CANCELADO Um Doutor no Mundo Mágico
9 O Fúneral do Doutor
Notas iniciais
Lena acordou de sobressalto. Estava com o rosto repleto de lágrimas e se debruçava sobre o sofá onde estava deitado o corpo inativo do Doutor.
—Volte para casa menina-disse o Sr. Turner, vestindo um pijama listrado- Ele ficará aqui por um tempo.
Lena abraçou o homem que ali jazia morto e voltou para a cabana sem esperança de o sol trazer uma manhã melhor.
No dia seguinte, o Sr. Turner bateu à porta da cabana.
—Devemos crema-lo -disse ele.
—Não-respondeu a garota-Devemos vela-lo.
—Mas...
—Não, Sr. Turner. Quero me despedir vendo seu corpo baixar ao solo.
—Certo.
Mais tarde, o Doutor foi colocado em um rustico caixão de madeira, rodeado de flores que Molly havia trazido da Toca. Sua varinha e a Chave Sônica estavam depositadas sob suas mãos que descansavam em seu peito inerte, e seus cabelos foram gentilmente penteados por Lena.
—Eu sinto muito-disse Molly a Lena, que sentada em um banco ao lado do Doutor, fixava seus olhos a distância.
Parte da Ordem estava reunida em volta do caixão. Sirius pigarreou:
—Se me permitem, devo esclarecer como ele morreu. Acho que Lena precisa saber...
—Ele pulou na sua frente-interrompeu ela.
—Como sabe?-perguntou ele.
—Sei de muitas coisas.
—Ele também dizia coisas estranhas assim-falou Molly.
—Sim-disse Sirius-E ele pulou na minha frente, recebendo o feitiço em meu lugar e parte do seu corpo caiu no Véu da Câmara da Morte, mas o puxei antes que caísse.
—Obrigada-agradeceu a menina.
—De nada adiantou-disse Sirius, franzindo a testa, revoltado consigo mesmo.
—Ele está comigo agora-explicou ela-Adiantou muito, Sr. Black.
O dia passou e Lena pediu mais um dia para observar o Doutor. Ele seria levado de volta à casa do Sr. Turner e enterrado no dia seguinte.
Ela abraçou fortemente o corpo gelado, as lágrimas correndo e regando as flores que enfeitavam o esquife.
—Me perdoe-dizia ela, pois sabia que em todo aquele tempo, seu único foco era salvar Sirius, sem se importar com que vida seria tirada no lugar.
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Uma forte luz veio da janela. Lena abriu os olhos devagar, depois fechou-os novamente.
—Quem é você?!-gritou alguém do lado de fora da casa.
Uma baixa voz respondeu.
—Não! Saia daqui!-disse de novo-Vá embora.
E outra vez surgiu uma resposta. Lena levantou-se do sofá e olhou por uma abertura na janela, vendo dois vultos da vidraça da casa do Sr. Turner.
—Ó céus! -disse a voz, que Lena reconheceu ser a do Sr. Turner-O que fez com aquele bom homem?
Uma faísca vermelha surgiu no ar.
—Pare! — gritou outra voz-Sou eu, o Doutor!
—Saia daqui seu bêbado...
—Espera! — berrou Lena, entrando abruptamente na sala onde eles estavam.
—Doutor! -disse ela, e o abraçou.
Ele cambaleou, e rindo disse:
—Cuidado, acabei de me regenerar. Não tenho muita noção de espaço e minha cabeça está doendo.
—Está todo lambuzado-disse a menina, olhando para as manchas em seu paletó e para a tigela em sua mão -O você está comendo?
—Não faço ideia-respondeu ele, enfiando parte a gororoba na boca.
—Não entendo-disse Turner-Como ele pode ser o Doutor?
Após uma longa explicação sobre a raça dos Senhores do Tempo e regeneração, Sirius, que estava de volta à lareira riu.
—Que bom que você é seja lá o que for.
—Sou o último da minha espécie.
—Isso é confuso-murmurou o Sr. Turner, que atento ouvia o discurso do Doutor.
—Bem, acho que devo voltar para casa e descansar.
Lena e o Doutor entraram na cabana e se espreguiçaram no sofá.
—Quase te cremamos-disse Lena.
—E por que não fizeram isso?
—Por que eu pedi.
—E por que pediu?-perguntou ele, parecendo se divertir com as respostas da garota.
—Queria passar mais tempo com você.
O Doutor sorriu. Por um instante Lena se perguntou o que se passava na cabeça dele, pois como registrado na série aquela era a regeneração da qual se esquecia de tudo, da Guerra do Tempo, dos antigos acompanhantes e até mesmo de Rose.
—Ainda se lembra da Rose?-perguntou Lena.
O Doutor suspirou.
—Claro que me lembro. Nunca vou esquece-la.
Lena sorriu.
—Que bom.
O Doutor se levantou do sofá e se sentou na poltrona reclinável.
—Já reparou que as vozes das pessoas são as dos dubladores?-perguntou a menina.
Ele franziu o cenho.
—Ah, certo-disse a menina, abanando as mãos- Você deve ouvir as vozes originais.
—Interessante-murmurou o Doutor-Nunca vi o Sr.Turner no livro.
—Nem eu-disse a garota.
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—Vamos, lá-dizia o Doutor-Vamos de novo.
Lena se endireitou e apontando a varinha para a maçã que estava sobre a mesa, disse pela sétima vez:
—Carpe Retractum!
A maçã se moveu alguns centímetros em direção a ela, e depois parou.
—Doutor, isso não vai me levar a lugar algum-disse a menina- Achei que fosse me ensinar a duelar.
—Tudo em seu tempo.
—Tudo em seu tempo-resmungou Lena.
—Acha que fiz a coisa certa?-disse o Doutor- Fiz o certo em salvar Sirius e quase me matar?
—Fez.
—Uma vida por outra vida-disse ele-Parte da minha foi levada quando entrei no Véu. Espero que seja o suficiente para que nenhum outro seja levado no lugar dele.
—Então foi isso que aconteceu?-perguntou Lena-Parte da sua vida foi levada em troca da vida de Sirius?
—Pelo menos uns 300 anos.
—Trezentos anos pela vida de Sirius Black-ponderou a garota-Que vida cara.
O Doutor riu.
—O futuro se torna duvidoso agora que ele está vivo.
—Achei que monstros entrariam pela fenda que isso causaria e devoraria a todos-zombou Lena.
—Sim-disse o Doutor, seriamente- A vida foi paga. Espero que isso baste.
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-Dumbledore caiu-disse Sirius na lareira- A Ordem foi desfeita.
Lena olhou para o Doutor e se encolheu em um canto e tampou os ouvidos e mordeu os lábios, com medo de falar algo que não devia.
—Você está bem?-perguntou o Doutor.
Lena olhou para a lareira; Sirius havia sumido.
—Como consegue?-perguntou ela-Nós sabíamos que ele iria morrer.
—Tento esquecer que sei o futuro da humanidade.
—Não tenho essa habilidade.
O Doutor a abraçou e juntos voltaram a cabana.
—A Guerra se aproxima. Hogwarts será atacada em breve.
“Hogwarts será atacada em breve”. A frase ecoava na mente de Lena.
—Colin-disse ela, para escuridão do céu acima de suas cabeças.
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