Notas iniciais
belle-

Capitulo 8

Foi uma noite longa, embora estivesse cansado. John acordou algumas vezes durante a noite, colocava a mão direita no peito de Madison para sentir se o seu coração batia. Algumas vezes também, foi até o colchonete de Dale para certificar-se de que o amigo estava bem. John tivera muitos pesadelos, e diversas vezes acordava pensando que fora atingido pela fumaça preta.

Ao acordar, olhou para o lado e viu que Madison não estava lá. Sentiu uma pontada de pânico no peito.

Levantou-se, cumprimentou a todos. Olhou para os lados, nenhum sinal de Madison.

Uma das pessoas que haviam se salvado estava deitada e tremendo, com calafrios. John correu para ajudar, interrompido pelo capitão:

– Você não pode ajudá-la, ao menos que possua um cobertor extra potente ou um antibiótico caro.

– Não estou interessado no seu pessimismo, agora me dê licença. — respondeu meio revoltado. Afinal, por que o capitão impediria John de tentar ajudar uma pessoa que precisa ser ajudada?

John chegou perto da moça que tremia, e disse:

– O que você está sentindo?

– Muito, muito frio. Tenho febre. — a moça disse tremendo os dentes.

John pôs a mão sobre a testa dela, e estava fervendo. Concluiu:

– Sim, você tem febre. O melhor a fazer é se banhar no lago de água gelada. Isso vai abaixar sua temperatura corporal.

– Você enlouqueceu? Eu vou morrer de frio! — a moça estava assustada.

– Você não tem escolha, preciso que confie em mim.

Assim, a moça deu a mão para John e se apoiou para levantar.

Ela passou o braço pelo ombro dele, porque seus pés não a sustentavam. John cambaleou com a moça até o lago, onde ela se despiu de suas vestes e ficou seminua.

Ele arregalou os olhos, certamente não esperava por isso. John olhou para os lados, não queria nem pensar no que Madison diria se visse isso.

Ajudou a moça a entrar no lago, ela tremia muito. Ele sentou-se em uma rocha que havia perto do lago e segurava a sua mão para certificar-se de que ela não iria afundar. A moça quebrou o silêncio:

– Você salvou minha vida e eu nem sei o seu nome.

– É John.

– John é um lindo nome.- a moça abriu um sorriso perfeitamente alinhado e de dentes brilhantes e brancos.- eu me chamo Livia.

– Livia também é um lindo nome.- John sorriu, mas não soube exatamente o porquê.

– Meu pai queria que eu me chamasse Sophia, mas minha mãe odiava esse nome. Por isso, é o meu nome do meio. Minha mãe dizia que Sophia era um palavrão.

– Um palavrão?

– Sim, Sophia da pu... — e caiu na gargalhada. Parecia que a água tinha mesmo ajudado.

John não se conteve e riu também. Quando olhou para a direita, lá estava Madison, segurando um saco de frutas. Ela tinha uma cara extremamente triste, e rapidamente o sorriso de John sumiu do seu rosto. Ele se sentia mal, mas não podia largar a mão de Livia, ela estava com uma febre de 40 graus. Madison não disse nada, simplesmente continuou andando até o acampamento.

– Bom, acho que já está bom de banho por hoje, né?- John indagou.

–Acho que sim, estou me sentindo muito melhor.

– Agora vou ajudar você a se deitar, e fique de repouso. Você precisa descansar, certo?

– Certo.

Ela saiu da água, e John se permitiu olhar o seu corpo seminu, agora molhado. Ela tinha belas curvas, ele rapidamente desviou o olhar e se sentiu culpado.

Livia se vestiu e andou até o acampamento, ao lado de John. Ela arriscou segurar na mão dele, mas ele rapidamente a tirou, disfarçando:

– Veja! Madison trouxe frutas para nós! Já enjoei daquelas algas.

Ele acompanhou Livia até o seu colchonete, e ela deitou-se. Disse:

– Obrigada.

– Não há de quê.- John disse envergonhado.

– Venha me ver mais tarde.

John simplesmente abanou a cabeça e foi até Madison, tascar-lhe um beijo de bom dia. Ela virou o rosto, e o beijo pegou em suas bochechas. Ele sabia que tinha pisado na bola, mas não imaginava vê-la tão zangada desse jeito.

– Querida, o quê você tem?

– Nada, John. Coma sua fruta antes que acabe, todos estamos felizes por termos achado algo digerível.

John pegou uma maçã e só agora percebeu que estava com fome. Mad continuou, ironizando:

– Por que não leva uma laranja pra sua nova amiga?

– Boa ideia! Ela não pode se levantar, acho que vou levar agora mesmo. — Ele não havia percebido o tom de ironia em sua voz.

Ao retornar, o capitão disse:

– Precisamos sair daqui. Tem uma cidade grande ao leste, com certeza haverá mais suprimentos "digeríveis" — deu uma piscada para Dale- e estaremos mais longe do litoral. A fumaça está se aproximando.

John pegou o binóculos que estava no pescoço do capitão, examinou a área e concluiu:

– A fumaça ainda está longe. Muitos de nós não temos forças para viajar agora -olhou para Livia, que continuava deitada- Não podemos arriscar a saúde de quem ainda nos resta.

O capitão continuou:

– Isso é ridículo! Não vou arriscar a vida de todos nós porque uma pessoa tem febre. Se quiser, carregue ela. Partiremos daqui uma hora.

Ótimo. Ele tinha uma hora para se resolver com a menina que mais amava na vida. Ou que achava que amava.

Notas finais
..