de estar brincando e ele me olhava da mesma forma. Naquele momento percebemos que realmente cada um lia algo diferente. Resolvemos então ler todas as páginas juntos e anotar as diferenças.
Tudo como você, tu, nós para mim era substituído por os akumas, eles, esta raça entre outros para John. Como se fosse escrito para humanos ler e para mim foi escrito por um akuma ou para um, pois sempre referia o leitor como um envolvido nos fatos.
– Por que você pulou este trecho? — perguntou John apontando para o trecho que estava escrito em outra língua.
– Porque quando li não fez diferença no sentido, nem no resultado dos meus atos.
– Aλήθειες για το παρελθόν της Eshy του, isso é grego! — exclamou um pouco confuso.
– Também acho — afirmei — que coisa mais estranha, para mim é como se fosse grego.
– Não é como se fosse — respondeu em um tom sério — é grego, acho que posso traduzir. A única coisa que não está em grego é esta palavra, Eshy. O que será que é?
– Traduz o resto e depois deduzimos pelo contexto — respondi o apressando.
– Ok, deixe me ver — demorou poucos segundos — está escrito " Verdades sobre o seu pas... Eshy", deve ser sobre passas.
– Passas? — perguntei assustada — Como assim passas.
– Não sei, só li o pas... Baka! — ele gritou batendo na mesa — preciso dormir, não é passas é passado.
"Verdades sobre o seu passado, Eshy". Isso que está escrito.
– Ok, mas por que Baka? O que é isso?
– Idiota em japonês, akuma é demônio na mesma língua. Pensou que seu irmão era somente um ruivo bonito e charmoso, também sou inteligente. Sei a maioria das línguas mais faladas e algumas mortas, como latim.
– Esqueceu de convencido, não existe homem que não se acha?
– Os feios — respondeu rindo.
– Voltando ao guia, quem são Eshy's?? E o que me interessa saber sobre o passado deles?
– Seu — John corrigiu pensativo e eu o olhei confusa — não é deles e sim seu, olha, alguns akumas foram trocados por Eshy, mas só quando é generalizado.
– O que? — perguntei rapidamente — Como assim?
– Aqui olha, mudou, antes estava Os akumas são seres alados no rodapé e agora está Os Eshy's são seres alados.
– Esqueceu que eu vejo diferente de você? Mas isso quer dizer que ele pode mudar de acordo com que descubro.
– Mas se for isso quando que isso se modificou? — perguntou apontando para o trecho que dizia sobre o sangue, que modificara para ele também — Para você, digo, que para mim mudou agora.
– Bem, lembra quando a Ana veio em casa e descubriu que sou uma Akuma...
– Eshy — corrigiu.
– Akuma, não sei o que Eshy significa. Voltando, ela meio que fez um experimento comigo, assim descobri que não perdia o sangue por causa de uma morte.
– Mas isso foi antes do incidente com os FN's. Não é?
– Tecnicamente não, eu já tinha ferido outro cara da Foice Negra antes destes dois...
– O que? — perguntou assustado.
– Eu não te contei? — me fiz de desintendida, mas achava que já tinha falado — Contei sim você que não se lembra.
– Tudo bem. Então o guia muda de acordo com o que você sabe, testando se é verdade ou não o que está escrito nele.
– Pelo o que aparece sim.
– O que, farei uma revisão e depois contin...
Meu celular tocou e eu o olhei, era Marco pedi desculpa por ter que atender para John e sai do escritório que estavamos.
– Oi anjo — falou Marco ao telefone.
– Oi, tudo bem?
– Tudo sim, daqui a pouco vou te buscar para sair ok?
– Ok, vou me arrumar e ir para porta.
Foi me despedir de John e sai com Marco, assim eu me distrairia dos meus problemas. Contudo não foi bem assim, quando eu estava com Marco percebi que alguém nos seguia, usando a desculpa (nada ruim) de beijar meu namorado, olho para trás. Os olhos azuis penetrantes nos encarava, mesmo se escondendo atrás de um muro deixava clara sua presença, meu outro problema.
– O que foi anjo? — perguntou Marco olhando para trás.
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