CINZAS E BRUMAS
11 PRIMORDIAL E CONSEQUÊNCIA
General Ron era, sem dúvida, o líder militar mais temido de Drake. Extremamente poderoso e cruel, ele pertencia ao seleto grupo de indivíduos capazes de atingir a Forma Primordial, um estado de poder que o tornava quase imparável no campo de batalha. No entanto, sua força era igualada apenas pelo seu rancor. Ron nutria um ódio profundo pela Princesa Charlotte; ver o rei reservar o posto de Comandante Supremo para a filha — por mérito de seu crescimento exponencial — enfurecia o general. Em sua mente deturpada, aquele posto lhe pertencia por direito e sangue derramado.
Ao cruzar os portões da capital, Ron e seus soldados foram recebidos com gritos e aplausos. Entre as tropas, uma carroça de ferro rangia, puxando uma jaula com elfos prisioneiros, cujos rostos exibiam uma mistura de fadiga e desafio.
Após atravessar a multidão, o general apresentou-se nos salões reais.
— Estou de volta, meu senhor — anunciou Ron, sua voz ecoando com uma autoridade metálica.
O Rei Mahuma III, sentado em seu trono de pedra, assentiu com satisfação.
— Muito bem, General. Soube que trouxe prisioneiros de Vilini.
— Sim, meu Rei. Os elfos mostraram-se mais resistentes do que eu previra, mas ainda assim não são páreo para a nossa força.
O rei desviou o olhar, com uma expressão de nojo.
— Fracos... Usam de sua nefasta tecnologia para tentar nos repelir e, mesmo assim, sucumbem.
Ron, no entanto, não relaxou a postura. Sua expressão tornou-se sombria.
— Meu senhor, temo ter más notícias que acompanham a vitória.
— Prossiga, General.
— É provável que haja um espião operando dentro da nossa capital — disparou Ron.
O rei, que raramente demonstrava surpresa, franziu a testa. O ar na sala pareceu esfriar.
— O que disse?
— Traçamos o plano para contornar o rio Virit, entre as Montanhas de Ferro. No meio do estreito, fomos emboscados. Eles utilizavam grandes arcos de metal e flechas com pontas que brilhavam em um azul radiante. Com elas, abateram vários dos nossos. Fomos rápidos em quebrar a armadilha e capturamos dois dos emboscadores. Vamos interrogá-los para descobrir como sabiam exatamente por onde passaríamos.
O rei cerrou os punhos, controlando o impulso de fúria, e falou com uma calma perigosa:
— Muito bem. Quando acharem o responsável por tal ato, tragam-no a mim. Eu mesmo lhe concederei a pena capital.
Ron curvou-se levemente, um brilho sinistro nos olhos.
— Como desejar, meu Rei.
Ele se retirou do salão. Nos corredores externos, um de seus agentes de inteligência o abordou rapidamente.
— General, trago uma informação urgente.
— Diga logo — ordenou Ron, sem parar de andar.
— Mantivemos a vigília sobre a Princesa Mirabel, como o senhor ordenou. Observamos que ela frequentemente se afastava do castelo carregando um cesto de comida.
Ron parou abruptamente, virando-se para o subordinado.
— E o que tem de mais nisso? Ela é uma princesa com caprichos de caridade.
— Ela levava o cesto para uma gruta árida no extremo da capital e, após algum tempo, saía de lá com ele vazio. Há pouco, entramos na gruta... e encontramos um elfo escondido.
Ron permaneceu em silêncio por um segundo, antes de um sorriso lento e predatório surgir em seu rosto. Era a peça que faltava em seu tabuleiro.
— Ora... que bela surpresa, não é mesmo, Charlotte? — sussurrou ele para si mesmo.
Enquanto isso, alheia ao cerco que se fechava, Mirabel chegava ao castelo pouco antes do pôr do sol. As trombetas já soavam: a cerimônia de condecoração da Comandante Charlotte estava prestes a começar, e o destino de Drake estava prestes a mudar para sempre.
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