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Quanto mais o tempo passa, mais ele segue seu caminho, enquanto ela se perde na chuva intensa de solidão e decepção. Lágrimas que, como a dor, se misturam ao desespero que nunca cessa. Ela sabia que ele nunca a amaria, da mesma forma que ama ela. Sabia que jamais seria vista por ele com a mesma intensidade com que ela ocupa seu coração. A vida nos permite viver uma vez, amar uma vez, mas, infelizmente, nos faz sofrer muitas outras. Ao seu redor, as vozes ecoam, mas a vida sussurra baixinho, como se pedisse por algo... talvez uma despedida. Ela pedia socorro, sofria por ele. Ele, que amava ler, e ela também amava ler e escrever, esperava, com toda a sinceridade, que um dia ele a notasse. Que ela fosse, pelo menos, reconhecida em sua dor. Mas ele nunca daria importância. Era uma amizade linda, mas uma paixão unilateral.

Cinco longos anos de admiração, anos de esperanças guardadas, enquanto a realidade impunha seu ritmo, cobrando os meses que passavam, uma a um. O que seria que a atraía nele? Por que ela o tinha daquela forma? Por que ela o usava como usava? As lágrimas que caíam eram reflexo de uma realidade dura, que a envolvia e a sufocava, uma solitude que ela mesma construíra, castigo de escolhas feitas, punição disfarçada de destino. Um carma doce, mas amargo ao mesmo tempo, que vinha de caminhos tortuosos e decisões impulsivas e carentes.

A característica mais forte da dor amorosa é a partida. Pode ser que, em algum ponto, eles pudessem se completar, mas talvez isso fosse algo que não fosse possível. Quando a dor da partida chega, ela traz mudanças, provoca tribulações da saudade e da "perda". Ela o queria ao seu lado, com aquele brilho nos olhos, queria ver ele feliz ao lado dela, como uma criança que chorava por um doce.

Quanto tempo ainda me resta convivendo com essa dor? Tempo suficiente para que ele seja feliz, para que ele encontre a felicidade ao lado de ela, a pessoa a quem dedica o tempo e o amor dele, aquela que ocupa o lugar dela. Mas será que não existe uma chance? Ela dá esperança a ele para seguir, e ele continua tentando ter ela ao seu lado, sem querer deixar que ela sinta a dor da despedida, a sensação de liberdade e de partir. Ele, que vê nela a garota dos cabelos curtos e sorriso forçado, mas que para ele é a garota dos sonhos, a quem ele dedicaria sua vida e seu amor.

"Quanto mais o tempo passa"... Não, é o tempo que anda, que corre, e eu, enquanto isso, sigo esperando que ele me dedique o seu amor, que ele me olhe, sorria para mim, que me ame. Eu amo aqueles olhos, o brilho travesso quando ele está feliz, e, embora esse brilho não seja para mim, amo vê-lo assim.

Hoje, a angústia veio me visitar. Ela entrou no meu quarto, me fez companhia, me abraçou. Hoje, eu me banhei na chuva densa da noite, caminhando pelas ruas de Natal, sentindo a dor que, até então, eu não sabia que existia, a dor que muitos compartilham, mas que poucos realmente entendem. Poucos se salvam, enquanto muitos se perdem. Hoje, pensei nele, entrei em casa, encharcada, e me despedi das máscaras. Convidei a angústia a me acompanhar e me abraçar. Hoje, ela me possuiu, como sempre. Todo dia, ela me possui.

Hoje, dediquei meu dia à escrita. Acordei tremendo, acordei para tentar viver, para tentar vencer algo que já me consumiu, um sentimento que já me destruiu.


Notas finais
Nossa espero que gostem