Caçador

9 Limpamos a sujeira. Tente tirar sangue coagulado das paredes, não é brincadeira


Notas iniciais
Sei que meus capítulos são meio curtinhos. Estou tentando arrumar isso. Leio muito mangá, então acabo pegando a mania de acabar capítulo quando algo dramático acontece. Vou tentar fazer eles mais cumpridos quando der.

— Você já sabia sobre os zumbis, não é? — Megan pergunta, enquanto limpamos a bagunça. Acho que não dá para chamar a camareira quando se tem um cadáver sem cabeça dentro do quarto.

— Sabia. — Respondo, limpando uma macha de sangue na parede.

— E? — Ela estimula.

Suspiro e atiro o pano dentro de um balde com água.

— Eu suspeitava. Só isso. Um pressentimento, chame assim. Os zumbis que ele falou — eu explico — são zumbis gregos. Sabe, diversas culturas ao redor do mundo criaram rituais para se comunicar com os mortos, mas o gregos foram os mais fodões, por assim se dizer. Não só se comunicar, mas trazer de volta. O ritual especifico que estão usando nesse caso, não é completo. Ele traz o corpo de volta à vida e traz as lembranças, mas não a alma. Basicamente, um gêmeo malvado do defunto. E o corpo não é qualquer coisa. Se regenera que é uma beleza. E é mais forte que um ser humano, e levemente mais rápido que a média.

— E como se mata, de novo? — Megan pergunta.

— Três jeitos, pelo que sei. O primeiro é você ser um Ceifeiro.

— Nope. — Megan fala.

— Outro é pregar de volta no caixão, ou um tumulo, com uma estaca de prata.

— Não tem nada mais difícil não?

— Botar fogo, esse é o ultimo. — Replico.

— Parece simples. Acabamos de matar duas criaturas usando fogo. — Megan dá os ombros.

— Os Wendigos foram moleza, perto deles. Zumbis não são nada fáceis de queimar. E o melhor jeito é esquartejar, salgar, e só então por fogo para não dar tempo de regenerar.

— Sal ajuda? — Ela pergunta.

— Um pouco. — Respondo. — Atrasa eles. Prata também, mas não muito. Só queimando mesmo.

— Esquecemos algo? — Megan pergunta, olhando em volta e jogado seu pano no balde. Olho em volta.

— Não. Só queimar o Vampiro agora.

Pegamos o corpo e descemos pelo elevador de serviço, de modo que ninguém note. Vamos até a parte de trás do prédio, onde um pequeno quadrado de terra batida faz as vezes de estacionamento para os veículos do hotel. Ele está vazio.

Atiro o corpo no chão. Megan começa a salgá-lo, então joga gasolina. Risca um fósforo, e deixa cair no corpo. Imediatamente as chamas engolem o Vampiro, queimando tudo.

Enquanto observo as labaredas consumirem o corpo, um insight se abate sobre mim.

— Merda, sou um idiota. É claro, droga. — Continuo praguejando, com vontade de bater com a cabeça numa parede por não ter percebido antes.

— O que foi? — Megan pergunta, levantando uma sobrancelha.

— Está tudo interligado. — Explico. — Sabe, a história que eu disse sobre ter algo mais além do poltergeist, meus pressentimentos, o fato estranho de três Wendigos estarem no mesmo lugar, e agora essa reunião exótica de Vampiros, Lobisomens e zumbis.

— Como assim interligado? — Ela pergunta. — É claro que tudo isso é estranho, mas por que estaria interligado? E como?

— É só um palpite, mas antes de eu te falar, temos que sair daqui. Mudar de hotel, medida de segurança.

Megan assente, e começa a ir pro quarto. Sigo ela, torcendo para que meu palpite esteja errado. Por que se estiver certo... A cara, a coisa vai feder.