C.H.A.O.S - A origem

5 O segredo do Universo


Ruínas de Raikra – Escócia

Um dia depois

Do alto de uma colina, uma mulher admira com espanto as ruínas de um reino que desapareceu de um dia para o outro.

Tal mulher era alta. Tinha pele negra, olhos verdes vivos, cabelos negros, longos e cacheados que adornavam seu jovem rosto. Além disso, trajava uma túnica branca de mangas compridas e uma tiara dourada na testa.

Enquanto aproximava-se cada vez mais do que outrora representava Raikra, a mesma meditava em silêncio sobre a humanidade.

O que é construído pelos humanos é tão frágil... Por melhor que sejam suas intenções... Por mais duro que trabalhem... Tudo é passageiro. Sinto tristeza por eles... Mas ao mesmo tempo, eu...

Antes que pudesse completar seu raciocínio, a mulher se depara com uma pessoa deitada no chão.

A pessoa que procurava.

Ora, a jovem moça de cabelos lisos castanho-claros estava deitada de bruços. Trajava um vestido longo branco, com manchas de sangue e mangas compridas. Não usava joias, em vista da cultura de igualdade pregada pelo seu reino.

Porém, nada chamava mais atenção do que a beleza de seu rosto e a grande arma que segurava firmemente com a mão direita. Uma foice dupla.

A mulher olhava com piedade para a moça e, num gesto carinhoso, lhe afagou a face, enquanto envolvia o próprio corpo numa aura de cor semelhante aos seus olhos.

– Acorde menina corajosa... Eu estou aqui para ajudá-la.

A jovem começou a movimentar-se lentamente em resposta. O calor do toque a fazia lembrar-se de alguém muito especial.

Por fim, abriu os olhos revelando o belo tom de azul que os coloria. Olhos que demonstravam decepção ao identificar a pessoa que lhe havia tocado.

– Eu achei que fosse a minha... Quem é você?... E que língua é essa que falas? – Perguntou em meio a bocejos.

– Eu sou alguém que veio ajudá-la, jovem Alys. Mas antes, vamos sair daqui. Sinto que uma tempestade se aproxima. Existe uma caverna a poucos metros.

Ajudando Alys a se levantar, as duas seguiram para a caverna mais próxima em busca de refúgio. Assim que adentraram na caverna, uma forte chuva começou a cair dos céus, trazendo um vento frio cortante.

A mulher de cabelos cacheados providenciou rapidamente uma fogueira enquanto Alys, apoiada na parede da caverna, apenas observava.

– Quem é você? – Questionou Alys mais uma vez com um ar de desconfiança e curiosidade.

– Humanos... Sempre impacientes. – Disse a mulher balançando a cabeça negativamente, embora sorrindo.

– Para dizer quem eu sou vou te contar alguns fatos antes. – Fez uma breve pausa enquanto se sentava ficando de frente para Alys. – Bem, no princípio existia o Caos e dele surgiu o Universo, a Terra, o Céu... Dos seres primordiais surgiram outras divindades e outros seres, como os humanos. Em contra partida, o Mal começou também a sua existência. Assim como Caos, ele não tem forma definida. De início, começou a crescer a partir dos sentimentos negativos que vinha dos deuses, mas... Foi com a raça humana que ele aumentou progressivamente de tamanho...

– Espera... Quer dizer que o Mal é uma existência viva? – Interrompeu Alys confusa e admirada.

– Exatamente. Seu objetivo é corromper tudo e todos e espalhar a desgraça pelo Universo. Por isso, o Caos criou um selo para que o Mal não agisse livremente. Porém, como os sentimentos negativos persistem, a cada mil anos o selo sofre uma fenda, permitindo que o Mal use uma parte limitada do seu poder.

– Posso até imaginar como isso se dá... Hergol... – Alys cerra o semblante compreendendo os motivos de Hergol ter se transformado num monstro.

– Sim, isso mesmo que você está pensando. Esse homem, Hergol, se deixou corromper totalmente e se transformou naquele monstro... Um Minotauro...

– Então devem existir outros como ele... Causando sofrimento as outras pessoas... – Disse Alys pressionando as mãos contra o chão em sinal de irritação.

– Sim... E eles são muitos. Por isso que eu estou aqui... Para ajudar você, a escolhida do Caos. Pela primeira vez, ele escolheu um humano para portar uma pequena parte do seu poder... No passado, ele deixou apenas a cargo de nós, seus filhos, escolher quatro representantes. Os quais ganhariam habilidades especiais sobre-humanas para lutar contra as crias do mal e...

– Nós? Filhos do Caos? Você é...

– Sim, eu sou filha do Caos, Alys... Eu sou a Mãe-Terra, Gaia.

Alys ficou estática com a revelação de que estava diante de uma divindade.

– Não fique assustada jovem Alys. Estamos do mesmo lado. – Sorria ternamente ao completar a frase.

– É... Mas então... Que língua é essa que vo... Que a senhora está falando e por que eu consigo compreendê-la?

– Estou falando grego, jovem. Você consegue compreender porque é uma escolhida. Em breve, você precisará dessa habilidade para se comunicar com os outros quatro. Afinal, eles vêm de lugares diferentes.

– Fico mais aliviada em saber que não estou sozinha nessa batalha... Mas, por que vocês deuses não usam seus poderes diretamente contra o mal?

– Para não destruir o equilíbrio do Universo... O qual é muito frágil! Olhe, a tempestade passou, vamos sair dessa caverna.

As duas saíram da caverna e se depararam com um sol brilhante e acolhedor. Nem parecia que outrora caía uma tempestade.

– Escute Alys... Muitos perigos estão nessa jornada e a humanidade precisa de ajuda urgente. Precisamos partir.

– Eu gostaria só de construir um túmulo para homenagear meus pais e os habitantes de Raikra...

– Tudo bem, pode fazer isso...

Alys passou a juntar algumas pedras redondas e em seguida, a empilhá-las. Em seguida, passou a procurar algumas flores sem muito êxito.

– O que está procurando, princesa?

– Algumas flores senhora Gaia... Mas parece que não sobrou nenhuma.

– Hmmm... Diga-me, quais são suas flores preferidas?

– Gosto de flores do campo, por quê?

Assim que terminou de falar, Gaia começou a envolver seu corpo novamente com uma aura esverdeada e cobriu todo o território que Raikra ocupava com flores.

– Meu Deus! – Exclamou Alys fascinada e emocionada com o ato. – É a coisa mais bonita que já vi... Obrigada...

– Agora se despeça deles.

Ajoelhando-se em frente às pedras empilhadas, Alys fazia uma oração silenciosa. Em seguida, veio-lhe a mente uma música que sua mãe cantava quando era criança e ela passou a entoá-la.

Gaia permanecia em silêncio. Apenas escutava emocionada a voz carregada de puros sentimentos de Alys.

– Bem, agora podemos ir senhora Gaia.

– Certo jovem Alys... Temos uma longa viagem pela frente.

– Para onde vamos?

– Primeiro, vamos para um povoado próximo conseguir roupas limpas e uma refeição para você. Depois, iremos à Etiópia encontrar o meu escolhido.

– Etiópia?! Como vamos chegar lá?

– Na garupa do belo Pégaso. – Sorria Gaia.

Em seguida, um belo cavalo branco alado desceu dos céus.

– Obrigada meu querido por vir a tempo. Vamos princesa Alys!

– Certo... Vamos...

Alys não acreditava na bela criatura a sua frente, mas atendeu prontamente ao chamado de Gaia. As duas montaram no belo Pégaso e começaram a viagem.